quinta-feira, 9 de maio de 2013
Em vésperas de ser extinta, EPUL contrata firma de advogados de luxo.
Em vésperas de ser extinta, EPUL contrata firma de advogados de luxo.
Por Ana Henriques in Público
10/05/2013
Trata-se do segundo ajuste directo em poucos meses, numa empresa que tem enfrentado sérios problemas de tesouraria
A poucos dias de ser formalmente extinta pela Câmara de Lisboa, a Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) aprovou a contratação, por 125 mil euros mais IVA, de uma das maiores sociedades de advogados da Europa. Objectivo: contar com apoio jurídico no processo de dissolução e na reestruturação da dívida que a empresa tem para com a banca e outros credores.
A decisão de contratar a filial portuguesa da sociedade Linklaters - que assessorou por exemplo Germán Efromovich na privatização da TAP - foi tomada pelo presidente da EPUL, o socialista Natal Marques, que teve de exercer o seu voto de qualidade, uma vez que a outra administradora da empresa, a social-democrata Margarida Saavedra, votou contra a contratação. Contactados pelo PÚBLICO para esclarecerem por que motivo a EPUL não recorria ao seu próprio gabinete jurídico ou aos serviços da Câmara de Lisboa - que tem nos seus quadros dezenas de juristas e é o único accionista da empresa -, nenhum dos dois administradores quis prestar declarações sobre o assunto.
De acordo com a proposta aprovada na reunião do conselho de administração da EPUL que teve lugar ontem, a Linklaters será contratada através de ajuste directo. A escolha deste procedimento, em detrimento de um concurso público ou de um concurso limitado, baseia-se na disposição legal que autoriza ajustes directos de serviços de natureza intelectual ou financeira quando a natureza do trabalho "não permite a elaboração de especificações contratuais suficientemente precisas para que sejam qualitativamente definidos atributos das propostas necessários à fixação de um critério de adjudicação".
À frente do escritório da Linklaters em Portugal está o advogado Pedro Siza Vieira, que chegou a ser assessor jurídico do ex-presidente da Câmara de Lisboa Jorge Sampaio, entre 1990 e 1992, depois de ter desempenhado as mesmas funções no Governo de Macau. Segundo o caderno de encargos elaborado pela EPUL, a assessoria jurídica terminará no final de Setembro ou, na pior das hipóteses, no final do ano.
"É dever do conselho de administração da EPUL estudar e preparar com carácter de urgência o cenário de dissolução da empresa, analisando todas as suas implicações e consequências e procurando identificar e implementar as medidas mais adequadas a adoptar", refere a proposta ontem aprovada, que justifica a escolha da Linklaters com a "profunda experiência" da firma neste tipo de questões, mas também com o facto de a Câmara de Lisboa a ter recomendado à EPUL.
A comissão de trabalhadores da empresa mostra-se "horrorizada" com mais uma contratação de serviços e recorda que esta é a segunda em poucos meses, uma vez que a administração da empresa tem já a assessorá-la a consultora Roland Berger, à qual pagou 266 mil euros para a apoiar nos últimos dias da EPUL, que tem enfrentado sérias dificuldades de tesouraria.
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1 comentário:
Parece que a EPUL importou os procedimentos em vigor na GEBALIS e já amplamente divulgados na Comunicação Social :) digo eu de que.
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