sábado, 20 de abril de 2019

Quando é que o senhor Presidente da República se acalma?



Quando é que o senhor Presidente da República se acalma?
18 de Abril
"O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa não resiste a meter o nariz em tudo o que puxa à corda sentimental, mas foge a qualquer questão de substância. Lavou as mãos dos motoristas com duas frases, porque eram uma “matéria perigosa”. Já o desastre da Madeira serviu para ele se expandir em toda a sua magnificência: fez declarações, mandou telegramas, ofereceu o seu Falcon, até se ofereceu a ele próprio para ir solenemente presenciar a catástrofe e depois, num gesto dramático, desistiu a favor dos feridos.
Quando é que o senhor Presidente da República se acalma?"
Vasco Pulido Valente

Câmara de Lisboa reconhece que dinamização de reabilitação urbana afetou "populações mais frágeis"



Câmara de Lisboa reconhece que dinamização de reabilitação urbana afetou "populações mais frágeis"

A Câmara de Lisboa reconhece que a dinamização da reabilitação urbana, que promoveu obras em 9 mil fogos, afetou as "populações locais mais frágeis", resultando em "procura excessiva de alojamento e de comércio para turistas".
Câmara de Lisboa reconhece que dinamização de reabilitação urbana afetou "populações mais frágeis"
Lusa
18 de abril de 2019 às 15:09

"A entrada em força do capital estrangeiro no mercado imobiliário, investindo diretamente na reabilitação e na compra de ativos, bem como a exploração do arrendamento temporário induzido pelo turismo (alojamento local), afetaram em particular as populações locais mais fragilizadas, seja pela idade seja pelos baixos rendimentos", lê-se na proposta de Estratégia de Reabilitação Urbana 2020-2030.

 Entre 2010 e 2018 foram reabilitados 9 mil fogos, "até então devolutos, os quais foram lançados no mercado imobiliário", aponta o documento, que será discutido na reunião do executivo camarário de 24 de abril, através de uma proposta do vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (PS).

 Na nova Estratégia de Reabilitação Urbana concluiu-se que "nos bairros de maior atratividade turística" há "uma procura excessiva de alojamento e de comércio para turistas, com redução e substituição da população local, gentrificação e perda de identidade".

 "Em paralelo, nas zonas da cidade onde é maior o valor fundiário: a Baixa e os eixos das principais Avenidas - Av. da Liberdade, Av. Almirante Reis e 24 de Julho - verificou-se a crescente instalação de Unidades Hoteleiras e de apartamentos de luxo, na maioria dos casos em instalações antes ocupadas por escritórios, nomeadamente serviços bancários que migraram para outras áreas terciárias da cidade", refere o documento.



A nova Estratégia de Reabilitação Urbana sustenta que estes foram alguns dos "efeitos colaterais no mercado imobiliário com consequências perniciosas, em particular nos bairros históricos da cidade", num processo que foi "muito positivo para Lisboa" ao nível da reabilitação urbana.

 "De acordo com as estatísticas municipais, entre 2010 e 2018 foram emitidas cerca de 12.550 licenças de ocupação da via pública (OVP), licenciada a reabilitação de aproximadamente 5.800 edifícios e emitidas cerca de 5.000 autorizações de utilização (AU). Estima-se que o investimento total no período ronde 1,8 mil milhões de euros", lê-se na nova estratégia.

 No documento, refere-se que, "a dinâmica do imobiliário em Lisboa sofreu, a partir de 2010, uma alteração radical, passando a reabilitação do edificado, de promoção privada, a ser largamente dominante, mais de 90% dos processos submetidos a licenciamento".

 Entre 2010 e 2018, apenas foram construídos 1.730 fogos novos, concentrando-se os edifícios reabilitados "essencialmente nas freguesias do centro da cidade, e com forte investimento estrangeiro".

 "Ainda que a maioria dos edifícios reabilitados sejam para habitação (com parte afeta a alojamento local), a aposta no turismo foi significativa, quer no seu número, quer ao dotar a cidade de uma capacidade de alojamento que abriu a possibilidade de efetuar novos eventos agora impossíveis (por exemplo: grandes congressos)", aponta igualmente o documento.

 O município reconhece que a "dinâmica da reabilitação baseada em obras de reabilitação profunda" também afetou o comércio tradicional, o que levou ao lançamento do programa "Lojas com História", que tenta promover e salvaguardar aqueles negócios, que, através de legislação entretanto aprovada, têm um conjunto de benefícios e proteção ao despejo.

'Even more beautiful': should Notre Dame get a modern spire?



'Even more beautiful': should Notre Dame get a modern spire?
The competition to repair the Paris cathedral will attract global interest. Architects give their views

Steve Rose
 @steverose7
Sat 20 Apr 2019 07.00 BST

It is less than a week since the fire at Notre Dame Cathedral and the response has swung from global grief at an architectural tragedy, to relief that the damage was not as extensive as it could have been, and on to matters of reconstruction. President Emmanuel Macron has announced that the 13th-century landmark will be rebuilt within five years, “even more beautifully”.

Macron’s words accompanied the announcement of an international competition to design a new spire and roof structure – boosted by €1bn of private donations pledged so far. The prime minister, Édouard Philippe, said they hoped for “a new spire adapted to the techniques and the challenges of our era”.

What might that mean? Among other things, a once-in-a-lifetime opportunity for architects and designers. The 90-metre (300ft) spire was one of the most familiar landmarks on the city’s relatively low-rise skyline. Added in the 1850s by Eugène Viollet-le-Duc, it was itself a replacement for the original 13th-century spire, which had become so battered it was removed in 1786. A new spire will be more prominent still. But what should, or could, a new addition look like?

Norman Foster, founder and chairman, Foster and Partners
Notre Dame Cathedral is the ultimate high technology monument of its day in terms of Gothic engineering. Like many cathedrals, its history is one of change and renewal. Over the centuries, the roofs of medieval cathedrals have been ravaged by fires and replaced: for example, Chartres in 1194 and 1836, Metz in 1877. In every case, the replacement used the most advanced building technology of the age – it never replicated the original. In Chartres, the 12th-century timbers were replaced in the 19th century by a new structure of cast iron and copper. The decision to hold a competition for the rebuilding of Notre Dame is to be applauded because it is an acknowledgement of that tradition of new interventions.

 Sir Norman Foster.
As an aside, the roof that has been destroyed had wooden frames – each was made from an individual oak tree – 1,300 in total. Hence its nickname, “the Forest”. It was rarely visited so, surely, this is an opportunity to recreate a once-hidden – and now destroyed – timber structure with a modern, fireproof, lightweight replacement. The ideal outcome would be a respectful combination of the dominant old with the best of the new.

Robert Adam, founder and director, Adam Architecture
I suppose people are saying now it’s burnt down, you’ve got to put in something contemporary. Bollocks! It is not a building, it’s a cultural artefact. It’s a symbol of Frenchness. Architects get this silly idea that because technology changes, therefore architecture always ought to reflect those changes. But culture – how we think of ourselves, how we identify ourselves – does not move quickly; it moves very, very slowly in fact. And to confuse these two things is a serious mistake.

They should do what they did at York [Minster, which suffered a similar fire in 1984] and put it back so that people wouldn’t actually notice. There is this crazy idea that any replacement or new work should have a “contemporary stamp”, and this is generally interpreted to mean things need to look different in order to show people that they are modern, because it would be terrible if people were confused. Well, I don’t see why it’s so terrible. Who are you actually catering for? Are you catering for the most stupid, visually illiterate person? In which case you have to make it look so obviously unlike what was done before that they couldn’t possibly make a mistake. Or if you are an expert and you go to York Minster you will know straight away what is new.

To apply ridiculous modernist theory to this would be so culturally disruptive as to be damaging.

Martin Ashley, conservation architect specialising in historic buildings.
 Martin Ashley.
Would it be possible to rebuild Notre Dame’s spire exactly as it was? In theory, yes. Being a spire, it’s quite a complicated structure, but I imagine it was pretty well recorded in various digital and photographic surveys. As to whether the craft skills exist to do it? Yes, absolutely. The carpentry, the metalwork, the roof cladding is all achievable again.

But in a way, restoration is a form of destruction. In restoring buildings, you destroy the history that has gone before. What the people of Paris should now do is something of this time and this culture, and adds a new chapter to that chronology which is enshrined within the historic building fabric of the cathedral. It is an opportunity to do something which is deeply contextual, very dignified, very appropriate, very spiritual, but different.

History never stands still. Notre Dame took centuries to build. The fire is now a part of that history. In a sense the identity of Notre Dame is more located in the two towers, the rose windows, the gargoyles – and therefore the spire is a natural position for something that is expressive and symbolic of something else.

 Amanda Levete of AL_A architects.
The question is, what is the expression of who we are now? Or who the French people are now? What does it represent? Who is it for? Notre Dame was built at a time when the church was the state, and it’s clearly not now. This building belongs to France, it’s the soul of France, faith or no faith.

With our extension to the Victoria & Albert Museum we took a radical view in terms of what we proposed. We had a responsibility to protect the building’s heritage but on the other hand to breathe new life into it and keep it relevant. That power of difference is not a modern idea. We need to be confident of where we are and to celebrate not just the present but to look to the future.

Stephen Barrett, partner, Rogers Stirk Harbour
We applaud in the French their relationship to modernity, which has enabled practices like our own to make a contribution there in ways that would probably be more problematic in London, say. The Pompidou Centre was also an open competition. Two young architects [Richard Rogers and Renzo Piano] won that and it changed their lives.

Seeing those images of the cathedral with no roof also reminded me of Coventry Cathedral: there was something extraordinary about having sight of the sky. I think today you could do something very light and transparent with the roof, which would have its own potency. All kinds of qualities would emerge.

Whatever is built, there has to have incredible lightness, an incredible economy of means, so doing something with almost no material, which is very much the challenge of our age, even in the broader sense of frugality and resource scarcity – but also to have a luminosity to it. It needs to be a kind of beacon.

Ptolemy Dean, surveyor of the fabric, Westminster Abbey
Everybody will be focused on “what’s the new spire going to be?” But actually we really must try to focus on conserving what’s already there first of all. We don’t want to lose the original Gothic vaulting inside. That then leads to what the roof space is used for. It’s a great big void in the upper storey of the cathedral and the question to my mind is, is there anything ingenious that could be done with it?

Then finally we’re left with the whole question about the spire. To me, it’s a slightly deeper question than putting something in and making it a statement of modern thought; I think it’s also tied to the functionality of that roof void. You could make something rather amazing in there that explains the whole story of the fire and reveals something about the Gothic vaults.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Climate Change - The Facts




David Attenborough Gives Stark Warning in New BBC Climate Change Special

Olivia Rosane Apr. 19, 2019 06:41AM EST CLIMATE

Beloved nature broadcaster Sir David Attenborough narrated a BBC documentary on climate change Thursday that Guardian reviewer Rebecca Nicholson said aimed to encourage action around climate the way that Attenborough's Blue Planet II galvanized the world against single-use plastic.

The hour-long program, called Climate Change—The Facts, marked Attenborough's strongest warning to date on the dangers posed by global warming, BBC News reported.

"In the 20 years since I first started talking about the impact of climate change on our world, conditions have changed far faster than I ever imagined," Attenborough said in the film. "It may sound frightening, but the scientific evidence is that if we have not taken dramatic action within the next decade, we could face irreversible damage to the natural world and the collapse of our societies."

The program looked at the impacts of climate change, showing footage of people fleeing wildfires in the U.S. and highlighting how sea level rise is forcing the residents of Isle de Jean Charles in Louisiana to leave their homes. It also spoke to scientists studying ice melt in Greenland and Antarctica.

"In the last year we've had a global assessment of ice losses from Antarctica and Greenland and they tell us that things are worse than we'd expected," University of Leeds Prof. Andrew Shepherd said.

The documentary was also upfront about the role of the fossil fuel industry, Nicholson wrote, explaining that it was the most profitable business in human history and that its companies consulted with the same people who advised the tobacco industry in order to develop PR campaigns that spread doubt and slow down action.

The program also proposed solutions, such as renewable energy, carbon capture technologies and political action.

The documentary featured 16-year-old Swedish activist Greta Thunberg, whose one-person school strikes for climate action sparked a global youth movement, Newsweek reported.

"My future and everyone else's future is at risk and nothing is being done, no one is doing anything, so then I have to do something," Thunberg said.

The program aired in the UK as the fourth day of Extinction Rebellion protests blocked busy streets in central London. The combination of the headlines generated by the protesters, who want the UK government to reach net-zero emissions by 2025, and the Attenborough program, worked to increase media coverage of climate change in the UK, The Guardian reported.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Le chantier unique au monde de Notre Dame de Paris




Este Video que visita os andaimes montados para os trabalhos de conservação dos telhados e da "fléche" de Viollet Le Duc, data de 6 de Abril, portanto de antes do terrível incêndio que devastou a Catedral de Notre Dame ... Neste contexto ele constitui um documento...
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Notre-Dame : des politiques appellent Macron à ne pas "défigurer" la cathédrale / ÉDITORIAL Le Monde: Notre-Dame : pour une cathédrale du XXIe siècle



Notre-Dame : des politiques appellent Macron à ne pas "défigurer" la cathédrale

Par LEXPRESS.fr avec AFP ,
publié le 18/04/2019 à 15:49

Le chef de l'État souhaite que la reconstruction de la cathédrale s'accompagne d'un "geste architectural contemporain". L'opposition s'inquiète.
La reconstruction de Notre-Dame de Paris n'a pas encore commencé, mais elle fissure déjà l'union nationale des responsables politiques. En cause : la volonté d'Emmanuel Macron de rebâtir l'édifice dans les cinq ans et qu'"un geste architectural contemporain puisse être envisagé".

L'emploi du terme "contemporain" suscite la colère d'une partie de l'opposition, qui craint que la cathédrale soit défigurée. À gauche, Raphaël Glucksmann, tête de liste PS-Place publique pour les européennes, a estimé sur Public Sénat que "ce n'est pas le président de la République qui va décider du temps que prend un chantier", appelant à reconstruire sans "détruire l'âme de Notre-Dame".

La présidente du Rassemblement national Marine Le Pen a relayé le hashtag "#TOUCHEPASANOTREDAME", face aux pistes évoquées par le Premier ministre Édouard Philippe pour une éventuelle reconstruction de la flèche effondrée.

"Manie de la disruption"
"Ils vont nous faire des rooftops [toits-terrasses] au-dessus de Notre-Dame ?!", a lancé sur LCI Jordan Bardella, tête de liste du RN pour les élections européennes. "Il faut arrêter un peu le délire : on doit le respect absolu au patrimoine des Français." Souhaitant que la cathédrale soit reconstruite "à l'identique", il a rejeté toute idée de faire "une espèce de truc d'art contemporain, d'art moderne".

Pour François-Xavier Bellamy, tête de liste du parti Les Républicains pour les européennes, "nos gouvernants devraient retrouver un peu d'humilité". "Cette restauration est la mission des architectes formés pour cela, des artisans et des compagnons (...) Un président n'a d'autre responsabilité que de leur donner les moyens de réussir cette mission", a-t-il écrit dans une série de messages postés sur Twitter.

"Avant de nous proclamer bâtisseurs, reconnaissons que nous sommes d'abord héritiers... Il serait tragique qu'au deuil de la destruction succède la manie de la disruption, et que l'orgueil du 'nouveau monde' dénature maintenant le meilleur de l'ancien au lieu de le transmettre", a ajouté l'élu de Versailles.

Wauquiez veut une reconstruction à l'identique
À un article du Parisien demandant s'il faut reconstruire Notre-Dame à l'identique, le patron de LR, Laurent Wauquiez, a laconiquement répondu dans un tweet : "oui". "Ne laissons pas [la] mégalomanie [d'Emmanuel Macron] défigurer notre cathédrale !", a de son côté réagi Nicolas Dupont-Aignan, président de Debout la France, en appelant à signer une pétition pour "rebâtir Notre-Dame telle que nous en avons hérité".

En choisissant le délai rapide de cinq ans pour la reconstruction de Notre-Dame de Paris et en faisant appel à un "concours international d'architecture" pour sa flèche, Emmanuel Macron a déclenché des critiques l'accusant de favoriser un projet qui trahirait sa construction originale.

Le délai a été jugé "réalisable" par plusieurs participants à une réunion avec Emmanuel Macron mercredi pour le "lancement de la reconstruction", même s'il est considéré trop court par certains experts extérieurs. Le débat fait rage entre ceux qui veulent reconstruire à l'identique et ceux qui prônent l'utilisation de matériaux modernes comme le titane pour la toiture ou une architecture plus contemporaine de la flèche.

Notre-Dame : pour une cathédrale du XXIe siècle

ÉDITORIAL
Le Monde

Editorial. Après l’injonction à reconstruire la cathédrale en cinq ans d’Emmanuel Macron, le débat est vif entre anciens et modernes. Osons trancher pour magnifier l’esprit de l’édifice.Publié hier à 10h38   Temps de Lecture 2 min.

Editorial du « Monde ». Après le temps de la catastrophe, de la sidération et de l’émotion planétaire, voici venu celui des questions, des spéculations et des controverses dont on raffole sous les cieux parisiens. Il aura suffi pour cela de deux initiatives du pouvoir politique.

Dès le lendemain de l’incendie qui a ravagé la cathédrale de Paris le 15 avril, le président de la République, Emmanuel Macron, a pris cet engagement solennel : « Je veux que Notre-Dame soit rebâtie plus belle encore d’ici cinq années. » Et, mercredi 17 avril, le premier ministre, Edouard Philippe, a engagé cette course contre la montre : d’une part, un projet de loi sera déposé très rapidement afin de donner un cadre légal aux dons qui affluent de toute part pour financer la restauration, d’autre part, un concours international d’architectes va être lancé pour décider de reconstruire ou non, et sous quelle forme, la flèche de la cathédrale, disparue dans le brasier.

Aussi légitime soit-il dans son principe et son intention, le volontarisme présidentiel a déclenché, dans l’instant, interrogations et polémiques. Comment Emmanuel Macron peut-il, urbi et orbi, fixer un calendrier aussi ambitieux, alors que l’impératif immédiat est de protéger et de sécuriser le bâtiment, et alors que les experts en tout genre commencent à peine à faire l’état des lieux et des dommages causés par le sinistre ?

Ces opérations complexes, mais décisives, pour la conception même de la restauration future, peuvent prendre des mois, plus vraisemblablement des années. Si l’engagement de l’Etat est salutaire, la précipitation, objectent déjà bien des experts, pourrait être mauvaise conseillère et abusivement préjuger des choix architecturaux et des solutions techniques qui seront retenues.

Faut-il restaurer la « forêt » ?
Sans attendre, une autre question a immédiatement embrasé tout le Landerneau des architectes, des experts des monuments historiques et des entreprises spécialisées : faudra-t-il restaurer Notre-Dame à l’identique, est-ce possible et souhaitable ? Eternelle querelle des anciens et des modernes, des conservateurs et des innovateurs, des prudents, voire des frileux, contre les audacieux, voire les iconoclastes. Parce que c’est un édifice unique, si chargé d’histoire et si profondément inscrit dans le paysage parisien, les prudents exigent de le restituer tel qu’il était à la veille de l’incendie. Pour les autres, cela reviendrait à s’imposer des contraintes absurdes quand l’occasion stimulante est offerte de dessiner une nouvelle cathédrale.

Entre mille autres questions, le débat se concentre, dès à présent, sur la charpente et la flèche. Faut-il restaurer la première, dont la « forêt » de poutres séculaires est partie en fumée, avec une nouvelle structure en bois, ou opter pour des techniques modernes, comme on le fit au XIXe siècle à Chartres, avec des poutrelles en fonte, dans l’entre-deux-guerres à Reims, avec des éléments en béton armé, ou à Metz, avec une structure métallique ? Quant à la flèche, rajoutée de façon intempestive au XIXe siècle par Viollet-le-Duc, convient-il de la restaurer à l’identique, d’en inventer une nouvelle ou carrément de la supprimer ?

Osons trancher ! Comme toutes ses semblables, Notre-Dame n’est pas un patrimoine figé. Depuis des siècles s’y sont sans cesse superposés les styles et les empreintes, dictés par les choix architecturaux et techniques du moment. L’essentiel, dans tous les sens du terme, est d’en préserver et d’en magnifier l’esprit.

Le Monde

Devemos reconstruir a flecha da Notre-Dame? Sim, mas…/ Notre-Dame: “Não quero sequer pensar que este incêndio podia acontecer nos Jerónimos”



PATRIMÓNIO
Devemos reconstruir a flecha da Notre-Dame? Sim, mas…
Especialistas ouvidos pelo PÚBLICO defendem o restauro integral da catedral. Mesmo dos elementos acrescentados no século XIX por Viollet-le-Duc e que pretendiam reverter o edifício à sua pureza original.

 Isabel Salema
Isabel Salema 16 de Abril de 2019, 23:15

Quando assistimos incrédulos à queda da flecha da Catedral de Notre-Dame de Paris, lembrámo-nos imediatamente do colapso das Torres Gémeas de Nova Iorque depois do atentado de 11 de Setembro. Não foi por recearmos estar perante mais do que um acidente, mas antes porque o desenho das Torres Gémeas não deixa de ser um herdeiro longínquo da arquitectura de Notre-Dame, monumento fundador do estilo gótico.

Há um paralelo entre as linhas góticas da flecha com 93 metros de altura a desfazer-se nas chamas e os restos retorcidos dos arcos flamejantes das Twin Towers que correram o mundo no dia seguinte à tragédia de Nova Iorque. Os 800 anos de história que separam os dois edifícios mostram como Notre-Dame é um marco não só da civilização europeia mas da história mundial e um referente que não pára de regressar quando se quer construir em altura.

Se no Ground Zero de Nova Iorque não nasceram cópias das torres destruídas, tudo parece estar a encaminhar-se para que em Paris seja feito um restauro integral de Notre-Dame, que começou a ser engolida pelas chamas na segunda-feira ao final da tarde.

Com os seus oito séculos de história, Notre-Dame sofreu várias recuperações ao longo dos tempos, a mais célebre das quais iniciada em 1844 por Eugène Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste Lassus. Foi nessa altura que se ergueu a flecha que vimos soçobrar e que dá à catedral a sua altura a raiar os cem metros, tal como se alterou substancialmente as duas torres da fachada que nunca tinham sido terminadas.

“Viollet-le-Duc pretendia reverter o edifício à sua suposta pureza original, mas também reinterpretar a essência dos edifícios, acrescentando parcelas de que se tinha conhecimento, mas que haviam sido perdidas, como no caso da flecha”, explica Paulo Almeida Fernandes, especialista em arquitectura medieval do Museu de Lisboa, lembrando que a flecha, a que também podemos chamar agulha ou pináculo, procurou inspiração nos modelos da Catedral de Orléans e da Sainte-Chapelle de Paris.

Por isso, uma das primeiras perguntas a que a equipa de restauro vai ter de responder é se vai querer reconstruir a reconstrução idealizada por Viollet-le-Duc. Ou seja, até onde deverá ir o restauro patrimonial de Notre-Dame do que foi destruído? Deve reconstruir-se algo que já não era original?

“Sim, mas…”, defende o historiador de arte Paulo Almeida Fernandes. “O carácter icónico desta flecha justifica a sua reconstrução, pois é uma marca histórica do monumento, um elemento que singulariza o skyline de Paris. A flecha da catedral de Notre-Dame é um símbolo agregador da Europa.”

Os falsos históricos
À primeira vista, o arquitecto José Aguiar diz que não tem a certeza que a flecha de Viollet-le-Duc possa ser considerada “um falso histórico” ou “um falso artístico”, mesmo que este tipo de restauro já tenha sido muito criticado, nomeadamente por Cesare Brandi, um dos grandes teóricos da área no século XX: “Sabemos que Viollet-le-Duc era extremamente rigoroso nas propostas. Se ele fez a agulha é porque, como em quase todos os seus casos de restauro, há fundamentação para o fazer.” Neste caso, trata-se de uma iluminura do Livro de Horas do Duque de Berry, datada do século XIV, que mostra a existência de uma flecha na Notre-Dame. “Ele era também um dos grandes conhecedores das técnicas construtivas e das soluções de execução. Ainda hoje estudamos muito da história construtiva da Idade Média através dos livros de Viollet-le-Duc. Sobre a sua decisão de reconstruir a agulha ou outras partes feitas no século XIX, já passou um século e meio e elas próprias são história. A imagem de Notre-Dame, a sua leitura, está neste momento ligada à visão que nos deu Viollet-le-Duc. Além dos valores históricos e artísticos, têm que se acrescentar os valores sociais.”

Logo no dia do incêndio, que está a ser considerado um acidente, o Presidente francês, Emmanuel Macron, fez eco desse valores sociais e prometeu reconstruir a catedral porque é isso que os franceses esperam. Já nesta terça-feira, defendeu que essa reconstrução duraria apenas cinco anos.

Uma tragédia emocional
Para Ana Gerschenfeld, uma parisiense que vive em Portugal há décadas e trabalha na Fundação Champalimaud, é preciso voltar a dar um telhado a Notre-Dame, que não pode ficar com três buracos. “Isto é uma vicissitude da história e não vale a pena ficar como uma ruína. A catedral deve ser restaurada, mostrando que se fez um restauro, porque as pessoas têm direito a ter de volta uma Notre-Dame de Paris funcional.”

Ao contrário do que aconteceu com o Ground Zero das Torres Gémeas ou com as Ruínas do Convento do Carmo, que se seguiram a um atentado terrorista e a um terramoto, em Paris “é mais uma tragédia emocional do que uma tragédia humana”. Ana Gerschenfeld, como outros parisienses, sentiu uma imensa tristeza e as lágrimas vieram-lhe aos olhos: “É como ter o coração da cidade arrancado de repente. É uma coisa que não se imagina, porque pensamos que as coisas estão ali para sempre e, de facto, não estão.”

Cada vez que passa pela Notre-Dame, Ana Gerschenfeld, que foi durante anos jornalista do PÚBLICO, sente essa ligação afectiva: “Faz-me sorrir cada vez que a vejo. Tal como acontece com a Sé de Lisboa, também me arranca sempre um sorriso. São proezas e obras lindas do ponto de vista estético.”

A reconstrução deve prever vários níveis de compromisso com o património, defende Paulo Almeida Fernandes​: “Em primeiro lugar, é importante que esse projecto seja discutido entre um sólido e multifacetado corpo técnico, mas alargado aos agentes da gestão patrimonial e envolver os próprios decisores políticos, pois, em última instância, haverá uma opção política a tomar.” Depois, as partes da catedral reconstruídas podem ser realizadas em materiais diferentes dos originais, ou com outro tipo de coloração, “para que exista uma leitura imediata por parte dos futuros visitantes de mais esta cicatriz provocada na longa história do edifício”. E todos os passos dados a partir de segunda-feira devem ser exaustivamente documentados, “para constituir um fundamentado relatório para memória futura e eventual musealização”.

O restauro de grande parte do que ardeu é “totalmente exequível”, diz José Aguiar, professor de conservação e restauro na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa. “A França tem de certeza disponível um levantamento com fotogrametria digital e laser, que permitem reconstruir estes elementos. Acho que se justifica o restauro integral, incluindo a flecha, porque a história de Notre-Dame também é a história de Viollet-le-Duc, que criou muitas das bases do restauro contemporâneo.”





Notre-Dame: “Não quero sequer pensar que este incêndio podia acontecer nos Jerónimos”

O incêndio de Notre-Dame faz-nos perguntar: e se fosse no mosteiro dos Jerónimos ou no da Batalha? Falámos com os seus directores e outros técnicos. Há planos de segurança actualizados e ligações aos bombeiros, mas falta ainda muita coisa, sobretudo formação. DGPC está a preparar uma Carta de Risco para o património classificado.

Lucinda Canelas 17 de Abril de 2019, 7:30

Não se sabe ainda como começou nem se conhece a dimensão dos danos patrimoniais que causou. Com o inquérito aberto pelo Ministério Público francês ainda numa fase muito inicial, o incêndio que durante a tarde e a noite de segunda-feira destruiu boa parte da catedral de Notre-Dame parece, para já, estar relacionado com os trabalhos de conservação e restauro que nela estavam a decorrer. Se a investigação vier a confirmar esta hipótese, será certamente um paradoxo que a obra que procurava protegê-la e valorizá-la tenha levado a esta tragédia.

Com milhões de pessoas em todo o mundo a assistir — atónitas, emocionadas — às imagens da grande catedral de Paris a arder, é inevitável que muitas delas tenham pensado nos monumentos que têm nos seus países. Inevitável também para os portugueses. E se fosse o Mosteiro dos Jerónimos a arder? Ou o da Batalha? Estarão os monumentos nacionais preparados para impedir tamanha catástrofe ou simplesmente isso não é possível?

Portugal tem dispersos pelo seu território quatro mil imóveis classificados. Desses, sete estão na esfera da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), que tutela também 16 museus. Entre esses sete estão quatro (Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém foram classificados em conjunto) com o selo de património da humanidade, atribuído pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Nestes, como nos restantes, há meios de combate a incêndios, plano de evacuação e saídas de emergência, informa a DGPC.

“Os planos de segurança dos 23 equipamentos da DGPC foram aprovados e em cada um deles há pessoas a quem foi dada formação específica, que sabem exactamente o que fazer em caso de incêndio ou de qualquer outro acidente natural”, diz ao PÚBLICO Paula Silva, directora-geral do Património. São funcionários que sabem usar os extintores e as bocas-de-incêndio existentes para darem uma resposta imediata. “É claro que este primeiro ataque não é suficiente e, por isso, na área de Lisboa, estes 23 equipamentos estão ligados em permanência, 24 sobre 24 horas, ao Regimento de Sapadores Bombeiros.”

Esta ligação é garantida pelo Sadiconnect, um sistema que informa em tempo real os sapadores. “Nas restantes regiões do país, existem ligações telefónicas normais e automáticas aos serviços de bombeiros ou a empresas de segurança”, esclarece uma nota da DGPC. A estas medidas acrescem as vistorias periódicas para aferir da adequação dos planos de segurança, obedecendo a uma resolução do Conselho de Ministros do ano passado (n.º 13/2018, de 20 de Fevereiro).

“O que aconteceu foi uma verdadeira tragédia, que infelizmente não é tão anormal como se possa pensar”, acrescenta Paula Silva. É claro que a importância patrimonial e simbólica de Notre-Dame amplia tudo, diz, “mas não é raro um monumento arder quando está em obras”.

Sublinhando que é preciso esperar pelas conclusões do inquérito às causas do incêndio, a directora-geral do Património lembra o que sucedeu com o edifício dos Paços do Concelho, em Lisboa, em 1996: “O incêndio começou precisamente na cobertura”, onde decorriam trabalhos.

Graças à “pureza do gótico”
Tanto Paula Silva quanto os directores dos mosteiros dos Jerónimos e da Batalha, dois monumentos património mundial, sublinham a importância dos planos de segurança e de outras medidas de autoprotecção, mas defendem que ninguém pode garantir a 100% que algo como o que sucedeu na catedral de Paris não acontece na sua própria “casa”.

“Não quero sequer pensar que este incêndio podia acontecer aqui”, diz Isabel Cruz Almeida, directora do Mosteiro dos Jerónimos, um dos monumentos que mais intervenções de conservação e restauro teve nos últimos anos e o mais visitado do universo da DGPC (1,1 milhões de visitantes em 2018). “Nós temos muita madeira, dentro e fora [nos altares, nas coberturas], e um fogo com aquela intensidade afecta também a estrutura de pedra. Muito do recheio do mosteiro saiu para museus ao longo de décadas, mas ainda temos património integrado importantíssimo, como o retábulo da capela-mor.”

O plano de segurança actualizado e os simulacros que recentemente foram feitos no mosteiro e na Torre de Belém são importantes para manter a diminuta equipa mais preparada para um eventual incêndio, mas há sempre uma certa inevitabilidade. “[Em Notre-Dame] não se contava… É claro que a catedral tem um plano de segurança e pessoas com formação. Ninguém acredita que um monumento daqueles, com uma importância simbólica imensa, um ícone em França e no mundo, que recebe [13] milhões de visitantes por ano, não estivesse preparado, no entanto aconteceu. França é um exemplo para todos no investimento que faz e no orgulho que tem no seu património.”
A directora-geral do património lembra, por seu lado, que em contexto de obra, por vezes, os monumentos descuram alguns aspectos da sua segurança: “Não estou a dizer que foi o que aconteceu, mas é preciso pôr essa hipótese.”

Há uma dose de inevitabilidade ou acaso, admite Joaquim Ruivo, director do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro da Batalha, mas o que as avaliações periódicas e os planos de segurança pretendem é diminuir os factores de risco e garantir uma resposta rápida em caso de necessidade. “Ninguém está livre de uma catástrofe, mas na Batalha o incêndio nunca atingiria aquela dimensão.” E porquê? “Porque nós já só temos cobertura de madeira na Sala do Capítulo e no interior praticamente já não resta nada”, diz Ruivo, falando do incêndio em Notre-Dame como uma “perda desoladora”, daquelas de “fazer doer a alma”, que trouxe à memória as catedrais alemãs arrasadas na Segunda Guerra Mundial.

O Mosteiro da Batalha, como o de Alcobaça ou o Convento de Cristo em Tomar, entraram num período de degradação após a extinção das ordens religiosas, em 1834. Foi graças à intervenção de D. Fernando II, o rei artista que casou com D. Maria II, que a partir de 1840 foi sujeito a um amplo processo de restauro. Foi a ideia de “pureza do gótico” que orientou as intervenções no monumento entre 1840 e 1940 que “limpou” o interior do mosteiro, explica o director.

O edifício, continua Ruivo, sofrera já muito com a terceira invasão napoleónica, que deitou por terra dois dos seus quatro claustros. “O que no interior pode arder foi reduzido ao mínimo pelas intervenções que quiseram deixar no mosteiro praticamente só a pedra. Ainda temos algum mobiliário, uma imagem ou outra, mas os retábulos, os altares de madeira, as tapeçarias e até os confessionários já não estão cá. O mosteiro foi reduzido ao seu esqueleto, à tal beleza do gótico.”

Na Batalha, o quartel dos bombeiros fica a 200 metros e não há constrangimentos urbanos – nem trânsito, nem edifícios que dificultem o acesso ao monumento.

Mais formação
O acesso dos bombeiros é importante, diz Esmeralda Paupério, investigadora do Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, mas está longe de ser o único factor determinante.

Para esta engenheira civil que muito tem trabalhado na área dos riscos em património, habituada a cenários de catástrofe em virtude de sismos, Portugal tem ainda um longo caminho pela frente no que toca à preservação perante incêndios, tsunamis, inundações e terramotos, apesar de ter já dado alguns passos seguros. É preciso garantir mais formação aos bombeiros e aos gestores do património, é preciso criar documentos estratégicos capazes de clarificar prioridades em termos de intervenção — em cada equipamento e também no território.

“Quando um bombeiro está a combater um incêndio num monumento ou num museu ele é chamado, naturalmente, a salvaguardar primeiro as pessoas e, depois, as obras de arte. Em Portugal, a maioria dos museus não tem sequer planos de evacuação de património móvel. O bombeiro não sabe o que resgatar primeiro, não sabe como retirar e transportar as peças. Tem de haver mais formação, mais articulação entre os sapadores, a protecção civil, o Património”, defende Esmeralda Paupério, membro do comité de risco do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), que no ano passado organizou no Porto, com o regimento de sapadores da cidade, uma formação piloto para gestores do património e bombeiros. “Estamos no bom caminho, mas há que ir mais longe, dar formação contínua.”

Carta de risco
Para saber onde intervir primeiro no que diz respeito aos imóveis dispersos pelo território, a Direcção-Geral do Património está a preparar uma Carta de Risco para o património nacional classificado, o que está à guarda do Estado, mas também o que se encontra sob a alçada de privados e da Igreja. Até ao fim do Verão, Paula Silva gostaria de ver terminada a primeira fase do levantamento que a DGPC está a fazer com as Direcções Regionais de Cultura. O seu objectivo é apurar o estado de conservação de bens/imóveis classificados como de Interesse Público ou Monumento Nacional em Portugal continental.

“Nesta primeira fase vamos incluir apenas os que são propriedade do Estado [1580], mas depois incluiremos os restantes até a um total de 4000, que são os que estão classificados”, explica a directora-geral. “Sem se conhecerem as necessidades, não podemos decidir, não podemos estabelecer prioridades. A Carta de Risco [do Património Arquitectónico e Arqueológico Nacional Classificado] é um documento estratégico que já devia existir há muito tempo.”

Esmeralda Paupério concorda. “Sem a Carta de Risco não saberemos por onde começar”, acrescenta a engenheira civil que faz questão de lembrar que, tirando Inglaterra, que criou “normas indicativas”, nenhum outro país dispõe de planos de segurança específicos para o património em contexto de obra.

“Não é por acaso que isto acontece na grande catedral de Paris quando estão obras a decorrer nas coberturas. Os espaços são exíguos, há muitas especialidades [profissionais de várias áreas] a trabalhar ao mesmo tempo, há rebarbadoras, extensões [eléctricas] e geralmente prazos curtos. Há regras a seguir para a segurança dos trabalhadores mas não para a do património.” E estas regras são também importantes nos centros históricos, mesmo quando se trata de reabilitar edifícios não classificados: “Facilmente um incêndio passa de um prédio ou de uma casa para uma igreja com centenas de anos.”

Tragédias como a de Notre-Dame, diz Esmeralda Paupério, obrigam os políticos a olhar para o património e a repensar o seu financiamento. “Muitos políticos tendem a minimizar a importância do património e fazem mal. Quando estive nos sismos do Nepal [2015] e do México [2017] pude ver o valor identitário que um templo, uma igreja, um monumento pode ter para uma comunidade. As pessoas preferem que sejam reconstruídos primeiro do que as suas próprias casas. O património é um símbolo de resiliência.”

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