quarta-feira, 18 de julho de 2018

OVOODOCORVO vai fazer uma pausa de 5 dias . Saudações.



Na Rua da Boavista as casas de ferragens estão a ser substituídas por “lojas da moda” / Same old, same old. How the hipster aesthetic is taking over the world





A cultura ‘Hipster’ ao nível da rua, junto à AIRBNB nas habitações … Aqui temos a fórmula capaz de garantir a Gentrificação total, de transformar toda uma zona, neutralizando a Cultura e Identidade Local, capaz de a Globalizar e torná-la indistinta e indiferenciá-la … Mais uma zona “Gourmet” que se poderia encontrar em qualquer outra cidade.
OVOODOCORVO sublinha esta passagem: “Há um comércio moderno a surgir, o que é positivo porque também atrai outro tipo de público. A consequência negativa é que esta rua era o grande pólo da cidade de lojas de ferragens e é com tristeza que vemos o seu encerramento. O ideal seria haver a coexistência dos dois tipos de negócio”, diz em declarações a O Corvo. Carla Madeira lembra o impacto irreversível que a lei criada por Assunção Cristas teve na cidade de Lisboa. “As lojas iam acabar por fechar, mas a lei das rendas acelerou o processo de mudança, que deveria demorar décadas”, diz A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira
OVOODOCORVO

Na Rua da Boavista as casas de ferragens estão a ser substituídas por “lojas da moda”
Sofia Cristino
Texto
17 Julho, 2018

A artéria que liga o Cais do Sodré a Santos, uma das zonas de maior movimentação nocturna de Lisboa, está a ganhar nova vida durante o dia. Só no último ano, surgiram um mercado biológico, um restaurante de saladas e uma loja de sumos naturais. A venda de produtos saudáveis é uma tendência dos novos inquilinos, que não olham para a concorrência como uma ameaça, mas uma forma de chamar mais pessoas à rua. “A renovação do Jardim de Santos ajudou muito a dinamizar a zona”, diz um jovem empresário. Uma transformação que veio para ficar. O Largo Conde Barão será requalificado, no final deste ano ou início de 2019, e existem prédios em obras na Rua da Boavista. Há, contudo, quem lamente a descaracterização do arruamento conhecido pelas lojas de ferragens e sinta uma crescente falta de restaurantes tipicamente portugueses. A presidente da Junta da Freguesia da Misericórdia acredita que a renovação do espaço público trará àquela zona o dinamismo perdido nos últimos anos.

 “Acabamos de abrir, é o nosso primeiro dia”, diz João Lopes, 35 anos, dono da Fruit Chop, a nova loja de sumos de fruta naturais da Rua da Boavista. Degradada e sem sinais de mudança durante alguns anos, a artéria que liga o Cais do Sodré a Santos está a ganhar nova vida. As refeições saudáveis e prontas a levar são uma das maiores apostas dos novos comerciantes que começaram a instalar-se nesta parte da cidade, no último ano. “Tirando o Príncipe Real, este parece-nos o melhor sítio para abrir um negócio. Há várias empresas à volta e temos um ginásio mesmo ao lado, com pessoas interessadas numa alimentação menos prejudicial à saúde. A renovação do Jardim de Santos ajudou muito a dinamizar a zona também, a mudança que está a acontecer nesta rua é estapafúrdia”, comenta, entusiasmado com os projectos de reabilitação do edificado em andamento.

Na Fruit Chop, os sumos e os batidos, com leite ou iogurte, são todos feitos no momento e à vontade do cliente. “Qual a sua fruta preferida?”, perguntava um dos funcionários aos curiosos que iam aparecendo no primeiro dia de funcionamento da loja, para, logo de seguida, fazer uma junção original de sabores. “A nossa particularidade é fazer sumos personalizados, podem misturar as frutas que quiserem e, depois, adicionarem cereais ou proteína, por exemplo. Como a fruta é sempre fresca, vamos comprá-la ao mercado diariamente, de forma a não desperdiçar, vamos aproveitar a polpa da fruta para fazer gelados, fruta desidratada, iogurtes e smoothies bolds”, explica João Lopes. Até ao final de Agosto, altura em que a loja funcionará em pleno, vão haver saladas, tostas e alguns produtos de pastelaria. Com mais tempo, João quer abolir a utilização do plástico e considera a hipótese de entregar sumos e saladas ao domicílio.

Do outro lado da rua, no Crave, um restaurante de saladas e wraps, a preocupação com a alimentação saudável é logo visível nas t-shirts dos funcionários. “É natural que queira comer bem”, lê-se. Lá dentro, há várias mesas e lugares disponíveis, mas não se vê ninguém sentado porque o takeaway é a opção preferida dos visitantes deste espaço. À hora de almoço, preparam-se saladas, depois guardadas em cuvetes de plástico, a um ritmo alucinante. As refeições podem ser encomendadas através da internet e levantadas mais tarde no estabelecimento de restauração. Na panóplia de ingredientes expostos no balcão há quinoa, rebentos de soja, sementes de sésamo, abacate, cogumelos, feijão, entre outros, que depois são conjugados de uma forma invulgar.

No final da Rua da Boavista, ao chegar ao Largo do Conde Barão, também há novos negócios a abrir. E antevê-se que surjam mais, com a requalificação prevista, no âmbito do projecto Uma Praça em Cada Bairro da Câmara de Lisboa, para aquele quarteirão. A Food Mercearia Biológia abriu há sete meses, por iniciativa de Cláudia Faria, que, depois de viver seis anos em Moçambique, no regresso a Portugal apercebeu-se que não existia um “supermercado com produtos de boa qualidade”. “Senti que as pessoas estão mais preocupadas com o que comem e a origem dos alimentos e querem descobrir novas combinações de sabores. Já perceberam que, apesar de gastarem mais dinheiro a comprar produtos biológicos, acabam por poupar em medicamentos na farmácia. Ainda não há um mercado biológico em cada esquina, mas já se vê mais, é bom sinal”, conta.

Além de morar a poucos metros da mercearia, na Rua de São Paulo, decidiu instalar-se ali porque o Largo Conde Barão vai ser renovado, estando previsto o edifício devoluto em frente à sua loja transformar-se num condomínio de luxo com piscina e serviços de hotelaria, como lavandaria, engomadoria, entre outros. “A ideia é termos uma esplanada, uma vez que o passeio em frente à nossa loja vai aumentar de tamanho, com as obras da Câmara de Lisboa. Acreditamos que a melhoria do espaço público vai atrair mais pessoas, mas o negócio já está a correr bem. Começámos com dois funcionários e já temos seis”, diz Cláudia Faria. Recentemente, abriu também uma cafetaria dentro da loja – há lugares para tomar café biológico de marca nacional acompanhado por uma fatia de bolo vegan, mas também há menus de pequeno-almoço, maioritariamente à base de ovos, panquecas e smoothies. Ainda esta semana, revela a empresária, passarão a ser servidas saladas no horário da mercearia, entre as 9h00 e as 21h00.

Na rua localizada entre duas das maiores zonas de actividade nocturna de Lisboa, durante o dia o ruído nocturno é substituído pelo som das máquinas de construção civil. Há vários prédios em reabilitação e já se sabe o que vai surgir em alguns – um hotel, uma lavandaria self-service, uma gelataria e uma croissanteria. Os jovens comerciantes estão expectantes e esperam que os novos espaços tragam mais movimentação ao arruamento. “Viemos para aqui porque queríamos estar no centro de Lisboa, sem ser no pico da maior confusão, mas a rua ainda não está tão dinâmica como esperávamos, ainda estamos muito sozinhos. Esta rua é um corredor, passa aqui quem sai e quem entra no Cais do Sodré, queremos tentar que abrandem o passo.”, diz Joana Araújo, 30 anos, optometrista.

Há poucos meses, Joana abriu, juntamente com o marido, Marco Matos, 37 anos, uma óptica e espera conquistar os clientes através de um conceito inovador. Na M.Oculista.Lx, os óculos estão arrumados nas gavetas de um móvel antigo restaurado ou dispostos em prateleiras de madeira e os funcionários estão vestidos informalmente. “Não faz sentido estarmos de bata branca, não se coaduna com a nossa forma de estar. Queremo-nos diferenciar, também, através da venda exclusiva de marcas portuguesas, que à partida as pessoas não conhecem”, explica. Joana acredita que a venda de marcas menos usuais poderá chamar a atenção de quem procura novas tendências e “através da partilha nas redes sociais, porque é diferente e novo, talvez a marca acabe por ser mais divulgada”. “As pessoas mais velhas ainda têm resistências a este tipo de conceito, mas esperamos desconstruí-lo”, comenta.

Na mesma rua, uns meses depois de Joana Araújo se instalar, abriu o Centro Óptico de Santos. Os óculos estão dispostos de uma forma mais tradicional e o atendimento ainda é feito de bata branca. Marisa Silva, 23 anos, diz que querem dar “uma nova óptica” aos moradores da freguesia da Misericórdia. “Estamos num bairro com uma população mais envelhecida e queremos mostrar-lhes que não precisam de subir até ao Calhariz ou à Baixa para comprarem óculos. Temos feito um trabalho diário de divulgação, nos cafés e nas mercearias. Infelizmente, os estabelecimentos da rua estão muito direccionados para os estrangeiros, mas queremos mostrar aos moradores que ainda há espaços feitos a pensar neles”, explica a optometrista.

Aos serviços mais elementares, que ainda vão sendo utilizados pelos moradores, juntam-se espaços alternativos com nomes pouco usuais, como “Maria Não Deixa”, um restaurante de petiscos, ou “Filho da Mãe”, uma guesthouse com um restaurante biológico. A “Maria Não Deixa” foi a primeira petiscaria a abrir na Rua da Boavista. “Os petiscos estão muito na moda. Quando abrimos, não havia nada do género na rua”, diz Maria Manuel, uma das sócias do restaurante, ali instalada há dois anos e meio. No mesmo espaço, chegou a ter uma loja de antiguidades, mas percebeu que a restauração poderia atrair mais pessoas.

“Quando vim para aqui, há cinco anos, só havia lojas de ferramentas. Agora, há imensos restaurantes novos e as pessoas vêm de propósito comer aqui, o que não acontecia, no início”, conta. A ideia de abrir uma petiscaria surgiu numa conversa informal de amigos, porque um dos sócios sempre cozinhou “muito bem”. Nesta tasca portuguesa moderna, há pica-paus, moelas, ovos com farinheira, croquetes de alheira e morcela, salada de polvo, entre outros petiscos, que atraem pessoas dos “20 e tal aos 60 anos”, explica Maria.

Há quatro anos, quando começaram a aparecer os primeiros restaurantes nesta parte da cidade, Damien Izarry, depois de viver alguns anos no México, decidiu abrir a “La Taqueria de Lisboa”, muito conhecida pelos tacos, uma especialidade mexicana. “Continuam a vir muitos portugueses, mas, com o boom do turismo, começou a haver muito mais movimento e mais estrangeiros. A rua está a mudar muito e para melhor, quando viemos era mais parada”, comenta Alaim Branco, 30 anos, chefe de mesa, enquanto cumprimenta Hermison Girão, 35 anos, dono do Castro Beer, um bar-restaurante do outro lado da rua. Foram os primeiros a chegar à Rua da Boavista, quando esta dava os primeiros sinais de que algo novo estava ali a acontecer. “Quando viemos para cá, há cinco anos, não havia quase nada e não se viam muitas pessoas. Os jantares de grupo, à noite, sempre foram o nosso forte. Como estamos próximos dos bares, na Rua Cor de Rosa e em Santos, muitos jovens acabam por vir aqui jantar, antes de saírem à noite”, diz Hermison Girão.

O empresário abriu o bar com o marido, Élio Girão, numa altura em que adivinhavam um crescimento do número de visitantes da cidade. Tal como outros comerciantes mais novos, valorizam as questões ambientais, preocupação notada logo à entrada do estabelecimento. “As cadeiras foram-nos doadas pela Câmara de Lisboa e vieram todas do lixo. Só tivemos de as restaurar”, conta. O aumento do número de espaços comerciais naquela rua, explica ainda, nunca foi sentido como uma ameaça, mas como “uma ajuda”. “É uma forma de virem mais pessoas. O nosso segmento é único, podemos coexistir todos e ajudar-nos uns aos outros. É esse espírito que contribui para o bom ambiente que se vive aqui”, diz.

Atento às transformações da cidade e ao aumento do turismo, Miguel Torres abriu, há três anos, em Alfama, a “Too Much Fun”, uma empresa que organiza visitas guiadas de bicicleta, segway e triciclo eléctrico. Há passeios com actividades desportivas incluídas, como surf, e visitas pela cidade de segway preparadas apenas a pensar em despedidas de solteira. Os clientes são turistas, essencialmente alemães, holandeses e ingleses. No último ano, começaram a aparecer mais russos e indianos. “Cada vez mais pessoas procuram formas alternativas de visitar a cidade. Mudámos de Alfama para aqui por causa do espaço, há menos confusão e roubos. Sinto que a rua está a ficar descaracterizada, não há negócios portugueses. É muito difícil recomendarmos um restaurante tipicamente português aos grupos. Quando nos perguntam ficamos algum tempo a pensar, não é positivo”, lamenta Miguel Torres, que conhece esta parte da cidade desde criança.

Rui Banheiro, 79 anos, há 60 anos na Ferragens Ideal da Boavista, lembra com nostalgia que a Rua da Boavista era “o centro comercial do país”. “Havia aqui tudo, principalmente lojas de ferramentas, mas também mercearias. Sentimos uma decadência muito grande nos últimos três anos, saíram daqui umas doze lojas e temos menos clientes. Estragaram a cidade”, lamenta, não mostrando vontade de falar sobre os novos vizinhos. Álvaro Costa, já o único funcionário do Mundo das Ferramentas, também recorda uma “maior movimentação” da rua. “Houve várias fases, mas acredito que agora vai renascer”, diz, ao mesmo tempo que informa que tem muitas entregas para fazer naquela tarde e “felizmente não há falta de trabalho”.

A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira (PS), acredita que a requalificação do Largo do Conde Barão vai trazer à rua “o dinamismo que esta perdeu”, mas não deixa de lamentar o encerramento de várias lojas de comércio local. “Há um comércio moderno a surgir, o que é positivo porque também atrai outro tipo de público. A consequência negativa é que esta rua era o grande pólo da cidade de lojas de ferragens e é com tristeza que vemos o seu encerramento. O ideal seria haver a coexistência dos dois tipos de negócio”, diz em declarações a O Corvo. Carla Madeira lembra o impacto irreversível que a lei criada por Assunção Cristas teve na cidade de Lisboa. “As lojas iam acabar por fechar, mas a lei das rendas acelerou o processo de mudança, que deveria demorar décadas”, diz.

As obras no Largo Conde Barão vão começar no final deste ano, ou no início de 2019, e não deverão demorar muito tempo até estarem concluídas, informa a autarca. Uma renovação do espaço público vista com optimismo por Carla Madeira. “Esta zona estava muito degradada, precisa mesmo de obras. É uma rua triste e sombria, que tem vindo a ser descaracterizada. Vai ser um novo pólo de atracção para todos, inclusive moradores, porque, apesar da perda de habitantes, ainda há muitas pessoas a viverem aqui, nas ruas transversais, e merecem esta mudança porque já residem cá há muitos anos. Vão ter, finalmente, um espaço público requalificado”, conclui.




Same old, same old. How the hipster aesthetic is taking over the world

Kyle Chayka
Industrial furniture, stripped floors and Edison bulbs: why must we aspire to such bland monotony?
Sun 7 Aug 2016 00.05 BST Last modified on Sat 2 Dec 2017 04.11 GMT

Go to Shoreditch Grind, near a roundabout in the middle of London’s hipster district. It’s a coffee shop with rough-hewn wooden tables, plentiful sunlight from wide windows, and austere pendant lighting. Then head to Takk in Manchester. It’s a coffee shop with a big glass storefront, reclaimed wood furniture, and hanging Edison bulbs. Compare the two: You might not even know you’re in different spaces.

It’s no accident that these places look similar. Though they’re not part of a chain and don’t have their interior design directed by a single corporate overlord, these coffee shops have a way of mimicking the same tired style, a hipster reduction obsessed with a superficial sense of history and the remnants of industrial machinery that once occupied the neighbourhoods they take over. And it’s not just London and Manchester – this style is spreading across the world, from Bangkok to Beijing, Seoul to San Francisco.

It’s not just coffee shops, either. Everywhere you go, seemingly hip, unique spaces have a way of looking the same, whether it’s bars or restaurants, fashion boutiques or shared office spaces. A coffee roaster resembles a WeWork office space. How can all that homogeneity possibly be cool?

In an essay for the American tech website The Verge, I called this style “AirSpace”. It’s marked by an easily recognisable mix of symbols – like reclaimed wood, Edison bulbs, and refurbished industrial lighting – that’s meant to provide familiar, comforting surroundings for a wealthy, mobile elite, who want to feel like they’re visiting somewhere “authentic” while they travel, but who actually just crave more of the same: more rustic interiors and sans-serif logos and splashes of cliche accent colours on rugs and walls.

Hence the replicability: if a hip creative travels to Berlin or Tallinn, they seek out a place that looks like AirSpace, perhaps recommending it on Foursquare or posting a photo of it to Instagram to gain the approval of culturally savvy friends. Gradually, an entire AirSpace geography grows, in which you can travel all the way around the world and never leave it.

You can hop from cookie-cutter bar to office space to apartment building, and be surrounded by those same AirSpace tropes I described above. You’ll be guaranteed fast internet, strong coffee, and a comfortable chair from which to do your telecommuting. What you won’t get is anything interesting or actually unique.

There are several causes of AirSpace. The first is that mobility is increasing: more people move more quickly around the world than ever before, mostly passing through the same urban hotspots (London, New York, Los Angeles, Hong Kong), and carrying their sense of style with them. It’s globalisation, but intensified, made more accessible to a wider economic spectrum of people, more of the time. Mobility is not just for the rich any more: working remotely is increasingly common; you can take a sabbatical to work from Bali and not miss a beat.

Taste is also becoming globalised, as more people around the world share their aesthetic aspirations on the same massive social media platforms, whether it’s Facebook, Instagram, Pinterest or Foursquare, with their hundreds of millions or billions of users. As algorithms shape which content we consume on our feeds, we all learn to desire the same things, which often happens to involve austere interiors, reclaimed wood, and Edison bulbs, like a metastasised real-life version of Kinfolk magazine or Monocle.

Startups are also growing to provide these experiences of sameness as a product, predicated on the fact that we now prefer consuming ready-made generic spaces to creating new ones of our own. We’ve been infantilised. The companies use technology to foster a sense of easy placelessness; Roam, for example, is an international chain of co-living and working spaces that offers the same lifestyle (and same furniture) in Madrid, Miami and Ubud, and residents can live anywhere for £1,500 per month. WeWork’s WeLive branch creates wan dormitories for mobile tech workers, each with its own raw-wood furniture and mandated techno-kitsch interior decorating.


Airbnb: from homesharing cool to commercial giant
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But the king of AirSpace is Airbnb. The platform enables users to travel seamlessly between places, staying in locals’ apartments. Its slogan is “you can belong anywhere”. But all Airbnbs have a way of looking like AirSpace, too – consultants who work with Airbnb hosts as well as the company’s own architects told me that a certain sameness is spreading, as users come to demand convenience and frictionlessness in lieu of meaningful engagement with a different place. Heading to yet another copycat coffee shop with your laptop isn’t “local”. Why go anywhere if it just ends up looking the same as whatever global city you started from?

It’s not just boring aesthetics, however. AirSpace creates a division between those who belong in the slick, interchangeable places and those who don’t. The platforms that enable this geography are themselves biased: a Harvard Business School study showed that Airbnb hosts are less likely to accept guests with stereotypically African-American names.

There’s also the economic divide: access to AirSpace is expensive, whether it’s a £3 cortado or the rent on a WeLive or Roam apartment. If you can’t afford it, you are shut out.

AirSpace is convenient, yes. It helps its occupants feel comfortable wherever they are, settled in amid recognisable reminders that they are relevant, interesting, mobile and global. You can change places within it with a single click, the same anonymous seamlessness of an airport lounge but distributed everywhere, behind the facades of local buildings that don’t look like hotels, but act like them.

Yet the discontent of this phenomenon is a creeping anxiety. Is everywhere really starting to look just the same? Glance around and you might be surprised.

The next time you pick out a cafe or bar based on Yelp recommendations or Foursquare tips, or check into an Airbnb, each system driven by an audience of similar people, check if you see reclaimed wood furniture, industrial lighting, or a certain faux-Scandinavian minimalism. Welcome to AirSpace. It will be very hard to leave.




terça-feira, 17 de julho de 2018

O cisne negro

Imagem de OVOODOCORVO


ANÁLISE
O cisne negro
Donald Trump representa um acontecimento extremo, imprevisível, que desfaz os esquemas estabelecidos e põe em causa a própria noção de Ocidente.

JORGE ALMEIDA FERNANDES
16 de Julho de 2018, 7:00

1. Donald Trump é um “cisne negro”. Cisne negro (Black Swan, 2007, e Dom Quixote, 2011) é o título de um livro do epistemólogo e matemático libanês Nassim Taleb sobre os riscos e a incerteza. O cisne negro é um acontecimento extremo, imprevisível e que desfaz os esquemas estabelecidos. A metáfora de Taleb inspira-se na avis rara do escritor latino Juvenal, numa época em que todos os cisnes eram brancos. A descoberta de um cisne negro na Austrália, no século XVII, desintegrou aquela convicção milenar. O cisne negro é um acontecimento “aberrante” e que muda tudo. Pode ser um cataclismo ou uma invenção. Taleb dá como exemplos a Internet, a I Guerra Mundial, a queda da URSS ou o 11 de Setembro.

Podemos argumentar que não é Trump quem muda o mundo e que foi uma imprevista mudança do mundo que o fez chegar à Casa Branca. O certo é que só depois dele podemos procurar causas ou explicações. A Europa estava preparada para gerir crises na “normalidade”, mas a chegada do cisne negro mudou o quadro.

2. Trump despreza os aliados, mostra deferência perante os inimigos e aprecia os “homens fortes”. Na cimeira da NATO confirmou o seu papel de demolidor da “velha ordem” nascida da II Guerra Mundial e do seu sistema de alianças. A sua “América forte” implica a renúncia à própria liderança americana na “ordem mundial”. Não representa o que o establishment político-militar americano pensa: é o que o Presidente faz.

Como olhar Trump? O primeiro risco é segui-lo na anedota e no teatro com que distrai os seus críticos. Edward Luce, chefe da delegação do Financial Times em Washington e autor de um livro sobre Trump (The Retreat of Western Liberalism, 2017), faz um aviso: “Quanto mais Donald Trump denigre a NATO maior é o escândalo que provoca na Europa. A moral faz-nos sentir bem. Mas também pode provocar cegueira intelectual.” Os democratas americanos preferiram a “justa indignação à clareza analítica”. Acreditaram, por exemplo, que as mulheres jamais votariam Trump. Enganaram-se. “Os Estados Unidos nunca retirarão as tropas da Europa, dizem em Bruxelas. Mas Trump pode fazer exactamente isso. Qual das margens do Atlântico teria mais a perder?”

“Ele inventa os seus próprios factos” e, instintivamente, sabe visar os pontos vulneráveis do interlocutor, insiste Luce. Sabotar as alianças diminui a força da América. “Mas o maior perdedor é a Europa. A sua sobrevivência depende da garantia americana.” A Rússia não só ameaça a sua fronteira oriental como interfere activamente na tentativa de desagregação da UE a partir do Leste, dos populismos nacionalistas e, inclusive, das tentações autoritárias.

Conclusão: “A América liberal encarou Trump literalmente mas não seriamente. A Europa não deveria repetir este erro.” Acabou o mundo pós-1945. Merkel reconheceu, em tom pessimista, que a Europa tem de tomar o destino nas suas mãos. É mais fácil fazer diagnósticos do que indicar a terapia. Mas com Trump, e provavelmente mesmo depois de Trump, mudou a aliança.

3. A Europa está dilacerada por surtos populistas e pela reemergência de nacionalismos. A noção política de Ocidente está a dissipar-se. Depois da crise económica de 2008, a questão migratória mudou as dinâmicas políticas na Europa. A ascensão ao poder dos populistas italianos é um potente acelerador.

Mas como entram aqui Trump e os Estados Unidos? Trump apoiou o "Brexit" e denuncia o "Brexit soft" de Theresa May. Apreciaria um enfraquecimento da UE que lhe permitisse negociar bilateralmente com os europeus. A simples existência de Trump é um incitamento aos populismos eurocépticos. Beppe Grillo, Matteo Salvini, Viktor Orbán ou Marine Le Pen exultaram com a sua vitória em 2016. Tinham razão.

“Trump não pensa no fim do Ocidente”, afirma o politólogo búlgaro Ivan Krastev. “Quer redefini-lo: o Ocidente, para o chefe da Casa Branca e para [o seu ideólogo] Steve Bannon, não é bem uma aliança política, é antes de mais uma entidade cultural fundada sobre a cristandade. O que coloca a Turquia de fora, mesmo se da NATO, mas inclui a Rússia.”

“O Ocidente é um conceito, não uma localização”, escreve Bill Emmott, antigo director da Economist. Foi “a ideia política com maior sucesso no mundo”. É este Ocidente — que, para lá da geografia, pode incluir o Japão — aquilo que hoje está em causa. Trump abandonou a liderança da ordem mundial que os EUA inventaram e criou um vazio. “Alguns temem a China enquanto potência ascendente”, escreve Luce. “Mas é o caos, e não a China, quem mais provavelmente ocupará o lugar da América.”

4. Acabou também o mundo pós-1989, o breve tempo em que o modelo da democracia liberal se expandia. Hoje, este modelo é desafiado por modelos autoritários, como os de Xi Jinping e Putin. Pelo mundo fora, cresce a lista dos autocratas. E o apetite por “homens fortes”, que garantam “segurança”, não é já estranho à Europa. É o modelo de Budapeste.

 “A Rússia assombra a imaginação ocidental”, observa Krastev. “O que causa ansiedade no Ocidente liberal não é que a Rússia governe o mundo, mas que o mundo seja governado da maneira que a Rússia o é hoje. O que perturba é que o Ocidente possa começar a parecer-se com a Rússia de Putin, o que não estávamos prontos a reconhecer.” O ideólogo russo Alexander Dugin, que costuma estar um passo à frente de Putin, não esconde os desígnios: “A Itália é o início da grande revolução populista que mudará o mundo. (...) Os populismos destruirão esta União Europeia.”

Nunca nada está garantido. Por isso é inevitável olhar de frente os efeitos do cisne negro. São factos. Os novos desafios dizem que acabou o tempo em que a Europa pensava muito em economia e pouco em segurança. Mudar este paradigma é, aliás, a chave para estabelecer novas relações com os Estados Unidos. Numa perspectiva histórica, dir-se-á um dia que cisne negro acabou por ser um bem?

Key moments from the Trump-Putin press conference



The Guardian view on the Trump-Putin summit: Russia is the winner
Editorial

Donald Trump was not adlibbing when he said his meeting with Putin might be the easiest part of his Europe trip. That was his intention too

Mon 16 Jul 2018 18.37 BST Last modified on Mon 16 Jul 2018 21.46 BST

Donald Trump meeting Vladimir Putin in Helsinki. Photograph: Chris McGrath/Getty Images
Before he left Washington last week for the Nato summit, his UK visit and talks with Vladimir Putin, Donald Trump raised eyebrows by suggesting that the meeting in Helsinki on Monday might be the easiest one of the three. In retrospect, it is clear that this was not an off-the-cuff comment. It was his plan all along. First rough up Nato in order to damage transatlantic commitments, then stir things up in Britain in order to damage the EU, and, finally, play the cooperative statesman in his talks with the Russian president. Or, to put it another way: bully, bully and cringe.

The European visit and its outcomes have offered a chilling illustration of Mr Trump’s worldview. His strategy decries the values that endured in western policy since the defeat of Hitler. It is a conscious break with the postwar network of alliances and aspiration for universal standards. It is a return to the era in which big powers have self-interests not allies, little countries do not matter, and international standards are subordinate to military might. Because Russia is a significant military power, Mr Trump has brought it in from the cold. It is not just the cold war that is over. The post-1945 order of international values and ethics may be ending too.

Mr Trump went into the talks with Mr Putin offering bland banalities that signalled his readiness to resume business with Moscow: there were “a lot of good things to talk about”, the two sides had “great opportunities together”, it would be an “extraordinary relationship” and the world wanted “to see us get along”. Beside him, Mr Putin put on his stone face, saying little, giving nothing away. Five hours later, after two sets of talks, the leaders re-emerged. This time Mr Putin was garrulous. The talks had been successful and useful. Relations had moved to a different phase. There were no objective reasons why Russia and the United States could not cooperate strategically on military, anti-terror, economic and ecological issues. It was all smiles. Mr Putin even gave Mr Trump a football, to mark the end of Russia’s successful hosting of the World Cup.

As well he might, because the US president gave the Russian leader a far bigger present than a football. Mr Trump used the meeting to smooth Russia’s almost unconditional re-entry into his version of the international order. If the accounts that the leaders produced at their press conference on Monday evening are reliable, the issues that have made relations with Russia so difficult for so long – Ukraine, interference in elections, cyber disruptions and the Salisbury novichok attack – counted for very little in their talks. In his overeagerness, Mr Trump essentially gave Mr Putin a free pass.

Mr Putin was always likely to be the big winner from the Helsinki meeting. The mere fact that it took place was a victory for the Kremlin. But Mr Trump made it clear in Helsinki that he regards bygones as bygones. He is prepared to reset the dial. Mr Trump barely seems to have made an issue of Moscow’s unilateralism against Ukraine, so much so that Mr Putin was emboldened to suggest at the press conference that Washington was not putting enough pressure on Kiev to give in to Russian demands. The practical impact of the two men’s discussions on Syria and the Middle East remains unclear, but there was no suggestion that Mr Trump intends to take any kind of a stand here either. Russian interference in US elections – which has recently led to 12 Russians being charged – remains a very awkward obstacle. But not because of Mr Trump, who manifestly does not treat the issue seriously. Mr Putin returns to Moscow under less pressure than ever on all the difficult issues.


If Mr Putin is the big winner, Theresa May is one of the losers. The Salisbury novichok attack counted for nothing in Helsinki. In the Commons on Monday Mrs May talked about Nato to MPs as though nothing has changed. Britain and the US were on the same side on burden-sharing. Mr Trump’s approaches at Nato and in Britain had been constructive. This is nonsense. Mrs May talks as if the alliance is unchanged when in fact everything is changing. If she is to avoid Britain and her government becoming collateral damage in Mr Trump’s dangerous demolition of the global order, she will need to wake up very fast.


Trump 'treasonous' after siding with Putin on election meddling

US president under fire after backing Kremlin at joint press conference with Russian leader

David Smith in Helsinki
 @smithinamerica
Mon 16 Jul 2018 18.43 BST First published on Mon 16 Jul 2018 17.27 BST

Donald Trump has been condemned as “treasonous” for siding with the Kremlin over his own government agencies after a stunning joint appearance with Vladimir Putin in which he seemingly accepted t
The Russian leader’s denial of election meddling.

At a joint press conference after one-on-one talks lasting more than two hours in the Finnish capital, the US president offered no criticism of Putin or the cyber-attacks that the US intelligence community says he coordinated to help Trump’s 2016 election campaign.

 “They said they think it’s Russia; I have President Putin, he just said it’s not Russia,” Trump told reporters. “I will say this: I don’t see any reason why it would be. I have great confidence in my intelligence people, but I will tell you that President Putin was extremely strong and powerful in his denial today.”

The comments set off a new firestorm in Washington and critics suggested it was a historically weak performance by a US president against a foreign adversary. It also fuelled the intrigue of why Trump’s refusal to speak ill of Putin remains one of the few constants of his White House tenure.

Asked directly if he took Putin’s word over his own law enforcement and intelligence agencies, Trump veered off in a rambling attempt to change the subject, raising the Democratic National Committee’s server and Hillary Clinton’s missing emails – a move seen by critics as a crude attempt to deflect and distract.

 “Where are those servers?” Trump demanded. “Where are Hillary Clinton’s emails?”

And bridling at the suggestion that his election victory might be discredited, Trump added: “I beat Hillary Clinton easily ... We won that race. And it’s a shame that there can even be a little bit of a cloud over it ... We ran a brilliant campaign and that’s why I’m president.”

There was swift condemnation from some of Trump’s opponents in Washington. John Brennan, a former director of the CIA, tweeted: “Donald Trump’s press conference performance in Helsinki rises to & exceeds the threshold of ‘high crimes & misdemeanors.’ It was nothing short of treasonous. Not only were Trump’s comments imbecilic, he is wholly in the pocket of Putin.”

John McCain, chairman of the Senate armed services committee and a former Republican presidential nominee, said: “Today’s press conference in Helsinki was one of the most disgraceful performances by an American president in memory. The damage inflicted by President Trump’s naivety, egotism, false equivalence, and sympathy for autocrats is difficult to calculate. But it is clear that the summit in Helsinki was a tragic mistake.”

There was even a rebuke from the most senior elected Republican, House Speaker Paul Ryan, who said both the US intelligence community and the House intelligence committee concluded that Russia interfered in the election.

 “The president must appreciate that Russia is not our ally. There is no moral equivalence between the United States and Russia, which remains hostile to our most basic values and ideals,” he said. “The United States must be focused on holding Russia accountable and putting an end to its vile attacks on democracy.”

Chuck Schumer, the Democratic minority leader in the Senate, said: “In the entire history of our country, Americans have never seen a president of the United States support an American adversary the way President Trump has supported President Putin.

“For the president of the United States to side with President Putin against American law enforcement, American defence officials, and American intelligence agencies is thoughtless, dangerous, and weak. The president is putting himself over our country.”

And Jeff Flake, a Republican senator from Arizona, tweeted: “I never thought I would see the day when our American President would stand on the stage with the Russian President and place blame on the United States for Russian aggression. This is shameful.”

For his part, Putin acknowledged that he had wanted Trump to win the 2016 election but reiterated his denial of meddling. Speaking through an interpreter, he said: “We should be guided by facts. Can you name a single fact that would definitively prove collusion? This is utter nonsense. Just like the president recently mentioned.”

In the wake of last week’s indictment of 12 Russian military officers for hacking and leaking Democratic emails, Putin offered to allow the special counsel Robert Mueller’s team to visit Russia and witness the accused being interrogated – but only if the US made a reciprocal arrangement that would allow Russian agents to operate in the US.

The 45-minute news conference followed a dialogue between Trump and Putin, with only interpreters present, at the Finnish presidential palace, followed by a working lunch – the first such event between a US and Russian president since 2010.

Journalists gathered in a baroque ballroom decorated with columns, golf leaf and crystal chandeliers and, behind the podium, five American and five Russian flags. Before the press conference started, a man, said to be holding a sign protesting against nuclear weapons, was bundled out of the room by three security guards.

The two leaders were an unlikely match at the podium. Trump, bigger and taller, had held political office for just 18 months; Putin has been at the top of government for 18 years.

Trump shook his counterpart’s hand and whispered, “Thank you very much”, before congratulating him on the successful hosting of the World Cup. Eager to take credit, he claimed: “Our relationship has never been worse than it is now. However, that changed as of about four hours ago.”

Later, questioned why relations had deteriorated so badly, he said: “I hold both countries responsible. I think the United States has been foolish ... I think we’ve all been foolish. We’re all to blame. We should have had this dialogue a long time ago ... We have both made some mistakes. I think the probe is a disaster for our country.”

The comments prompted consternation in Washington. Republican senator Ben Sasse of Nebraska said: “This is bizarre and flat-out wrong. The United States is not to blame. America wants a good relationship with the Russian people but Vladimir Putin and his thugs are responsible for Soviet-style aggression. When the President plays these moral equivalence games, he gives Putin a propaganda win he desperately needs.”

There was some relief for western diplomats in that the press conference offered few clues as to whether Trump had made major concessions that would undermine Nato or Ukrainian sovereignty. Asked about Crimea, Putin said Trump “continues to maintain that it was illegal to annex it. Our viewpoint is different.”

The Russian leader was also asked about claims that he holds compromising material on Trump; there have long been rumours of a video tape in which Trump was caught in a Russian hotel with sex workers. He quipped: “I was an intelligence officer and I know how dossiers are made up.”

Putin added: “Now to the compromising material, I did hear this rumour. When Trump visited Moscow back then, I didn’t even know he was in Moscow.”

Trump interjected: “If they had it, it would have been out long ago.”

But once again Trump seemed utterly resistant to saying anything negative about the Russian president. Having branded the European Union a “foe” over the weekend, he said of Putin: “I called him a competitor, and a good competitor he is. The word competitor is a compliment.”

Putin, basking in the afterglow of Russia’s hosting of the World Cup, presented Trump with a football and said: “Now the ball is in your court.” Trump, smiling, replied: “That will go to my son Barron, no question.” He threw it to his wife, Melania, sitting on the front row along with secretary of state, Mike Pompeo, and other senior officials.

Lindsey Graham, a Republican senator from South Carolina, tweeted: “ ... if it were me, I’d check the soccer ball for listening devices and never allow it in the White House.”

Trump shows he trusts an ex-KGB agent more than US intelligence


New line on Russia opens up an unprecedented chasm between London and Washington

Patrick Wintour Diplomatic editor
Mon 16 Jul 2018 19.16 BST Last modified on Tue 17 Jul 2018 00.13 BST

Trump and Putin in Helsinki. The US president made repeated references to the start of a new era.

For those hoping the US president would refrain from making unwarranted concessions to Vladimir Putin, the omens were not good. Before his departure for Europe, Trump predicted the Putin conversation was likely to be easier than his discussions with his Nato allies and Theresa May.

He tweeted hours before the meeting that relations between the US and Russia were so poor because of American foolishness and stupidity, thus exonerating Putin for much of his behaviour in the past decade. In so doing Trump went into the Helsinki conference chamber not quite naked, but at least pleading guilty on his country’s behalf.

In the opening exchanges of the meeting, prior to the ushering out of the photographers, Trump declared the world wanted to see Russia and the US get along. Listing the issues he predicted he would discuss, Trump omitted from his chosen agenda any challenging subject such as Ukraine, or the evidence that Russian intelligence agencies interfered in the 2016 US presidential elections.

From the very first minute of their 45-minute press conference, Trump deferred to Putin, allowing him to make the opening lengthy statement setting out the parameters of what had been discussed and what had been agreed – in essence a new era of intelligence, military, political and business cooperation that unravels the second cold war caused by Russia’s intervention in Ukraine in 2014.

In some specific areas – future economic sanctions against Russia, the ending of the war in Syria, including the future role of Iran, the recognition of Russia’s annexation of Crimea, and the role of Nato troops in the Baltics – there was little detail. But Trump accepted the Syrian civil war was at an end, as long as Israel’s interests were respected.

But Trump’s repeated references to the start of a new era made it clear that the US president wants these frozen conflicts to be defrosted, and in many cases, responsibility for their existence lies with America, not Russia. The two sides’ bureaucracies will now be set in motion, probably starting with talks on arms control. It may well be that the US state department proves less supine than the president.

Perhaps the most striking aspect of Trump’s European tour was how much the tone of near-docile respect to Putin, and to Russia, stood in stark contrast to the insults he dished out over the previous six days to the EU, his declared foe, and to Nato, May and Angela Merkel.

Trump’s performance in Helsinki was a second wounding blow to May in less than a week. The UK has been the most forward of European powers in its criticisms of Russia. But Trump made no reference to the British intelligence assessment that Russia was responsible for a nerve agent attack in Wiltshire that resulted in the death of a British citizen last week.

This new approach to Russia opens an unprecedented chasm in judgment between London and Washington about how to handle the country that has been the west’s premier adversary since 1945.

The US-UK relationship is based on intelligence cooperation and a common loyalty born of history, but Britain now has to absorb the fact that the US president is willing to trust the word of a former KGB agent ahead of the consensus of his own intelligence community. The killer quote that will send a chill through western intelligence agencies runs as follows: “I have President Putin, he just said it’s not Russia. I don’t see any reason why it would be.”

Once it was thought the Trump doctrine was no enemies, no allies, just permanent destabilisation. After the last six days, it is possible even that Hobbesian assessment is wrong. Trump, for whatever contorted reason, does have an ally, but that ally does not reside in western Europe

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Carnide, um bairro pacato onde ainda há muitas promessas antigas por cumprir



Carnide, um bairro pacato onde ainda há muitas promessas antigas por cumprir

Sofia Cristino
Texto
16 Julho, 2018
https://ocorvo.pt/carnide-um-bairro-pacato-onde-ainda-ha-muitas-promessas-antigas-por-cumprir/

Carnide está a mudar, mas ainda é uma freguesia de contrastes vincados e com promessas de décadas por cumprir. Os condomínios fechados, procurados por jovens casais, convivem com o Bairro Padre Cruz e o Bairro da Horta Nova, onde ainda há quem se sinta marginalizado e reclame por mais policiamento e lares de terceira idade. No centro histórico, há uma rua sem saneamento básico e estradas esburacadas, onde caem idosos. A freguesia já ganhou, porém, 12 orçamentos participativos da Câmara Municipal de Lisboa (CML), nos quais está contemplada a reabilitação do espaço público. As obras demoram, contudo, em avançar, o que leva o presidente da Junta de Freguesia de Carnide a dizer que a freguesia não é prioridade do município. “Carnide é deixada para segundo plano por estarmos na zona norte de Lisboa e pela nossa cor política”, afirma o autarca eleito pelo PCP. Apesar do descontentamento sentido por alguns moradores, todos os que lá vivem ou estão de passagem elogiam a serenidade do bairro. “Quando entramos, parece que estamos numa vila alentejana”, diz um visitante.

 “Carnide é uma aldeiazinha em plena capital. Quem vem morar para aqui já não quer sair”, diz Margarida Almeida, 38 anos, enquanto observa o filho a andar de bicicleta à volta do Largo do Coreto, no centro histórico da freguesia. Tal como outros jovens, mudou-se há quatro anos para Carnide, quando os preços das habitações eram mais acessíveis. Hoje, a casa vale o dobro do valor porque a comprou e há mais veículos a circularem no bairro. “Só retirava o trânsito e colocava parques de estacionamento, há carros a mais”, repara. A moradora elogia, porém, a “calma e a segurança” de Carnide, características que se mantêm, e os “bons acessos rodoviários” que lhe permitem chegar em dez minutos ao local de trabalho, em Miraflores. Luísa Rodrigues, 86 anos, sentada numa cadeira à porta de casa, cumprimenta Margarida e vai enumerando os prédios que dali se avistam. “Sei quem morou em cada um deles”, conta. Nasceu ali, na Rua da Fonte, e sente falta de “quase tudo”. “Qualquer coisa que precisemos temos de ir a um hipermercado e nem todos têm mobilidade. A parte boa é que, ao final da tarde, é uma paz”, diz, soltando um suspiro profundo.

Ao final da tarde, enquanto alguns casais passeiam com os filhos, vai-se vendo mais gente a regressar do trabalho e jovens reunidos em esplanadas. Alguns esperam pela hora das aulas de representação, numa freguesia onde há três teatros, oito salas de espectáculos e 23 associações culturais. “Quando entramos aqui, parece que estamos numa vila alentejana, gosto muito do contraste com o resto da cidade”, diz António Dias, 20 anos, actor amador no Teatro de Carnide. Sentado num banco a ouvir música, enquanto espera pelos colegas para o ensaio, vai falando do que escapa à vista de quem apenas está ali de passagem. “Carnide tem uma densidade cultural acima da média e poucos têm essa percepção. O Teatro de Carnide é um espaço muito dinâmico. Às vezes, temos de esperar que termine uma aula de dança para termos uma sala onde ensaiar. Há muitos workshops e actividades a decorrer”, vai contando o também estudante em Engenharia Informática, quando é interpelado por um amigo para “petiscar qualquer coisa” num dos oito restaurantes do Largo do Coreto.

Nesta zona histórica de Carnide, não faltam espaços de restauração a preços convidativos, responsáveis pela vinda de mais pessoas ao bairro. “Não moro aqui, mas, durante muitos anos, vinha de propósito jantar à Adega das Gravatas”, diz João Carvalho, referindo-se a um restaurante emblemático da freguesia. É à hora de almoço, porém, que estes estabelecimentos enchem, sendo difícil chegar à fala com os funcionários, tal é a azáfama. No restaurante Barbosa, todos tratam o proprietário pelo nome e os constantes convites a mais um brinde revelam que já se conhecem há mais tempo. Por volta das 15h00, aquela rua volta a esmorecer. “No dia em que os restaurantes fecharem, a freguesia morre”, diz Cláudia Ribeiro, 38 anos, funcionária da Papelaria de Carnide, junto ao restaurante. Michele Gonçalves, 25 anos, moradora há um ano e funcionária da histórica Panificadora de Carnide, critica o desinvestimento no comércio local. “Está muito morto, as pessoas não abrem nada aqui porque sabem que não vai rentabilizar”, comenta, enquanto prepara sacos de pão.

 Joana Fernandes, 62 anos, florista há 42 anos junto ao condomínio de prédios Solar da Luz, está preocupada com o futuro da freguesia onde passou grande parte da sua vida. “Isto é um dormitório para os casais mais jovens. Nunca abriu nada novo aqui, sobrevivemos com dificuldades. Quando não há dinheiro na caixa de multibanco, a única que temos, é uma tragédia”, conta. Um pouco mais à frente, Sónia Almeida, 40 anos, funcionária do café Pimenta Doce, também está apreensiva. “A população está muito envelhecida, é preciso fazerem algo que obrigue as pessoas a virem a Carnide”, propõe.

Caminhando pela Rua da Fonte em direcção ao Jardim da Luz, a Barbearia de Carnide destaca-se no meio dos prédios antigos. Lá dentro, o antigo eléctrico 13, que ligava Carnide aos Restauradores, grafitado na parede, é apenas uma amostra dos vários trabalhos de arte urbana visíveis por vários bairros da freguesia. “O autor do graffiti é Diogo Camilo, cresceu aqui”, diz prontamente Nuno Horta, 30 anos, barbeiro há seis anos em Carnide, sem esconder o orgulho pelo talento do grafiter. Apesar de não lhe faltarem clientes, não está satisfeito com o rumo de Carnide. “Esta rua já teve muito movimento, agora não tem nada. Há mais jovens a virem cá dormir do que a fazer vida. Devia haver mais incentivos a fixar os comerciantes, ao sábado estou cá sozinho”, lamenta.  O barbeiro, também morador, critica ainda a falta de espaços para os jovens conviverem, o preço das habitações e o encerramento do Carnide Clube, alvo de uma acção de despejo. “Aqui não passa o rio Tejo, não faz sentido esta inflação. As rendas dos espaços comerciais são caríssimas”, diz.

Durante a tarde, vêem-se poucas pessoas na rua, apenas alguns reformados a jogarem cartas ou a comentarem as notícias do dia. “Isto é pequeno, mas tem tudo o que precisamos, Carnide é rica”, diz José Soares, 70 anos, enquanto lê o jornal no Jardim da Luz. João Freitas, 71 anos, está no Largo das Pimenteiras a tomar café. O morador, a viver na freguesia há 40 anos, critica apenas a quantidade de casas abandonadas ainda existentes. “Sei que algumas já foram compradas e estão há espera de obras. Era importante que a parte velha fosse renovada, preservando sempre a nossa história”, repara, para logo de seguida elogiar o que de melhor tem sido feito. “Há muitas actividades para crianças e idosos e Carnide é a única junta de freguesia de Lisboa que cede instalações para a prática de desportos sem cobrar nada. Está mais próxima dos cidadãos e mais integrada na cidade”, conta.

 Na Azinhaga das Carmelitas e na Travessa do Pregoeiro, placas colocadas pelo Núcleo Associativo dos Moradores e Amigos do Centro Histórico de Carnide denunciam que ali há problemas de outra índole. “Esta rua tem obras de melhoramento previstas em O.P, tem parquímetros, mas…não tem passeios!”, lê-se. Estes arruamentos já deveriam ter sido requalificados com verbas do Orçamento Participativo (OP) de 2014 da Câmara Municipal de Lisboa (CML), mas até agora nada foi feito. A freguesia é conhecida por um grande envolvimento da população, tendo já ganho dez projectos no âmbito do Orçamento Participativo. Mas as obras de melhoria do espaço público tardam em avançar.

Dulce Praça, 60 anos, dona de uma mercearia na Travessa do Pregoeiro há 12 anos, diz sentir-se cansada de “lutar em vão” e de ser “uma resistente”. Além da falta de investimento no comércio local, queixa-se ainda do estado do pavimento, “todo esburacado”. “Isto está ainda pior do que quando vim para cá. Supostamente, iam requalificar a Calçada das Carmelitas, mas está tudo parado. Há idosos a caírem ao chão e a aparecer com fracturas”, informa. Uns metros à frente, António Correia, 74 anos, está a substituir o filho, proprietário da mercearia Dom Pingas de Carnide, que se ausentou para ir comprar produtos frescos. Lamenta a falta de atenção dada aos comerciantes e queixa-se da Câmara de Lisboa “desprezar” a freguesia. “O comércio local resume-se à restauração. As pessoas falam, mas não são ouvidas”, desabafa. Entre os projectos exigidos pelos moradores está ainda um parque de estacionamento da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) com 274 lugares.

“Embora chamem pomposamente a esta parte ‘centro histórico de Carnide’, está completamente abandonada. Não sei se é por ser a única Junta de Freguesia liderada pelo Partido Comunista Português (PCP) que a Câmara de Lisboa nos desprezou”, acusa. A viver na Azinhaga das Ferreiras há 55 anos, António Correia alerta ainda para a falta de saneamento público em algumas ruas. “Da Azinhaga para cima é uma vergonha, parece que estamos num país do terceiro mundo. Há uma rua na Azinhaga do Serrado onde as fezes ainda vão para uma fossa, mas estas pessoas pagam na factura da água a taxa do saneamento”, diz, indignado.

A sexta maior freguesia de Lisboa, terra de antigas quintas e azinhagas, tem tentado acompanhar o ritmo de crescimento da cidade, com a construção de condomínios fechados, como a Quinta das Camareiras ou a Quinta da Luz. Este desenvolvimento acelerado não tem sido feito, contudo, de uma forma uniforme. No Bairro da Horta Nova, os moradores queixam-se de não serem uma prioridade da Câmara de Lisboa. “O nosso bairro é sempre deixado para último. Quando entramos no Largo da Luz, está tudo arranjado, é lindo. Aqui cheira a podre, está tudo sujo. Começaram a construir as hortas urbanas e, agora, estão totalmente abandonadas”, diz Nuno Barros, 38 anos. “Não foram só as hortas que ficaram a meio”, interrompe Elsa Andrade, 55 anos. “Começaram a pintar os prédios, mas não concluíram. Pagamos muito na factura da água e não temos higiene nenhuma”, acusa.

Anunciação Lopes, 63 anos, está mais preocupada com a falta de civismo de alguns moradores.  “Esta noite ninguém dormiu. Alguns moradores destroem tudo e, se a polícia diz alguma coisa, viram-se contra eles. Continua a existir tráfego de droga e assaltos, deviam sensibilizar as pessoas para serem mais civilizadas. Sempre que se fala do nosso bairro, nunca se fala de nada de positivo”, lamenta. “Há poucos serviços públicos, é preciso melhorar muita coisa, Carnide está a precisar de um abanão”, acrescenta Jani Silva, 23 anos, também moradora. Enquanto os habitantes da Horta Nova dizem sentir-se esquecidos, no Bairro Padre Cruz o sentimento predominante é o de reconhecimento por um trabalho desenvolvido ao longo de décadas e que começa a dar frutos.

O bairro de alvenaria, criado para receber população de outros bairros precários, tem hoje uma cara mais lavada, com prédios novos e outros em construção, uma biblioteca e o Centro Cultural de Carnide. “Durante muitos anos, esteve tudo parado, mas tem vindo a evoluir muito. Tudo o que se vê aqui surgiu há 27 anos, criaram-se 4 mil fogos. Só precisava de mais policiamento, às vezes estão só dois ou três polícias na esquadra”, diz Joaquim Matos, 59 anos, dono do Café do Quim há 42 anos. David Silva, 33 anos, elogia a requalificação dos espaços verdes, a construção de um parque infantil, do campo de futebol e da Biblioteca Municipal Natália Correia. “Há pessoas que não podem comprar o jornal e vão lê-lo à biblioteca”, diz. Quem mora lá desde o início, tem uma visão mais optimista. “Como já vivi o pior, gosto de tudo. Até à Serra da Luz está tudo igual, depois é tudo novo”, comenta Lurdes Janeiro, 79 anos, de sorriso nos lábios, enquanto apanha um autocarro para o centro da cidade.

 Belmira Monteiro, moradora há 25 anos, proprietária de um café no bairro, tem mais críticas a fazer. “Deixamos de estar em barracas para vivermos em prédios, mas ainda nos falta qualidade de vida. Precisamos de mais policiamento e de um lar de terceira idade. Há muitas pessoas a viverem sozinhas e acamadas, que depois aparecem mortas”, diz. A passar roupa a ferro na engomadoria social do Bairro Padre Cruz, Teresa Guerra, 56 anos, também alerta para a importância da construção de um lar de idosos e critica o encerramento da cantina social. “Estamos a falar de um bairro com muitas necessidades, precisamos de mais apoio”, reforça. Há, ainda, quem aguarda por uma casa nova desde 2001. “Estas telhas já não são permitidas por lei. Isto é pior que as barracas, está cheio de ratos, já deviam ter ido ao chão”, diz Eugénio Plácido, 50 anos, referindo-se às casas com telhados de lusalite, visíveis nos arruamentos mais estreitos.

O presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa (PCP), em declarações a O Corvo, diz que a requalificação do centro histórico de Carnide é a principal prioridade da autarquia, neste momento, mas “a falta de acção” da Câmara de Lisboa não tem ajudado à sua concretização. “A nossa freguesia tem uma particularidade que mais nenhuma tem, a grande participação das pessoas. Este envolvimento acaba, contudo, por ser descredibilizado.  Estamos há quatro anos à espera que a câmara avance com as obras. Não são intervenções profundas, não faz qualquer sentido não haver perspectiva de data para começarem”, diz, referindo-se à reabilitação do espaço público da zona histórica, um dos projectos vencedores do Orçamento Participativo de 2014.

 Questionada por O Corvo sobre a data prevista para o início da recuperação da Azinhaga das Carmelitas, a Câmara de Lisboa diz que o projecto de requalificação será desenvolvido em paralelo com outro vencedor do orçamento participativo, “Uma Rua Para Todos”, através do qual se prevê a reabilitação do centro histórico, dada “a ligação física e funcional das duas intervenções”. “Os dois projectos vão ser englobados numa intervenção global ao nível do espaço público, orçada em cerca de 1,2 milhões de euros. O projecto de execução já está concluído e vai ser lançado concurso com maior brevidade possível”, anuncia.

 A segunda fase das obras de requalificação do Bairro da Horta Nova, inseridas no âmbito do programa “Aqui há mais bairro”, um investimento de 2,2 milhões de euros, vai avançar este ano. “O estaleiro da obra, com prazo de execução de doze meses, já foi montado esta semana. Na primeira fase da operação, que consistiu na reabilitação de seis prédios, os aspectos relacionados com as características cromáticas e de acabamentos exteriores foram submetidos a consulta junto da comunidade residente no bairro. Esta consulta resultou em alterações que foram implementadas ainda em fase de obra e determinaram um compasso de espera na segunda fase para as necessárias adaptações ao caderno de encargos”, explica.

 Confrontada ainda com as queixas da Junta de Freguesia de Carnide, que diz sentir-se deixada para segundo plano, a Câmara de Lisboa diz que “não há juntas de freguesia de primeira e de segunda”. “Todas são tratadas de igual maneira, independentemente da cor partidária que assume a sua presidência. Prova disso mesmo é que um dos principais investimentos da CML, que se calcula ir gerar quase 1000 postos de trabalho e dar origem a um parque verde com 17 hectares, é a Feira Popular, em terrenos da freguesia de Carnide”, explica.

domingo, 15 de julho de 2018

Suspense no alojamento local



Suspense no alojamento local
15.07.2018 às 22h00
http://expresso.sapo.pt/…/2018-07-15-Suspense-no-alojamento…

Partidos tinham as propostas finais prontas, mas a votação das novas regras foi adiada para 18 de julho. Saiba o que está em causa

CONCEIÇÃO ANTUNES

1 Porque foi adiada a votação do diploma?

A votação indiciária no Parlamento para a revisão do regime jurídico do alojamento local estava agendada para 12 de julho, um dia depois de terminar o prazo para os partidos apresentarem as propostas finais aos projetos de lei que estavam em apreciação (o que foi feito pelo PS, PSD, CDS-PP e PAN). O grupo de trabalho do alojamento local tinha este processo agendado para as 17h30 de quinta-feira, mas devido ao prolongar do plenário que terminou por volta das 19 horas ficou decidido que seria eliminada a votação indiciária, passando-se diretamente para a votação final na comissão parlamentar de Ambiente a 18 de julho, tal como já estava previsto — e neste sentido não houve propriamente um adiamento, antes o eliminar de uma etapa.

2 Os partidos querem criar quotas para o alojamento local?

É o teor geral das propostas que estão à mesa, mas numa ótica de criar limites em zonas urbanas de maior sobrecarga, como é o caso de Lisboa e do Porto. O PSD apresentou na quarta-feira uma proposta para “aperfeiçoar” o regime no sentido de as câmaras municipais poderem estabelecer limites a novos registos em áreas onde já existam “20% ou mais de estabelecimentos”. A proposta final do PS abre aos municípios a possibilidade de criarem “zonas de contenção devidamente delimitadas, onde seja definido um número máximo de estabelecimentos de alojamento local, considerando o equilíbrio com a habitação permanente”. E estabelece que cada proprietário não pode explorar mais de sete alojamentos locais.

3 Que papel caberá aos condomínios?

A autorização prévia dos condomínios foi a ‘lebre’ levantada pelo PS e que levou o tema do alojamento local ao Parlamento — posição que caiu depois de muita polémica e de dezenas audições. A proposta final do partido permite aos condomínios que se oponham ao alojamento local “por decisão de mais de metade da permilagem do edifício, em deliberação fundamentada decorrente da prática reiterada e comprovada por contraordenações de atos que perturbem a normal utilização do prédio”, mas a decisão do seu eventual fecho caberá à câmara. E prevê que os condomínios possam elevar em 30% a quota anual dos proprietários de alojamento local, face a despesas com o uso acrescido das partes comuns.

4 Camas privadas ou hostels, qual será a distinção?

Duas novas modalidades de alojamento local — quartos e hostel — são avançadas na proposta final do PS, implicando no primeiro caso que esta atividade “seja feita na residência de quem explora” e num limite até três quartos. Para os hostels, propõe-se uma alteração que os visa separar de estabelecimentos só com quartos privados “que não revelam sobrecarga habitacional e no fundo são herdeiros das antigas pensões”. No caso dos novos hostels que ocupem uma parte de um edifício de habitação, “para o seu registo necessitarão de uma autorização expressa do condomínio”.

Who Is America? (2018) | First Look | Sacha Baron Cohen SHOWTIME Series



WHO IS AMERICA? is a half-hour series from comedian Sacha Baron Cohen, in his return to series television for the first time in more than a decade in the genre he created first in Da Ali G Show. In the works over the past year, WHO IS AMERICA? explores the diverse individuals who populate our unique nation, and features Baron Cohen experimenting in the playground of 2018 America. The seven-episode series premieres Sunday, July 15 at 10 p.m. ET/PT, and is currently available on demand, only on SHOWTIME.

Um jardim-de-infância com armas? Sacha Baron Cohen convence congressistas

A série Who Is America? vai satirizar a vida política e cultural dos EUA. O primeiro episódio contou com a participação de congressistas e de um ex-líder republicano do Senado.

© Reuters
DN/Reuters
15 Julho 2018 — 23:46

Who Is America? (Quem é a América?) é a nova série do humorista britânico Sacha Baron Cohen, que se propõe em sete episódios interpretar quatro personagens diferentes cujo objetivo é satirizar a vida política e cultural dos Estados Unidos da América na era Donald Trump.

No primeiro episódio de Who Is America?, que foi para o ar neste domingo no canal a cabo Showtime, o comediante apresentou-se como um especialista em terrorismo israelita e levou dois congressistas dos Estados Unidos a apoiarem um projeto fictício de jardins infantis para crianças até três anos.

A ideia inclui um falso vídeo de instrução com músicas infantis e gunimals - armas adornadas com brinquedos macios - que supostamente ajudarão as crianças a enfrentar os tiroteios nas escolas, um problema tão presente na comunidade americana.

Os congressistas republicanos Dana Rohrabacher, da Califórnia, e Joe Wilson, da Carolina do Sul, juntamente com o ex-líder republicano do Senado Trent Lott, lobista de um escritório de advocacia de Washington, mostram apoiar o projeto, ao lado do defensor dos direitos das armas, ex-congressista e locutor de rádio Joe Walsh.

Quando o episódio foi para o ar, ninguém sabia qual seria a reação. A Showtime e Sacha Baron Cohen recusaram-se a comentar o programa. Rohrabacher, Wilson e Lott também não deram resposta aos pedidos de reação.

Walsh foi o único que aceitou proferir um comentário sobre o formato. O ex-congressista de Illinois, disse à CNN que foi convidado por uma equipa de documentário para ler as falas de um teleponto que apresentava várias supostas inovações israelitas, incluindo a ideia de armar crianças de 4 anos para se defenderem contra terroristas.

"Eu provavelmente vou rir de mim mesmo" quando o episódio for para o ar, disse, acrescentando que é fã de Baron Cohen. "Ele é muito engraçado porque faz com que as pessoas digam coisas estúpidas."

O programa marca o primeiro projeto televisivo de Baron Cohen uma década depois de lançar a carreira cómica como o subversivo rapper inglês branco Ali G., cujos entrevistados incluíram Donald Trump e Newt Gingrich. O falso documentário que produziu em 2006, Borat, ridicularizou o Cazaquistão e os americanos suburbanos.

Em Who Is America?​​​​​​​, Baron Cohen também faz mira aos meios de comunicação ao fazer-se passar por um repórter de rádio liberal numa turnê pós-2016, e por um homem com deficiência que circula com a ajuda de uma mota que se propõe investigar notícias falsas.

No primeiro episódio, a personagem de jornalista de rádio de Baron Cohen aparece a jantar na casa de dois partidários de Trump na Carolina do Sul, a quem entusiasma com histórias sinistras da suposta família.