terça-feira, 12 de novembro de 2019

OVOODOCORVO vai fazer uma pausa de 10 dias.



Imigração sobe 18%. Indianos entre os que mais chegam a Portugal


Há ruas de São Teotónio onde os portugueses são a minoria. E isso está a causar desconforto



Imigração sobe 18%. Indianos entre os que mais chegam a Portugal

Dados provisórios do SEF mostram que até fim de Outubro tinham sido concedidas 110.813 novas autorizações de residência. Brasil continua no topo. O Reino Unido, que estava em quarto lugar no ano passado, passa para segundo. Nepal continua em quinto. Agricultura e necessidade de mão-de-obra explicam subidas.

Joana Gorjão Henriques 12 de Novembro de 2019, 6:30

Há mais imigrantes a trabalhar nas estufas em São Teotónio MIGUEL MANSO

A dois meses de acabar o ano, os dados provisórios do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) apontam para uma tendência de crescimento de 18% na imigração.

Segundo números fornecidos ao PÚBLICO, até 31 de Outubro já tinham sido concedidas 110.813 novas autorizações de residência (AR), quase mais 17 mil do que em todo o ano de 2018 (93.154), mantendo-se assim uma tendência de subida nos últimos quatro anos. Já no ano passado se tinha registado o maior número de imigrantes de sempre em Portugal, que chegaram aos 480 mil. Os números de residentes devem ultrapassar os 566 mil, segundo a estimativa de 18% do SEF que não especificou números concretos em relação às nacionalidades.

Os brasileiros continuam no topo da tabela dos que mais estão a imigrar. Estes cidadãos são a maior comunidade imigrante em Portugal com mais de 105 mil residentes em 2018.

A maior novidade é a entrada da Índia para o top 5 da tabela das autorizações concedidas, ficando em quarto lugar e à frente do Nepal que ocupa o mesmo quinto lugar que em 2018. O Reino Unido, que estava em quarto lugar no ano passado, passa para segundo. A Itália também se mantém neste ranking, passando de segundo para quarto lugar. França sai da tabela dos cinco que mais pediram a residência.

Porém, os novos pedidos não correspondem todos, necessariamente, aos grupos de imigrantes que já vivem em Portugal. Nesta lista há ligeiras mudanças. Em 2019 as maiores comunidades são Brasil, Cabo Verde, Reino Unido, Roménia e Ucrânia – em 2018 também o eram, mas estavam em posições diferentes na tabela, também liderada pelo Brasil e Cabo Verde, mas seguida da Roménia, Ucrânia e Reino Unido.

Indianos e agricultura
O aumento do fluxo da imigração de indianos explica-se, em parte, com a subida de população estrangeira que vem trabalhar na agricultura. Aliás, em Odemira, onde estão concentradas grandes produções de frutos vermelhos que atraem mão-de-obra imigrante – ao ponto de o Governo ter aprovado a construção de alojamentos nas propriedades agrícolas, o que está a criar polémica – os dados provisórios de 2019 apontam para mais 28% de residentes estrangeiros (ou seja, devem passar de 6124 para 7838, e são sobretudo do Nepal, Índia, Bulgária, Tailândia e Alemanha). Os novos pedidos neste concelho subiram de 1807 para 2077 e vieram sobretudo de Índia, Nepal, Alemanha, Bangladesh e Reino Unido. 

Satbir Singh, 29 anos, indiano a viver em São Teotónio desde 2016 nota que de facto a imigração do seu país está a crescer desde há dois anos naquela zona, pelo menos. “Porque há muitas empresas aqui, há trabalho”, afirma ao PÚBLICO por telefone este trabalhador numa das estufas de frutos vermelhos.

Há ruas de São Teotónio onde os portugueses são a minoria. E isso está a causar desconforto
Nos últimos três anos houve sim um aumento de indianos a procurar a Solidariedade Imigrantes (Solim), associação que tem uma sucursal em Beja e que é uma das que tem mais sócios. Timóteo Macedo afirma, porém, que tem sentido um abrandamento na procura de imigrantes destes países. Os dados a que se refere o SEF podem corresponder a pedidos efectuados no ano passado ou em anos anteriores – porque entre a entrada do pedido e a concessão da autorização podem passar-se vários meses. “Não houve efeito-chamada, foram as necessidades objectivas porque apareceu trabalho em Portugal. Os fluxos migratórios movimentam-se entre a oferta e a procura”, afirma. Os indianos vêm também para a restauração. “Quem está nas cozinhas?”, interroga o dirigente.

O mesmo acontece com os nepaleses, analisa Kubber Karki, da Associação dos Nepaleses. “Continuam a chegar nepaleses. Vêm por causa do trabalho, da comida, do tempo.” O Alentejo e o Algarve são alguns dos destinos preferidos, e aí trabalham na agricultura, mas também na restauração ou em pequenos negócios como mercearias. Mas segundo Kubber Karki, há muita gente qualificada, engenheiros ou advogados, a trabalhar nas estufas ou em restaurantes. “Até terem o cartão de residência não arranjam bons trabalhos”.

As estatísticas e a realidade
Já em relação ao Reino Unido há duvidas sobre se os dados significam novas entradas ou se correspondem a residentes que se foram registar por causa do Brexit. Totalizados em 22.500 em 2017 e em mais de 26 mil em 2018, os britânicos são a terceira maior comunidade imigrante a viver em Portugal, segundo os dados provisórios do SEF em relação a 2019 (mais uma vez não forneceram números específicos). Ao PÚBLICO, o gabinete de imprensa da embaixada britânica calcula que a comunidade seja muito maior e chegue aos 50 mil. “Desde o referendo que a embaixada tem desenvolvido um esforço para que os britânicos não registados o façam de modo a que os seus direitos sejam garantidos. Esse esforço terá produzido efeitos”, referem.

Para Michael Reeve, director executivo da Afpop, a associação de proprietários estrangeiros em Portugal, há razão para que mais britânicos queiram mudar-se porque o país está entre os seus três destinos preferidos. Referindo-se aos imigrantes britânicos em Portugal como expatriados, Michael Reeve afirma que terá funcionado “o boca-a-boca” de quem vive no país. “A Câmara de Comércio Luso-Britânica tem feito uma boa campanha de marketing, este ano fez quatro eventos [no Reino Unido] para promover Portugal e quando as pessoas vêm que é um dos países mais seguros do mundo isso tem efeito positivo”.

Também em relação ao Brasil, Carlos Vianna, membro do Conselho das Migrações, e fundador da Casa do Brasil, acha que os dados estão bem abaixo das estatísticas. Calcula que haverá 200 mil brasileiros em Portugal, cerca de 2% da população, entre imigrantes não regularizados, imigrantes com AR e brasileiros que obtiveram a nacionalidade portuguesa. “Acredito que haja em Portugal cerca de 40 a 50 mil portugueses de origem brasileira como eu, que já sou português há quase 20 anos. No Brasil há imensos novos portugueses porque não há família com portugueses que não incentive os filhos a ter a nacionalidade. Quem tem avô brasileiro vai pedir a nacionalidade. Apelo ao Governo que faça um reforço dos consulados portugueses.”

Para Portugal têm vindo imigrantes de todos os perfis, mas ultimamente também pessoas da classe média e classe média alta que “compra lojas, apartamentos”. “A espiral de crise económica e política no Brasil tem empurrado a imigração brasileira para Portugal”.

E vai continuar a crescer, estima. “A dinâmica de chegada de gente está forte. As pessoas vêm bem informadas. Quando há um certo número de população num país isso gera um fluxo porque são os próprios que trazem amigos e parentes.”

tp.ocilbup@hgj

Os porteiros do regime não sabem fazer contas




Os porteiros do regime não sabem fazer contas

É um absurdo silenciar três deputados com a desculpa que não são um grupo parlamentar, até porque a melhor forma de os transformar num grupo parlamentar é mesmo fazendo tudo para que não abram a boca.

João Miguel Tavares
12 de Novembro de 2019, 6:20

Os porteiros do regime fazem tudo para não deixar entrar novos clientes, e quando estes conseguem, à custa de muito esforço, passar da porta, os porteiros do regime fazem tudo para não os deixar dançar. Os porteiros da discoteca Urban Beach têm fama de ser tipos difíceis, mas os porteiros da Assembleia da República não são mais fáceis. Aquilo que se está a passar no Parlamento, com PS, Bloco de Esquerda, Partido Comunista e Os Verdes (que nunca na vida foram a votos fora da barriga de aluguer marxista-leninista) a fazerem uma panelinha para silenciar os deputados do Chega, da Iniciativa Liberal e do Livre é um desrespeito escandaloso pela democracia e pelos votos dos portugueses.

Ainda por cima, é uma decisão profundamente estúpida; tão estúpida, aliás, que chega a ser ofensiva para qualquer inteligência mediana. Chega, Iniciativa Liberal e Livre podem começar já a esfregar as mãos de contentes e a organizar manifestações nos corredores de São Bento durante os debates quinzenais, para grande felicidade das televisões. Não há nada mais telegénico do que a justa indignação e os gritos de censura, sobretudo quando 999 em cada 1000 portugueses estarão de acordo que até André Ventura, depois de ter sido eleito, tem direito a resmungar no Parlamento contra pedófilos e emigrantes; e até Joacine Katar Moreira, apesar das suas dificuldades, tem direito a esgotar o tempo das suas intervenções da maneira que bem entender. Chama-se a isso democracia, deu muito trabalho a conquistar, merece ser respeitada, e não há regimento parlamentar que se sobreponha a ela, como bem percebeu o presidente da Assembleia Ferro Rodrigues, justiça lhe seja feita.

É um absurdo silenciar três deputados com a desculpa que não são um grupo parlamentar, até porque a melhor forma de os transformar num grupo parlamentar é mesmo fazendo tudo para que não abram a boca. A pressão política e mediática vai obviamente ser insustentável, a esquerda vai obviamente ceder e os três novos partidos vão obviamente poder falar nos debates quinzenais, como têm direito. Não lhes estão a fazer favor nenhum – bem pelo contrário. O regime faz tudo para proteger os partidos que já estão na Assembleia da República, seja em termos financeiros, seja em termos mediáticos (quem está fora do Parlamento não tem direito a participar nos principais debates televisivos, e portanto tem de fazer um esforço colossal para se fazer ouvir), seja em termos eleitorais, por causa do método de Hondt e devido à inexistência de um círculo nacional.

Querem fazer umas continhas simples? Vamos dividir o número de votos de cada partido pelo número de deputados que conseguiu obter. Chega e Iniciativa Liberal tiveram quase 68 mil votos e obtiveram um deputado. O Livre teve 57 mil votos. O PAN teve 174 mil votos e quatro deputados – bastaram-lhe 43.500 votos para eleger um deputado. O CDS precisou de um pouco mais: 44.400 votos por cada deputado. O PCP: 27.700 votos por deputado. O Bloco: 26.300 votos. O PSD: 18.500 votos. O PS teve 1,9 milhões de votos e 108 deputados: bastou-lhe 17.600 votos para eleger um deputado. (Quanto aos Verdes, zero votos chegaram, como sempre, para eleger dois deputados.)

Isto significa uma coisa muito simples: em número de votos, André Ventura e João Cotrim de Figueiredo valem quase quatro vezes mais do que um deputado do PS. Repito: quatro vezes mais. Donde, a esquerda que cale a boca, tenha vergonha na cara e deixe os pequenos partidos falar.

Há sete meses que quase não chove no Algarve e a seca é extrema



Há sete meses que quase não chove no Algarve e a seca é extrema

Autarcas reivindicam a construção de uma nova barragem. A empresa Águas do Algarve garante que até final do ano não faltará água nas torneiras.

Idálio Revez 11 de Novembro de 2019, 20:00

Metade do Algarve, o sotavento, encontra-se em situação de “seca extrema” e a outra parte para lá caminha, está em “seca severa”. No mapa da gestão das Bacias Hidrográficas do Algarve, os furos que regam os golfes de Vale do Lobo já estão sinalizados com um triângulo a “vermelho”. A situação não é inédita, mas este ano a região algarvia está a ser particularmente atingida por uma aridez que faz temer o pior: os cortes no abastecimento ao sector agrícola

O ano hidrológico começou há um mês, mas a chuva não aparece. Por enquanto, dizem os agricultores, são só promessas, já desesperados por há sete meses quase não chover. O céu, aparece carregado de nuvens de vez enquanto mas S. Pedro não abre a torneira. O Verão entrou pelo Outono adentro e vai deixando um rasto de tristeza nos campos As ribeiras estão quase todas secas e a vida aquática morreu. A zona mais atingida é o nordeste algarvio, nos concelhos de Castro Marim e Alcoutim.

Porém, a parte central do Algarve sofre um outro tipo de problemas: a contaminação dos solos e das águas. “A massa de água das campinas de Faro está em muito mau estado”, destaca José Paulo Monteiro, investigador da Universidade do Algarve, explicando que existe uma “sobreexploração” no lado ocidental do aquífero Vale do Lobo/Almancil. Na parte oriental, nas antigas hortas de Faro, “continua a existir o problema dos nitratos”, derivados da agricultura intensiva ali praticada durante décadas sem regras.

O nível das barragens da região, de acordo com os dados divulgados pela Agência Portuguesa de Ambiente (APA), encontra-se a 37,1% da capacidade máxima de armazenamento. Mas “esmo que não chova até final do ano, não haverá problema no abastecimento às populações”, garante a porta-voz da empresa Águas do Algarve, Teresa Fernandes, mostrando a convicção de que o “Governo tomará medidas” caso a situação venha a piorar. Uma das soluções, admite, “pode passar pelos cortes à agricultura, foi o que se fez em 2005 [ano da grande seca]. A prioridade é o consumo humano”, sublinha.

Entretanto, a empresa (pertencente ao grupo Águas de Portugal) está a utilizar também os furos artesianos do aquífero Querença/Silves para complementar o abastecimento às populações, essencialmente garantido pelo sistema de barragens.

Perante os vários cenários que se colocam para garantir o futuro da região – dependente do turismo mas cobiçada, igualmente, para o desenvolvimento de novas culturas de regadio – coloca-se uma questão: o Algarve necessita de uma nova barragem? O presidente da Câmara de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro, não tem dúvidas. “É uma infra-estrutura absolutamente necessária, constitui uma reserva estratégica.” O autarca, socialista, vai levar nesta terça-feira à reunião do executivo uma moção para que seja retomado o projecto da “construção de uma barragem na zona central do Algarve”.

Por mais uma barragem
A discussão arrasta-se há quase 40 anos. Em 1981, recorda, foi apresentado o estudo prévio para a construção da barragem do Monte da Ribeira (ou do Alportel) na zona central da região. Se a obra tivesse avançado, observa, “provavelmente, não haveria a contaminação dos solos das campinas de Faro”. Além disso, argumenta, com a ocorrência de fenómenos extremos cada vez mais frequente, “a barragem iria permitir o controlo sobre as cheias e inundações na ribeira do Alportel/rio Gilão (Tavira)”. A assembleia municipal já aprovou por unanimidade uma moção a defender a “imperativa necessidade de reforçar a capacidade de armazenamento hídrico do Algarve”.

Já os autarcas do Sotavento reivindicam a construção da Barragem da Foupana, que passaria a integrar o sistema Odeleite/Beliche. O ex-Instituto da Água, há mais de duas dezenas de anos, chegou a desenvolver os primeiros estudos, prevendo-se que esta poderia vir a ter uma capacidade para armazenar 100 milhões de metros cúbicos. “Mas só nos lembramos da falta de água, em anos de seca”, comenta Vítor Guerreiro, para quem é igual “construir uma barragem na ribeira do Alportel ou na Foupana, o importante é que seja feita uma obra que garanta o futuro da região”.

Mas José Paulo Monteiro faz um alerta: “Os rios não podem ficar todos domesticados.” O sector da água, lembra o hidrogeólogo, é “muito conservador e gosta das soluções testadas há séculos, como é o caso das barragens”. Porém, uma gestão correcta dos recursos, sublinha, “pode passar pela recarga artificial dos aquíferos, com os efluentes tratados, à semelhança do que se faz em Madrid, Barcelona ou Israel”. A nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) Faro/Olhão, por exemplo, lança na ria Formosa 40 milhões de hectómetros de esgoto sem qualquer aproveitamento. Do ponto de vista científico, diz o hidrogeólogo, “estas questões são estudadas há muito tempo mas não fazem ainda parte das soluções da estratégia nacional da gestão da água”.

No plano imediato, para minimizar os efeitos da seca extrema, a empresa Águas do Algarve, informa Teresa Fernandes, está a “equacionar a possibilidade de reutilização das águas residuais” para regas e limpezas de ruas. Segundo a empresa, o consumo humano gasta, em média, por ano, 73 milhões de metros de cúbicos e mais de metade desse volume é desperdiçado.

Neste momento, apenas dois campos de golfe reciclam a água para rega, o dos Salgados, e um da Quinta do Lago, de forma parcial.

Califórnia e Austrália os sinais das Alterações Climáticas e das suas terríveis consequências dão-nos uma previsão do Futuro. 11,000 scientists warn of 'untold suffering' caused by climate change



Ryan Brooks walks through what was his family's pineapple farm north of Yeppoon, in central Queensland. 'All our planting bins, they’re gone. That was one of our sheds, that’s gone. The original farm house has gone', he says while looking around the scorched remains of the property. 'Dad’s been here 50 years and never seen anything like that. It’s pretty heartbreaking for us all'.  In northen New South Wales, Thomas 'Noel' Eveans  picks through the remains of his home, where sheets of aluminium and glass melted during the intense blaze that destroyed 12 homes in the village of Torrington

NSW and Qld fires: Sydney region faces 'catastrophic' bushfires danger – live




Smoke shrouds the Sydney Opera House as bushfires rage across parts of New South Wales Photograph: Helen de Jode/The Guardian

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Chega saúda resultado do partido de extrema-direita Vox em Espanha



Chega saúda resultado do partido de extrema-direita Vox em Espanha
07:29 por Lusa

Os socialistas do PSOE ganharam as legislativas em Espanha sem maioria, conseguindo 120 deputados, menos três do que nas eleições anteriores.

O partido Chega, liderado por André Ventura, felicitou o resultado do partido de extrema-direita Vox que passou a ser a terceira força política em Espanha ao eleger 52 deputados nas legislativas de domingo.

Em comunicado, o partido indicou que o líder do Chega, André Ventura, já felicitou o presidente do Vox, Santiago Abascal, e que "em breve" deve realizar-se um encontro entre os dois líderes.

"O Chega deixa ainda votos de que seja possível encontrar em Espanha uma solução política de estabilidade para os próximos quatro anos, desejavelmente com forças de verdadeira direita", lê-se na nota.

O partido Chega congratulou ainda "a previsível descida substancial da extrema-esquerda espanhola, um pouco em linha com o que se tem visto na Europa" e que acredita "ser um prenuncio claro de uma tendência que se repercutirá num futuro próximo em Portugal".

Os socialistas do PSOE ganharam as legislativas em Espanha sem maioria, conseguindo 120 deputados, menos três do que nas eleições anteriores, quando estão contados 99,9% dos votos e atribuídos todos os 350 lugares no parlamento.

O segundo partido mais votado é o PP (direita), que fica com 88 deputados (tinha 66), seguindo-se o Vox (extrema-direita), que passa a ser a terceira força política em Espanha depois de mais do que duplicar a sua representação parlamentar, passando de 24 para 52 deputados.

A Unidas Podemos (extrema-esquerda) perde lugares e votos, ficando com 35 deputados (tinha 42), e o mesmo acontece aos Cidadãos (direita liberal), que elegeram hoje apenas 10 representantes (tinham 57).

As eleições de hoje foram convocadas em setembro pelo Rei de Espanha, depois de constatar que o primeiro-ministro socialista em funções, Pedro Sánchez, não conseguiu reunir os apoios suficientes para voltar a ser investido no lugar na sequência das eleições de abril.

domingo, 10 de novembro de 2019

TRANSPORTES CHEIOS, ATRASADOS E VELHOS. PASSE NOVO VEIO MOSTRAR QUE É PRECISO MUDAR TUDO



TRANSPORTES CHEIOS, ATRASADOS E VELHOS. PASSE NOVO VEIO MOSTRAR QUE É PRECISO MUDAR TUDO
09/11/2019

No Campo Grande, ao fim da tarde, as filas encaracolam para os autocarros que seguem para Mafra, Ericeira ou Venda do Pinheiro. Em Sete Rios, os passageiros da linha de Sintra já esgotaram a compreensão para os incómodos causados e os que seguem para a Margem Sul queixam-se da sensação sardinha em lata, às horas de ponta. Em seis meses, o passe Navegante trouxe mais 150 mil utentes aos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa. E isso foi bom. Mas também foi mau.

Texto de Catarina Pires | Fotografias de Filipa Bernardo/Global Imagens

Às seis e meia da tarde, no terminal de autocarros do Campo Grande, não se percebe muito bem onde começa uma fila e acaba outra. O retângulo com as paragens de onde saem os autocarros para a Ericeira, Mafra ou a Venda do Pinheiro está cheio e tem sido assim todos os dias desde o início de setembro.

Há rostos fechados, que não querem conversa, mas o de Sandra Resende, que espera, com o filho, Francisco, e a mãe, Maria Cardoso, a carreira que segue para a Venda do Pinheiro, tem um sorriso que acolhe.
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Há cerca de um ano, adotou o transporte público e há seis meses rejubilou com o Navegante Metropolitano. “Sou a verdadeira beneficiária do novo passe. Poupo mais de cem euros por mês. O meu filho não paga, porque tem 12 anos, e a minha mãe paga menos porque tem mais de 65. É uma maravilha.” Nota uma muito maior afluência, quer na Venda do Pinheiro quer aqui, mas elogia o esforço da Mafrense em tentar dar resposta ao caos instalado.

“Há muita gente que vem das terras limítrofes e deixa o carro na Venda do Pinheiro, para apanhar a camioneta. Nem sempre há lugar para todos. Mas está lá o senhor Ramiro, que quando vê que fica gente apeada solicita desdobramentos. Só que nem sempre é possível. No início do mês foi o caos. Até houve quem desistisse e saísse da fila para vir de carro e desse boleia a outros na mesma situação. Agora o caos está mais controlado“, conta Sandra, que trabalha no Hospital de São José e tem o filho a estudar em Lisboa. Antes do Navegante, este cenário não era sequer imaginável. O passe custava mais de cem euros e muitos preferiam o carro para as suas deslocações para o trabalho.


Lília Gomes aderiu este mês ao passe Navegante. Desde os tempos da escola que não andava de transportes públicos.
Era o caso de Lília Gomes, estreante neste mês nos transportes públicos, que não utilizava desde os tempos da escola. Vive na Ericeira, trabalha em Lisboa e foi quando começou a fazer contas à vida que decidiu experimentar o autocarro. “A poupança de cerca de 200 euros mensais está a saber-me bem.”

Poder descansar ou ler durante o trajeto, impossível quando se está a guiar, também. E por enquanto compensam os tempos de espera e a confusão, sobretudo no regresso a casa. “À saída da Ericeira, apanho o autocarro na última paragem antes da autoestrada e vou sempre uns 15 minutos antes para ter lugar. Mas à ida para lá é mais caótico. Por exemplo, este autocarro parte daqui a dez minutos e não sei se consigo entrar, nem sei se virá um segundo para fazer o mesmo horário.”


No terminal do Campo Grande acumulam-se as filas para os autocarros da Mafrense com destino à Ericeira, Mafra e Venda do Pinheiro, entre outras paragens.
Nuno do Carmo, diretor da Mafrense [Grupo Barraqueiro], confirma que a adesão foi avassaladora. “Na linha da Ericeira, o aumento de passageiros foi na ordem dos 100%, nas de Mafra, Venda do Pinheiro e Malveira foi entre 50% e 60%.” Não tem sido fácil dar resposta, porque a oferta não estava dimensionada para esta procura, mas “com o esforço de todos os motoristas, que têm trabalhado mais para fazer os desdobramentos, e a deslocação de autocarros da área comercial para o serviço público, temos conseguido responder”, diz.

“Mas são soluções de recurso. A verdadeira solução passará por mais horários adaptados às necessidades das pessoas. Estamos a trabalhar com a Câmara Municipal de Mafra e a Área Metropolitana de Lisboa (AML) para isso. O problema é que isso implica mais autocarros e mais motoristas. Os autocarros compram-se e é uma questão de tempo, mas motoristas é muito difícil encontrar, porque o acesso à profissão é complicado.”

São várias as empresas de transportes que se queixam da dificuldade em contratar motoristas. As exigências – nomeadamente, a de só a partir dos 24 anos poder tirar-se a carta – e as especificidades da formação afastam os candidatos, mas o trabalho pesado e mal remunerado também não ajudará a atrair gente para a profissão.

Metro em Loures, já!
O metro em Loures poderia contribuir para escoar o fluxo cada vez maior de gente que escolheu o oeste para viver e trabalha em Lisboa.

Bernardino Soares tinha acabado de inaugurar, com Fernando Medina, a extensão do 708 da Carris para Sacavém quando falou com o DN. O metro para Loures é uma reivindicação antiga do presidente da autarquia eleito pelo PCP, que afirma que é este o momento de tomar decisões e estabelecer como prioridade a criação de infraestruturas que façam chegar o transporte pesado [metro e/ou comboio] a Loures.

“O passe intermodal foi uma medida essencial, na qual nos empenhámos muito. Além da poupança significativa para as famílias, permitiu acabar com situações em que as pessoas, por exemplo, tinham de ter vários passes. Estamos a trabalhar para melhorar a rede rodoviária e esperamos um aumento da oferta de carreiras e horários no próximo ano, mas para uma melhoria completa da mobilidade é necessário trazer o metro para Loures.”

“É hoje claro para todos que o metro em Loures é essencial para dar coerência à rede de transportes da AML. Aliviará Lisboa dos carros, aliviará a pressão sobre o metro de Odivelas e facilitará a mobilidade de quem vem do oeste”, diz Bernardino Soares.

A apoiá-lo nesta reivindicação tem os presidentes das câmaras municipais de Mafra e de Odivelas. “É hoje claro para todos que este investimento é essencial para dar coerência à rede de transportes de Área Metropolitana de Lisboa. Terá impacto não só em Loures como nos concelhos à volta, nomeadamente os do oeste. Aliviará Lisboa dos carros, aliviará a pressão sobre o metro de Odivelas e facilitará a mobilidade de quem vem do oeste.”

Bernardino Soares lembra que esta é uma decisão que cabe ao governo e não à AML e lembra também que o metro para Loures foi anunciado em 2009, por um governo PS. “O que pedimos é que se cumpra o que foi dado como certo há dez anos. Serão precisas verbas do próximo Quadro Comunitário de Apoio e este investimento no ferro-carril em Loures deve ser considerado prioritário, no âmbito da luta contra as alterações climáticas e de uma verdadeira mobilidade para as populações destes concelhos”, diz.

Sardinha em lata
No debate sobre o programa do governo, António Costa anunciou o investimento no setor dos transportes. Dez novos barcos para a Transtejo, 22 novos comboios para a CP, 14 novas composições para o Metro de Lisboa e 700 novos autocarros para o país. A AML está em fase de conclusão do concurso internacional para concessão de transporte rodoviária que envolve verbas de mais de mil milhões de euros e prevê oferecer mais transporte rodoviário nos dias úteis, em horas de ponta e fora das horas de ponta, ao fim de semana, à noite, significando um acréscimo de oferta superior a 40% (leia também a entrevista a Carlos Humberto, primeiro secretário da AML).


Idalina Batista trabalha em Lisboa e vive no Cacém. Sai às sete da manhã e regressa às seis da tarde. O fim do dia é sempre mais complicado.
Espera-se uma revolução, mas enquanto ela não chega, na estação de Sete Rios, há uma voz que se repete – “pedimos a vossa compreensão pelos incómodos causados” – de cada vez que se anuncia um atraso ou um comboio que foi suprimido.

Idalina Batista mora no Cacém e trabalha em Lisboa, no Centro Comercial Colombo. Todos os dias apanha o comboio das 07.03 ou 07.19 para Sete Rios e o das 18.30 para o Cacém. “Para cá, há dias em que vem muito cheio, mas não é dramático. Para lá é que é pior, há muitos atrasos. Às vezes é difícil entrar, de tanta gente. Mas eu forço, entro mesmo assim, tenho o meu filho em casa à espera.” E lá vai ela, sem tempo para mais.

Um senhor de Vale Abraão, que não teve tempo de dizer o nome, não tem passe, só nesta semana é que teve de recorrer ao comboio para vir para Lisboa e queixa-se da sobrelotação e dos atrasos constantes. “Não entro quando o comboio está lotado, prefiro esperar pelo próximo, mas isto é um pesadelo, tão mau como o IC19”, diz.

“A situação nas horas de ponta é insuportável. As condições são insalubres. Os atrasos são constantes. Criam-se situações de conflitualidade entre passageiros. Há uma degradação cada vez maior no serviço. E a CP nem justifica nem toma medidas”, diz Vasco Ramos, da Comissão de Utentes da Linha de Sintra.

Vasco Ramos, da Comissão de Utentes da Linha de Sintra, confirma e não é ao passe Navegante que aponta responsabilidades. “O passe foi uma medida excelente, mas o acréscimo significativo de passageiros que trouxe tornou mais evidentes os problemas que já existiam. Só em outubro foram suprimidos cerca de cem comboios da Linha de Sintra. A situação nas horas de ponta é insuportável. As condições são insalubres. Os atrasos são constantes. Criam-se situações de conflitualidade entre passageiros. Há uma degradação cada vez maior no serviço. E a CP nem justifica nem toma medidas. É o silêncio.” Sim, é o silêncio. Nenhuma das questões enviadas para a empresa mereceu resposta.


A Fertagus foi uma das operadoras com maior aumento de utilizadores desde a criação do novo passe. Apesar de ter aumentado a lotação e criado novos horários, as horas de ponta continuam a encher.
Do outro lado da linha, a situação não é tão grave, apesar de a Fertagus – responsável pela ligação ferroviária entre Setúbal e Lisboa – ser dos operadores que mais sentiram o efeito Navegante. A procura subiu exponencialmente, pela rapidez, pelo conforto, pela fiabilidade e pela considerável descida dos preços. No entanto, às horas de ponta, sobretudo nas estações mais próximas da Ponte 25 de Abril, quer de um lado quer de outro, os comboios enchem e há quem prefira não entrar e esperar pelo próximo.

Sandra Bacalhau faz todos os dias (úteis) o percurso entre p Pragal e Sete Rios. Em dez minutos está em Lisboa. Um luxo de que desfruta há 15 anos. Moradora em Porto Brandão, deixa o carro no Monte de Caparica, onde apanha o Metro Sul do Tejo para o Pragal. Até há seis meses, o passe da Fertagus mais o do MTS somavam 53 euros e meio. Poupa 13 euros e meio, mas passou a vir em modo, “no meu caso, bacalhau em lata”.




Sandra Bacalhau é utente da Fertagus há 15 anos e nos últimos seis meses passou a viajar em modo sardinha em lata.
“Há muito mais gente, isso é óbvio, de manhã venho às 08.29 ou 08.39 e à tarde vou no das 18.09. Quer para lá quer para cá, os comboios vão sempre cheios. E a ideia de tirar bancos não adiantou de muito. Por exemplo, este das seis ainda é de quatro carruagens. Já devia ser de oito.” A Fertagus tem, desde 16 de setembro, mais comboios duplos (oito carruagens) e mais horários. Continua cheia à hora de ponta.

Mobilidade a sério é…
Para António Freitas, da Comissão de Utentes dos Transportes do Seixal, a solução tem de ser integrada. Se o comboio está saturado e não pode aumentar horários ou carruagens, há que apostar nos barcos ou nos autocarros, assim como há que incluir os estacionamentos no passe intermodal e encará-los também como operador, porque são dissuasores de levar o carro para Lisboa.

“O passe Navegante [Metropolitano, Municipal, +65 e 12 anos e, mais recentemente, Família] foi uma medida de desenvolvimento da mobilidade muito positiva porque, além de tudo o resto, mostrou que, com os incentivos certos, as pessoas estão dispostas a mudar comportamentos e hábitos de vida”, diz.

Notando o facto de que os utentes deixaram de estar presos a um operador, transporte ou trajeto, António Freitas defende que se trata agora de criar verdadeiras alternativas de mobilidade, que sirvam as necessidades dos utentes e não dependam dos interesses dos operadores.

“Há que repensar os horários noturnos e de fim de semana – ínfimos entre o Seixal e Lisboa, por exemplo -, as ligações, os percursos, os intervalos de espera e o tipo de oferta. Se a ferrovia está esgotada, invista-se nos barcos”

Os barcos da Transtejo estão a precisar de ser renovados. Equipamentos degradados, avarias frequentes, supressão de carreiras, insuficiência de horários, que nas horas de ponta, quer ao fim de semana e à noite são algumas das queixas dos utentes do Seixal, Montijo e Cacilhas.
“Não falo apenas nas ligações para Lisboa, mas mesmo dentro dos concelhos. No Seixal, por exemplo, há dificuldade de chegar de Corroios à sede do município e a serviços essenciais como o centro de saúde. É preciso pensar tudo isto de uma forma integrada e tendo em conta as necessidades das populações. Há que repensar os horários noturnos e de fim de semana – que são ínfimos entre o Seixal ou o Montijo e Lisboa, chega a ser desconcertante -, as ligações, os percursos, os intervalos de espera e o tipo de oferta. Se a ferrovia está esgotada, invista-se nos barcos, que são uma ligação privilegiada entre margens”, diz António Freitas, advogando que esta medida devia ser alargada a todo o país.

“A rede de transportes que temos não está adequada à mobilidade que queremos, ao nível dos países europeus mais desenvolvidos, e para a qual o passe intermodal abriu as portas.”