sábado, 16 de dezembro de 2017

A Monarquia Socialista Portuguesa / Demita-se / Paula Brito e Costa: "Vieira da Silva? Ficar-lhe-ei grata para o resto da vida"


A Monarquia Socialista Portuguesa
A endogamia do Governo de António Costa compete com a casa dos Habsburgo. Mais parece uma seita.

 João Miguel Tavares
16 de Dezembro de 2017, 8:02

Ferreira Fernandes escreveu uma crónica no Diário de Notícias onde classificava como “chicana política” andar por aí a criticar a nomeação de Rosa Zorrinho como secretária de Estado da Saúde somente por ela ser mulher de Carlos Zorrinho. Disse ele: “Está aí talvez a pior das consequências da chicana política: insinuando, sem provas e contra factos, que uma pessoa com currículo bastante foi escolhida indevidamente só desvaloriza a crítica necessária e urgente à prática demasiado comum do PS e do PSD de darem cargos por compadrio.”

Permitam, então, que me dedique à chicana política, para tentar demonstrar que ter “currículo bastante” não pode de forma alguma ser o único critério para nomear alguém, e que a nomeação por compadrio é perfeitamente compatível com um excelente currículo. É certo — aí estou de acordo com Ferreira Fernandes — que existe uma espécie de grau zero da nomeação política, que consiste em escolher um boy semianalfabeto que se distinguiu a colar cartazes a quatro metros de altura para dirigir a segurança social de Freixo de Espada à Cinta. Essa é, sem dúvida, a forma mais tenebrosa e imbecil de compadrio. No entanto, como o país tem felizmente evoluído em termos de literacia, hoje em dia qualquer alminha consegue exibir uma licenciatura pomposa e citar três frases eruditas, o que lhe confere automaticamente “currículo bastante” para ocupar qualquer lugar na função pública.

Só que o alfabetismo funcional não deve ser o único critério de nomeação. Mandam as boas práticas republicanas que um Estado, ou um governo, deva ser preenchido pelos mais competentes de entre todos os competentes disponíveis, e não pelos mais amigos com “currículo bastante”. Ora, o que vemos nós quando olhamos para o actual Governo? Permitam-me actualizar a lista que aqui elaborei há coisa de dois meses: Eduardo Cabrita (ministro da Administração Interna), Pedro Siza Vieira (ministro adjunto) e José Apolinário (secretário de Estado das Pescas) foram colegas de António Costa na Faculdade de Direito de Lisboa. Tal como Diogo Lacerda Machado, um dos nomes favoritos para suceder a Eduardo Catroga como chairman da EDP. Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, é mulher de Eduardo Cabrita. Vieira da Silva, ministro da Segurança Social, é companheiro de Sónia Fertuzinhos, deputada do PS. E a sua filha, Mariana Vieira da Silva, secretária de Estado adjunta de António Costa. António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, é irmão de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS. E a sua mulher, Patrícia Mendes, adjunta no gabinete do primeiro-ministro.

Passo por cima de Carlos César e respectivo agregado familiar. O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, é filho do antigo secretário de Estado da Justiça José Matos Fernandes. Guilherme W. d’Oliveira Martins, secretário de Estado das Infraestruturas, é filho do ex-ministro Guilherme d’Oliveira Martins. A ministra da Presidência Maria Manuel Leitão Marques é mulher do ex-eurodeputado socialista Vital Moreira. E a nova secretária de Estado da Saúde Rosa Zorrinho é mulher do eurodeputado socialista Carlos Zorrinho.


A endogamia do Governo de António Costa compete com a casa dos Habsburgo. Mais parece uma seita, em que todos se conhecem desde a infância e se casam entre eles. Isto não é saudável. Nem aqui nem na Áustria. Eu sou republicano. Não aprecio habitar na Monarquia Socialista Portuguesa. Num país sério, ter “currículo bastante” não basta.

Demita-se
Do ponto de vista político e ético, a situação de Vieira da Silva é agravada por se tratar de alguém que não é um político qualquer.

SÃO JOSÉ ALMEIDA
16 de Dezembro de 2017, 7:15

Há investigações a decorrer — que se desejam urgentes — e o caso pode vir a ganhar contornos mais complicados no que se refere a situações de promiscuidade com o poder político, a irregularidades financeiras e a desvios de dinheiro da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) Raríssimas. Mas do que já é público, só há uma conclusão a tirar, o ministro do Trabalho e da Segurança Social, José Vieira da Silva, não devia hesitar em demitir-se e seguir o caminho já escolhido pelo ex-secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado.

Não quer isto dizer que ponho no mesmo saco e em pé de igualdade a actuação de um e de outro em relação a esta IPSS. Nem suponho que os actos do ministro possam ter contornos criminosos. Mas, na prática, o envolvimento de ambos os governantes, bem como o da deputada do PS Sónia Fertuzinhos (mulher de Vieira da Silva), é o exemplo do que é o retrato de Portugal no seu pior. Todo o caso, nos seus múltiplos aspectos e contornos, é um nojo. O escândalo da Raríssimas traz à luz do dia o que é a corrupção em Portugal. As redes de cunhas, de amiguismo, de absoluta promiscuidade entre o poder político e as instituições que dependem do Estado, sejam IPSS, sejam, bancos, sejam que organismos forem. Neste caso até há contornos de nepotismo, ou seja, de titulares políticos de órgãos de Estado que favorecem familiares ou amigos íntimos.

Do ponto de vista político e ético, a situação de Vieira da Silva é agravada por se tratar de alguém que não é um político qualquer. É um dos generais do PS e um quadro político com um perfil tecnocrático de relevância. Vieira da Silva é um ministro competentíssimo. A reforma da Segurança Social que fez no primeiro Governo de José Sócrates, enquanto ministro da tutela, foi marcante. Antes, nos governos de António Guterres, foi secretário de Estado de Ferro Rodrigues na mesma área. No actual Governo, tem sabido conduzir de forma positiva a Segurança Social e as negociações com o Parlamento e a Concertação Social.

Por ser quem é — alguém com inegável qualidade política e técnica — é que não se percebe que tenha aceitado, entre 2013 e 2015, ser vice-presidente da assembleia geral de uma IPSS, uma instituição privada de uma área que anteriormente tutelou como ministro. Sei que a lei impõe um período de nojo de três anos aos ex-governantes para ocupar cargos em áreas que tutelaram e que Vieira da Silva foi ministro desta até 2009, passando depois para a Economia. Mas não se percebe que não se tenha preservado e que tenha abandonado o cargo apenas na véspera de voltar ao Governo, aprovando em assembleia geral as contas de 2015 precisamente a 25 de Novembro, quando tomou posse a 26 de Novembro.

Exactamente as mesmas contas que agora, forçado pelo escândalo público, se viu obrigado a mandar investigar. Será que, à época, tendo a responsabilidade que tinha e no intuito de preservar a sua honra, não se lembrou de olhar para as contas que agora são questionadas e perceber os gastos excessivos e ilegais com o pessoal, em particular com o que era pago à presidente desta IPSS com dinheiro do Estado, ou seja, receitas de impostos pagos pelos contribuintes?

Mais: do que já é conhecido do caso, as denúncias sobre a actuação de Paula Brito Costa existem pelo menos desde Janeiro deste ano, feitas por responsáveis da Fedra — Federação das Doenças Raras de Portugal. Mais queixas se seguiram. Chegaram ao Governo e até aos serviços de apoio ao Presidente da República. Mas Marcelo Rebelo de Sousa, sempre tão prolixo, limita-se a dizer que a queixa chegou só a 4 de Dezembro e que não era específica. É já sabido que foi aberto um inquérito à Raríssimas pelo Instituto da Segurança Social. E também pelo Ministério Público. Apesar das múltiplas denúncias e depois delas, o ministro Vieira da Silva participou numa conferência de uma fundação Ågrenska, na Suécia, onde estava também Paula Brito Costa. Mesmo que esta não integrasse a delegação do Governo português, já foi noticiado que o ministro tinha conhecimento do convite feito a Paula Brito Costa pela fundação sueca.

Pior: em 2016, foi a vez de a mulher do ministro, a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, ter viajado para a Suécia, a convite da mesma instituição estrangeira, com bilhete previamente adquirido pela Raríssimas. Sónia Fertuzinhos afirmou que a IPSS portuguesa foi reembolsada pela fundação sueca. A questão é outra: sendo mulher do ministro da Segurança Social, será que alguém acha normal que a deputada do PS tenha viajado com dinheiro adiantado por uma instituição que o marido, como governante, tutela? Já agora, sendo um casal, não deviam ter algum cuidado para não tratarem dos mesmos assuntos, um no Governo e o outro no Parlamento?

É preciso realçar que todo este caso veio a público através do trabalho competente de jornalistas que investigaram as denúncias que lhes chegaram, ao que parece por os denunciantes desconfiarem de que ninguém fazia nada e que o assunto estava a ser abafado. Saliento o trabalho da jornalista da TVI Ana Leal. O que Ana Leal fez ao divulgar fotos íntimas de Paula Brito Costa e Manuel Delgado foi uma decisão jornalística acertada. As fotos ajudavam a comprovar a existência de uma relação privada e íntima entre ambos, o que torna qualquer situação de favorecimento que envolva políticos em nepotismo político.

Além disso, um secretário de Estado não é uma pessoa comum, é o ocupante de um cargo que integra o Governo, ou seja, faz parte de um órgão de soberania. Se há provas de que misturou o seu estatuto de governante com a sua vida pessoal e íntima numa situação de suspeita de promiscuidade, elas devem ser divulgadas a bem do interesse público. Se Ana Leal não tivesse mostrado as fotos e tivesse questionado o secretário de Estado sobre a sua relação pessoal e íntima com Paula Brito Costa, tinham caído o Carmo e a Trindade e Ana Leal seria acusada de estar a levantar suspeições escusas e calúnias torpes.

Já agora destaco também o jornalista da TVI André Carvalho Ramos, que não teve medo de acusar Vieira da Silva de estar a mentir, quando na segunda-feira, numa conferência de imprensa, Vieira da Silva teve o descaramento de dizer que nada sabia sobre irregularidades, quando tinha na mão um documento que falava delas. Felizmente, o jornalista também tinha a mesma denúncia enviada à Segurança Social a 9 de Agosto e reenviada ao ministro a 12 de Outubro. E André Carvalho Ramos não se intimidou.


A ética na política é um bem inestimável e a ética dos políticos é essencial à preservação da vida democrática. A democracia caracteriza-se por ser precisamente um regime de regras rígidas, única forma de salvaguardar que o Estado trata todas as pessoas de igual modo. E em democracia, a ética não é apenas o que está na lei. Há princípios e valores que têm de ser preservados por quem ocupa cargos de poder e cargos de Estado. Ao não serem cumpridos, ao serem desvalorizados em favorecimento de interesses privados, de amigos, de protegidos e de pessoas íntimas, quem o faz está a corroer a própria matriz democrática do regime político português.

O “Beijo da Morte”
OVOODOCORVO
Paula Brito e Costa: "Vieira da Silva? Ficar-lhe-ei grata para o resto da vida"
Ex-presidente da Raríssimas diz que não houve nenhum político que tivesse ajudado tanto a Casa dos Marcos como o actual ministro do Trabalho e da Segurança Social.

PÚBLICO 15 de Dezembro de 2017, 22:15

A ex-presidente da Raríssimas, Paula Brito e Costa, diz que ficará “grata para o resto da vida” a Vieira da Silva por ter aprovado, em 2007, e numa altura em que a associação estava a ser fundada, um “incentivo” de 500 mil euros.

Numa entrevista transmitida no programa Sexta às 9 da RTP, Brito e Costa, que é suspeita de gestão danosa na Raríssimas, negou que tenha tido uma vida de luxo e que tenha enriquecido através das suas funções na associação.

Questionada sobre um subsídio atribuído em 2007 pelo então ministro do Trabalho e Segurança Social Vieira da Silva, Brito e Costa ressalva que esse valor dizia respeito a “um incentivo”. “Um incentivo, é assim que é chamado, de meio milhão de euros. Sim foi público, protocolado publicamente”, explicou.

A antiga presidente da Raríssimas concorda ainda que Vieira da Silva foi o político que mais a ajudou a construir a Casa dos Marcos. “Houve algum político além de Vieira da Silva que a tenha ajudado tanto a tornar a Casa dos Marcos naquilo que é hoje”, perguntou a jornalista Sandra Felgueiras. “Tanto? Não”, respondeu Brito e Costa. “Ficar-lhe-ei grata para o resto da vida”, diz ainda.

Numa nota escrita enviada ao programa Sexta às 9, Vieira da Silva desmente esta versão, afirmando que foi aprovado “um financiamento público” no valor de pouco mais de 427 mil euros: "Não concedi nenhum subsídio de meio milhão de euros à associação. Aquando da abertura de candidaturas ao programa PARES, a associação apresentou uma candidatura, a qual foi aprovada, com um investimento total de 3.170.700 euros e um financiamento público de 427.700 euros (13,5%)”, respondeu o actual ministro do Trabalho e da Segurança Social.

O PARES é o Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais e destina-se Instituições Particulares de Solidariedade Social ou outras legalmente equiparadas que pretendam apresentar projectos que criem novos lugares em respostas sociais, como creche ou lares de idosos. Sendo aprovados, o Estado cofinancia-os.

Durante a mesma entrevista Brito e Costa acusa ainda a antiga vice-presidente da Raríssimas, Joaquina Teixeira, de "desvios de fundos, fraude fiscal, branqueamento de capitais, provavelmente fuga ao fisco".

Paula Brito e Costa diz ainda não recear ser detida no âmbito do inquérito que foi aberto pelo DIAP na sequência das denúncias de gestão danosa transmitidas numa reportagem da TVI, que já provocaram a demissão do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado: “Por causa de umas gambas e de dois vestidos não vou fugir para lado nenhum.”

SEF arquivou auditoria que detetou indícios de vistos ilegais e corrupção


(…) “A auditoria, ordenada pela anterior diretora, Luísa Maia Gonçalves (que se demitiu em conflito com a ex-ministra Constança Urbano de Sousa), contou com uma equipa especial de investigação e reuniu informação que encheu um total de 15 volumes, entre a qual se incluem diversas provas documentais sobre as ilegalidades.
Em causa estão milhares de vistos de residência passados, principalmente em 2015, ao abrigo do artigo 88 que, na altura, permitia, a título excecional, conceder estas autorizações a estrangeiros que demonstrassem ter uma ligação laboral no nosso país há mais de um ano, e provassem ter entrado legalmente em território nacional. Alegadamente por acordo entre os responsáveis do SEF e algumas associações de imigrantes, que criticavam a excessiva burocracia e a dificuldade de muitos imigrantes, já a trabalhar em Portugal, em conseguir a prova de entrada legal, este requisito foi suspenso. Nesse ano, os pedidos de visto, com base nesta exceção mais que duplicaram (de 5800 em 2014 para 12 200 em 2015), com um crescimento "substancial", admitiu o SEF, das "nacionalidades hindustânicas" , registando um "efeito de chamada" de imigrantes "em situação irregular" noutros países.”

SEF arquivou auditoria que detetou indícios de vistos ilegais e corrupção

O novo diretor do SEF, Carlos Moreira, mandou arquivar a investigação interna concluída há um mês com suspeitas de crime

15 DE DEZEMBRO DE 2017
00:55
Valentina Marcelino

O novo diretor do SEF, Carlos Moreira, mandou arquivar uma auditoria interna, concluída há um mês, com suspeitas de corrupção e concessão de vistos ilegais sem o requisito obrigatório de prova de entrada legal no nosso país. A auditoria foi conduzida durante um ano pelo Gabinete de Inspeção do SEF, que propôs sanções disciplinares a um total de seis funcionários, da base ao topo, entre os quais o ex-diretor nacional adjunto Luís Gouveia. Foram ainda extraídas duas certidões criminais relativas aos indícios de corrupção de um inspetor e um administrativo, que terão recebido dinheiro para conceder os vistos. Ao DN, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, diz ter "plena confiança" na direção desta polícia.

A situação está a causar um grande mal-estar no SEF e também chegou ao conhecimento do CDS. O líder parlamentar Nuno Magalhães considera "muito grave" a decisão de Carlos Moreira e espera "explicações cabais" do ministro da Administração Interna. O gabinete de Eduardo Cabrita sublinha que o ministro tem "tem plena confiança na Direção Nacional do SEF no exercício das suas competências próprias, designadamente em matéria disciplinar".

O SEF "não comenta resultados de inquéritos internos nem de processos disciplinares", respondeu este serviço de segurança às perguntas do DN para que explicasse o arquivamento. Luís Gouveia, por seu lado, sublinhou que foi "ouvido" e fez a sua "defesa em sede da auditoria". "Trata-se de uma questão interna. Para mim o assunto está encerrado e arquivado", assinalou. No passado dia cinco de dezembro, o diretor do SEF concedeu uma licença a este inspetor-coordenador superior do SEF para ocupar, em Bruxelas, o cargo de oficial de ligação na Representação Permanente Portuguesa, cujo vencimento é superior a 10 mil euros mensais.

Eduardo Cabrita , que assinou a nomeação, explica que " a direção do SEF indicou, nos termos dos procedimentos estabelecidos, três curricula para seleção do novo Oficial de Ligação na REPER". Para o ministro "o curriculum do Dr. Luís Gouveia foi considerado o mais adequado às funções" e "do seu registo pessoal não consta qualquer sanção disciplinar". A nomeação foi assim já depois do arquivamento da auditoria.

De acordo com informações recolhidas pelo DN junto de várias pessoas que conhecem a situação, o coordenador do Gabinete de Inspeção, Coronel do Exército Rui Baleizão, em comissão de serviço no SEF desde 2013 e ex-juiz militar, não alterou uma linha das conclusões do seu relatório, mantendo as propostas de sanções disciplinares que deveriam ser aplicadas pela Direção Nacional.

A auditoria, ordenada pela anterior diretora, Luísa Maia Gonçalves (que se demitiu em conflito com a ex-ministra Constança Urbano de Sousa), contou com uma equipa especial de investigação e reuniu informação que encheu um total de 15 volumes, entre a qual se incluem diversas provas documentais sobre as ilegalidades.

Em causa estão milhares de vistos de residência passados, principalmente em 2015, ao abrigo do artigo 88 que, na altura, permitia, a título excecional, conceder estas autorizações a estrangeiros que demonstrassem ter uma ligação laboral no nosso país há mais de um ano, e provassem ter entrado legalmente em território nacional. Alegadamente por acordo entre os responsáveis do SEF e algumas associações de imigrantes, que criticavam a excessiva burocracia e a dificuldade de muitos imigrantes, já a trabalhar em Portugal, em conseguir a prova de entrada legal, este requisito foi suspenso. Nesse ano, os pedidos de visto, com base nesta exceção mais que duplicaram (de 5800 em 2014 para 12 200 em 2015), com um crescimento "substancial", admitiu o SEF, das "nacionalidades hindustânicas" , registando um "efeito de chamada" de imigrantes "em situação irregular" noutros países.

Quando tomou posse, no início de 2016, Luísa Maia Gonçalves foi confrontada com a avalanche de pedidos e em março assinou um despacho a revogar todas as orientações à margem da lei, embora com uma análise caso a caso para casos humanitários, que foram legalizados. "O que se tornou mais difícil foi a regularização de cidadãos que vivem ilegalmente noutros países e que eram trazidos para Portugal por redes criminosas só para obterem a autorização de residência, sendo explorado por estas redes na angariação de mão-de-obra ilegal e tráfico de seres humanos em situação de quase escravatura", justificou o SEF.


Este despacho mereceu fortes críticas das associações de imigrantes e do BE, que se manifestaram exigindo a regularização de cerca de 30 mil imigrantes que tinham requerido os vistos. Na Parlamento, a ministra garantiu que "apenas" estavam pendentes para agendamento 3 370.

'Our minds can be hijacked': the tech insiders who fear a smartphone dystopia


Weekend magazine technology special
'Our minds can be hijacked': the tech insiders who fear a smartphone dystopia

Google, Twitter and Facebook workers who helped make technology so addictive are disconnecting themselves from the internet. Paul Lewis reports on the Silicon Valley refuseniks alarmed by a race for human attention

by Paul Lewis in San Francisco
Friday 6 October 2017 06.00 BST Last modified on Friday 1 December 2017 14.20 GMT

Justin Rosenstein had tweaked his laptop’s operating system to block Reddit, banned himself from Snapchat, which he compares to heroin, and imposed limits on his use of Facebook. But even that wasn’t enough. In August, the 34-year-old tech executive took a more radical step to restrict his use of social media and other addictive technologies.

Rosenstein purchased a new iPhone and instructed his assistant to set up a parental-control feature to prevent him from downloading any apps.

He was particularly aware of the allure of Facebook “likes”, which he describes as “bright dings of pseudo-pleasure” that can be as hollow as they are seductive. And Rosenstein should know: he was the Facebook engineer who created the “like” button in the first place.

A decade after he stayed up all night coding a prototype of what was then called an “awesome” button, Rosenstein belongs to a small but growing band of Silicon Valley heretics who complain about the rise of the so-called “attention economy”: an internet shaped around the demands of an advertising economy.

These refuseniks are rarely founders or chief executives, who have little incentive to deviate from the mantra that their companies are making the world a better place. Instead, they tend to have worked a rung or two down the corporate ladder: designers, engineers and product managers who, like Rosenstein, several years ago put in place the building blocks of a digital world from which they are now trying to disentangle themselves. “It is very common,” Rosenstein says, “for humans to develop things with the best of intentions and for them to have unintended, negative consequences.”

Rosenstein, who also helped create Gchat during a stint at Google, and now leads a San Francisco-based company that improves office productivity, appears most concerned about the psychological effects on people who, research shows, touch, swipe or tap their phone 2,617 times a day.

There is growing concern that as well as addicting users, technology is contributing toward so-called “continuous partial attention”, severely limiting people’s ability to focus, and possibly lowering IQ. One recent study showed that the mere presence of smartphones damages cognitive capacity – even when the device is turned off. “Everyone is distracted,” Rosenstein says. “All of the time.”

It is very common for humans to develop things with the best of intentions that have unintended, negative consequences

But those concerns are trivial compared with the devastating impact upon the political system that some of Rosenstein’s peers believe can be attributed to the rise of social media and the attention-based market that drives it.

Drawing a straight line between addiction to social media and political earthquakes like Brexit and the rise of Donald Trump, they contend that digital forces have completely upended the political system and, left unchecked, could even render democracy as we know it obsolete.

In 2007, Rosenstein was one of a small group of Facebook employees who decided to create a path of least resistance – a single click – to “send little bits of positivity” across the platform. Facebook’s “like” feature was, Rosenstein says, “wildly” successful: engagement soared as people enjoyed the short-term boost they got from giving or receiving social affirmation, while Facebook harvested valuable data about the preferences of users that could be sold to advertisers. The idea was soon copied by Twitter, with its heart-shaped “likes” (previously star-shaped “favourites”), Instagram, and countless other apps and websites.

It was Rosenstein’s colleague, Leah Pearlman, then a product manager at Facebook and on the team that created the Facebook “like”, who announced the feature in a 2009 blogpost. Now 35 and an illustrator, Pearlman confirmed via email that she, too, has grown disaffected with Facebook “likes” and other addictive feedback loops. She has installed a web browser plug-in to eradicate her Facebook news feed, and hired a social media manager to monitor her Facebook page so that she doesn’t have to.

Justin Rosenstein, the former Google and Facebook engineer who helped build the ‘like’ button: ‘Everyone is distracted. All of the time.’ Photograph: Courtesy of Asana Communications
“One reason I think it is particularly important for us to talk about this now is that we may be the last generation that can remember life before,” Rosenstein says. It may or may not be relevant that Rosenstein, Pearlman and most of the tech insiders questioning today’s attention economy are in their 30s, members of the last generation that can remember a world in which telephones were plugged into walls.

It is revealing that many of these younger technologists are weaning themselves off their own products, sending their children to elite Silicon Valley schools where iPhones, iPads and even laptops are banned. They appear to be abiding by a Biggie Smalls lyric from their own youth about the perils of dealing crack cocaine: never get high on your own supply.

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One morning in April this year, designers, programmers and tech entrepreneurs from across the world gathered at a conference centre on the shore of the San Francisco Bay. They had each paid up to $1,700 to learn how to manipulate people into habitual use of their products, on a course curated by conference organiser Nir Eyal.

Eyal, 39, the author of Hooked: How to Build Habit-Forming Products, has spent several years consulting for the tech industry, teaching techniques he developed by closely studying how the Silicon Valley giants operate.

 “The technologies we use have turned into compulsions, if not full-fledged addictions,” Eyal writes. “It’s the impulse to check a message notification. It’s the pull to visit YouTube, Facebook, or Twitter for just a few minutes, only to find yourself still tapping and scrolling an hour later.” None of this is an accident, he writes. It is all “just as their designers intended”.

He explains the subtle psychological tricks that can be used to make people develop habits, such as varying the rewards people receive to create “a craving”, or exploiting negative emotions that can act as “triggers”. “Feelings of boredom, loneliness, frustration, confusion and indecisiveness often instigate a slight pain or irritation and prompt an almost instantaneous and often mindless action to quell the negative sensation,” Eyal writes.

Attendees of the 2017 Habit Summit might have been surprised when Eyal walked on stage to announce that this year’s keynote speech was about “something a little different”. He wanted to address the growing concern that technological manipulation was somehow harmful or immoral. He told his audience that they should be careful not to abuse persuasive design, and wary of crossing a line into coercion.

But he was defensive of the techniques he teaches, and dismissive of those who compare tech addiction to drugs. “We’re not freebasing Facebook and injecting Instagram here,” he said. He flashed up a slide of a shelf filled with sugary baked goods. “Just as we shouldn’t blame the baker for making such delicious treats, we can’t blame tech makers for making their products so good we want to use them,” he said. “Of course that’s what tech companies will do. And frankly: do we want it any other way?”

Without irony, Eyal finished his talk with some personal tips for resisting the lure of technology. He told his audience he uses a Chrome extension, called DF YouTube, “which scrubs out a lot of those external triggers” he writes about in his book, and recommended an app called Pocket Points that “rewards you for staying off your phone when you need to focus”.

Finally, Eyal confided the lengths he goes to protect his own family. He has installed in his house an outlet timer connected to a router that cuts off access to the internet at a set time every day. “The idea is to remember that we are not powerless,” he said. “We are in control.”

But are we? If the people who built these technologies are taking such radical steps to wean themselves free, can the rest of us reasonably be expected to exercise our free will?

Not according to Tristan Harris, a 33-year-old former Google employee turned vocal critic of the tech industry. “All of us are jacked into this system,” he says. “All of our minds can be hijacked. Our choices are not as free as we think they are.”

Harris, who has been branded “the closest thing Silicon Valley has to a conscience”, insists that billions of people have little choice over whether they use these now ubiquitous technologies, and are largely unaware of the invisible ways in which a small number of people in Silicon Valley are shaping their lives.

A graduate of Stanford University, Harris studied under BJ Fogg, a behavioural psychologist revered in tech circles for mastering the ways technological design can be used to persuade people. Many of his students, including Eyal, have gone on to prosperous careers in Silicon Valley.

Harris is the student who went rogue; a whistleblower of sorts, he is lifting the curtain on the vast powers accumulated by technology companies and the ways they are using that influence. “A handful of people, working at a handful of technology companies, through their choices will steer what a billion people are thinking today,” he said at a recent TED talk in Vancouver.

“I don’t know a more urgent problem than this,” Harris says. “It’s changing our democracy, and it’s changing our ability to have the conversations and relationships that we want with each other.” Harris went public – giving talks, writing papers, meeting lawmakers and campaigning for reform after three years struggling to effect change inside Google’s Mountain View headquarters.

It all began in 2013, when he was working as a product manager at Google, and circulated a thought-provoking memo, A Call To Minimise Distraction & Respect Users’ Attention, to 10 close colleagues. It struck a chord, spreading to some 5,000 Google employees, including senior executives who rewarded Harris with an impressive-sounding new job: he was to be Google’s in-house design ethicist and product philosopher.

Looking back, Harris sees that he was promoted into a marginal role. “I didn’t have a social support structure at all,” he says. Still, he adds: “I got to sit in a corner and think and read and understand.”

He explored how LinkedIn exploits a need for social reciprocity to widen its network; how YouTube and Netflix autoplay videos and next episodes, depriving users of a choice about whether or not they want to keep watching; how Snapchat created its addictive Snapstreaks feature, encouraging near-constant communication between its mostly teenage users.

I have two kids and I regret every minute that I’m not paying attention to them because my smartphone has sucked me in

The techniques these companies use are not always generic: they can be algorithmically tailored to each person. An internal Facebook report leaked this year, for example, revealed that the company can identify when teens feel “insecure”, “worthless” and “need a confidence boost”. Such granular information, Harris adds, is “a perfect model of what buttons you can push in a particular person”.

Tech companies can exploit such vulnerabilities to keep people hooked; manipulating, for example, when people receive “likes” for their posts, ensuring they arrive when an individual is likely to feel vulnerable, or in need of approval, or maybe just bored. And the very same techniques can be sold to the highest bidder. “There’s no ethics,” he says. A company paying Facebook to use its levers of persuasion could be a car business targeting tailored advertisements to different types of users who want a new vehicle. Or it could be a Moscow-based troll farm seeking to turn voters in a swing county in Wisconsin.

Harris believes that tech companies never deliberately set out to make their products addictive. They were responding to the incentives of an advertising economy, experimenting with techniques that might capture people’s attention, even stumbling across highly effective design by accident.

A friend at Facebook told Harris that designers initially decided the notification icon, which alerts people to new activity such as “friend requests” or “likes”, should be blue. It fit Facebook’s style and, the thinking went, would appear “subtle and innocuous”. “But no one used it,” Harris says. “Then they switched it to red and of course everyone used it.”

That red icon is now everywhere. When smartphone users glance at their phones, dozens or hundreds of times a day, they are confronted with small red dots beside their apps, pleading to be tapped. “Red is a trigger colour,” Harris says. “That’s why it is used as an alarm signal.”

The most seductive design, Harris explains, exploits the same psychological susceptibility that makes gambling so compulsive: variable rewards. When we tap those apps with red icons, we don’t know whether we’ll discover an interesting email, an avalanche of “likes”, or nothing at all. It is the possibility of disappointment that makes it so compulsive.

It’s this that explains how the pull-to-refresh mechanism, whereby users swipe down, pause and wait to see what content appears, rapidly became one of the most addictive and ubiquitous design features in modern technology. “Each time you’re swiping down, it’s like a slot machine,” Harris says. “You don’t know what’s coming next. Sometimes it’s a beautiful photo. Sometimes it’s just an ad.”

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The designer who created the pull-to-refresh mechanism, first used to update Twitter feeds, is Loren Brichter, widely admired in the app-building community for his sleek and intuitive designs.

Now 32, Brichter says he never intended the design to be addictive – but would not dispute the slot machine comparison. “I agree 100%,” he says. “I have two kids now and I regret every minute that I’m not paying attention to them because my smartphone has sucked me in.”

Brichter created the feature in 2009 for Tweetie, his startup, mainly because he could not find anywhere to fit the “refresh” button on his app. Holding and dragging down the feed to update seemed at the time nothing more than a “cute and clever” fix. Twitter acquired Tweetie the following year, integrating pull-to-refresh into its own app.

Since then the design has become one of the most widely emulated features in apps; the downward-pull action is, for hundreds of millions of people, as intuitive as scratching an itch.

Brichter says he is puzzled by the longevity of the feature. In an era of push notification technology, apps can automatically update content without being nudged by the user. “It could easily retire,” he says. Instead it appears to serve a psychological function: after all, slot machines would be far less addictive if gamblers didn’t get to pull the lever themselves. Brichter prefers another comparison: that it is like the redundant “close door” button in some elevators with automatically closing doors. “People just like to push it.”

All of which has left Brichter, who has put his design work on the backburner while he focuses on building a house in New Jersey, questioning his legacy. “I’ve spent many hours and weeks and months and years thinking about whether anything I’ve done has made a net positive impact on society or humanity at all,” he says. He has blocked certain websites, turned off push notifications, restricted his use of the Telegram app to message only with his wife and two close friends, and tried to wean himself off Twitter. “I still waste time on it,” he confesses, “just reading stupid news I already know about.” He charges his phone in the kitchen, plugging it in at 7pm and not touching it until the next morning.

“Smartphones are useful tools,” he says. “But they’re addictive. Pull-to-refresh is addictive. Twitter is addictive. These are not good things. When I was working on them, it was not something I was mature enough to think about. I’m not saying I’m mature now, but I’m a little bit more mature, and I regret the downsides.”

Not everyone in his field appears racked with guilt. The two inventors listed on Apple’s patent for “managing notification connections and displaying icon badges” are Justin Santamaria and Chris Marcellino. Both were in their early 20s when they were hired by Apple to work on the iPhone. As engineers, they worked on the behind-the-scenes plumbing for push-notification technology, introduced in 2009 to enable real-time alerts and updates to hundreds of thousands of third-party app developers. It was a revolutionary change, providing the infrastructure for so many experiences that now form a part of people’s daily lives, from ordering an Uber to making a Skype call to receiving breaking news updates.

But notification technology also enabled a hundred unsolicited interruptions into millions of lives, accelerating the arms race for people’s attention. Santamaria, 36, who now runs a startup after a stint as the head of mobile at Airbnb, says the technology he developed at Apple was not “inherently good or bad”. “This is a larger discussion for society,” he says. “Is it OK to shut off my phone when I leave work? Is it OK if I don’t get right back to you? Is it OK that I’m not ‘liking’ everything that goes through my Instagram screen?”

His then colleague, Marcellino, agrees. “Honestly, at no point was I sitting there thinking: let’s hook people,” he says. “It was all about the positives: these apps connect people, they have all these uses – ESPN telling you the game has ended, or WhatsApp giving you a message for free from your family member in Iran who doesn’t have a message plan.”

A few years ago Marcellino, 33, left the Bay Area, and is now in the final stages of retraining to be a neurosurgeon. He stresses he is no expert on addiction, but says he has picked up enough in his medical training to know that technologies can affect the same neurological pathways as gambling and drug use. “These are the same circuits that make people seek out food, comfort, heat, sex,” he says.

All of it, he says, is reward-based behaviour that activates the brain’s dopamine pathways. He sometimes finds himself clicking on the red icons beside his apps “to make them go away”, but is conflicted about the ethics of exploiting people’s psychological vulnerabilities. “It is not inherently evil to bring people back to your product,” he says. “It’s capitalism.”

That, perhaps, is the problem. Roger McNamee, a venture capitalist who benefited from hugely profitable investments in Google and Facebook, has grown disenchanted with both companies, arguing that their early missions have been distorted by the fortunes they have been able to earn through advertising.

It’s changing our democracy, and it's changing our ability to have the conversations and relationships we want

He identifies the advent of the smartphone as a turning point, raising the stakes in an arms race for people’s attention. “Facebook and Google assert with merit that they are giving users what they want,” McNamee says. “The same can be said about tobacco companies and drug dealers.”

That would be a remarkable assertion for any early investor in Silicon Valley’s most profitable behemoths. But McNamee, 61, is more than an arms-length money man. Once an adviser to Mark Zuckerberg, 10 years ago McNamee introduced the Facebook CEO to his friend, Sheryl Sandberg, then a Google executive who had overseen the company’s advertising efforts. Sandberg, of course, became chief operating officer at Facebook, transforming the social network into another advertising heavyweight.

McNamee chooses his words carefully. “The people who run Facebook and Google are good people, whose well-intentioned strategies have led to horrific unintended consequences,” he says. “The problem is that there is nothing the companies can do to address the harm unless they abandon their current advertising models.”

 Google’s headquarters in Silicon Valley. One venture capitalist believes that, despite an appetite for regulation, some tech companies may already be too big to control: ‘The EU recently penalised Google $2.42bn for anti-monopoly violations, and Google’s shareholders just shrugged.’
 Google’s headquarters in Silicon Valley. One venture capitalist believes that, despite an appetite for regulation, some tech companies may already be too big to control: ‘The EU recently penalised Google $2.42bn for anti-monopoly violations, and Google’s shareholders just shrugged.’ Photograph: Ramin Talaie for the Guardian
But how can Google and Facebook be forced to abandon the business models that have transformed them into two of the most profitable companies on the planet?

McNamee believes the companies he invested in should be subjected to greater regulation, including new anti-monopoly rules. In Washington, there is growing appetite, on both sides of the political divide, to rein in Silicon Valley. But McNamee worries the behemoths he helped build may already be too big to curtail. “The EU recently penalised Google $2.42bn for anti-monopoly violations, and Google’s shareholders just shrugged,” he says.

Rosenstein, the Facebook “like” co-creator, believes there may be a case for state regulation of “psychologically manipulative advertising”, saying the moral impetus is comparable to taking action against fossil fuel or tobacco companies. “If we only care about profit maximisation,” he says, “we will go rapidly into dystopia.”

•••
James Williams does not believe talk of dystopia is far-fetched. The ex-Google strategist who built the metrics system for the company’s global search advertising business, he has had a front-row view of an industry he describes as the “largest, most standardised and most centralised form of attentional control in human history”.

Williams, 35, left Google last year, and is on the cusp of completing a PhD at Oxford University exploring the ethics of persuasive design. It is a journey that has led him to question whether democracy can survive the new technological age.

He says his epiphany came a few years ago, when he noticed he was surrounded by technology that was inhibiting him from concentrating on the things he wanted to focus on. “It was that kind of individual, existential realisation: what’s going on?” he says. “Isn’t technology supposed to be doing the complete opposite of this?”

That discomfort was compounded during a moment at work, when he glanced at one of Google’s dashboards, a multicoloured display showing how much of people’s attention the company had commandeered for advertisers. “I realised: this is literally a million people that we’ve sort of nudged or persuaded to do this thing that they weren’t going to otherwise do,” he recalls.

He embarked on several years of independent research, much of it conducted while working part-time at Google. About 18 months in, he saw the Google memo circulated by Harris and the pair became allies, struggling to bring about change from within.

It is not inherently evil to bring people back to your product. It’s capitalism

Williams and Harris left Google around the same time, and co-founded an advocacy group, Time Well Spent, that seeks to build public momentum for a change in the way big tech companies think about design. Williams finds it hard to comprehend why this issue is not “on the front page of every newspaper every day.

“Eighty-seven percent of people wake up and go to sleep with their smartphones,” he says. The entire world now has a new prism through which to understand politics, and Williams worries the consequences are profound.

The same forces that led tech firms to hook users with design tricks, he says, also encourage those companies to depict the world in a way that makes for compulsive, irresistible viewing. “The attention economy incentivises the design of technologies that grab our attention,” he says. “In so doing, it privileges our impulses over our intentions.”

That means privileging what is sensational over what is nuanced, appealing to emotion, anger and outrage. The news media is increasingly working in service to tech companies, Williams adds, and must play by the rules of the attention economy to “sensationalise, bait and entertain in order to survive”.

Tech and the rise of Trump: as the internet designs itself around holding our attention, politics and the media has become increasingly sensational. Photograph: John Locher/AP
In the wake of Donald Trump’s stunning electoral victory, many were quick to question the role of so-called “fake news” on Facebook, Russian-created Twitter bots or the data-centric targeting efforts that companies such as Cambridge Analytica used to sway voters. But Williams sees those factors as symptoms of a deeper problem.

It is not just shady or bad actors who were exploiting the internet to change public opinion. The attention economy itself is set up to promote a phenomenon like Trump, who is masterly at grabbing and retaining the attention of supporters and critics alike, often by exploiting or creating outrage.

Williams was making this case before the president was elected. In a blog published a month before the US election, Williams sounded the alarm bell on an issue he argued was a “far more consequential question” than whether Trump reached the White House. The reality TV star’s campaign, he said, had heralded a watershed in which “the new, digitally supercharged dynamics of the attention economy have finally crossed a threshold and become manifest in the political realm”.

Williams saw a similar dynamic unfold months earlier, during the Brexit campaign, when the attention economy appeared to him biased in favour of the emotional, identity-based case for the UK leaving the European Union. He stresses these dynamics are by no means isolated to the political right: they also play a role, he believes, in the unexpected popularity of leftwing politicians such as Bernie Sanders and Jeremy Corbyn, and the frequent outbreaks of internet outrage over issues that ignite fury among progressives.

All of which, Williams says, is not only distorting the way we view politics but, over time, may be changing the way we think, making us less rational and more impulsive. “We’ve habituated ourselves into a perpetual cognitive style of outrage, by internalising the dynamics of the medium,” he says.

It is against this political backdrop that Williams argues the fixation in recent years with the surveillance state fictionalised by George Orwell may have been misplaced. It was another English science fiction writer, Aldous Huxley, who provided the more prescient observation when he warned that Orwellian-style coercion was less of a threat to democracy than the more subtle power of psychological manipulation, and “man’s almost infinite appetite for distractions”.

Since the US election, Williams has explored another dimension to today’s brave new world. If the attention economy erodes our ability to remember, to reason, to make decisions for ourselves – faculties that are essential to self-governance – what hope is there for democracy itself?

“The dynamics of the attention economy are structurally set up to undermine the human will,” he says. “If politics is an expression of our human will, on individual and collective levels, then the attention economy is directly undermining the assumptions that democracy rests on.” If Apple, Facebook, Google, Twitter, Instagram and Snapchat are gradually chipping away at our ability to control our own minds, could there come a point, I ask, at which democracy no longer functions?


“Will we be able to recognise it, if and when it happens?” Williams replies. “And if we can’t, then how do we know it hasn’t happened already?”

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Lisboa é das cidades do mundo mais pressionadas pelo turismo. Habitação a salvo, para já / Os efeitos da Turistificação de Lisboa


Habitação a salvo !?!
Portugal exposto com muitos outros locais a um processo de globalização galopante com os conhecidos efeitos para as populações da Turistificação desenfreada, da Globalização desmedida e da Gentrificaçào galopante ...
De recordar que a 3 de Março Fernando Medina afirmava: "Fernando Medina opõe-se à aplicação de restrições legais ao alojamento local"
POR O CORVO • 3 MARÇO, 2017 •
OVOODOCORVO ( Ver comentário / link / artigo em baixo )

Lisboa é das cidades do mundo mais pressionadas pelo turismo. Habitação a salvo, para já
Rafaela Burd Relvas

No que toca à pressão do turismo sobre os serviços públicos, Lisboa está no grupo de Barcelona e Veneza. Segundo o WTTC, o risco de os habitantes serem expulsos existe, mas ainda não é um problema.
Habitantes empurrados para fora das cidades, experiência turística desvirtuada, infraestruturas sobrecarregadas, impactos negativos sobre a natureza e ameaças à herança cultural. Estes são, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês), os cinco grandes riscos que as cidades enfrentam quando a popularidade se transforma em sobrelotação. Lisboa está entre as cidades onde os serviços públicos estão mais pressionados, mas, de acordo com o WTTC, na habitação, a capital ainda está longe do impacto que se faz sentir nos principais destinos turísticos do mundo.

O estudo, intitulado “Lidar com o sucesso: gerir a sobrelotação nos destinos turísticos”, foi apresentado esta quarta-feira e teve por base a análise de quatro cidades: Barcelona (Espanha), Nova Iorque (Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina) e Chongqing (China). Para além destas quatro, analisadas ao detalhe, o WTTC faz um diagnóstico de 68 cidades, desenhando uma escala para avaliar o risco de cada uma delas entrar em sobrecarga turística. E Lisboa está entre as mais pressionadas do mundo em vários aspetos.

O fator mais preocupante é o das infraestruturas. Entre as 68 cidades analisadas, Lisboa é uma das 14 onde o risco de sobrecarga das infraestruturas é mais elevado. Aqui, inclui-se todo o tipo de serviços públicos: transportes, saneamento público, comércio, fornecimento de energia ou estradas, por exemplo. No que toca à sobrecarga dos serviços públicos, Lisboa está no mesmo grupo de cidades como Barcelona, Cancún, Veneza, Roma ou Praga. E está a ser mais pressionada do que cidades como Paris, Rio de Janeiro, Nova Iorque ou Londres.

Já a habitação, que tem sido uma das principais preocupações dos lisboetas nos últimos anos, devido ao aumento acentuado de preços de compra e arrendamento de imóveis, não surge como uma das áreas onde o turismo tem maior impacto. Aqui, Lisboa está a meio da tabela. Ou seja: o risco de os habitantes serem empurrados da cidade pelo excesso de turismo existe, mas essa ainda não é uma realidade. Como termo comparação, Lisboa está no mesmo grupo de cidades como Pequim, Budapeste, Buenos Aires ou São Francisco. Na Europa, é até uma das cidades onde a habitação está ser menos pressionada pelo turismo.

A ameaça que o excesso de turismo representa para a herança cultural de Lisboa também começa a aumentar. Neste aspeto, Lisboa está na primeira metade da tabela onde este impacto mais se faz sentir. Apesar disso, a experiência dos turistas na cidade ainda não está desvirtuada; pelo menos, a julgar pelas críticas deixadas pelos turistas no portal TripAdvisor, o indicador que o WTTC teve em conta para avaliar este aspeto.

Portugal é um dos 10 países que recebem 20% de todo o turismo mundial
Parte destes impactos negativos deve-se à popularidade do destino Portugal. Segundo os dados do WTTC, Portugal está no grupo dos 20 países do mundo que recebem quase dois terços de todas as chegadas de turistas internacionais.

Este grupo divide-se em dois: os 10 destinos turísticos mais populares, encabeçados por França, que receberam 46% de todas as viagens internacionais; e o grupo dos 10 países seguintes, que receberam 21% dos turistas mundiais. É nesse segundo que se inclui Portugal.

Nos próximos anos, esta tendência vai não só manter-se, como acentuar-se. Em 2020, estima o WTTC, França continuará a ser o destino turístico mais popular do mundo e Portugal vai manter-se no segundo grupo de países que mais turistas recebem. Juntos, os 20 países mais populares do mundo vão receber mais turistas do que todo o resto do mundo.

Distribuir, regular, cobrar e limitar
Para os problemas identificados neste estudo, a WTTC encontra também soluções. Há cinco principais:

Distribuir turistas no tempo. Isto resolve dois problemas: o excesso de visitantes nas épocas altas e a sazonalidade, que deixa algumas cidades praticamente vazias no resto do ano. Uma solução, propõe o estudo, poderá ser definir um período máximo de visita, como acontece, por exemplo, nas ilhas Galápagos, onde cada cruzeiro só pode ficar um máximo de 14 noites.
Distribuir turistas geograficamente. O turismo tem tendência a concentrar-se em pontos geográficos específicos, o que coloca pressão sobre pequenas partes das cidades, deixando outras com grande capacidade para receber turistas. Desenvolver atrações turísticas em locais menos visitados ou promover rotas que incluam esses locais são soluções possíveis.
Ajustar o preço à oferta e procura. É bastante auto-explicativo: se um local tem poucos visitantes, não há razão para cobrar mais; se está sobrelotado de turistas, cobrar taxas e aumentar o preço das principais atrações são hipóteses.
Regular a oferta de alojamento. Esta ainda é uma solução pouco popular entre as autoridades locais, mas começa a ser implementada em vários locais. É o caso de Nova Iorque, onde o arrendamento de curto prazo foi banido. Também em Lisboa deverá ser implementada uma quota máxima para as unidades de alojamento local permitidas em cada freguesia.

Limitar o acesso ou as atividades. É uma medida de último recurso, que já começa a ser implementada em locais onde os residentes estão a ser excessivamente prejudicados pelos turistas. É o caso de Amesterdão proibiu a abertura de novas lojas direcionadas para o turismo, como lojas de souvenirs. Ou o de Roma, que proibiu o consumo de álcool na rua entre a meia-noite e as 7h00.

     ANTÓNIO SÉRGIO ROSA DE CARVALHO
                                   
Os efeitos da Turistificação de Lisboa

Cada vez mais gente e menos lisboetas. Câmara entrega a gestão da habitação ao aluguer online de alojamento para férias

ANTÓNIO SÉRGIO ROSA DE CARVALHO
23 de Novembro de 2016, 9:45

Fernando Medina  não acompanha a Imprensa internacional. Se o fizesse, ter-se-ia apercebido de uma avalanche de notícias na Imprensa local de Nova Iorque e de  várias cidades Europeias sobre os efeitos perversos conjugados e interactivos da Turistificação desenfreada, da Globalização desmedida e da Gentrificaçào galopante na vida quotidiana dos habitantes locais nestas cidades.

Um clamor profundo, uma agitação permanente de insatisfação e um desejo urgente e imperativo de mudança, de regulamentos, de fiscalização e  de liderança  por parte dos habitantes, ameaça traduzir-se em consequências políticas, e faz acordar os autarcas.

Temos ouvido sobre as situações em Barcelona e Berlim e das condições impostas à AIRBNB que vão desde a proibição total na capital alemã até à imposição de um rigoroso regulamento na cidade da Catalunha.

Numa longa luta do Municipal com a Airbnb [aluguer de alojamento para férias], Nova Iorque quer agora proibir o aluguer de alojamentos através da AIRBNB por um período inferior a 30 dias. Medida destinada a proteger a cidade dos efeitos perversos das estadias curtas / low cost do turismo barato, massificado, predador e desinteressante. Densidade intensa de ocupação do espaço físico sem interesse económico e mais valias financeiras, a não ser, para os estabelecimentos também eles “predadores” do comércio tradicional, ou seja, “comes e bebes” e “quinquilharia” pseudoturística em dezenas de lojas asiáticas e afins. 

A 6 de Outubro, o “Guardian” publicou um conjunto de três artigos sobre a interligação destes temas, tendo um deles sido dedicado à relação de Amsterdão com a AIRBNB.

Embora Amsterdão tenha imposto um regulamento claro à Airbnb, ocupação máxima  de 60 dias por ano e o máximo de quatro pessoas por edifício, os efeitos sociais de descaracterização dos bairros têm sido devastadores. O investimento especulativo junto à forte subida do preço da habitação (também no aluguer a “expats” do mundo empresarial ) está a expulsar progressivamente os habitantes locais,  transformando os bairros em plataformas rotativas e contínuas de “idas e vindas” de forasteiros híper individualizados e indiferentes aos locais, e a transformar os antigos bairros em locais alienados onde ninguém se conhece e onde reina o anonimato.

Amsterdão tem  fiscalizado intensamente a ocupação através da  Airbnb mas é confrontada com a recusa pela própria Airbnb de fornecimento de dados. Num espaço limitado fisicamente como a pitoresca Amsterdão, a invasão turística low-cost / aluguer Airbnb, está a levar a efeitos explosivos no trânsito, no comércio local onde polulam as lojas de vocação turística e de souvenirs e está a provocar uma avalanche de insatisfação traduzida em irritação ou animosidade explícita para com o turismo.

 De tal forma que, muito recentemente, a autarquia fez um discurso explícito inteiramente dedicado a estes temas, onde anunciou uma atitude de exigência e fiscalização ainda mais rigorosa para com a Airbnb, medidas legislativas em conjunto com Haia que tornem possível a escolha do tipo de lojas a instalar em cada rua e uma atitude nítida de selecção do tipo de turismo,  numa definição e escolha dirigida à clara diferenciação entre o turismo desejável e indesejável.

Numa entrevista publicada a 18 de Janeiro no PÚBLICO, o Director Ibérico da Airbnb anunciava orgulhoso: “A evolução em 2015 face ao ano anterior foi de 65%. Portugal está no 11.º lugar mundial em termos de anúncios na Airbnb, num ranking liderado pelos EUA. A Airbnb captou um milhão de pessoas em 2015.”

Orgulhoso, e claro, satisfeito. A Airbnb não está sujeita a qualquer tipo de regulamento, exigência ou fiscalização em Portugal. Mais. A AIRBNB colabora com a Autarquia e o Governo, de forma a que os impostos sejam cobrados ao Alojamento Local. Estes aumentaram.

Mas os efeitos devastadores são ignorados ou mesmo negados por Fernando Medina que se tem mostrado irónico ou furtivo sobre estes problemas fundamentais para o presente e o futuro estratégico da cidade de Lisboa.

Que este se torne o tema fundamental de discussão de todas as forças políticas em direcção às eleições autárquicas, é um imperativo. Não se trata de cor política, mas de um tema Universal de Ecologia Urbana e de equilíbrio salutar no organismo vivo que constitui uma verdadeira cidade.

A Turistificação desenfreada, a Globalização desmedida e a Gentrificaçào galopante estão a matar as cidades.

Historiador de Arquitectura

Nova Praça de Espanha verde, amiga do peão e com muita água começa em 2019 / Nova Praça de Espanha vai meter muita água


Nova Praça de Espanha verde, amiga do peão e com muita água começa em 2019
POR SAMUEL ALEMÃO • 15 DEZEMBRO, 2017 •

Conhecida como uma zona de passagem de peões e de veículos, a praça vai passar a ser lugar de paragem obrigatória para os moradores de Lisboa, com a sua transformação num parque urbano. Mais áreas verdes, quiosques, esplanadas, ciclovias e zonas pedonais surgirão na área. Mas também diversos lagos, que tirarão partido daquele ser um ponto de circulação de água. Este é, aliás, o principal traço em comum entre as nove propostas finalistas do concurso internacional de ideias para a reabilitação daquela zona, promovido pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), agora apresentadas ao público. A autarquia diz que pretende fazer ali “outro tipo de cidade”, mais amiga do peão e do ambiente. Os projectos estão visíveis ao público, na galeria de exposições temporárias da Gulbenkian, a partir desta sexta-feira (15 de dezembro) e até 29 de janeiro. A mostra pode ser visitada de quarta a segunda-feira, das 10h às 18h. A construção do novo parque urbano começará em 2019, depois de escolhida a melhor proposta.

 Texto: Sofia Cristino

 Uma das zonas de maior circulação viária da cidade de Lisboa vai transformar-se num espaço de lazer, com mais áreas verdes, quiosques, esplanadas, ciclovias e zonas pedonais. Atrair mais arte para a rua, através de eventos culturais e concertos, é outra das sugestões apresentadas pelos arquitectos paisagísticos, que vêem agora as suas propostas na fase final do concurso promovido pela Câmara Municipal de Lisboa (CML). Os nove projectos vão estar em exposição até 29 de janeiro de 2018, na Fundação Calouste Gulbenkian, onde foram apresentados ao final da tarde desta quinta-feira (14 de dezembro). Os cidadãos podem fazer críticas e sugestões às propostas. Será aberta, depois, uma nova fase de concurso, no final de fevereiro de 2018, para discussão do melhor projecto. A construção do novo parque urbano começará em 2019.

 Pelo facto da Praça de Espanha estar localizada num sítio com reconhecido risco de inundações, a preocupação com a água assume-se como transversal a todas as propostas. Algo que foi assinalado por Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML). “A presença da água é fundamental e o júri teve essa sensibilidade. Todas as propostas, de uma forma ou de outra, referem-se à água”, notou o autarca, fazendo ainda menção à importância do formato escolhido pela autarquia para a apresentação dos projectos de reabilitação urbana daquela zona da cidade. “Parece-nos que se justifica esta metodologia muito aberta, pondo os concorrentes em confronto uns com os outros, num espaço de discussão pública”, disse.

 A proposta da Braga Machado Arquitectos, primeiro dos nove ateliês concorrentes a apresentar o seu projecto, salienta a importância da cultura na cidade de Lisboa, propondo que a Praça de Espanha passe a ser palco de exposições efémeras, performances individuais ou colectivas, projecções de imagens e instalações sonoras. O arquitecto paisagista desta firma, finalista do concurso promovido pela autarquia, disse ainda, durante a exposição da sua proposta, que pretende criar duas depressões circulares que, a ser concretizadas, funcionariam como bacias de retenção das águas pluviais.

 A preocupação com o reaproveitamento da água também foi abordada por Catarina Raposo, arquitecta paisagista do consórcio entre os ateliês Ventura Trindade Arquitectos e Baldios Arquitectos Paisagistas. “Há muitas dificuldades de escoamento nesta zona da cidade. Quando começamos a imaginar o que poderíamos fazer aqui, pensamos que o parque urbano poderia funcionar como um projecto de água. Consideramos que os processos ecológicos devem moldar as novas lógicas urbanas”, sugeriu. “Apostamos num desenho de um pequeno vale e num sistema de clareiras e pequenos lagos que, complementados com açudes, servem para ajudar a reter a água da chuva. Sempre que há cheias em Lisboa, a Praça de Espanha é um dos sítios mais martirizados”, explicou.

 O ateliê NPK defende que é preciso mudar o paradigma da água na cidade. “É preciso trazer de novo a água para a superfície. A Gulbenkian tem sido um refúgio de contacto com a natureza e deve aspirar a pertencer a uma realidade maior e ligar-se à Praça de Espanha e a Monsanto”, disse o representante daquele gabinete de arquitectos. Ligar o Teatro Comuna à cidade, “que tem sido esquecido”, e preservar árvores e espécies autóctones, como o carvalho, é outro dos objectivos do ateliê.

 Os arquitectos Pedro Machado e Costa e Luís Ferreira elogiaram a autarquia de Lisboa por promover um concurso público aberto, possibilitando a discussão pública das propostas e a importância da participação de todos os cidadãos na avaliação dos projectos. O Atelier do Beco da Bela Vista sugeriu a passadeira na diagonal que, a ser concretizada, seria a primeira em Portugal deste género. A última equipa a apresentar o projecto propôs uma praça supra-elevada com um miradouro e uma praça central que seria uma área mais aberta.

No espaço de debate, aberto ao público, uma moradora manifestou a sua admiração pela falta de carros nas várias imagens dos projectos apresentados. “Fiquei muito preocupada com o que se vai passar com os automóveis, parece tudo um paraíso verde. Vão mandar os automóveis para onde?”, questionou. O vereador Manuel Salgado fez questão de responder, dizendo que há, neste momento, zonas da Praça de Espanha onde existe alcatrão a mais. “Fez-se uma série de estudos e contagem de tráfego, para percebermos como o sistema iria funcionar. E até acho que terá um funcionamento mais eficaz do que actualmente. Estamos confortáveis com a situação, porque foi estudada por especialistas”, garante.

 Pretende-se, agora, que seja promovido um debate em torno das ideias apresentadas. Os cidadãos podem fazer críticas e sugestões às propostas. Será aberta, depois, uma nova fase de concurso no final de fevereiro para discussão da melhor proposta. A construção do novo parque urbano começará em 2019. Manuel Salgado anunciou, ainda, que a autarquia pretende lançar um concurso de ideias para o Vale de Santo António, depois de já ter também lançado um para o Parque Ribeirinho. “Não queríamos ficar por estes três. Acredito que haverá mais oportunidades na cidade”, avançou ainda.


Nova Praça de Espanha vai meter muita água
Estão em exposição as nove propostas para a criação de um grande parque na Praça de Espanha. Câmara promete começar as obras em 2019, mas entretanto os cidadãos são chamados a pronunciar-se.

JOÃO PEDRO PINCHA 14 de Dezembro de 2017, 19:53

Só durante o próximo ano se vai saber como será o futuro parque urbano da Praça de Espanha, mas uma coisa parece já certa: a água terá um papel central. Quase todas as propostas de desenho para aquele parque, que vão agora ser sujeitas a discussão pública, prevêem a criação de bacias de retenção e lagos ou trazer à superfície as ribeiras que atravessam aquele local e hoje se escondem por debaixo do betão.

“A presença da água é fundamental”, disse o vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado, esta quinta-feira, depois de apresentadas as nove propostas que sobreviveram à primeira fase do concurso de concepção. Elas vão estar visíveis ao público, a partir desta sexta-feira e até ao fim de Janeiro, na galeria de exposições temporárias da Gulbenkian. Durante esse período, os cidadãos podem fazer críticas e sugestões às propostas, que depois se submetem a novo concurso. “Este local é de tal modo importante que nos parece que se justifica plenamente esta metodologia”, afirmou Salgado.

A transformação da Praça de Espanha, prometeu o vereador, deve começar no início de 2019. Já se sabe que as alterações vão ser de monta. A praça deixará de ter a forma de uma grande rotunda, as duas faixas de rodagem centrais (que ligam a Avenida Calouste Gulbenkian à Avenida dos Combatentes) desaparecem, o terminal de autocarros também. O futuro parque vai estender-se desde uma transversal da Avenida José Malhoa até à esquina da Avenida de Berna, tornando-o assim em “mais do dobro do Jardim da Estrela”, como disse Salgado em Janeiro.

A forma que o parque terá é o que se começa agora a discutir. Cada equipa defendeu o seu projecto esta quinta-feira num auditório secundário da Gulbenkian, cheio que nem um ovo.

Para Catarina Raposo, do consórcio entre os ateliês de arquitectura Ventura Trindade e Baldios, “desde cedo pareceu que trabalhar as questões da água era absolutamente fundamental”. Por isso, a equipa apostou no desenho de um pequeno vale e num sistema de clareiras e pequenos lagos que, complementados com açudes, servem para ajudar a reter a água da chuva. Sempre que há cheias em Lisboa, a Praça de Espanha é um dos sítios mais martirizados. Além do trabalho à superfície, o projecto dos dois ateliês propõe ainda a construção de um grande reservatório subterrâneo.

Jogar com a topografia do terreno, criando declives e clareiras, e plantar muitas árvores nos limites exteriores do parque, de modo a criar um efeito barreira em relação à azáfama da cidade, são propostas praticamente transversais a todos os projectos. O ateliê NPK diz querer “expandir” o “oásis urbano” que é a Gulbenkian. Propõe-se “renaturalizar a linha de água”, trazendo a velha ribeira à superfície. “É preciso alterar o paradigma da água na cidade. É bom senti-la e vê-la”, disse o responsável por este projecto.

Já a proposta do ateliê Beco da Bela Vista prevê a criação de novos acessos à estação de metro, que ficará implantada mesmo no meio do parque, e uma passadeira diagonal directa aos jardins da Gulbenkian.

O projecto de Machado Costa, Murer e Ferreira Neto distingue-se por não estar completo, propositadamente. “Nós não sabemos muito bem que tipos de usos vamos ter neste parque. Propomos que cerca de 30% do parque seja dedicado a nada, ou seja, a tudo”, disse um dos arquitectos. Isto consegue-se através de amplas clareiras “multifuncionais”, que podem constantemente ser modificadas. “A ideia é que, no fim, o projecto não seja feito só para nós, mas com os contributos de quem quer que seja.”


Há ainda propostas que se inclinam mais para um programa cultural e artístico, bebendo da vizinhança dos teatros Aberto e da Comuna, bem como da própria Fundação Gulbenkian.

Director do SEF arquivou auditoria que revelava indícios de corrupção


Pobre Portugal …
OVOODOCORVO
Director do SEF arquivou auditoria que revelava indícios de corrupção

A investigação inclui o o ex-director nacional adjunto do SEF, Luís Gouveia, recentemente nomeado para um cargo de oficial de ligação em Bruxelas.
 A auditoria foi ordenada por Luísa Maia Gonçalves, directora do SEF que foi demitida por Constança Urbano de Sousa
Em causa estão milhares de vistos de residência passados, especialmente em 2015, ao abrigo do artigo 88 — que, na altura, permitia, a título excepcional, conceder autorizações a estrangeiros que demonstrassem ter uma ligação laboral no nosso país há mais de um ano, e provassem ter entrado legalmente em território nacional. Alegadamente por acordo entre os responsáveis do SEF e algumas associações de imigrantes, que criticavam a excessiva burocracia e a dificuldade de muitos imigrantes, já a trabalhar em Portugal, em conseguir a prova de entrada legal, o requisito foi suspenso.

PÚBLICO 15 de Dezembro de 2017, 7:50

O novo director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Carlos Moreira, mandou arquivar uma auditoria interna concluída há um mês, com suspeitas de corrupção e concessão de vistos ilegais sem o requisito obrigatório de prova de entrada legal no nosso país, noticia o Diário de Notícias esta sexta-feira. O Gabinete de Inspecção do SEF, que conduziu a auditoria durante um ano, propôs sanções disciplinares a um total de seis funcionários, da base ao topo.


Entre os visados da auditoria está o ex-director nacional adjunto do SEF, Luís Gouveia. Foram ainda extraídas duas certidões criminais relativas aos indícios de corrupção de um inspector e um administrativo, que terão recebido dinheiro para conceder os vistos.

O líder parlamentar Nuno Magalhães considera "muito grave" a decisão de Carlos Moreira e espera "explicações cabais" do ministro da Administração Interna. Já o gabinete do ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita sublinha que "tem plena confiança na Direcção Nacional do SEF no exercício das suas competências próprias, designadamente em matéria disciplinar". Ambos falam ao DN.

Luís Gouveia sublinhou que foi "ouvido" e fez a sua "defesa em sede da auditoria". "Trata-se de uma questão interna. Para mim o assunto está encerrado e arquivado", assinalou, em declarações ao mesmo jornal. Luís Gouveia foi recentemente nomeado para o cargo de oficial de ligação na Representação Permanente Portuguesa em Bruxelas, cujo vencimento é superior a 10 mil euros mensais.

O ministro da Admnistração Interna, que assinou a nomeação de Luís Gouveia, conta que "a direcção do SEF indicou, nos termos dos procedimentos estabelecidos, três currículos para selecção do novo Oficial de Ligação na REPER" e que, para o ministro, "o curriculum do dr. Luís Gouveia foi considerado o mais adequado às funções" e "do seu registo pessoal não consta qualquer sanção disciplinar". A nomeação foi assim já depois do arquivamento da auditoria.

A auditoria, ordenada pela anterior directora, Luísa Maia Gonçalves — demitida pela ex-ministra da Administração Interna —, contou com uma equipa especial de investigação e reuniu informação que encheu um total de 15 volumes que incluem provas documentais sobre as ilegalidades.

Em causa estão milhares de vistos de residência passados, especialmente em 2015, ao abrigo do artigo 88 — que, na altura, permitia, a título excepcional, conceder autorizações a estrangeiros que demonstrassem ter uma ligação laboral no nosso país há mais de um ano, e provassem ter entrado legalmente em território nacional. Alegadamente por acordo entre os responsáveis do SEF e algumas associações de imigrantes, que criticavam a excessiva burocracia e a dificuldade de muitos imigrantes, já a trabalhar em Portugal, em conseguir a prova de entrada legal, o requisito foi suspenso.


Nesse ano, os pedidos de visto, com base nesta excepção mais que duplicaram (em 2014 foram registados 5800 pedidos, no ano seguinte o número aumentou para 12.200). Quando tomou posse, no início de 2016, Luísa Maia Gonçalves foi confrontada com a avalanche de pedidos e em Março assinou um despacho a revogar todas as orientações à margem da lei, embora com uma análise caso a caso para situações humanitárias, que foram legalizadas. "O que se tornou mais difícil foi a regularização de cidadãos que vivem ilegalmente noutros países e que eram trazidos para Portugal por redes criminosas só para obterem a autorização de residência, sendo explorado por estas redes na angariação de mão-de-obra ilegal e tráfico de seres humanos em situação de quase escravatura", justificou o SEF.