Nos
Terraços do Carmo, nasceu “uma varanda” sobre Lisboa
INÊS BOAVENTURA
10/06/2015 - 14:01 (actualizado às 14:49)
Junto
ao Convento do Carmo, onde antes estavam uns “barracões” da GNR,
há um novo miradouro para conhecer.
Com a há muito
aguardada inauguração dos Terraços do Carmo, Lisboa ganhou, além
de uma ligação pedonal entre o Convento do Carmo e a Rua Garrett,
“uma nova varanda sobre a cidade”. Para o presidente da câmara,
são intervenções como esta que permitem recuperar a
“autenticidade” da capital.
Com esta obra,
inaugurada nesta quarta-feira, fica finalmente concluída a execução
do plano pensado pelo arquitecto Siza Vieira para a zona do Chiado,
na sequência do grande incêndio que aí ocorreu há quase 27 anos.
“Uma versão ampliada e melhorada” do plano, notou o presidente
da Câmara de Lisboa, já que não constava do projecto inicial a
criação de “um novo miradouro” nos terraços junto ao convento.
Isso mesmo foi
também destacado pelo vereador do Urbanismo, que lembrou que a
intenção inicial da empreitada agora concluída era promover a
ligação entre a Rua Garrett e o Convento do Carmo. Só a partir de
2007, contou Manuel Salgado, é que foi ganhando forma a ideia de
abrir “mais uma praça, mais um espaço público” nos terraços
que até aí estavam ocupados com “barracões” da GNR.
“Os Terraços do
Carmo foram uma descoberta, não estavam previstos”, afirmou o
autarca, constando que “surpreendentemente” esses terraços
surgiam desenhados numa carta de 1850 de Filipe Folque, um político
e militar.
Manuel Salgado
deixou ainda uma palavra de apreço a Siza Vieira, sublinhando que o
arquitecto esboçou para o Chiado um plano “extremamente rigoroso,
fundado na história”, com o qual “ensinou a intervir sobre a
cidade existente”. No fundo, rematou, aquilo que obras como a dos
Terraços do Carmo permitem é “a descoberta de uma cidade que
estava escondida”.
“O Chiado não é
o mesmo de há 27 anos, mas parece que sempre foi assim”, disse por
sua vez o arquitecto Carlos Castanheira, em nome da equipa
responsável pelo projecto.
Segundo o presidente
da câmara, a obra inaugurada neste Dia de Portugal teve um custo de
2,1 milhões de euros, provenientes de “verbas próprias e do
Turismo de Portugal”. Fernando Medina não esqueceu as
“vicissitudes extraordinárias” que a empreitada teve, e que
fizeram com que a sua conclusão derrapasse no tempo, nem os
incómodos sofridos pelos lojistas da Rua do Carmo, que serão
indemnizados.
Revitalização da
Baixa
Aos Terraços do
Carmo, cujo chão em calçada portuguesa é pontuado aqui e ali por
pequenos relvados, é possível aceder através do largo com o mesmo
nome. Para isso há que ultrapassar alguns lanços de escadas, pouco
convidativos para visitantes com mobilidade reduzida. Também para
chegar à Rua Garrett, num caminho que se faz por um espaço entre
prédios e que desemboca no número 10, há vários degraus para
vencer.
Apesar de a
inauguração do espaço ter já tido lugar, e de a placa da praxe
ter sido descerrada perante dezenas de convidados, há trabalhos que
ficaram por concluir. O elevador que fará o acesso à Rua do Carmo,
através do interior de uma loja municipal, só deverá entrar em
funcionamento daqui a um mês, de acordo com Manuel Salgado. Também
a prometida instalação de uma cafetaria com esplanada no novo
miradouro terá de esperar pelo lançamento de um concurso de
concessão.
“Isto é uma
reinvenção permanente”, sublinhou o vereador do Urbanismo,
constatando que há para fazer em Lisboa “muito trabalho, para
muitas décadas e muitos executivos municipais”. A criação de um
percurso dos Terraços do Carmo à Calçada do Duque, e por aí fora
até ao Jardim Botânico, a abertura de um terraço no topo do Museu
do Design e da Moda (MUDE) e a revitalização da Praça da Figueira
são algumas das ideias que Manuel Salgado gostaria de ver
concretizadas. Obras que se iriam juntar a “projectos estratégicos
absolutamente essenciais para a revitalização da Baixa”, como a
intervenção no Terreiro do Paço.
Elevador em Alfama
inaugurado
Também inaugurado
nesta quarta-feira foi um elevador que faz a ligação entre o
Miradouro de Santa Luzia e a Rua Norberto de Araújo, em Alfama.
O elevador e as
escadas nasceram no interior de um conjunto de edifícios que foram
reconstruídos pelo município, de acordo com um projecto do
arquitecto Frederico Valsassina. Em causa está um investimento de
cerca de um milhão de euros, suportado com verbas do Programa de
Investimento Prioritário em Acções de Reabilitação Urbana, e que
de acordo com os responsáveis pela obra incluiu a requalificação
do miradouro.
O presidente da
Junta de Freguesia de Santa Maria Maior destacou a importância desta
obra, considerando que se trata de “um equipamento absolutamente
decisivo para a mobilidade”. Não só, sublinhou Miguel Coelho, dos
turistas que querem chegar ao Castelo de São Jorge, mas também dos
moradores da zona. “É um equipamento ao serviço do turismo e das
populações”, rematou o autarca socialista.
Também o presidente
da câmara Fernando Medina frisou que com obras como esta, que “não
são obras de ruptura, novos edifícios, novas arquitecturas”, se
pretende que todos possam “circular livremente na cidade”. E
também ajudar a “dar a conhecer partes da cidade que estavam
escondidas”.
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