terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Gronelândia: “Venham ver os glaciares antes que desapareçam”



A ideia implícita neste título além de paradoxal, é ecológicamente, profundamente imoral e éticamente repulsiva. Reduzir o Turismo e as viagens impulsivas e irreflectidas é um imperativo ecológico no que respeita a pegada de Carbono ...
OVOODOCORVO

Gronelândia: “Venham ver os glaciares antes que desapareçam”
Ana Marques Maia 15 de Janeiro de 2019, 9:08

O fenómeno do aquecimento global está a mudar o rosto da maior ilha do mundo. No Sudoeste da Gronelândia, em Tasiilaq, duas mil pessoas testemunham diariamente o impacto do processo de degelo. "Todos os anos vemos os glaciares, a paisagem, o permafrost [solo que se mantém sempre congelado], a derreter, a derreter", lamentou Julius Nielse, residente da colorida cidade que suporta um dos mais duros climas do planeta. O gronelandês é caçador desde que tem memória. “Não há neve”, descreve à agência Reuters. “As temperaturas estão altas e a água não congela.” A ausência de superfícies geladas dificulta a sua actividade por não permitir a livre circulação dos seus cães de trenó. Nielsen vê-se, por isso, desde há dez anos, forçado a encontrar rotas alternativas. “O conhecimento que nos foi transmitido pelos nossos antepassados já perdeu a validade e a situação é irreversível. Somos, todos os dias, obrigados a encontrar novas soluções.”

O guia turístico Lars Anker Moeller, residente na mesma cidade, também sente as limitações impostas pela perda de área circulável; começou, por isso, a tirar partido do aumento da área navegável. “Em vez de usarmos os barcos durante três meses, podemos usá-los durante quatro ou cinco”, esclarece o organizador dos passeios da agência Arctic-Dream, acrescentando que o agravamento das consequências das alterações climáticas até fez aumentar a procura dos seus serviços. “'Venham ver os glaciares antes que desapareçam' é o que se ouve vezes sem conta.”

A indústria pesqueira parece também beneficiar do aquecimento das águas. Peixes, como a cavala, que não tinham lugar nas águas geladas que rodeiam a grande ilha dinamarquesa, são agora uma das fontes de rendimento das empresas locais.

De acordo com um inquérito desenvolvido pelas universidades de Copenhaga e da Gronelândia, em conjunto com o Instituto de Investigação Urbana e Económica Kraks Fond, quatro em cada dez ilhéus acreditam que as alterações climáticas terão efeitos prejudiciais nas suas vidas. Apenas um em cada dez crê que serão benéficas. Oito em cada dez, no entanto, afirmam sentir na pele os efeitos deste fenómeno e considerá-lo extremamente relevante. Seja como for, Moeller não perde a esperança: “Os gronelandeses sempre foram bons a adaptar-se e, por isso, sobreviverão independentemente daquilo que o futuro lhes reserve.”

Glifosato. Especialistas contratados pela UE copiaram relatórios da Monsanto



Glifosato. Especialistas contratados pela UE copiaram relatórios da Monsanto
Autores do relatório de avaliação dos riscos e que deram mais cinco anos de autorização para o uso do glifosato copiaram 70% da informação que estava no relatório feito pela própria produtora do herbicida.

Ana Bela Ferreira
15 Janeiro 2019 — 10:37

O relatório europeu de avaliação dos riscos do glifosato - herbicida suspeito de poder causar cancro - e que permitiu a renovação da autorização por cinco anos de utilização na União Europeia foi quase totalmente copiado de informações prestadas pela própria própria indústria que comercializa o produto.

A conclusão foi esta terça-feira revelada num relatório encomendado por deputados europeus mais de um ano depois de ter sido renovada a autorização de comercialização na Europa e noticiado pelo Le Monde . Um grupo de peritos alemães (do Bundesinstitut für Risikobewertung - BfR) foi mandatado pela União Europeia (UE) para avaliar os riscos do uso do glifosato, mas as 4000 páginas que produziu são afinal resultado de cópia e plágio do dossier de homologação produzido pela Monsanto (empresa que comercializa o glifosato) e outras indústrias e entregue às autoridades europeias.

Uma avaliação a esse relatório, pedido por deputados europeus dos Verdes, dos socialistas e do grupo da esquerda unitária, conclui que 50% do documento oficial foi plagiado e 70% é resultado de cópia. A análise foi feita pelo especialista em plágio austríaco Stefan Weber e pelo bioquímico Helmut Burstcher, da ONG Global 2000. Desde que o documento do BfR foi apresentado que existiam suspeitas que este teria sido escrito pela Task Force Europeia do Glifosato (consórcio de empresas de pesticidas).

Os autores usaram software WCopyfind para comparar os dois relatórios - o da indústria e o do BfR - e descobriram que "o plágio incidiu exclusivamente nos capítulos que tratam da avaliação de estudos publicados sobre riscos para a saúde relacionados com o glifosato". O plágio é o ato de cópia maligna, o que inclui páginas inteiras, que descrevem o resultado dos estudos e avaliam a sua relevância e confiabilidade.

Entre outras coisas, cada uma das 58 avaliações chamadas Klimisch de estudos publicados no relatório de avaliação do BfR foram copiadas dos pedidos de aprovação e são apresentadas como avaliações das autoridades.

No capítulo sobre os estudos da indústria o método utilizado foi o da cópia e aparece numa percentagem ainda maior (81,4%). Ou seja, reprodução entre aspas. Neste capítulo, até a descrição do BfR sobre a abordagem para avaliar os estudos publicados foi plagiada a partir do relatório do consórcio de indústrias.

Foi este estudo encomendado ao instituto alemão que serviu de base à decisão da autoridade europeia de segurança alimentar (EFSA) e os peritos dos estados-membros decidiram que o glifosato não podia ser associado diretamente ao risco de cancro. Em março de 2015, a Organização Mundial da Saúde classificou como "provavelmente cancerígeno" o glifosato.

Em setembro de 2017, a Global 2000 já tinha revelado que três sub-capítulos do relatório tinham sido largamente copiados. Em novembro desse mesmo ano, a Comissão Europeia aprovava por mais cinco anos a utilização do glifosato.


 Glyphosate : les autorités sanitaires ont plagié Monsanto
Ce document était au cœur de la décision de réautoriser en 2017 l’herbicide en Europe.

Par Stéphane Foucart Publié aujourd’hui à 10h04, mis à jour à 10h20

Le rapport d’évaluation du glyphosate, socle de la décision européenne, prise fin 2017, de réautoriser le célèbre herbicide pour cinq ans, est un vaste plagiat.

Mandaté par l’Union européenne pour produire l’expertise préliminaire sur le glyphosate — plus de 4 000 pages —, l’Institut fédéral d’évaluation des risques allemand (Bundesinstitut für Risikobewertung, ou BfR) a recopié, souvent mot pour mot, le dossier d’homologation du glyphosate transmis aux autorités européennes par Monsanto et ses alliés industriels, réunis au sein de la Glyphosate Task Force (GTF).

Dans un rapport commandité par des députés européens et rendu public mardi 15 janvier, le célèbre chasseur de plagiats autrichien Stefan Weber et le biochimiste Helmut Burtscher, associé à l’ONG Global 2000, montrent que les chapitres-clés de l’évaluation scientifique rendue par le BfR sont le fruit de plagiats à plus de 50 %, et de copiés-collés à plus de 70 %. Selon les deux chercheurs – dont le travail a été passé en revue par deux spécialistes du plagiat scientifique avant d’être rendu public –, « il est clair que l’adoption par le BfR, sans recul critique, d’informations biaisées, incorrectes ou incomplètes fournies par les fabricants [de glyphosate] a influencé la base même de son évaluation » de la dangerosité du produit controversé.

Or, c’est sur la foi de cette évaluation préliminaire que l’Autorité européenne de sécurité des aliments (EFSA) et les experts des Etats membres ont conclu que le glyphosate ne posait pas de danger cancérogène, ouvrant ainsi la voie à sa réautorisation en Europe. En mars 2015, le Centre international de recherche sur le cancer (CIRC) avait, au contraire, conclu au caractère « cancérogène probable » du glyphosate. (…)

How to watch the Brexit vote like a pro

Imagem de OVOODOCORVO


How to watch the Brexit vote like a pro
Theresa May is widely expected to lose the vote on the Brexit deal agreed with Brussels.

By           CHARLIE COOPER AND DAVID M. HERSZENHORN             1/14/19, 6:00 PM CET Updated 1/15/19, 8:04 AM CET

LONDON — The big Brexit vote is upon us and all bets are on Theresa May's deal being rejected by MPs. That will trigger days and weeks of Westminster horse-trading over how, when and maybe even whether the U.K. leaves the EU.

Here's your guide on how to watch the fiendishly complicated political bust-up play out:

When will the vote happen?
The vote, rescheduled from its original date of December 11, will take place on Tuesday, January 15, most likely at around 7 p.m. local time or shortly thereafter. Exact timings will depend on proceedings in the House of Commons. A further postponement of the vote at this stage looks unlikely.

Is it just one vote?
It is very likely there will also be votes, in advance of the main one, on amendments to the government motion. How significant these are depends on which amendments are selected. Some amendments, if passed, could be so-called wrecking amendments, which effectively supersede the vote on the main question. Senior Labour MP Hilary Benn’s amendment, which would reject the deal and rule out no-deal, would probably fall into this category.

Other amendments, such as one put forward by Conservative MP Andrew Murrison proposing that the deal is approved “subject to a legal codicil being added to the Withdrawal Agreement Treaty which specifies that the backstop solution shall expire on 31 December 2022,” could place conditions on the vote. Much will depend on which amendments Speaker John Bercow selects to be voted on.

What happens if MPs back the deal?
If MPs back the deal (most observers think this is highly unlikely given the large numbers of MPs who have come out against it) its parliamentary journey is effectively over. The House of Lords only gets to debate the motion and doesn’t have a vote. Once the U.K. side of the ratification process is complete, the European Parliament must approve the deal before it is finalized.

If that hurdle is cleared (and most expect it would be) then the deal would come into force when the U.K. leaves the EU on March 29, and immediately enters a standstill transition period lasting 21 months, with the option to extend for "up to one or two years," as per the text of the Withdrawal Agreement.

In a word: uncertainty. Under the terms of the amendment put down by Tory backbencher Dominic Grieve last week, May must return to the House of Commons with an alternative motion within three sitting days (that's Monday next week) setting out what she plans to do next. In the ordinary run of things this motion would not automatically be amendable, but Speaker John Bercow has shown his willingness to upturn parliamentary convention, so this could be the moment that MPs begin putting forward alternative Brexit plans for indicative votes.

What will Labour do?
The Labour opposition has committed itself to putting forward a motion of no confidence in the government if the vote on May’s deal is lost. Leader Jeremy Corbyn has been coy about precisely when this will be but there have been reports that MPs have been told to expect it within hours of defeat, and for the vote to be held on Wednesday.

If the deal is voted down, a delay to Brexit looks increasingly likely.

A no-confidence vote requires a simple majority, and if passed it will trigger a 14-day period during which Labour, or in theory any other collective of MPs, have the opportunity to try and form a government that can win a confidence vote in parliament. If after 14 days no party has won a confidence vote, an election must be held. However, few expect the government to lose the original no confidence vote, as Brexiteer Tories and the Democratic Unionist Party, who back May's government in a confidence-and-supply arrangement, are not likely to open the door to a Corbyn government.

There is talk of parliament ‘taking control.’ What does that mean?
If the deal is voted down, a small group of senior MPs plan to amend the government’s motion next week, in a way that could change House of Commons convention, giving backbench MPs more power to bring forward motions setting out the business of the Commons — and thus seizing control of the Brexit agenda.


Tory MP Nick Boles said the amendment would, if passed next week, allow May three weeks to find a compromise plan that could secure a majority in the Commons. If she cannot, responsibility for doing this would pass to the liaison committee of chairs of House of Commons committees. The committee includes an eclectic mix of party and Brexit opinion.

What about a second referendum?
This would remain an option, but is one that would probably come from MPs. May has repeatedly, in very strong terms, stated her opposition to such an outcome and is unlikely to suggest it as a compromise, unless it were a simple choice between her deal and no deal. She would, however, have to present that plan sure in the knowledge that MPs would try to amend it to add a "Remain" option.

Will Article 50 need to be extended (and Brexit delayed)?
If the deal is voted down, a delay to Brexit looks increasingly likely.

All of the scenarios set out above would require more time than the legally enshrined exit date of March 29 and since there is no majority in the House of Commons for no deal, one way or another it is likely the U.K. will play for more time. Even if May does not call for it herself, MPs could attempt to force the prime minister's hand.

An extension of Article 50 would require the unanimous backing of the EU27 member countries. This is likely to be forthcoming, at least until July when the new European Parliament sits for the first time. Beyond that it would be more complicated, requiring a discussion about financial commitments and the continuing role, or otherwise, of British MEPs. But it could potentially be negotiable.


Anti-Brexit supporter "Robocop" checks his mobile phone during break from demonstrating outside the Houses of Parliament in London on January 14, 2019 | Adrian Dennis/AFP via Getty Images

What would the EU do if the deal is voted down?
The EU27 are proceeding with ratification on their side, so that theoretically the U.K. could approve the existing deal at any point right up until the March 29 deadline. Most immediately, they intend to adopt a wait-and-see approach, expecting a rejection of the deal would unleash unpredictable developments in London.

The EU27 have said consistently that if the U.K.'s red lines change then another deal could be possible. If the U.K. comes back simply asking for more concessions, EU leaders would have to break their mantra that the current deal cannot be renegotiated. The EU27 have indicated they would consider an extension of the March 29 withdrawal deadline if the U.K. offers justification for the postponement — in order to hold a second referendum, for instance, or a new national election.

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Em defesa do Parlamento


Imagem do Dia / OVOODOCORVO
"No Parlamento, nem toda a irregularidade é corrupção. Há formas de roubo que o não são. Há anormalidades que também não são. É o local de eleição para as artimanhas que, sendo vigarices, não são corrupção. As faltas dos deputados. As palavras-passe que se fornecem aos amigos. As assinaturas feitas por procuração. As inscrições em ficheiros informáticos. As falsas declarações de deslocações e estadias. As ajudas de custo indevidas. As viagens em grupo, mas contadas como individuais. Os endereços de empréstimo. As declarações de património “marteladas”. As contas de familiares maquilhadas. O “dinheiro vivo” que não deixa rastos. Este universo de trapalhice não é corrupção. É mais desvio e mentira" (António Barreto)


Em defesa do Parlamento
O Parlamento português parece cada vez mais uma fortaleza de defesa dos deputados e dos seus privilégios. Com inusitada frequência surgem no espaço público notícias sobre irregularidades e vilanagem. E logo se ouve um deputado declarar que tem “a consciência tranquila”, cliché cada vez mais utilizado pelos corruptos.

António Barreto
13 de Janeiro de 2019, 6:55

É a instituição que melhor representa a democracia. Com muitos ou poucos partidos, com ou sem maiorias absolutas, o Parlamento é condição de democracia. Não há democracia sem Parlamento. Ainda não se inventou melhor. É talvez a instituição que melhor defende a democracia. Mas do Parlamento também podem vir perigos. Um Parlamento que não se dá ao respeito é letal para a democracia.

Os partidos tratam-no com se fossem seus patrões, proprietários ou cônjuges com direito a assédio. Fazem o que querem. Nem admitem que os cidadãos se metam com eles. E assim danificam o Parlamento. Há hoje casos em que o Parlamento estraga a democracia, como na Venezuela, no Brasil ou na Hungria. Iniciativas antidemocráticas vêm liquidando os respectivos parlamentos há vários anos. Quer dizer, estes podem ser as primeiras vítimas deles próprios. É verdade que o Parlamento é a instituição que melhor representa o povo e que confere mais legitimidade aos governos. Mas nem sempre é a instituição que melhor defende o povo.

Com duas eleições, este formidável ano de 2019 poderia oferecer a oportunidade para uma reflexão aprofundada, sem preconceitos, sobre o papel dos parlamentos nacionais. É bem provável que o futuro da democracia dependa em parte do seu regresso a uma posição central, deixando de ser a instituição cada vez mais subsidiária que é actualmente. Melhor seria, por exemplo, fazer com que os parlamentos nacionais desempenhassem funções essenciais no plano europeu. Ou até que substituíssem o Parlamento europeu. Com um Parlamento de Babel e parlamentos nacionais despidos de soberania e despojados de poderes reais, a democracia europeia ficará pobre e sem sentido.

Entre os parlamentos nacionais raquíticos e o parlamento europeu obeso, vai-se criando um espaço vazio, rapidamente preenchido. Por quem? Pelos movimentos populistas, grupos de pressão, empresas multinacionais, vanguardas políticas, associações criminosas, organizações de traficantes e toda a espécie de confrarias financeiras.

O Parlamento português parece cada vez mais uma fortaleza de defesa dos deputados e dos seus privilégios. Com inusitada frequência surgem no espaço público notícias sobre irregularidades e vilanagem. E logo se ouve um deputado declarar que tem “a consciência tranquila”, cliché cada vez mais utilizado pelos corruptos. Ou o seu presidente garantir que não tem lições a receber de ninguém e que não “compactua” com as pessoas que criticam o Parlamento.

No Parlamento, nem toda a irregularidade é corrupção. Há formas de roubo que o não são. Há anormalidades que também não são. É o local de eleição para as artimanhas que, sendo vigarices, não são corrupção. As faltas dos deputados. As palavras-passe que se fornecem aos amigos. As assinaturas feitas por procuração. As inscrições em ficheiros informáticos. As falsas declarações de deslocações e estadias. As ajudas de custo indevidas. As viagens em grupo, mas contadas como individuais. Os endereços de empréstimo. As declarações de património “marteladas”. As contas de familiares maquilhadas. O “dinheiro vivo” que não deixa rastos. Este universo de trapalhice não é corrupção. É mais desvio e mentira.

Alguns deputados ilustram-se com declarações de fidelidade moral, outros ficam escandalizados quando alguém denuncia os trafulhas (indignados com quem denuncia, não necessariamente com o culpado…). Outros ainda, mais solenes, queixam-se das “campanhas antidemocráticas”! Como é cada vez mais evidente e se tem descoberto, os autores das piores campanhas contra o Parlamento são os deputados. Pelo que fazem. Pelo que não dizem. Pelo que deixam correr, sem apurar responsabilidades.

A democracia tem geografia (círculos eleitorais) e indivíduos (uma pessoa, um voto). Com este sistema proporcional e sem responsabilidades pessoais, com disciplina de voto e com os votos colectivos (que se podem observar todos os dias na televisão), o que vigora é uma democracia de anónimos e de responsabilidade limitada, sem comunidades e nem individualidade. Nenhum deputado é pessoalmente responsável. Nenhum eleitor pode pedir contas ao “seu” deputado. Nenhum deputado deve a sua eleição a um eleitorado real. Tudo o que um deputado é deve-o ao partido.

Assim se vai o Parlamento debilitando. Brevemente, sem liberdade de voto, bastará um deputado de cada grupo votar por todos. Os hipotéticos rebeldes ficam calados ou são convidados a sair da sala. O actual modo de votação por colectivo, sem nome nem contagem, é já há muito o anúncio deste admirável Parlamento novo, em que qualquer deputado é substituído por doença, casamento, férias, emprego, lazer, negócios ou interesse do partido…

As aparentes boas intenções dos responsáveis parlamentares são inúteis. Querem curar com adesivos os pés da cadeira partida. Toda a lógica actual dos grupos, da disciplina de voto, das listas partidárias e das substituições sem eleição é a mesma dos sistemas de faltas, de ajudas de custo, de transmissão de passwords, de votos por barriga de aluguer e de marcação de presenças por ausentes. O que parece ser uma falta grave para a opinião pública é praticado há décadas por muitos membros dos grupos parlamentares. Não todos. Mas muitos.


O método de votar por procuração e “tirar a falta” tem quarenta anos. Antes dos computadores, muitos deputados tinham nas suas carteiras fac-simile de assinaturas de amigos, em geral da província, por quem rubricavam. Viam-se alguns mais descarados tirar a agenda do bolso para copiar a rubrica dos faltosos. As sextas-feiras eram dias particularmente cheios de trabalho para os procuradores. Nesse dia, uma assinatura valia por três, pois incluía o fim-de-semana, a ajuda de custo e a deslocação. As palavras-passe não fizeram mais do que modernizar a tramóia.

Votar em colectivo, com disciplina, não é muito diferente de tirar a falta. O deputado pode estar lá dentro, em comissão, no seu gabinete, no Chiado, na Avenida dos Aliados ou em Tavira! Qual é a diferença, neste mundo informatizado?

Há três anos, foi criada uma Comissão especializada para tratar destes assuntos relativos à fraude parlamentar. Ao fim de três anos e dezenas de reuniões, não há conclusões! Típico! Em três anos, os deputados não conseguiram chegar a um acordo sobre o Código de Ética, as faltas, as incompatibilidades, os deveres de lealdade, de cumprimento de deveres e de declaração de despesas… Parece que nem o Parlamento, nem os partidos, conseguem estimular a honestidade de todos os deputados!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

                    7 páginas + capa + manchete com foto a ocupar meia página
Estará o Público a perder o Norte !?. Se esta escolha de destaque foi justificada pelo dever de informar, esperava-se de um Diário com as tradições do Público, um tratamento muito mais crítico e contextualizado . Simplesmente Decepcionante.
OVOODOCORVO

Sede do Unidos da Glória, comprada por imobiliária “fantasma”, pode fechar e deixar idosos sem local de convívio




De relembrar que a cidade de Amsterdão limitou oficialmente, a partir de 1 de Janeiro, com efectiva fiscalização e pesadas multas, o AL a 30 dias máximo ao Ano.
Esta medida implica o reconhecimento explícito dos maléficos efeitos do Turismo de Massas no mercado Imobiliário e no Direito à Habitação.
Amsterdão deixou também de promover oficialmente o Turismo, medida simbólicamente marcada, pela remoção das Letras Gigantescas IAMSTERDAM que se encontravam em frente do Rijksmuseum.
António Sérgio Rosa de Carvalho
OVOODOCORVO

Sede do Unidos da Glória, comprada por imobiliária “fantasma”, pode fechar e deixar idosos sem local de convívio
Sofia Cristino
Texto
14 Janeiro, 2019

O Clube Futebol Unidos da Glória poderá ter de abandonar, nos próximos meses, a sede onde está há mais de 40 anos. O imóvel foi vendido a uma imobiliária, com actividades ligadas ao alojamento local, e os inquilinos foram informados, por carta, de que apenas passariam a fazer o pagamento para outra conta bancária. Se soubessem que o prédio ia ser adquirido, garantem, teriam exercido o direito de preferência. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) fez, entretanto, uma vistoria ao edifício, por este apresentar sinais de insalubridade, e informou o clube que teria de sair para serem feitas obras. Ainda ninguém apareceu, contudo, para iniciar os trabalhos, nem o novo proprietário responde às tentativas de contacto dos inquilinos. O presidente da Junta de Freguesia de Santo António lamenta a situação, mas diz que não pode fazer nada para ajudar a associação, que, segundo o autarca, não tem planos de actividades e está em incumprimento com o estatuto das colectividades.

Alfredo Sousa, 66 anos, tem o olhar fixo, quase imóvel, no número 62 da Rua da Glória, sede da colectividade Clube Futebol Unidos da Glória, ali desde 1976. Passa lá muitos serões, há mais de quatro décadas, e, desde que vive sozinho, também é ali que janta, todos os dias. “Onde vocês têm os pés, pusemos nós os azulejos”, diz, cabisbaixo, apontado para o chão. Tal como Alfredo, alguns moradores do arruamento, paralelo à Avenida da Liberdade, encontraram na associação um sítio onde se sentem mais acompanhados. Mas poderá não ser por muito mais tempo.

 O edifício onde está a Unidos da Glória foi comprado pela imobiliária Eagleplanet, a 6 de Julho de 2018, e, apesar desta empresa apenas ter comunicado à colectividade a mudança de senhorio e o número de identificação bancária (NIB) – não manifestando intenções de despejar o clube -, o presidente da Unidos da Glória, José Lopes, antevê o pior cenário. “Esta empresa foi fundada muito rapidamente para fazer negócio. Querem fazer alojamento local, de certeza. Nesta rua, fechou tudo e, o que há, é tudo arrendamento de curta duração. Não vão remodelar dois andares e deixar o nosso, não é esse o interesse deles”, receia. No portal da justiça, a Eagleplanet, Lda, fundada em Dezembro de 2017, surge como uma empresa de “compra e venda de bens imóveis e revenda dos adquiridos para o mesmo fim”, mas também de arrendamento de bens imobiliários, alojamento mobilado para turistas e alojamento de curta duração.

Desde a recepção da missiva, as tentativas de contacto de José Lopes com a imobiliária têm sido em vão. “Quando recebi a carta, no Verão passado, fiquei receoso. Nunca esperei que o antigo senhorio, a Junta de Freguesia da Alpendorada (Marco de Canaveses), fizesse isto. Estava à espera de ser consultado, porque a nossa ideia sempre foi exercermos o direito de preferência sobre o imóvel”, diz José Lopes. Depois de conhecer o novo senhorio “fantasma” e “porque um problema nunca vem só”, explica o presidente da Unidos da Glória, o imóvel, onde a associação desenvolve actividades há 42 anos, foi alvo de uma vistoria e a colectividade terá de sair para se realizarem obras no prédio. Devido à dificuldade em falar com o novo senhorio, porém, José Lopes não sabe exactamente quando terá de abandonar o edifício. “No quintal, nas traseiras do prédio, existe muito lixo, há vários anos. Há quatro anos, quando ainda estava num estado que podíamos limpar, chegámos a pedir ao antigo proprietário para irmos lá fazer a limpeza, mas não nos deu a chave. O lixo foi crescendo e começou a entrar num restaurante, na rua de baixo, e chamaram a polícia para ver o que se passava”, conta José Lopes.

A Câmara Municipal de Lisboa (CML), no passado dia 25 de Outubro, fiscalizou o edifício e conclui que este se encontra em más condições de segurança e salubridade. Ditou, por isso, que seria necessário “executar obras de conservação” e que as fracções do rés-do-chão, onde está sediada a Unidos da Glória,  e a cave não deverão ser utilizados, enquanto não for feita a reparação. No auto de vistoria, a que O Corvo teve acesso, lê-se que os inquilinos têm 45 dias úteis para abandonarem as instalações e iniciarem-se os trabalhos, com uma duração estimada de sete meses. “O novo senhorio não nos diz nada, o nosso advogado tem tentado contactá-los e eles simplesmente não nos dizem nada. Vou meter uma acção em tribunal contra quem? Nem sei com quem estou a lidar”, queixa-se José Lopes. O presidente da colectividade diz ainda que a Junta de Freguesia de Santo António não tem tido interesse em ajudar o clube e critica mesmo a atitude da autarquia. “Há dois ou três anos, a junta começou a dizer que não há espaço para nós. Já que não nos ajudam. Podiam deixar-nos estar no arraial de Santo António, mas também temos sido impedidos de participar”, queixa-se.

O Futebol Clube Unidos da Glória foi fundado em 1976, numa altura em que proliferavam muitas colectividades novas na capital. Esta teve várias equipas de futebol, mas os sócios foram morrendo e o “espírito desportivo” perdendo-se. Hoje, a colectividade é um espaço onde os 60 sócios, maioritariamente reformados e alguns desempregados, se reúnem ao final do dia e aos Domingos, para almoçar e conviver. Durante a semana, há também reclusos a fazerem trabalho comunitário. Ao fim-de-semana, realizam passeios de bicicleta por Monsanto, publicitados pela Junta de Freguesia de Santo António – o único apoio que dizem receber da autarquia -, e fazem torneios de sueca. “Não temos espaço, nem apoio financeiro, para mais actividades culturais”, lamenta José Lopes.

 Com a pressão imobiliária, na zona mais cara de Lisboa, a freguesia de Santo António perdeu muitos moradores. Um cenário que também não ajudou à manutenção da vitalidade da colectividade. “Muita gente, que tinha aqui um quarto alugado, foi deslocalizada. Na Praça da Alegria, chegaram a trabalhar 500 pessoas, agora não trabalha nenhuma. Haverá 50 pessoas a trabalhar na zona, o que nos tem fechado numa concha”, desabafa o dirigente associativo.

 A importância da colectividade na vida de quem a frequenta, todos os dias, percebe-se quando O Corvo questiona um dos sócios onde irá jantar, se esta fechar. “Isso não vai acontecer, não pode. Somos poucos, mas precisamos de um sítio para estarmos menos sozinhos. Estou cá desde aquela data, 1976”, diz Alfredo Sousa, ligado à colectividade desde a sua fundação, apontando para um quadro com o símbolo do clube. Vive quatro números ao lado da colectividade, num quarto, sozinho, e encontra ali alguma companhia. “Os hotéis são muito bons para quem os gere, mas para nós não. Perdemos os vizinhos e os amigos”, lamenta, emocionado. Outro dos primeiros sócios, Américo Malheiro, 71 anos, entra de rompante e, sem se sentar, cumprimenta rapidamente toda a gente. “Só venho aqui ver como estão e aliviar um bocadinho o stresse, mas vou para casa melhor”, conta.

 José Manuel, 48 anos, foi um dos responsáveis por reerguer a colectividade, em 2012, quando o Unidos ameaçou encerrar pela primeira vez. “Este não é o meu bairro, não nasci aqui, mas quando vim morar para esta zona ganhei uma grande afinidade. É muito importante que se mantenham este tipo de associações. Quando cá cheguei, estava com dificuldades, ainda consegui levantar a equipa de futebol, infelizmente voltou a acabar”, diz José Manuel, responsável por confeccionar o jantar.

 Na noite em que O Corvo foi ao espaço, a ementa escolhida foi rojões de carne de porco. Lina Rosária, 68 anos, aparece quase às 21h para jantar, quando regressa do trabalho. “A reforma não dá para tudo, ainda tenho de trabalhar por alguns anos. Venho muitas vezes aqui, pelos valores das refeições, mas também pelas pessoas. Hoje é só homens, mas ao Domingo até se juntam mulheres. E até discutimos futebol, é uma diversão”, conta, entusiasmada. Enquanto vai contando algumas peripécias, solta uma gargalhada de cada vez que o grupo de quatro jogadores de sueca, umas mesas à frente, dá um murro na mesa. “É sempre assim, há anos, mas também faz parte chatearem-se. As relações humanas são assim”, diz.

 Tais valores não deverão, contudo, estar nos planos da empresa que agora adquiriu o imóvel. Embora tal seja difícil de confirmar, pois a Eagleplanet revela-se de contacto impossível e não dispõe de número de telefone conhecido. A morada da firma surge, no Portal da Justiça, como sendo no andar 7º A, no número 72, na Avenida 5 de Outubro, onde O Corvo se dirigiu na manhã de sexta-feira (11 de Janeiro). Neste sítio, porém, funciona agora uma empresa de serviços de engenharia, arquitectura e construção. O Corvo sabe que naquela morada nunca terá funcionado nenhuma empresa com o nome de Eagleplanet e que André Pereira da Silva Câmara, que surge no Portal da Justiça como gerente da imobiliária, já terá tido um escritório naquela morada, tendo-o abandonado no Verão passado – precisamente quando comprou o prédio da Rua da Glória.

 O Corvo dirigiu-se, ainda, a uma outra morada, no 1º esquerdo, no número 56, na Avenida da República, que surge no Portal da Justiça como o local de trabalho de André da Câmara  – para onde ligou também várias vezes, sem sucesso. Tocando à campainha, e após várias tentativas, ninguém abriu a porta. Ali, funcionará uma sociedade de advogados, a Law Firm. O Corvo ligou ainda para o contacto telefónico da sociedade de advogados, mas o número não está atribuído.

 O presidente da freguesia de Santo António, Vasco Morgado (PSD), contactado por O Corvo, diz que não se revê nas críticas da colectividade. “Não é verdade que não queremos ajudar. Até já fiz parte de uma equipa de futebol do Unidos da Glória, durante vários anos, e admiro muito a colectividade. Por muita vontade que tenha, porém, não posso ir contra o que está estipulado no registo legal das colectividades. Os estatutos do clube não estão a ser cumpridos, não fazem as assembleias obrigatórias e não têm um plano de actividades”, diz. O autarca diz ainda que só não convidou o clube para o arraial de Santo António, nos últimos dois anos, “para permitir a rotatividade de colectividades”. “Tem de haver lugar para todos e, todos os anos, vou convidando diferentes associações e clubes”, explica.

 A Junta de Freguesia de Santo António está numa das zonas mais valorizadas de Lisboa, um factor que não ajuda à manutenção deste tipo de colectividades locais. “A própria junta anda sempre à procura de espaços, mas não encontramos. Queremos muito apoiar as colectividades, mas estamos na freguesia mais cara, e os interesses, hoje, são outros. Há prédios que são vendidos e revendidos e nem sabemos a quem. Da forma como as coisas estão, não podemos fazer nada”, garante.

domingo, 13 de janeiro de 2019

British MEPs to bag lucrative post-Brexit payout The departing parliamentarians are entitled to ‘transitional’ payments totaling tens of thousands of euros.




British MEPs to bag lucrative post-Brexit payout
The departing parliamentarians are entitled to ‘transitional’ payments totaling tens of thousands of euros.
Brexit champions Nigel Farage and Daniel Hannan, who both began their mandates in 1999, could be entitled to over €172,000 in transitional payments
British MEPs will be entitled to medical expenses and other benefits, alongside the transitional payments

By MAÏA DE LA BAUME 1/9/19, 8:25 PM CET Updated 1/13/19, 10:58 AM CET

British MEPs departing the European Parliament because of Brexit will receive a payout worth tens or even hundreds of thousands of euros.

According to a 22-page document obtained by POLITICO titled “British Members end of mandate," the British legislators who are due to leave on March 29 can claim a "transitional allowance" of €8,611.31 per month before tax for up to two years, depending on their length of service.

Taken together, the payments amount to a bill for European taxpayers of a few million euros.

The document, which covers "members' entitlements, staff and logistics in the framework of Brexit," was distributed to British MEPs before Christmas. It contains practical information for the departing MEPs who, it states, must vacate their offices in the Parliament's two homes in Strasbourg and Brussels before Brexit day on March 29. They can ship a maximum of 15 removal boxes back home.

The MEPs must also remember to leave behind their voting card, EU pass, Belgian special ID card, iPad, laptop and office keys — but they are allowed to keep their badge as a memento.

After Brexit day, the ex-legislators will still have access to their parliamentary email account and can request copies of electronic files for up to three months, but if they take up a professional lobbying position they "should inform the Parliament," according to the document.

“The Parliament is not too generous. It is the system as a whole that is unjust" — MEP

The financial package offered to Brexiting MEPs is no different from that offered to any other EU legislator leaving the assembly, for example if they are voted out. MEPs are entitled to a month of transitional allowance (the same amount as their salary) for every year they have been in the Parliament. So Brexit champions Nigel Farage and Daniel Hannan, who both began their mandates in 1999, will be entitled to over €172,000 in transitional payments if they do not take on another public or parliamentary appointment in the 20 months after Brexit day.

Farage is already among the top 10 best-paid MEPs because of declared outside earnings from broadcast contracts of between €590,048 and €790,000 since the beginning of this Parliament.

Alongside these transitional payments, the British MEPs will be entitled to medical expenses and other benefits. According to the document, they can receive half of the "General Expenditure Allowance" for three months after Brexit day.

The GEA is a controversial €4,416 per month payment that MEPs are given to cover office and other expenses, but they are not required to provide any evidence of how the money is spent — leading to accusations that some legislators use it as a personal slush fund.

British MEPs will be entitled to medical expenses and other benefits, alongside the transitional payments | European Parliament

The document also makes clear that the departing British MEPs will have his or her "last trip back home" paid for, and be entitled to "6 return journeys by air, rail or boat" in "the member state of election" up to March 29.

“The Parliament is not too generous,” said an MEP who wanted to remain anonymous. “It is the system as a whole that is unjust. These people have been elected. It is the result of democracy.”

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