domingo, 26 de maio de 2019

Haverá ondas de choque. Espera-se que sirvam para alguma coisa



ANÁLISE
Haverá ondas de choque. Espera-se que sirvam para alguma coisa

Os próximos dias voltam a ser fundamentais. Mais do que a força dos nacionalismos, é a fraqueza do centro político que fica em evidência nestas eleições. Saberão os líderes europeus tirar as lições dos resultados ou continuarão, como sonâmbulos, a seguir em frente?
Os próximos dias voltam a ser fundamentais. Mais do que a força dos nacionalismos, é a fraqueza do centro político que fica em evidência nestas eleições.

Teresa de Sousa
26 de Maio de 2019, 6:15

1. Não haverá grandes surpresas logo à noite, quando finalmente foram conhecidos os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. A abstenção foi certamente elevada – são eleições de segunda ordem nas quais os governos nacionais não estão directamente em causa. O universo de eleitores é, apesar de tudo, impressionante – 460 milhões.

O que já sabemos mesmo antes de fecharem as urnas é que as forças políticas nacionalistas e populistas vão ganhar ainda mais terreno relativamente às eleições de 2014. Nessa altura, conseguiram em conjunto um quarto dos lugares no PE. Hoje, as previsões apontam para um terço. Com outra diferença significativa. Os partidos da direita nacionalista fizeram um esforço notável para se apresentarem numa frente unida, certamente mais coesa do que em 20014, o que faz prever que a sua presença no hemiciclo de Bruxelas tenha mais influência no debate político e na própria agenda europeia. Foi essa a grande aposta de Matteo Salvini, o novo rosto da direita nacionalista europeia. O resultado que pode obter logo à noite (as urnas só fecham na Itália às 23h locais, 22h em Lisboa) dar-lhe-á uma legitimidade acrescida. A Liga deverá vencer as eleições com 30% dos votos, deixando muito atrás o Cinco Estrelas (que venceu as legislativas de Março do ano passado) e ainda mais longe os Democratas de Matteo Renzi e a Força Itália de Berlusconi. O que fará com esta vitória? Talvez não resista a conquistar o seu lugar na mesa do Conselho Europeu, onde se decide praticamente tudo o que é essencial.

2. É fácil argumentar que, pela sua própria natureza, os nacionalismos dificilmente se entendem uns com os outros. Há diferenças significativas entre os que, como Salvini e Marine Le Pen, se dão bem com Putin e aqueles que nem podem ouvir falar do Presidente russo, como os nacionalistas polacos ou até os populistas suecos e finlandeses. A Rússia está demasiado perto das suas fronteiras. Há divergências na forma como olham para a economia – os nórdicos são mais liberais e gostam de contas públicas em ordem; na França e na Itália têm uma visão bastante mais intervencionista da política económica e uma particular aversão pelas regras de Bruxelas. Salvini queixa-se da Hungria ou da Polónia porque se recusam a receber a sua quota-parte de imigrantes e refugiados, chegados às centenas de milhares à costa italiana. Tudo isto é verdade, mas não vale a pena tentar minimizar a importância política deste novo avanço das forças nacionalistas e populistas, como há cinco anos – os sinais estavam lá todos, pouca gente quis prestar atenção.

3. Alguns resultados merecem particular atenção. Na França, Macron e Le Pen estavam taco a taco nas últimas sondagens. Se a União Nacional conseguir vencer o Em Marcha do Presidente francês, não tenhamos dúvidas: será um péssimo sinal para a Europa. Macron continuará no Eliseu, mesmo que mais enfraquecido. A França viverá mais um choque politico, com repercussões muito para lá das suas fronteiras.

Na Holanda, que já votou na quinta-feira passada, as sondagens à boca das urnas pareciam afastar outro cenário de pesadelo: não foi o novíssimo partido nacionalista “Fórum para a Democracia” a ganhá-las, como tudo parecia indicar. A grande surpresa terá vindo dos Trabalhistas, arredados do poder e quase desaparecidos nas sondagens, que terão ficado em primeiro lugar. Os liberais de Mark Rutte aguentaram. Tinham perdido o Senado para o novo partido de Thierry Baudet nas regionais de Março passado. Baudet é um Geert Wilders mais sofisticado, embora defenda as mesmas ideias – contra a imigração, contra a Europa, contra os “fundamentalistas” das alterações climáticas, conta os “exageros” da igualdade de género e por aí adiante. Chegou a defender o “Nexit”, propondo um referendo como o britânico. Atenuou a mensagem nos últimos dias. De um modo geral, para a direita nacionalista, de Salvini a Le Pen, a estratégia mudou: já não quer acabar com a União, quer “mudá-la” por dentro. Tem condições para alterar os termos do debate europeu.

O primeiro-ministro húngaro vai voltar a vencer com mais de 50% dos votos – a sua “democracia iliberal” recomenda-se. A dúvida é saber se sai de livre vontade do PPE – do qual foi suspenso – para se juntar à nova aliança que Salvini quer constituir no PE. Mas o sinal mais preocupante que vem dos países da Europa Central e de Leste é, porventura, a sua total indiferença pelo destino de uma Europa à qual, há 30 anos, todos queriam “regressar” e que, há apenas 15, ainda os fazia sonhar. Há países em que o nível de abstenção pode ultrapassar os 80%.

A Polónia é um caso à parte. O destino da Europa também se joga no maior país do alargamento de 2004, que sonhou vir a juntar-se ao grupo dos “grandes”. Se as eleições provarem que a alternância continuará a ser possível, nada estará perdido. O PiS, que governa em Varsóvia desde 2014, continuava ligeiramente à frente da “Coligação Europeia”, que reúne vários partidos de centro-direita e de centro-esquerda, democráticos e pró-europeus. A sua vitória teria um efeito positivo nos países de Visegrado e abriria novas possibilidades para as legislativas de Setembro.

4. A Áustria tornou-se, entretanto, um caso exemplar. O FPO do ex-vice-chanceler Heinz-Christian Strache terá um resultado mais modesto do que se previa há uma semana, antes do escândalo sórdido em que se envolveu e que o obrigou à demissão. Sebastian Kurz, o chanceler da Áustria (conservador), viu-se obrigado a convocar novas eleições. Mas as europeias serão o primeiro retrato do país depois de um escândalo que tem todos os ingredientes para desaconselhar alianças com a extrema-direita – desde as consequências da “amizade” com Moscovo até à tentação irresistível de interferir na independência dos media, dos tribunais ou das polícias. “Dá-se-lhes um cheiro de poder e eles não resistem a tentar controlar a polícia, os serviços secretos, os tribunais ou desvirtuar os sistemas eleitorais a seu favor”, escreve o editor-chefe do Financial Times, Tony Barber. Kurz deu-lhes o Interior, os Negócios Estrangeiros e a Defesa. “Ou esta lição é aprendida, ou aproximam-se tempos perigosos para a Europa.”

De resto, o que a noite eleitoral provará com toda a certeza é que as forças nacionalistas e populistas vieram para ficar. Nos nórdicos, manter-se-ão provavelmente como a segunda ou terceira força.

5. Nenhum governo cairá na noite das eleições, para além do britânico. Theresa May não esperou sequer pelos resultados para se demitir. O resultado das eleições, a crer nas sondagens, traduz a profunda crise política que o país atravessa. Farage volta a ser o grande vencedor – ainda mais do que nas eleições europeias de 2014, de cuja vitória partiu para impor o referendo ao Governo de Cameron. A derrota dos conservadores pode ser catastrófica. O Labour pode não se ficar a rir – deverá ser duramente castigado pelo eleitorado porque o seu líder, que defende o “Brexit” ao contrário da maioria dos seus militantes, preferiu manter a ambiguidade até ao fim. Abriu espaço para o renascimento dos liberais-democratas, remetidos para o deserto desde que se aliaram aos Conservadores de Cameron em 2010, mas que sempre defenderam com convicção a permanência na Europa. As sondagens dão-lhe o segundo lugar, à frente do Labour, algo de absolutamente impensável há 15 dias.

Os próximos dias voltam a ser fundamentais. Mais do que a força dos nacionalismos, é a fraqueza do centro político que fica em evidência nestas eleições. Saberão os líderes europeus tirar as lições dos resultados ou continuarão, como sonâmbulos, a seguir em frente?

P.S.: Como o leitor reparou, abstive-me de falar das eleições em Portugal. Uma lei anacrónica impede-me de o fazer, embora não me impeça de falar sobre as eleições nos outros 27 países da União.

Owen Jones goes to a Brexit party rally | ‘A bitter and divided nation?’

sábado, 25 de maio de 2019

First published in De Volkskrant, The Netherlands, May 22, 2019 | By Jos Collignon
First published on Caglecartoons.com, The Netherlands, May 24, 2019 | By Joep Bertrams

Stop Boris campaign launched by Tory moderates opposed to no-deal Brexit / The Tory party is simply debating which sort of electoral cyanide to take



Stop Boris campaign launched by Tory moderates opposed to no-deal Brexit


Former foreign secretary attacked as dishonest by leadership candidate Rory Stewart

Michael Savage, Jamie Doward and Toby Helm
Sat 25 May 2019 20.00 BST Last modified on Sun 26 May 2019 00.00 BST

A campaign to stop Boris Johnson becoming prime minister and taking the country into a no-deal Brexit was launched by moderate cabinet ministers on Saturday as the first shots were fired in the Tory contest to succeed Theresa May in Downing Street.

After May bowed to pressure on Friday and announced she would resign as Tory leader within two weeks, justice secretary David Gauke and international development secretary Rory Stewart condemned Johnson’s readiness to embrace a no-deal, saying it would be hugely damaging to the national interest.

The move, part of a concerted “anti-Johnson” push by opponents of a hard Brexit, followed comments by the former foreign secretary on Friday, soon after May’s resignation speech in Downing Street, that the UK would definitely leave the EU “deal or no deal” on 31 October if he became leader in July.

The remark infuriated the soft-Brexit wing of the party, with some MPs and ministers even warning that there would be “serious numbers” of moderate Conservatives who would be ready to vote down a Johnson government if he set the country on a path to no deal.

In a clear attack on Johnson, Gauke, writing in today’s Observer, warns that candidates who fail to acknowledge the “enormously harmful” effects of crashing out of the EU will fuel populism and risk doing untold harm to the economy and national interest.

“All those that do have such aspirations have a responsibility to set out their approach to Brexit, which is anchored in the hard realities of the situation. We should not pretend that leaving the European Union without a deal will be anything other than enormously harmful to our economy, weaken our security relationships and threaten the integrity of the union,” said Gauke.

His comments come ahead of the release of European election results, which are expected to show Nigel Farage’s Brexit party trouncing the Conservatives.

 “There is too often reluctance in pointing out the likely outcome of no deal. The pretence by people who should know better that no deal is somehow manageable – or could be addressed simply by ‘proper preparation’ – has only encouraged a growing part of the population to be unwilling to make any kind of accommodation with the EU. Loose talk about no deal has helped give credibility to the simplistic slogans of the Brexit party.”

The warnings by Gauke – expected to be endorsed by the chancellor, Philip Hammond, in media interviews – came after Stewart, who has declared his intention to stand, tore into Johnson and said he would refuse to serve in a government under his leadership.

Stewart said: “I spoke to Boris, I suppose, about two weeks ago and I thought at the time he had assured me that he wouldn’t push for a no-deal Brexit. So, we had a conversation about 20, 25 minutes and I left the room reassured by him that he wouldn’t do this.

“But it now seems that he is coming out for a no-deal Brexit. I think it would be a huge mistake. Damaging, unnecessary, and I think also dishonest.”

The warnings came as senior moderate Tories grew increasingly alarmed at signs that Johnson is already winning over MPs who fear that, if they do not back him, a more hardline candidate will emerge as the champion of pro-Brexit Tories in parliament and in the country.

One senior Tory source said Johnson held appeal because he was seen by fellow MPs and Tory members as a winner after Theresa May, whose disastrous 2017 election campaign rid the party of its majority. “The unpalatable truth about the situation is that whether we like it or not, in terms of marginal seat polling, Boris is still outperforming everyone else.”

On Saturday the list of candidates entering the race grew as health secretary Matt Hancock threw his hat into the ring, saying he believed May had not been clear enough about the trade-offs required in reaching a Brexit deal.

“She didn’t start by levelling with people,” Hancock said. “I think it is much, much easier to bring people together behind a proposal if you are straightforward in advance.”

Former Brexit secretary Dominic Raab also formally entered the race with a call for a “new direction”.

The MP for Esher and Walton, who resigned over May’s withdrawal agreement, told the Mail on Sunday: “The country now feels stuck in the mud, humiliated by Brussels and incapable of finding a way forward. The prime minister has announced her resignation. It’s time for a new direction.”

Foreign secretary Jeremy Hunt and ex-Commons leader Andrea Leadsom are the latest heavyweights to have also announced bids for the Tory crown.

Writing on theguardian.com, former cabinet minister Justine Greening said the Conservative party now faced “electoral oblivion” as a new leader would “test its hard Brexit theory to destruction”. Greening, who backs a second referendum, said that the party was engaged in “a debate with itself about what type of electoral cyanide to take”.

Dominic Grieve, the former attorney general, said: “Whoever gets the leadership of the party, a new leader in itself does not solve the crisis we are facing. It does not appear likely that there is a majority in parliament for any deal and there is clearly a majority against a no-deal Brexit. That suggests the only two options available are a general election or a referendum to resolve the matter.”


The Tory party is simply debating which sort of electoral cyanide to take

Justine Greening
This Brexit-focused leadership race is the wrong contest at the wrong time – change is now coming from outside parliament

Sat 25 May 2019 20.01 BST Last modified on Sat 25 May 2019 20.26 BST

The Conservative party in parliament and 120,000 members will shortly be picking a new leader and, in doing so, a new prime minister. There will be more runners and riders than Doncaster races. The party wants a hard Brexit leader and that cannot be me. I believe the only way out of Britain’s crisis is a second referendum – and I’d campaign for Remain.

Like the rest of the country, I see the Conservative party engaging in a debate with itself about what type of electoral cyanide to take. The country is in crisis and yet this latest distraction strategy of a leadership election sees us continuing to avoid confronting two ultimate challenges the Conservative party – first, a viable route out of the mess Britain has got into on Brexit; and second, the fact that our traditional voter base is dwindling and we’re seen as out of touch with new generations of voters.

Whatever your view on Brexit referendums, I believe the Conservative party will never win another election by pursuing a hard Brexit strategy. It didn’t work in 2017. And now we are being outperformed by the Brexit party with a better salesman, a clearer message and more motivated voters. Our existing core vote is being cannibalised, and this is destroying us from the inside out. Yet it still seems that the Conservative party needs to test its hard Brexit theory to destruction under a new leader – a new leader who will continue to face a paralysed government and a gridlocked parliament, which will reject a hard Brexit deal just as it did the prime minister’s deal.

At the same time, we are also still failing to confront the basic fact that generations of voters under 40 are simply not voting Conservative. I represent the second-youngest demographic constituency in the country – Putney in south-west London. In my constituency, the average voter is aged 37 or 38. I took this seat from Labour and have held on to it four times under three Conservative leaders – Michael Howard, David Cameron and Theresa May – but only by successfully reaching out well beyond our shrinking core vote. As long as the Conservative party denies these people a say on Brexit, they will reject us. This all adds up to electoral oblivion.

Once the Conservative party has hit rock bottom, it will face a hard choice. Change or die. Be relevant and survive. Or don’t. But being relevant means giving voters like mine a say on Brexit and taking their priorities on housing, inequality, health, education and the environment and making them ours. However, for now it seems, the Conservative party’s journey towards electoral rock bottom must run its course.

If it had been a leadership contest about confronting these hard choices, I would have stood; instead it’s just a hard Brexit beauty parade. So I will not.

What matters to the country more is a revolution on social mobility and equality of opportunity – and change is now coming from outside this deadlocked parliament. That’s why I set up the Social Mobility Pledge last year to work with business, schools and communities to provide more opportunities for more young people. It builds on the work I did as secretary of state for education. Our businesses can be engines of change, playing a transformational role in creating opportunity in our country. Companies big and small are committing to partner with schools to help raise aspiration, offer work experience or an apprenticeship, and make sure their recruitment is fair and unbiased. In just over a year, and with cross-party support, 250 companies employing 2.5 million employees have signed up.

Together, this coalition of the willing is actually making a difference on the ground, from Bradford and Hull to Sunderland and Manchester. We are systematically sharing best practice about what works on social mobility to create a race to the top. The practical solutions are out there and we’re using them to boost opportunities for millions of young people who don’t find enough of them on their doorstep.

The real debate about how we transform Britain is beyond any single political party or leadership candidate. The answers to social mobility don’t lie in the Westminster bubble; they are out in communities across our country. The solutions will fundamentally change the status quo and be a break from the past, a radical agenda to create a different and better version of Britain than the one we see today. What we need is system change, one that profoundly recreates Britain as the first country in the world to achieve equality of opportunity.

That’s why, although it may change in the future, for now and for me, this Conservative party’s hard Brexit leadership race is the wrong contest at the wrong time.

Como milhares de aves estão a morrer no Alentejo / Recolha mecânica de azeitonas mata milhões de pássaros na Andaluzia. E no Alentejo?


Pássaros são sugados por máquinas durante a apanha noturna de azeitona. Quase cem mil podem estar em risco. Em Espanha já morreram mais de 2,5 milhões de aves


Como milhares de aves estão a morrer no Alentejo
24.02.2019 às 11h41


Pássaros são sugados por máquinas durante a apanha noturna de azeitona. Quase cem mil podem estar em risco. Em Espanha já morreram mais de 2,5 milhões de aves

CARLA TOMÁS

Pelo menos 480 pássaros morreram aspirados por máquinas durante a apanha noturna de azeitona em áreas de olival superintensivo no Alentejo, em dezembro e janeiro. Esta é a constatação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) com base na fiscalização feita a 25 cargas de azeitona colhidas em 75 hectares na zona de Avis. Nas contas do ICNF dá “uma média de 6,4 aves mortas por hectare”. Se extrapolarmos para os 15 mil hectares de olival superintensivo existentes, pode indiciar a mortandade anual de mais de 96 mil aves.

Quando as máquinas de apanha começam a trabalhar à noite, durante o período de repouso das aves, o ruído e a iluminação dos aparelhos cegam os pássaros, que ficam incapazes de fugir e acabam por ser sugados em grande número. Na Andaluzia, as autoridades já admitiram que poderão ter sido dizimadas "cerca de 2,6 milhões de aves".

O presidente do ICNF considera que os números de aves mortas no Alentejo “não são estatisticamente relevantes para determinar já a proibição da apanha noturna”. Segundo o responsável, “é necessário reforçar a amostragem na próxima época de colheita, entre outubro e janeiro” e só depois “se podem tomar medidas mais drásticas”. Por agora, limita-se a aconselhar os operadores a “fazerem o espantamento de aves”.

A Quercus e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) exigem a proibição da apanha noturna. “A Diretiva Aves diz que não devem ser alvo de distúrbio no período de repouso”, explica Domingos Leitão, da SPEA. E lembra que “se espantarem as aves de uma fileira de oliveiras elas voam para outra, além de que a Diretiva Aves diz que não devem ser alvo de distúrbio no período de repouso”.

“Quando são detetados impactos negativos como estes, as autoridades devem agir rapidamente e em conformidade. Estamos a falar de centenas de milhares de aves mortas”, reforça Nuno Sequeira, dirigente da Quercus, lamentando “a falta de regulamentação que permite a mortandade das aves e outros impactes ambientais, como a erosão e contaminação do solo e a poluição de aquíferos com químicos de síntese usados na agricultura intensiva e superintensiva”.

A GNR já levantou “um auto de notícia por crime de danos contra a natureza”, que pune com pena até cinco anos “quem eliminar exemplares de fauna ou flora em número significativo”. O Ministério da Agricultura diz nada saber do assunto e explica que só “é responsável pelas ações de controlo das áreas que recebem ajudas diretas no âmbito da PAC, independentemente da cultura” ou de “projetos de investimento apoiados no âmbito dos fundos comunitários”, não lhe competindo “outras ações de fiscalização”.


 Recolha mecânica de azeitonas mata milhões de pássaros na Andaluzia. E no Alentejo?
Aves são sugadas pelas máquinas na recolha durante a noite e depois são vendidas nos restaurantes. Quercus e BE já questionaram Governo sobre situação semelhante em Portugal.

Carlos Dias 22 de Dezembro de 2018, 8:00

O alerta chegou da Junta Autónoma de Andaluzia. Durante a noite, máquinas utilizadas na recolha de azeitona nos olivais superintensivos, estão a dizimar milhões de aves que chegam, nesta altura do ano, ao sudoeste da Península Ibérica para passar o Inverno ou que por cá passam em viagem para o continente africano.

A Concelhia do Meio Ambiente e Ordenamento do Território (CMAOT), o Serviço de Protecção da Natureza da Guardia Civil e a federação ambientalista Ecologistas em Acção fizeram chegar à junta autónoma, informações “preocupantes” sobre a mortandade de aves. Em causa estão 17 espécies migratórias na sua maioria protegidas pela legislação autonómica, nacional e comunitária, ameaçadas pela recolha mecânica de azeitona, destacando-se a toutinegra-cabeça-preta, a felosa-das-figueiras, a felosa-ibérica, a felosa-comum, a felosa-musical, o verdelhão, o pintassilgo, o pintarroxo, a alvéola-branca, a alvéola-cinzenta e a alvéola-amarela.

Dada a pertinência dos dados que chegavam à junta autónoma, a entidade ordenou que a CMAOT confirmasse a veracidade das informações que chegavam e que faziam referência à morte de um elevado número de aves. Após os inquéritos realizados, “concluiu-se que existe um problema de natureza ambiental”, resultante da colheita do olival sob regime superintensivo. É um problema “real, actual, com sérias repercussões ambientais, que transcendem os limites geográficos da Andaluzia e do país, afectando os valores ambientais de vários países da União Europeia”, sublinha o relatório divulgado pela junta autónoma.

Nesta altura do ano, chegam à Andaluzia e a outras regiões do sudoeste peninsular várias espécies de aves oriundas de França, Holanda, Bélgica, Alemanha e Escandinávia e em menor número do Reino Unido e países bálticos. Umas refugiam-se em bosques e sebes, para passar o Inverno, enquanto outras seguem para o continente africano.

Os olivais superintensivos são um dos locais escolhidos por oferecerem uma vegetação compacta, por serem formados com variedades de oliveira de pequena dimensão, dispostas simetricamente com uma densidade que pode chegar às 2000 árvores por hectare.

Iluminação "cega os pássaros"
Quando as máquinas entram em acção, no período nocturno, o elevado ruído e a forte iluminação das mesmas “cega os pássaros” inibindo-os de fugir. O resultado “é a mortandade provocada por sucção com uma magnitude que é preocupante”, sublinha o documento.

Desde Novembro, mês em que arrancou a actual campanha de recolha de azeitona, que “ as taxas de mortalidade das aves, são insustentáveis, em termos ambientais” precisamente quando“ estão mais vulneráveis”, acrescenta o relatório. Contas feitas, em média, podem morrer cerca de uma centena de pássaros por hectare. Fazendo a multiplicação por cerca de 21 mil hectares de área ocupada na Andaluzia com olival superintensivo, a Junta de Andaluzia admite que poderão ser dizimadas “cerca de 2,6 milhões de aves” especialmente nas províncias de Sevilha, Córdoba e Jaén.

Esta situação surge associada a um “grave” problema de saúde pública. No decorrer da investigação à morte das aves, “tanto a Guardia Civil como a CMAOT” observaram que parte das aves são vendidas pelos operadores envolvidos na recolha de azeitona, nos restaurantes de vilas e aldeias para serem consumidas. É uma prática que as autoridades andaluzas consideram “ilícita” por carecer das garantias sanitárias de salvaguarda da saúde pública.

A Junta de Andaluzia decidiu proibir as campanhas nocturnas de recolha de azeitona nos olivais superintensivos, alegando que não respeitam a legislação regional, nacional e comunitária, nomeadamente a Directiva de Aves 2009/147/CE do Parlamento Europeu, relativa à preservação das aves silvestres.

A denúncia das autoridades andaluzas teve reflexo imediato nas redes sociais, com destaque para a página no Facebook da Sociedade Portuguesa de Entomologia, na qual foram publicadas denúncias sobre a morte de pássaros nos olivais superintensivos alentejanos, durante a noite, em Ferreira do Alentejo, Portel e Viana do Alentejo.

José Pereira, apicultor e residente em Ferreira do Alentejo, contou ao PÚBLICO que a morte de pássaros na apanha da azeitona nos grandes olivais do concelho é tema de conversa nos cafés da localidade.

“Andam 3 e 4 máquinas, umas ao lado das outras, a fazer a colheita” e quando as azeitonas chegam aos lagares, (em Ferreira do Alentejo há 5) “é que se vêm os pássaros mortos” diz o apicultor.

A Quercus já alertou o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR e o Ministério da Agricultura dando conta das informações que estavam a ser veiculadas nas redes sociais relatando a morte de aves “na extracção mecânica em olivais superintensivos do Baixo Alentejo”.

Relatos indignam habitantes
Também o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda endereçou um requerimento ao Governo, através do Ministério do Ambiente e da Transição Energética, questionando-o sobre os impactos ambientais e ecológicos que a colheita nocturna de azeitona estava a ter sobre as aves migratórias. O deputado do BE, Pedro Soares, revelou ao PÚBLICO que em Canhestros, freguesia do concelho de Ferreira do Alentejo, “há relatos de autêntica chacina” que está a indignar os habitantes. Todas as noites são retirados “sacos de aves das cubas onde são colocadas as azeitonas colhidas”, diz.

Pedro Soares diz ter contactado “várias pessoas” que lhe confirmaram o “crime” nos olivais alentejanos e pergunta se o Governo pondera “intervir urgentemente” para impedir que se continue a proceder à colheita mecanizada nocturna nas plantações de olival intensivo.

Ao PÚBLICO, a Associação de Olivicultores do Sul (Olivum) garantiu desconhecer a existência de situações semelhantes à que foi reportada pelo BE acrescentando que a apanha nocturna de azeitona “não é prática comum” dos seus associados. E disse ter questionado os olivicultores sobre a eventual morte de pássaros durante o processo de recolha mecânica, mas a resposta “foi unanimemente negativa”.

Já o Ministério da Agricultura disse ao PÚBLICO que tem conhecimento das informações sobre o relatório que foi divulgado pela Junta Autónoma de Andaluzia, salientado que a apanha nocturna de azeitona “não é uma prática usual em Portugal” mas que pode ocorrer “excepcionalmente”. A tutela salienta não ter conhecimento de que a apanha mecânica “provoque morte de aves”. Contudo, por se tratar “de matéria da conservação da natureza tutelada por outro ministério, o Ministério da Agricultura está a recolher informações adicionais sobre esta matéria.



sexta-feira, 24 de maio de 2019

Theresa May in tears as she announces resignation




Theresa May announces her resignation

Prime minister to leave on 7 June, drawing three-year premiership to a close

Today’s political developments - live updates
Heather Stewart

Fri 24 May 2019 10.06 BST Last modified on Fri 24 May 2019 10.18 BST

Theresa May has bowed to intense pressure from her own party and named 7 June as the day she will step aside as Conservative leader, drawing her turbulent three-year premiership to a close.

She made the announcement after a meeting with Graham Brady, the chair of the backbench 1922 Committee – which was prepared to trigger a second no-confidence vote in her leadership if she refused to resign.

May’s fate was sealed after a 10-point “new Brexit deal”, announced in a speech on Tuesday, infuriated Tory backbenchers and many of her own cabinet – while falling flat with the Labour MPs it was meant to persuade.

The leader of the House of Commons, Andrea Leadsom, resigned on Wednesday, rather than present the Brexit bill to parliament.

A string of other cabinet ministers had also expressed concerns, including Sajid Javid, Jeremy Hunt, Chris Grayling and David Mundell.

In particular, they rejected May’s promise to give MPs a vote on a second referendum as the Brexit bill passed through parliament, and implement the result – which they felt came too close to endorsing the idea.

The prime minister will remain in Downing Street, to shoulder the blame for what are expected to be dire results for her party at Thursday’s European elections – and to host Donald Trump when he visits.

The 1922 Committee will set out the terms of a leadership contest, to kick off on 7 June, which is expected to last perhaps six weeks.

The former foreign secretary Boris Johnson is the front-runner to be Britain’s next prime minister; but more than a dozen senior Tory figures are considering throwing their hats into the ring.

In the cabinet, Rory Stewart has already said he will stand, while Jeremy Hunt, Michael Gove, Penny Mordaunt and Sajid Javid are all likely contenders.

May’s departure came after three years of wrangling with Brexiters on her own backbenches about what future relationship with the European Union they would be prepared to accept.

That became considerably more difficult when she lost her majority at the 2017 general election, after spearheading what was widely regarded as a disastrous campaign, promising “strong and stable leadership in the national interest”.

Brexit is likely to dominate the race to succeed May, with time increasingly tight for a new team to set out any new direction before the deadline of 31 October for Britain’s departure from the EU.

May’s longtime friend Damian Green, the former first secretary of state, defended her record on Friday.

“All prime ministers, in the end, take responsibility for what happens on their watch, but I think that it’s undeniable that suddenly and unexpectedly becoming prime minister after the seismic shock of the Brexit referendum meant that she was dealt an extremely difficult hand to play. And the truth is that having an election a year later, which cut the Conservative party’s majority, then [made it] impossible.”

Green told BBC Radio 4’s Today programme: “The fact that parliament has not been able to get a Brexit deal through has led to the impatience, bordering into contempt, for the political class and the amount of hostility and borderline violence is something we have not known for a very very long time.”

How Amsterdam is fighting back against mass tourism




How Amsterdam is fighting back against mass tourism

Richard Quest, Tamara Hardingham-Gill and Lidz-Ama Appiah, CNN • Updated 23rd May 2019

 (CNN) — Famous for its tolerance as much as its narrow houses and broad canals, Amsterdam is undergoing a radical change of attitude when it comes to the millions of tourists that flock to see it each year.
Tolerance, it seems, has reached its limits in the Dutch capital, which is now actively urging visitors to head elsewhere as frustrated locals complain of feeling besieged by visitors using the city's bicycle-thronged streets as a travel playground.
"The pressure is very high," says Ellen van Loon, a partner at Dutch architectural firm OMA who is involved in adapting the city for the future. "We don't want to turn into a Venice. The problem we are currently facing is that Amsterdam is so loved by tourists, we just have so many coming to the city."
While Van Loon acknowledges the positive aspects of tourism, which earns the Dutch economy around 82 billion euros ($91.5 billion) a year, like many locals she's worried that soaring visitor numbers are destroying the soul of this vibrant cosmopolitan city.
Like Venice and other destinations across Europe, Amsterdam has become a byword for overtourism -- a phenomenon closely linked to the rise in cheaper air travel that has seen visitors flood certain places, often spoiling the very spot they came to enjoy.
While some cities are still formulating ways to cope, Amsterdam -- where a decade-long surge in visitor numbers is forecast to continue, rising from 18 million in 2018 to 42 million in 2030, or more than 50 times the current population -- has simply decided it's had enough.
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Netherlands tourist officials recently took the bold decision to stop advertising the country as a tourist destination. Their "Perspective 2030″ report, published earlier this year, stated that the focus will now be on "destination management" rather than "destination promotion."
The document also outlines the country's future strategy, acknowledging that Amsterdam's livability will be severely impacted by "visitor overload" if action isn't taken.
Solutions listed include working to dissuade groups of "nuisance" visitors by either limiting or completely shutting down "accommodation and entertainment products" aimed at them, as well as spreading visitors to other parts of the Netherlands.
Some of these measures have already come into play.

Fervor for flowers

Last year, the famous "I amsterdam" sign was removed from outside the Rijksmuseum, the city's main art gallery, at the request of the city of Amsterdam, as it was "drawing too big of a crowd to an already limited space."
The two-meter high letters have been relocated to various "lesser-known neighborhoods" in a bid to entice travelers away from the center of the city.
Mass tourism has also impacted one of Amsterdam's other famous symbols, tulips.
While today's billion dollar trade grew from tulip mania -- the 17th century economic bubble, when bulbs sold for more than a year's wages -- Dutch floral fervor hasn't waned.
"Flowers really belong to our culture, our heritage," says Florian Seyd, florist and co-founder of Wunderkammer.
"In the beginning tulips came from Turkey, and were grown mainly in palaces. Then a few bulbs came to Netherlands and started to multiply. I think that's when the big love from the Dutch for flowers started."
While tulips aren't as hard to come by here nowadays, they remain enormously important to the country, with its bulb region of Bollenstreek, located just outside Amsterdam, drawing plenty of visitors during spring.
But selfie-seeking tourists have been damaging fields, leading the tourist board to issue a "dos and don'ts" guide to taking photos next to them.
In addition, signs emblazoned with the slogan, "Enjoy the flowers, respect our pride," have been erected around fields in the region to deter visitors from trampling tulips while posing for pictures.
Some farmers have even opted to fence in their fields to protect them.

Red Light District restrictions
Measures have also been taken to discourage travelers from visiting some of Amsterdam's seedier tourist hotspots.
Earlier this year, the city government announced it will end tours of the Red Light District in central Amsterdam, citing concerns that sex workers are being treated as a tourist attraction.
The ban will come into effect on January 1, 2020, in order to give the existing tour companies a chance to wind down business.
This move comes after new shops aimed at tourists were banned in the city, along with Airbnb short-term rentals in busy areas.
While Amsterdam's popularity can be attributed to many factors, one of the main reasons tourists are so attracted to the city is undoubtedly due to its freedom and liberalism.
For instance, prostitution has been legal in the Netherlands since 2000.
The practice was "tolerated" for years before this, thus beginning a culture of accepting the illegal -- known as "Gedogen."
While this Dutch term is untranslatable, it essentially means to look the other way. The "Gedogen" approach has also been applied to cannabis use in the Netherlands since 1976.
While the drug is still technically illegal in the country, authorities choose to openly ignore it, refraining to prosecute anyone in possession of less than five grams for personal use.
The Netherlands was also the first country in the world to legalize same sex marriage in 2001, with the first legal same sex wedding taking place in its capital city that same year.
But although Amsterdam is celebrated for its freedom today, it hasn't always been a place of tolerance.
Perhaps ironically, one of the city's most highly regarded sites serves as a harsh reminder of this.
Anne Frank House, a unique testimony of the German-born teenager's life under Nazi occupation, is its third most popular museum after the Van Gogh Museum and the Rijksmuseum.

Darkest chapter
One of Amsterdam's most famous residents, Anne died in a concentration camp in 1945 at the age of 15.
"We pride ourselves on being a city which is tolerant. A city where people can be themselves, which is true," says museum director Ronald Leopold, one of the guardians of Anne's diary and legacy.
"But we also have these dark pages, and these are probably the darkest."
According to Leopald, around half of the 1.3 million people who visit the Anne Frank House each year are under the age of 30.
"I think it's increasingly important to learn about what happened here during World War II and the Holocaust," he adds.
"This is a wonderful point of entry for many young people to learn about that history.
"It's also very important to think and reflect on how this could have happened and what it says about us in 2019. What it says about the communities we live in and our responsibility to them."
By the time Anne Frank's father Otto, the only member of the family to survive the Holocaust, published her diary in 1947, the war had left Amsterdam forever altered.
Now, over 70 years later the city is going through a much less welcome change.
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But will the measures being put in place to curb mass tourism be enough to save it from being wrecked by its own success?
Like many other locals, architect Van Loon fears that Amsterdam, which came in 23rd place on Euromonitor International's report on the Top 100 City Destinations in 2018, is dangerously close to losing its unique allure forever.
"The reason tourists come here is because there's something in the character of Amsterdam they love," she explains.
"But at a certain point, when the amount of tourists is increasing and increasing, they actually kill what they loved in the first place."