segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Eléctrico 28 está cada vez mais cheio de turistas e, por isso, os moradores lamentam não conseguirem viajar / Em Outubro, carros mal parados travaram a Carris por 86 horas



Eléctrico 28 está cada vez mais cheio de turistas e, por isso, os moradores lamentam não conseguirem viajar
Sofia Cristino
Texto
19 Novembro, 2018

Cada vez mais turistas procuram o eléctrico 28 para conhecerem Lisboa. Quem utiliza o transporte público diariamente queixa-se da sobrelotação da carreira e de não conseguir entrar na carruagem. Um grupo de moradores da Baixa e do Castelo lançou, por isso, no Verão passado, uma petição, que deu agora entrada na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), a exigir a tomada de medidas urgentes para que o eléctrico 28 não seja tomado em exclusivo pelos visitantes. Alheios aos problemas diários dos habitantes, os turistas dizem recordar a infância e sentirem-se numa montanha-russa ao viajarem no veículo. Nesta descoberta da capital portuguesa, feita por sinuosos caminhos, muitos ficam fascinados pelo classicismo do eléctrico e sentem-se “num filme do século XX”. O Corvo entrou num dos ícones da cidade para perceber os desafios de um percurso partilhado, todos os dias, entre cada vez menos moradores e mais visitantes estrangeiros.

Ao final de um dia de semana, um grupo de turistas chega à Praça Martim Moniz, numa das últimas viagens do eléctrico 28 daquela tarde. Rita Melnar, 57 anos, vem cabisbaixa. “Não gostei nada, foi desconfortável. Estava cheio de turistas. É pena, é um transporte autêntico”, lamenta a turista húngara, depois de andar pela primeira vez num dos símbolos da cidade. O sentimento é partilhado pelos moradores do centro histórico de Lisboa que utilizam o meio de transporte público no seu quotidiano. “Chegam a passar por mim quatro ou cinco eléctricos cheios, e não consigo entrar. O eléctrico 28 já não é para os portugueses. O turismo é importante para a economia da cidade, mas Lisboa não tem estrutura para receber tanta gente”, critica João Louro, 65 anos, sentado na paragem.

O habitante já sofreu diversos acidentes cardiovasculares e, por isso, não pode fazer longas distâncias a pé, tendo sempre de utilizar o eléctrico nas suas deslocações pela cidade. Mas nem sempre o consegue. “Tive uma situação caricata, em que o motorista disse que não arrancava se ninguém me desse lugar. Alguns turistas, miúdos mais novos, disseram que tinham pago muito pelo bilhete e tinham direito a ir sentados”, recorda. João Louro mora no Martim Moniz, mas já viveu na Graça, e alerta para as dificuldades de quem lá reside. “Alguns dos habitantes da Graça, mais idosos, não têm outro meio de transporte. O dia-a-dia deles é muito complicado”, diz.

Horas antes, ainda debaixo de sol intenso, alguns turistas esperavam ansiosos pela chegada do eléctrico 28. Transposta a porta de entrada, não conseguem esconder o deslumbramento ao observarem a estrutura antiga e bem conservada do veículo eléctrico. Assim que o guarda-freio põe a carreira em marcha, as reacções não demoram a surgir. Comenta-se o tecto em abóbada de madeira, as janelas semiabertas e os bancos em tons de vermelho gasto. Na subida até ao emblemático miradouro de Santa Luzia, cumprimentam os moradores dos bairros tradicionais, onde ainda se vê roupa estendida à janela, e elogiam o caminho serpenteado pelas colinas de Lisboa que o eléctrico ajuda a percorrer.

 “Gosto das subidas e descidas deste trajecto, tem-se uma perspectiva completamente diferente de Lisboa. Estou a ter uma experiência muito melhor de visita à cidade”, diz Lynda Whitty, 67 anos, natural de Melbourne, Austrália, enquanto prepara a máquina fotográfica para registar todos os momentos do itinerário que vai percorrendo. Lynda já tinha estado em Portugal há 25 anos, mas é a primeira vez que anda sobre carris na capital portuguesa. “Lisboa é maravilhosa, já estive em 60 países e Portugal é o meu preferido. Melbourne é uma cidade muito jovem, Lisboa tem muita história e o que gosto mais de ver é a construção antiga, é tão bonita”, suspira.

Durante a viagem, os idiomas misturam-se, ouvem-se gargalhadas e consultam-se os mapas da cidade, numa azáfama que nem sempre deixa perceber quantas línguas se fala ao mesmo tempo. Alguns dos passageiros planeiam os próximos dias de estadia na cidade, mas a maioria viaja completamente indiferente ao que se passa no interior do vagão, absorta pela passagem junto ao miradouro de Santa Luzia, à Sé de Lisboa, pela arquitectura das igrejas e a “simplicidade dos habitantes”. “Os portugueses são mais calmos, não apitam enquanto conduzem, nem se exaltam. São muito simpáticos, este país é um paraíso”, diz Françoise Thomas, 64 anos. Já esteve outras vezes em Lisboa, mas nas outras visitas à capital portuguesa não conseguiu viajar no eléctrico 28. Na tarde desta terça-feira, percorreu duas vezes o trajecto entre o Martim Moniz e o Cemitério dos Prazeres. “Faz-me lembrar a infância, é como andar numa montanha-russa, é tão divertido que decidi andar outra vez”, diz empolgada a turista francesa.

“Castelo de São Jorge! São Jorge Castle!”, avisa o guarda-freio, desconfiado pela permanência dos passageiros dentro da carruagem. Estamos no miradouro de Santa Luzia, a paragem mais próxima do Castelo, um dos monumentos mais visitados pelos estrangeiros. “Não queremos sair porque o que gostamos mesmo é da viagem, isto é uma aventura”, diz Françoise Thomas. O vagão começa a encher-se de visitantes que regressam do miradouro. Na entrada, empurram-se à procura de um lugar. Martina, 37 anos, e Michael, 40 anos, naturais da Polónia, entram ofegantes. “Estivemos a percorrer o centro histórico a pé, estamos exaustos, as subidas são muito ingremes”, diz Michael, no segundo dia de visita a Lisboa. Enquanto Michael descansa, Martina observa o eléctrico 28 sem conseguir esconder o fascínio. “Parece que estamos num filme do século XX, a construção é antiga e romântica”, comenta.

 Ao subir a Calçada da Estrela, um carro parado sobre os carris impede o eléctrico de prosseguir viagem. Ouvem-se buzinadelas e os passageiros, curiosos, espreitam pelas janelas para perceberem o que está a acontecer. Junto ao Cemitério dos Prazeres, a situação repete-se, para surpresa dos turistas, que comentam o insólito, entre risos. Um miúdo pendura também é alvo de comentários por parte de turistas alemães, surpreendidos com a infracção.  “Nunca tinha visto pessoas a viajarem à boleia do transporte”, comenta Renate, 51 anos, que aproveitou uma promoção de uma agência de viagens para passar três noites em Lisboa. “O que mais me agradou foram os preços, é muito barato visitar Portugal”, diz. Ao lado, Andrew Ashmer, 35 anos, de Toronto, Canadá, também elogia a capital, onde está pela primeira vez. “Estou a gostar muito, andar de eléctrico é como estar num parque de diversões, estou a adorar”, diz, entusiasmado.

 O encanto desvanece-se, contudo, ao longo do caminho, quando começam a entrar mais pessoas. E, muitas, lá de fora, nas paragens, abanam a cabeça em sinal de desaprovação por não conseguirem viajar no eléctrico. Para estas, há muito tempo que o transporte perdeu o fascínio. Quem utiliza a carreira todos os dias queixa-se de nem sempre conseguir arranjar lugar e, quando consegue, critica o desconforto da viagem. Preocupados com a falta de alternativas de transportes públicos para fazer o percurso, um grupo de moradores da Baixa e do Castelo lançou uma petição, no final do passado mês de Julho, a qual deu entrada na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) a 23 de Outubro.

O abaixo-assinado, que conta com 719 assinaturas, pede a tomada de medidas urgentes para que o eléctrico 28 não seja tomado em exclusivo pelos turistas. Os peticionário sugerem o aumento do número das unidades em circulação, a entrada ao serviço de mini-autocarros nas horas de ponta que, de forma alternada, possam complementar a oferta dos eléctricos, e o fim da possibilidade de se comprar bilhete a bordo – para diminuir o tempo dos percursos e evitar o incumprimento dos horários. Os moradores querem que haja lugar para todos, residentes e visitantes da cidade, de forma a tornar a viagem pelas colinas de Lisboa mais agradável. “O eléctrico 28 percorre um eixo para o qual não existem alternativas de transporte público. Não é apenas uma atracção turística: é um meio de transporte fundamental para inúmeras pessoas que residem, trabalham ou frequentam o ensino ao longo desse extenso eixo”, lê-se na subscrição.

 Os habitantes dizem que a experiência da viagem é “desconfortável, pouco fiável, demorada e insegura, quebrando o encanto e tornando a dependência desta linha num problema diário”. As condições da viagem chegam a ser “degradantes”, com “passageiros apertadíssimos, idosos sem alternativa de deslocação que viajam em condições de desconforto e crianças pequenas que não conseguem lugar sentado”. “Alcançar a porta de saída é tarefa olímpica e sair é um alívio”, lê-se. Na petição critica-se, ainda, os carros parados ou estacionados sobre os carris ao longo do percurso, e sugere-se a implementação de um “sistema de actuação rápida”, entre a Carris, Polícia Municipal, Polícia de Segurança Pública (PSP) e Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL), para resolver estas situações.

 O Corvo questionou a Carris sobre o que está a fazer para melhorar a qualidade da viagem do eléctrico 28, se entrarão novamente em circulação mini-autocarros e o que poderá fazer para resolver situações de carros mal estacionados, impedindo a circulação daquele transporte público. Até ao momento da publicação deste artigo, não obteve, porém, resposta.




 Em Outubro, carros mal parados travaram a Carris por 86 horas
Vereador da Mobilidade diz que é preciso "aumentar a dissuasão" de más práticas, por isso deu poder à Carris para fiscalizar trânsito e estacionamento.

João Pedro Pincha
JOÃO PEDRO PINCHA 17 de Novembro de 2018, 8:03

O vereador da Mobilidade de Lisboa diz que a Carris precisa das competências de fiscalização de trânsito para melhorar a qualidade do serviço. Um dia depois de a câmara municipal ter aprovado alterações aos estatutos da empresa rodoviária, que passa agora a poder controlar o cumprimento do Código da Estrada, Miguel Gaspar diz ao PÚBLICO que o objectivo é “aumentar a dissuasão” das más práticas, como o estacionamento indevido que não deixa passar eléctricos, ou o uso abusivo de faixas bus.

A mudança dos estatutos foi o primeiro passo da estratégia e “compete agora à empresa decidir os meios mais adequados” ao seu cumprimento, afirma Miguel Gaspar. “Isto abre um leque de possibilidades”, realça o eleito, dando um exemplo: “A Carris já teve uns Smart que fiscalizavam os corredores bus”.

Os vereadores da oposição, que votaram em bloco contra esta proposta, mostraram-se preocupados com o que dizem ser uma multiplicação de controlos (a Polícia Municipal e a EMEL já fiscalizam o trânsito) mas também com a forma como a Carris a vai pôr em prática. Passarão a existir equipas de fiscais em carros ou a bordo dos autocarros e eléctricos? Ou optará a empresa por instalar câmaras ou sensores que registem as matrículas dos infractores? A resposta a estas questões deverá chegar num futuro próximo.

O vereador da Mobilidade rejeita a crítica dos vereadores do CDS, PCP e PSD de que a fiscalização devia ser deixada para a polícia e para a EMEL. “Temos de ter uma gestão eficiente dos meios. A EMEL existe para fiscalizar estacionamento, a Polícia Municipal tem muitas outras competências. A Carris fará isto melhor e de forma mais eficiente”, acredita Miguel Gaspar.

Há cerca de um ano, a Carris, a EMEL e a Polícia Municipal passaram a ter equipas mistas que percorrem as ruas da cidade para detectar e resolver maus estacionamentos antes de o serviço de transportes públicos ser afectado. Isto tem tido algum sucesso mas, ainda assim, “em Outubro houve 137 ocorrências que resultaram em 86 horas perdidas”, diz o vereador.

Este é um registo pior do que, por exemplo, o de Janeiro, o último a que o PÚBLICO teve acesso. Nesse mês houve 117 ocorrências que fizeram parar eléctricos e autocarros durante 73 horas. Desde 2001, momento em que se atingiu o pico de horas perdidas (200), as perturbações passaram a oscilar entre as 100 e as 150 e as horas perdidas entre as 90 e 100.

tp.ocilbup@ahcnip.oaoj

Por detrás da “máscara” da indústria pecuária, esconde-se A Vaca que Não Ri / Alterações climáticas: ninguém repara nas vacas a pastar




Por detrás da “máscara” da indústria pecuária, esconde-se A Vaca que Não Ri
Rui Pedro Fonseca, sociólogo, escreveu um livro onde explica as poucas razões que as vacas exploradas e mortas pela indústria pecuária teriam para se rir — mesmo que conseguissem fazê-lo. Nele, expõe a "máscara" usada por um "sistema cruel": "As práticas de exploração têm de ser expostas."

RENATA MONTEIRO 19 de Novembro de 2018, 8:15

Há uma “vaca que ri” porque vive livre num prado verdejante, onde pode comunicar com o resto da manada, comer relva e produzir leite destinado à cria que prospera, na sua companhia. Mas fora da “utopia” dos anúncios publicitários da indústria pecuária — e dentro da realidade da linha de produção —, há milhões de vacas que não se riem porque vivem e morrem sempre “encarceradas”, longe da “luz solar e do ar fresco, sem espaço para se mexerem, sem conseguirem comunicar com o resto da manada; “doentes” e “com feridas expostas”;” vítimas de “violações reiteradas” e “ordenhas mecânicas” várias vezes ao dia; alvo de “pancadas e descargas eléctricas”, “mutilações” e “inseminações forçadas” que geram uma cria de quem é, muitas vezes, imediatamente separada.

Quando um bife nos chega ao prato, escreve Rui Pedro Fonseca, “todas estas práticas violentas foram omitidas". "Como poderemos, afinal, sentir empatia se não testemunhamos uma única parte do processo até que a vaca foi sujeita à morte e, posteriormente, fragmentada?” É esta “máscara” — usada como “defesa imprescindível” de um sistema que se esconde atrás de “representações idílicas” — que o sociólogo quer arrancar no livro A Vaca Que Não Ri – Animais, “Carne” e Leite Bovino na Cultura Dominante.

Não são “teorias da conspiração”, descarta o autor, logo nas primeiras páginas. O investigador de 39 anos garante que se fosse possível “aceder às práticas de maneio” dos animais criados para consumo, o consumo de produtos de origem animal “decairia de forma substancial”. A explicação é óbvia: “Se para a maior parte de nós o consumo destes animais é aceite como conveniente e prazeroso, cogitar sobre os respectivos processos de exploração pode constituir um processo penoso.” Dito de outra forma: pensar “na violência e na morte” inerentes à produção intensiva de milhões de milhões de seres sencientes levam a “sérios dilemas éticos”. E a um bife que, de repente, se torna bem menos apetitoso.

Será por isso que resistimos a uma “profunda reflexão ética” no momento em que escolhemos o que comer? O autor defende que o “mecanismo de fragmentar” o corpo do animal, a linguagem eufémica (“bife”, “bitoque”, “fêvera”), a falta de mediatização e escrutínio público das condições e dos processos de exploração animal e a própria localização das instalações intensivas, longe dos aglomerados urbanos, são aspectos chave para “que permaneçamos alheios e desligados emocionalmente face às cruéis práticas de exploração animal”.

O livro, lançado no início de Novembro, resulta de cinco anos de trabalho e do pós-doutoramento realizado no Centro de Investigação de Estudos em Sociologia, do Instituto Universitário de Lisboa. Nele, o sociólogo portuense — vegan há 16 anos e confesso activista pelos direitos dos animais — estudou O carnismo na Cultura mediática portuguesa, analisando os conteúdos dos três principais canais de televisão portugueses e de casos de estudo de anúncios publicitários bem conhecidos, protagonizados por “vacas felizes, bem tratadas e alimentadas”.

Ao “penetrar nas sombrias fendas da máscara”, o sociólogo põe a nu as questões éticas de reduzir um “ser vivo dotado de sensibilidade” a uma “coisa móvel” (termos usados na legislação portuguesa para descrever primeiro animais de companhia e depois animais de criação) e expõe os graves impactes ambientais de uma das indústrias mais poluentes do mundo, a gestão danosa dos recursos naturais (solo, água, energia, mau uso dos alimentos) e a “publicidade enganosa” cujo “objectivo é, tão-somente, suscitar a nossa adesão”.

Há 16 anos, vídeos gravados em matadouros e disponibilizados no YouTube por activistas “mudaram substancialmente a percepção” do investigador. Tal como acontece no maior parte dos casos, diz, decidir reflectir profundamente sobre um “sistema cruel” desencadeou “dilemas éticos” que abriram “o leque para novas opções e práticas alimentares diferenciadas das praticadas pela cultura dominante”.

Segundo dados da Happy Cow, há seis vezes mais restaurantes vegetarianos em Portugal do que havia há dez anos, sendo que um terço deles abriu portas entre 2016 e 2017. Na mesma década, o número de vegetarianos em Portugal terá quadruplicado, chegando às 120 mil pessoas. A maior parte delas terá entre 25 e 34 anos e será do sexo feminino, conclusões que não deixam Rui Pedro Fonseca espantado. “Os compromissos culturais em torno destes produtos são ainda muito fortes”, assegura, dizendo que existe um “consenso fabricado”. “A carne, principalmente, é um alimento muito simbólico. Está bastante enraizada com a ideia da masculinidade, de ter força física”, pelo que é "natural" que existam mais mulheres a abdicar dela.

Ainda, o consumo de leite e derivados, carne, ovos e peixe é visto pela grande maioria da população portuguesa “enquanto prática natural, normal e necessária”. E também por isso é que “a maior parte das pessoas que têm contacto com vegans ou vegetarianos usualmente tem um argumentário bastante padronizado. E também preconceitos.” Admite, ao P3: “Eu tinha os meus. Nomeadamente: a carne é o roteiro essencial para um homem, a carne tem a proteína por excelência, nós éramos caçadores, temos caninos descomunais.” Para isto, acrescenta, contribui também o uso da expressão “regime [vegetariano]”, que gera associações a outras palavras como “obrigatoriedade” ou “restrição”. “Há esta noção de que a comida vegetariana é muito restrita, quando na verdade é muito diversificada.”

Mas a discussão vai muito além do que cada um escolhe ao pegar no menu, acredita. “O pano de fundo da discussão deve ter como mote as repercussões de um consumo (totalmente desnecessário) de indivíduos cuja vontade de viver deverá ser mais valorizada relativamente à nossa vontade orientada pelo principio do prazer.”

Em último caso, comenta, é um paradoxo. Numa altura em que nos preocupamos cada vez mais com o bem-estar animal, “continuamos a comer animais, reproduzindo práticas (alimentares) que entram em conflito com os nossos valores”. Às “questões éticas”, acrescem “questões ambientais urgentes”. “Se nós queremos um futuro sustentável temos de fazer uma escolha. A agropecuária está a destruir o planeta e eu receio que o lobby seja realmente forte. Da nossa parte acho que, no mínimo, a redução é uma obrigatoriedade.”



Alterações climáticas: ninguém repara nas vacas a pastar
Estima-se que a produção de animais seja responsável pela emissão global de cerca de 14,5% dos gases poluentes de estufa, ao passo que todos os transportes no mundo são responsáveis por 13% dessa emissão global, comparativamente.

Nuno Alvim

Nuno Alvim é activista e presidente da Associação Vegetariana Portuguesa, um confesso idealista e também um nadinha realista.

31 de Julho de 2018, 11:52

Nunca antes foi tão urgente repensar o nosso modo de vivência neste planeta e a nossa relação com o ambiente, que é o nosso suporte de vida — o de todos os seres vivos e das gerações vindouras.

Torna-se assim cada vez mais pertinente descortinar quais as principais forças motrizes por detrás das alterações climáticas e adoptar uma abordagem pragmática e despolitizada, que faça efectivamente diferença. Será caso para dizer que, se a casa estiver a arder, não vamos fechar a torneira que deixamos aberta; vamos, sim, procurar apagar o incêndio.

O discurso das alterações climáticas tem sido dominado ao longo de décadas pelo problema do uso de combustíveis fósseis, cada vez mais visível, cada vez mais badalado, desde que Al Gore o popularizou no documentário Verdade Inconveniente. E, de facto, essa é uma problemática que tem de ser abordada. Construímos o nosso modelo civilizacional na base da suposição de que o petróleo duraria indefinidamente e numa altura em que não estávamos plenamente conscientes do impacto sistémico do seu uso, não só ecológico, mas também na saúde humana.

Em geral, a produção de qualquer alimento de origem vegetal tem uma pegada ecológica significativamente inferior à da produção de alimentos de origem animal.
E o que pode uma só pessoa fazer para combater este problema? Comprar um carro eléctrico, ou melhor, andar de bicicleta? Que outras soluções existem para além destas?

Num debate saturado com o tópico dos combustíveis fósseis, tem sido deixado de fora do espectro de discussão ambientalista um outro problema, o que porventura mais contribui para as alterações climáticas que enfrentamos, negligenciado na sua importância. Fala-se da indústria agropecuária, cujo impacto no ecossistema suplanta todas as outras. No entanto, parece que ninguém repara nas vacas a pastar. Estima-se que a produção de animais seja responsável pela emissão global de cerca de 14,5% dos gases poluentes de estufa, ao passo que todos os transportes no mundo são responsáveis por 13% dessa emissão global, comparativamente. Esta é a estimativa mais conservadora.

Em Portugal, a Quercus, reconhecida entidade ambientalista, constatou que a agricultura, inclusive a agropecuária, utiliza 80% dos recursos hídricos de Portugal. Estatísticas semelhantes encontram-se para outros países do mundo, onde a produção de animais em regime intensivo é uma das principais responsáveis pelo desgaste dos recursos hídricos e, no entanto, o nosso foco tem recaído essencialmente sobre os restantes 20%, uma percentagem marginal, em boa parte correspondendo ao uso doméstico.

Todavia, as campanhas de poupança de água e preservação dos recursos hídricos focam-se quase exclusivamente no uso doméstico, sem fazer qualquer referência ao impacto das nossas escolhas como consumidores. Se tivermos que esvaziar uma banheira cheia de água, não fará mais sentido tirarmos a tampa em vez de usarmos uma colher de chá?

Tal como sucede com o uso dos combustíveis fósseis, podemos, na nossa esfera individual, agir de forma relevante, com impacto político, introduzindo mudanças no nosso paradigma alimentar, começando pela redução do nosso consumo de carne e de outra proteína animal, privilegiando o consumo de legumes ou leguminosas. Sabemos que a produção de um único quilograma de carne de vaca, por exemplo, requer um dispêndio de cerca de 16.700 litros de água, ao passo que a produção de um quilograma de leguminosas como o feijão de soja requer apenas cerca de 2500 litros. Em geral, a produção de qualquer alimento de origem vegetal tem uma pegada ecológica significativamente inferior à da produção de alimentos de origem animal.

Munidos com esta informação, podemos tomar decisões simples enquanto consumidores, com consequências imediatas, que qualquer um de nós pode pôr em prática. Podemos ser agentes de mudança, através dos nossos pratos.

Theresa May seeks business support for Brexit plan / May entre a pressão para renegociar Brexit e a revolta nos Tories / May não cede à pressão dos conservadores que a querem ver pelas costas



Theresa May seeks business support for Brexit plan

Theresa May is set to renew her efforts to sell her draft Brexit withdrawal agreement - saying it will stop EU migrants "jumping the queue".

She will say migration will become skills-based, with Europeans no longer prioritised over "engineers from Sydney or software developers from Delhi".

The prime minister will also insist to business leaders that her withdrawal deal has been "agreed in full".

It comes as some Tory MPs continue to press for late changes to the deal.

Ministers from the remaining 27 EU countries are meeting in Brussels ahead of the deal being finalised on Sunday.

They are working on the political declaration setting out their future relationship with the UK.

There has been widespread criticism of the draft 585-page withdrawal agreement - setting out what the UK and EU's future relationship could look like - which is set to be signed off at a summit this weekend.

Two of the prime minister's cabinet ministers resigned over the proposed deal, while others are believed to be trying to change its wording.

Speculation continues over whether the number of Tory MPs submitting letters of no-confidence in Mrs May will reach the 48 required to trigger a confidence vote on her leadership.

What's the PM's next move?
Mrs May will join Labour leader Jeremy Corbyn in addressing the business lobby group the CBI at its annual conference in London.

She will tell them that her plan will provide a fair immigration system that will help young people in the UK get jobs and training.

She is expected to say: "It will no longer be the case that EU nationals, regardless of the skills or experience they have to offer, can jump the queue ahead of engineers from Sydney or software developers from Delhi.

"Instead of a system based on where a person is from, we will have one that is built around the talents and skills a person has to offer."

Analysis: Right audience, wrong message
She will also reiterate that she is not willing to reopen discussions with Brussels over the withdrawal agreement, saying "the core elements of that deal are already in place".

She is due to say that she expects to hammer out a framework for a future trade relationship in Brussels this week, before signing off the deal at a summit on Sunday.

CBI president John Allan is expected to call for MPs to back Mrs May's deal - despite it not being "perfect" - and warn of the consequences for businesses and the economy if the UK were to simply crash out of the EU.

Why are people unhappy with the deal?
The draft document sets out the terms of the UK's departure, including how much money will be paid to the EU, details of the transition period, and citizens' rights.

The transition period - which lasts until 31 December 2020 - will mean the UK is officially out of the EU, but is still abiding by most of its rules. During this time, the two sides hope to negotiate a permanent trade deal.

The UK and the EU want to avoid a hard Northern Ireland border whatever happens, so they agreed to a "backstop" - described as an insurance policy by Mrs May - aimed at achieving this if the sides cannot agree a trade deal.

The backstop would mean Northern Ireland would stay more closely aligned to some EU rules, which critics say is unacceptable. And the whole of the UK would be in a single custom territory - effectively keeping the whole of the UK in the EU customs union.

But some Brexiteer critics say:

• During the transition period, the UK will still abide by most of the EU's rules

• The UK will not be able to avoid the backstop until they strike a better, permanent deal with the EU. This deal needs the EU's consent

Reality Check: The withdrawal agreement explained
What is the latest Tory reaction?
Former Foreign Secretary Boris Johnson used his column in Monday's Daily Telegraph to renew his criticism of the draft agreement, describing it as a "585-page fig-leaf [that] does nothing to cover the embarrassment of our total defeat".

Calling for the scrapping of the Northern Ireland backstop, he added: "We should massively accelerate our preparations to exit on World Trade Organisation terms, with a new secretary of state responsible for all the cross-government work.

"There would, of course, be some disruption in that outcome, but by no means as much as sometimes predicted.

"And it is our failure to make proper preparations that has so gravely weakened our negotiations."

Meanwhile, former Tory chief whip Andrew Mitchell has warned against trying to replace Mrs May.

He told the Times: "It will end making us look like we're hunting the prime minister down as happened with Margaret Thatcher. It will do the party untold damage in the eyes of the public."

What were the key Brexit developments over the weekend?
The European Commission has proposed 31 December 2022 as the ultimate end date for any extension to the post-Brexit transition period
The key Brexiteer group of Tory MPs has published its rebuttal of the draft plan - saying it will make the UK a "rule-taker"
Labour leader Mr Corbyn says his party, which has 257 MPs, will not support the deal
A poll of 505 Tory councillors found more were against the deal than for it - but a majority wanted MPs to back Theresa May
Scottish First Minister Nicola Sturgeon confirmed her MPs would vote against the deal


May entre a pressão para renegociar Brexit e a revolta nos Tories


Primeira-ministra britânica sobreviveu a uma semana complicada, mas tem outra pela frente. Ministros eurocéticos querem que volte à mesa de negociações e deputados conservadores querem a sua demissão.

Susana Salvador
17 Novembro 2018 — 21:51

Quando um grupo de ministros eurocéticos não apresentou a demissão e saiu em apoio de Theresa May após a aprovação do acordo do Brexit, a primeira-ministra pode ter pensado que o pior tinha passado. Que o único desafio provinha do grupo de deputados conservadores que estão a reunir apoios para pedir uma moção de censura à sua liderança partidária. Mas, afinal, aquele grupo tem estado a trabalhar para obrigar a primeira-ministra a voltar a Bruxelas e renegociar com os parceiros europeus - em especial o ponto sobre o mecanismo de salvaguarda que procura impedir o regresso a uma fronteira física entre Irlanda do Norte e República da Irlanda. Esta promete ser uma semana de fogo para May.

A demissão do ministro do Brexit Dominic Raab, seguida pouco depois pela saída da responsável pela pasta do Trabalho e das Pensões, Esther McVey, e de outros quatro membros do governo, fazia pensar numa hemorragia dentro do executivo britânico. Os olhares viraram-se então para o ministro do Ambiente, Michael Gove, ou a ministra do Desenvolvimento Internacional, Penny Mordaunt. São ambos conhecidos eurocéticos que, no passado, já tinham expressado dúvidas em relação à negociação do Brexit. Mas estes saíram em apoio a May.

Gove, por exemplo, disse manter a confiança na primeira-ministra, mostrando-se "ansioso de continuar a trabalhar com todos os colegas no governo e no Parlamento para conseguir o melhor futuro para o Reino Unido". Será ele, segundo os media britânicos, um dos líderes do "gangue dos cinco" ministros eurocéticos que está a tentar obrigar May a renegociar o acordo. Gove, junto com Mordaunt, mas também Andrea Leadsom (responsável pela ligação do governo ao Parlamento), Chris Grayling (ministro dos Transportes) e Liam Fox (ministro para o Comércio Internacional) estão a planear um ultimato nesse sentido.

A ideia é que ainda há tempo para renegociar até à cimeira europeia de 25 de novembro, na qual os líderes europeus irão dar a sua luz verde ao acordo. Mesmo se vários desses líderes europeus já deixaram alertas sobre a ideia de renegociar. "Um acordo só é um acordo se ambos os lados concordarem", disse, por exemplo, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

O problema é que, com a atual configuração, May não parece ter a maioria suficiente para o aprovar no Parlamento britânico. Isto, claro, se chegar a essa fase, visto que há um grupo de deputados conservadores que está a pôr em causa a sua liderança e que, em última análise, poderá obrigá-la também a deixar a chefia do governo.

Moção de censura
O procedimento para afastar May da liderança dos Tories está em curso, tendo já sido enviadas pelo menos 21 cartas de deputados conservadores a expressar a perda de confiança nela. As missivas têm como destinatário Graham Brady, o responsável pelo Comité 1922 (o grupo parlamentar conservador formado por deputados que não têm cargos no governo).

São precisas 48 cartas para desencadear o procedimento, mas o seu envio pode ser mantido em segredo. A carta mais proeminente foi a de Jacob Rees-Mogg, que lidera o European Research Group, um grupo de pressão para o Brexit.

Caso haja mesmo 48 cartas a expressar a perda de confiança em May, Graham terá de anunciá-lo oficialmente e convocar uma votação entre os deputados conservadores. Algumas fontes dizem que poderia ser já na terça-feira (a última vez que houve uma moção de censura foi quando o partido estava na oposição, em 2003, e a votação ocorreu um dia depois do anúncio de que havia cartas suficientes).

A primeira-ministra, que se tem multiplicado nas explicações sobre o acordo de Brexit dizendo que este é o melhor possível para o Reino Unido, já prometeu lutar contra qualquer desafio à sua liderança.

158 votos
Para a afastarem da liderança dos Tories (e consequentemente do número 10 de Downing Street), os conservadores precisam do 158 votos. Um número que equivale à maioria simples dos atuais 315 deputados do partido no Parlamento.

É aqui que as contas se complicam para Rees-Mogg e os outros rebeldes. Caso May consiga vencer a moção de censura, ficará blindada durante um ano. Nesse período, não poderá haver outra tentativa para a afastar da liderança do partido. E, na prática, sairá reforçada, assim como o seu plano de Brexit. Daí que alguns conservadores ainda estivessem com dúvidas em avançar para a moção de confiança.

Se May perder, desencadeia uma corrida à liderança, estando impedida de concorrer nessa eleição. O seu sucessor ou sucessora será também chefe do governo, não havendo necessidade de convocar eleições gerais (estas estão previstas apenas para 2022).

Se existirem vários candidatos, o regulamento requer um voto secreto entre os deputados conservadores. O candidato com menos votos vai saindo a cada votação (que se repete às terças e quintas) até que só restem dois. Esses vão depois a votos entre todos os militantes do partido (especialistas indicam que o processo pode ser rápido, visto que a informação já está toda organizada).



May não cede à pressão dos conservadores que a querem ver pelas costas
Primeira-ministra britânica encara desafio interno à sua liderança como uma distracção e alerta para o risco de se “atrasar ou frustrar” o “Brexit”. Labour, SNP e DUP confirmam que se vão opor ao acordo no Parlamento.

ANTÓNIO SARAIVA LIMA 18 de Novembro de 2018, 20:21

“Os próximos sete dias serão determinantes para o futuro desde país. E eu não me vou deixar afastar da importante missão que temos pela frente nesta semana decisiva.” Se dúvidas houvesse sobre o compromisso de Theresa May para com o esboço do acordo alcançado com Bruxelas para a saída do Reino Unido da União Europeia, a primeira-ministra dissipou-as, pela enésima vez, numa entrevista este domingo à Sky News.

A líder do Governo britânico garantiu não temer a iniciativa que está a ser promovida dentro do seu partido para a derrubar e fechou a porta a quaisquer alterações ao documento do divórcio antes da cimeira europeia do próximo domingo. E às suas convicções acrescentou um alerta: este tipo de movimentações pode colocar em risco o próprio “Brexit”.

“Uma mudança de liderança nesta fase não vai tornar as negociações mais fáceis e não vai alterar a aritmética no Parlamento. A única coisa que fará é aumentar o risco de atraso das negociações [com a UE] e isso pode retardar ou frustrar o ‘Brexit’”, assegurou a primeira-ministra.


O abandono britânico do clube europeu está agendado para o dia 29 de Março de 2019, mas antes disso há uma montanha de obstáculos por ultrapassar, nomeadamente em Westminster, onde o acordo definitivo terá de receber luz verde dos deputados.

May respondeu desta forma à operação que está em curso, impulsionada pela ala eurocéptica do Partido Conservador, para se desencadear uma moção de desconfiança à sua liderança. Graham Brady, presidente do 1922 Commitee – o grupo dos deputados do partido que não detêm cargos no Governo – revelou à BBC que ainda não lhe chegaram as 48 cartas necessárias para poder agendar a referida votação que, em última instância, pode vir a derrubar a líder do executivo, abrindo uma corrida à chefia dos tories.


Mas na mira da primeira-ministra estiveram também os rumores de que um grupo de cinco membros de topo do seu Governo – incluindo quatro ministros – está em conversações secretas para promover alterações ao texto de 585 páginas, aprovado na quarta-feira em Conselho de Ministros. May insistiu que o rascunho do acordo de saída é para manter e explicou que a prioridade é agora investir nas discussões sobre a relação futura entre Londres e Bruxelas, uma vez que, argumentou, é ela que “garantirá que este acordo seja o melhor” para o Reino Unido.

“É a relação futura que cumpre o voto a favor do ‘Brexit’. E é sobre ela que vamos trabalhar esta semana”, afiançou, anunciando ainda que vai deslocar-se nos próximos dias à capital belga para debater este e outros assuntos com o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker e que falará brevemente com outros líderes europeus sobre a cimeira.

O “Brexit” e a crise do Ocidente

Fontes do executivo disseram ao jornal britânico Independent que a primeira-ministra receia que uma tentativa de renegociação do acordo técnico, a menos de uma semana de o mesmo ser levado ao Conselho Europeu extraordinário para ser ratificado, pode levar Bruxelas a recuar em algumas das suas concessões.

Frente unida de oposição
Não é só Theresa May que encara os próximos dias como decisivos para o futuro do “Brexit”. E por isso não foi a única a dar uma entrevista este domingo para lançar uma semana que se adivinha frenética.


Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, também apareceu na Sky News, para confirmar que o Labour vai votar contra o acordo na Câmara dos Comuns, por entender que o mesmo “não serve os interesses” do Reino Unido, já que dá à UE o poder de “dar as ordens”. “Em mais de 500 páginas, onde estão as garantias em matéria de protecção ambiental, de defesa do consumidor e de direitos dos trabalhadores?”, questionou ainda.

Cada vez mais pressionado pela ala “remainer” trabalhista para promover, de forma inequívoca, a realização de um segundo referendo ao “Brexit”, Corbyn não se desviou muito do que vindo a dizer sobre o tema. “É uma opção para o futuro, mas não é uma opção para hoje”, afirmou o líder do partido, assumindo que se essa possibilidade se cumprir “nem sabe como irá votar”.

Nicola Sturgeon, first minister da Escócia, é que não tem dúvidas na hora de apoiar nova consulta popular: “O que quer que as pessoas votaram em 2016 não foi o caos em que nos encontramos.” A responsável máxima do SNP também assegurou que os nacionalistas escoceses vão votar contra o acordo de May, rejeitando os rumores de que alguns deputados estariam a ponderar abster-se na votação, prevista para meados de Dezembro.


“Será errado e profundamente irresponsável se a Câmara dos Comuns subscrever este acordo”, rematou Sturgeon, em entrevista à BBC.

Protocolo para a Irlanda garante que não há fronteiras para o comércio
Quem também está preparado para votar contra o documento é o Partido Democrático Unionista (DUP). Este domingo Nigel Dodds, vice-líder do partido da Irlanda do Norte que apoia o Governo de May no Parlamento, divulgou um comunicado a citar o ex-ministro do “Brexit” Dominic Raab – outro que também falou às televisões –, para justificar por que é que o DUP “está firmemente unido na oposição ao esboço do acordo de saída”.


“Este acordo irá erguer uma fronteira comercial no mar da Irlanda e sujeitar-nos às regras europeias, sem qualquer poder para influenciar ou modificar o que nos prende à UE e sem capacidade para a abandonar”, lamentam. E para os que duvidam que se está a formar uma frente unida de oposição a May, transversal a todos os partidos, os ultraconservadores unionistas fazem questão de reforçar: “Até o Jeremy Corbyn percebe isto”.

domingo, 18 de novembro de 2018

Jair Bolsonaro's rise to power casts shadow over UN environment conference




Jair Bolsonaro's rise to power casts shadow over UN environment conference
Participants at biodiversity convention say Amazon protections are under threat

Jonathan Watts in Sharm el-Sheikh
Sun 18 Nov 2018 12.37 GMT Last modified on Sun 18 Nov 2018 14.19 GMT

Jair Bolsonaro’s rise to power in Brazil has cast a shadow over the first global environment conference since the ultra-nationalist was elected to lead the most biodiverse nation on Earth.

Participants at the the UN Convention on Biological Diversity, which opened in Sharm El Sheikh on Saturday, expressed concerns that the former army captain would disrupt international efforts to prevent the collapse of natural life support systems in the same way that Donald Trump is undermining cooperation to stabilise the climate.

Bolsonaro will not enter office until January but he has supported a weakening of protections for the Amazon, the richest area of biodiversity in the world. This would mean that less land is controlled by indigenous and forest communities and more is open to agribusiness, miners, loggers and construction companies. Much of his support during the election came from these interests.

This move is likely to put him on a collision course with the UN Convention on Biological Diversity, which aims to draw up a new deal for nature by 2020 that would halt and reverse the worst decline of life since the extinction of dinosaurs. Every nation except the US is a signatory.

Marco Lambertini, the head of WWF, said he hoped Bolsonaro would look at the bigger picture once he takes office. “Some of his statements are worrying, but we don’t want to prejudge. Politicians often say one thing in a campaign and another when faced with the reality of holding power. We’ll wait and see,” he said.

Lambertini added that the risks facing the Amazon were enormous. “This is an ecosystem that is fundamental for the whole world. Research papers have shown the loss of another 20% of the forest would be super-dangerous, pushing the Amazon past the point of no return so it would no longer be a rainforest but a savannah. This would affect rainfall patterns far beyond Brazil’s borders.”

He said that has faith in the Brazilian public on the issue: “We have seen a huge level of support for biodiversity protection in Brazil. I don’t think people voted for Bolsonaro because of his environmental agenda.”

Lambertini also urged other countries to offer more support to Brazil because it is home to a disproportionately large area of vital ecosystems such as the Amazon and the Cerrado.

UN officials and country delegates were reluctant to publicly comment on the incoming leader. However, several expressed fears off the record about what would happen to forest protection, indigenous rights and already weak global action to support the world’s natural infrastructure.

Biologists say Brazil is the world’s most biodiverse nation. Although it covers only 5.6 % of the Earth’s land, it is home to 20.8% of plant species, 17.6% of birds, 13.6% of amphibians and 11.8% of mammals. No figure is available for insects but this proportion is likely to be even higher.

The country has been a key player in global climate and biodiversity talks and by cutting deforestation rates, it has set an example of what can be achieved – . It has also helped bridge the diplomatic gap between wealthier and poorer countries to secure international agreements such as the 2015 Paris Agreement and the 2010 Nagoya Protocol.

Marcel Kok, the international biodiversity programme leader at the Netherlands Environmental Assessment Agency, said world politics were shifting in a direction that made it harder to take concerted global action.

Kok told delegates at a side event: “If we compare the situation to 2010, it has become much more difficult to get international cooperation, due to the rise of populism and nationalism.”

Brazil’s position will become clearer in the coming months. Bolsonaro is expected to select a new minister for the weakened environment portfolio in the next few days. He recently chose Ernesto Araújo to become Brazil’s foreign minister. Araújo believes that international efforts to solve global problems are part of a cultural Marxist plot to curb growth in western economies and promote the rise of China.

sábado, 17 de novembro de 2018

Brazil's new foreign minister believes climate change is a Marxist plot



Brazil's new foreign minister believes climate change is a Marxist plot
Ernesto Araújo has called climate science ‘dogma’ and bemoaned the ‘criminalisation’ of red meat, oil and heterosexual sex

Jonathan Watts Global environment editor
Thu 15 Nov 2018 17.13 GMT Last modified on Fri 16 Nov 2018 03.32 GMT

Brazil’s president-elect Jair Bolsonaro has chosen a new foreign minister who believes climate change is part of a plot by “cultural Marxists” to stifle western economies and promote the growth of China.

Ernesto Araújo – until recently a mid-ranking official who blogs about the “criminalisation” of red meat, oil and heterosexual sex – will become the top diplomat of South America’s biggest nation, representing 200 million people and the greatest and most biodiverse forest on Earth, the Amazon.

His appointment, confirmed by Bolsonaro on Wednesday, is likely to send a chill through the global climate movement.

Brazil was where the international community first came together in 1992 to discuss reductions in greenhouse gas emissions. Its diplomats have played a crucial role in bridging the gap between rich and poor nations, particularly during the forging of the Paris agreement in 2015.

But when the new government takes power in January, the foreign ministry that leads that work will be headed by a man who claims climate science is merely “dogma”.

In his blog, Araújo states his goal is to “help Brazil and the world liberate themselves from globalist ideology”, which he sees as anti-Christian.

The 51-year-old diplomat – who has never served as an overseas ambassador – claims unnamed leftist politicians have hijacked environmentalism to serve as a tool for global domination.

“This dogma has been used to justify increasing the regulatory power of states over the economy and the power of international institutions on the nation states and their populations, as well as to stifle economic growth in democratic capitalist countries and to promote the growth of China,” he wrote in a post last month.

In another, he claimed the centre-left Workers party in Brazil was “criminalising sex and reproduction, saying that all heterosexual intercourse is rape and every baby is a risk to the planet as it will increase carbon emissions”. He then went on to accuse the party of criminalising red meat, oil, air conditioners and Disney movies.

The incendiary rhetoric echoes that of Bolsonaro, who won last month’s presidential election with about 57.7m votes. The former army captain has since moved to put in place one of the world’s most far-right administrations and promised to align Brazil more closely to Trump and the US.

Climate negotiation experts said the appointment was sad for Brazil and the world – though they held out hope that the new foreign minister will be more pragmatic when he comes to represent his country.

“Brazil has played a very significant role for the Paris agreement. It would be really bad for the country’s image if he brings with him his ideology,” said Carlos Rittl, the executive secretary of the Brazilian Climate Observatory.

He said climate was the one area where Brazil could proudly boast to be a global leader, and urged the new foreign minister and president not to isolate the country in this field.

“Bolsonaro is not Trump. Brazil is not the United States. We don’t have the same cards,” he said. “If Brazil becomes a pariah on the global climate agenda, it would be extremely bad for our business, especially agribusiness. When they go to Europe to negotiate a deal, climate safeguards will be on the table. ”

The risk of losing soya and beef sales in Europe is thought to be why Bolsonaro has backtracked on threats to quit the Paris agreement and merge the agriculture and environment ministries.

But he remains intent on opening up the Amazon to the farmers, miners and construction companies that supported his campaign.

His pick as agriculture minister is the head of the farming lobby, Tereza Cristina Dias, who conservationists have nicknamed the “Muse of Poison” due to her enthusiastic support for relaxing controls on agro-toxins.

She and her colleagues are said to be gutting the responsibilities of the environment ministry before its new head is appointed. The environment institution is likely to be so subservient that insiders joke there will soon be two agriculture ministries in Brazil.

The slim hope now for climate advocates is that the powerful agribusiness lobby will come to realise that the rain for their crops depends on a healthy Amazon and stable global environment. More than 80% of Brazil’s municipalities have experienced drought in the past five years, which scientists have linked to deforestation.

But loggers are not waiting. The latest deforestation figures showed a sharp rise in deforestation during the election campaign, suggesting protections for nature and indigenous land are already weakening.

Desmatamento da Amazônia pode triplicar com Bolsonaro, dizem cientistas / Scientists are terrified that Brazil’s new president will destroy the ‘lungs of the planet’



Desmatamento da Amazônia pode triplicar com Bolsonaro, dizem cientistas

Ações planejadas por candidato podem fazer desmatamento subir 268%, saltando dos atuais 6,9 mil km² para 25,6 mil km² ao ano

Por Giovana Girardi, do Estadão Conteúdo access_time 23 out 2018, 20h39

Amazônia: bioma pode ser afetado por redução do trabalho de fiscalização do Ibama, pela autorização da mineração em terras indígenas e pela saída do Brasil do Acordo de Paris (iStock/Thinkstock)

Cientistas, ambientalistas, ex-ministros do Meio Ambiente, além do atual gestor da pasta, vêm alertando há algumas semanas que, se o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) cumprir o que vem prometendo para a área ambiental, caso seja eleito, o desmatamento da Amazônia poderia disparar.

Um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – justamente o órgão que hoje monitora o desmatamento no bioma – acabou de fazer essa conta e estimou que a perda da floresta pode triplicar.

Trabalhando com uma modelagem matemática, eles simularam como pode se dar a movimentação pelo uso da terra na Floresta Amazônica em um cenário em que o Ministério do Meio Ambiente seja subordinado ao Ministério da Agricultura, que o trabalho de fiscalização do Ibama seja reduzido, que a mineração seja autorizada em terras indígenas, e que o Brasil saia do Acordo de Paris – situações que foram sinalizadas nos últimos meses por Bolsonaro e sua equipe.

Essas ações, somadas à demanda internacional por commodities, poderiam fazer o desmatamento subir 268%, saltando dos atuais 6,9 mil km² (valores do ano passado) para 25,6 mil km² por ano já a partir de 2020, segundo os cálculos feitos pela matemática e cientista da computação Aline Soterroni e pelo engenheiro mecânico Fernando Ramos, ambos do Inpe, com pesquisadores da Áustria e dos Estados Unidos.

Esse valor é muito próximo das taxas observadas no início dos anos 2000, quando se chegou a um pico de 27,8 mil km² em 2004. Foi essa situação que motivou a adoção, por parte da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de uma série de ações combinadas para controlar a devastação da floresta. Em 8 anos, a taxa caiu 83%, chegando ao valor mais baixo em 2012 – 4,6 mil km². De lá para cá, o índice vem flutuando e cresceu um pouco, mas ainda abaixo dos 8 mil km².

Especialistas de várias áreas, inclusive do agronegócio mais moderno, consideram que várias fatores contribuíram para a enorme queda até 2012: criação de novas unidades de conservação e de terras indígenas, melhor aplicação da legislação ambiental existente, intervenções nas cadeias de fornecimento e restrições de crédito e multas e embargos de desmatadores ilegais. Além da variação do mercado internacional de commodities.

Alterações nessa complexa estrutura têm efeito imediato. Recentes quedas no orçamento do Ibama, por exemplo, nos anos de 2016 e 2017 levaram a um repique da taxa. A mudança do Código Florestal e movimentações no Congresso para redução de unidades de conservação também.

Para chegar à estimativa do que pode ocorrer num eventual cenário de baixa governança ambiental, os pesquisadores trabalharam com uma modelagem econômica já conceituada do Inpe que simula a competição por terra para atender à crescente demanda global por importantes commodities, como carne bovina e soja.

O modelo, publicado anteriormente em revistas científicas, se mostrou eficaz quando usado em retrospectiva, ou seja, quando se considerou variáveis passadas para validá-lo para as simulações futuras. Ele foi usado pelo governo brasileiro para construir suas metas de conter o desmatamento ilegal até 2030 que foram submetidas junto ao Acordo de Paris.

Agora os pesquisadores avaliaram as movimentações que podem ocorrer no período de 2020 a 2030 e fizeram uma média anual. “É um modelo econômico de equilíbrio para o uso da terra. Ele simula numericamente a competição pelo uso da terra para produção de commodities agrícolas, entre eles soja e carne. É um modelo global, que responde à demandas”, explica Aline.

“No ‘cenário Bolsonaro’, simulamos o não cumprimento do Código Florestal, com a competição pelo uso da terra sendo regida pela demanda. O resultado é que, em uma década, o desmatamento médio para vai 25,6 mil km². Não é algo absurdo de se imaginar, pois já tivemos taxas parecidas em 2004, quando praticamente não havia políticas de combate ao desmatamento”, continua a pesquisadora. “O modelo indica numericamente um retrocesso.”

Especialistas do chamado “agronegócio moderno” têm ponderado que Bolsonaro é um legalista e que deve seguir o que prevê o Código Florestal, permitindo somente o desmatamento legal – no caso da Amazônia, 20% da área da propriedade rural.

Ramos argumenta que só a existência da lei não garante seu cumprimento. “Em 2004 o Código Florestal era até mais restritivo (ele foi alterado em 2012) e isso não evitou que o desmatamento passasse de 27 mil km². Não é questão de existir legislação, mas de ser cumprida. Se o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que cuida de unidades de conservação) perdem força, se acabar com os mecanismos de governança, como o governo brasileiro vai cumprir a lei?”

Outra ponderação que vem sendo feito por especialistas do agro é que o mercado externo vai reagir a produtos provenientes de áreas desmatadas, o que pode acabar inibindo uma degradação maior. Para os pesquisadores, porém, até essa reação ocorrer, a floresta já poderá ter sido fortemente afetada.

Scientists are terrified that Brazil’s new president will destroy the ‘lungs of the planet’


Hilary Brueck
30 Oct 2018 1480

On Sunday, Brazil elected the far-right presidential candidate Jair Bolsonaro.
Scientists across the globe are worried about Bolsonaro’s plans.
Bolsonaro has indicated he wants to plow through Brazil’s Amazon, the Earth’s biggest and most diverse tropical rainforest, which helps cool the planet.
Jair Bolsonaro, Brazil’s far-right presidential candidate, swept the polls on Sunday to win the election.

“Brazilians are exhausted by corruption, by rising violence, by an economy that just hasn’t improved,” and Bolsonaro has made a lot of promises to fix those things, according to Peter Prengaman, The Associated Press’ Brazil news director.

Bolsonaro, who has been called the “Trump of the Tropics” and has a history of making anti-gay, misogynistic, violent, and racist comments, is also taking aim at the country’s environmental policies. And scientists across the globe are worried.

As Brazil’s president, Bolsonaro will control nearly two-thirds of the Amazon, the largest tropical rainforest on Earth. He has argued that too many environmentally protected areas are hampering the country’s development.

Bolsonaro has said he’s thinking about opening up a highway through the Amazon and barring environmental nongovernmental organizations like Greenpeace and the World Wildlife Fund from the country, The Guardian reported earlier this month.

Bolsonaro plans to cut down more of the world’s largest tropical rainforest, and critics fear he’ll ‘institutionalize genocide’ in the Amazon
Bolsonaro recently promised reporters that Brazil would stay in the Paris agreement, the landmark global climate deal he has been critical of in the past. But it’s unclear how he’d uphold Brazil’s end of that deal while simultaneously cutting down large swaths of the Amazon, which helps keep the world cool.

Bolsonaro has also indicated he plans to eliminate Brazil’s Ministry of the Environment, Science magazine reported.

“His reckless plans to industrialize the Amazon in concert with Brazilian and international agribusiness and mining sectors will bring untold destruction to the planet’s largest rainforest and the communities who call it home and spell disaster for the global climate,” Christian Poirier, the program director of Amazon Watch, said in a statement after Bolsonaro’s election.

Poirier isn’t the only one who’s concerned.

“I think we are headed for a very dark period in the history of Brazil,” Paulo Artaxo, a climate change researcher at the University of Sao Paulo in Brazil, told Science. “There is no point sugarcoating it. Bolsonaro is the worst thing that could happen for the environment.”

Genevieve Guenther, who founded EndClimateSilence.org, said on Twitter that Bolsonaro’s election “guarantees that Brazil will do nothing to curb pollution emission and untold acres of the Amazon rainforest will be destroyed,” while the meteorologist Eric Holthaus argued that a forest-privatization scheme that the new president has in mind is essentially “planetary suicide.”

Other scientists, like Jess Phoenix, a volcanologist who ran in a Democratic primary race in Southern California over the summer, agreed.

Some indigenous people who live in the forest said they feared that more loggers and miners could head toward their homes under Bolsonaro.

“We are very scared. I fear for my own life,” Dinaman Tuxa, the national coordinator of Brazil’s Association of Indigenous Peoples, said in an interview with Brazil de Facto, adding that Bolsonaro would “institutionalize genocide.”

Christopher Dick, a tropical-plant expert at the University of Michigan, said on Twitter that if Bolsonaro “carries through on his rhetoric we can expect tribal genocide, torture of dissidents, and climate altering destruction of Amazon forest.”

“This is a nightmare scenario,” he added. “I hope I am wrong.”

The Amazon is literally breathing life into the planet
Plants in the rainforest suck carbon dioxide from the atmosphere, use the carbon to grow, and release oxygen back into the air. This is why the Amazon, which covers 2.1 million square miles, is often referred to as the “lungs of the planet.”

The forest helps our spinning ball breathe carbon dioxide in and exhale oxygen back out, performing a critical check on human-fueled climate change. Scientists have estimated that the Amazon may house one-sixth of the carbon stored in vegetation around the world.

Environmental experts argue that this carbon-sucking system is one of the best solutions we have for climate change.

“We have to take carbon dioxide basically out of the atmosphere in order to prevent a very dangerous increase in temperature, and major increases in floods, severe storms, and heat waves,” Doug Boucher, a science adviser at the Union of Concerned Scientists, told Grist magazine earlier this month. “The best way we know to take carbon dioxide out of the atmosphere is to preserve and rebuild forests.”

Though the Amazon is the most diverse forest on the planet, scientists say that less than 0.5% of its flowering plant species have been studied for their medicinal potential, according to the WWF. A damning new report the organization released Tuesday said it found that “a fifth of the Amazon has disappeared in just 50 years.”

As Brazil has raced to keep pace with demand for more beef and soybean production, pieces of the Amazon the size of entire countries have been cleared. In one particularly intense tree-cutting period from 1991 to 2000, an area the size of Spain was cut down. That rapid pace of deforestation has slowed in recent years, though the trend of trading trees for livestock and agriculture is expected to continue.

Even though Amazonian soil is not good for farming, scientists estimate that an area the size of Delaware, or more than 1,900 square miles, was bulldozed through last year, and they expect that to rise under Bolsonaro.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

China, Russia and Canada’s current climate policies would drive the world above a catastrophic 5C of warming by the end of the century, according to a study that ranks the climate goals of different countries.




Policies of China, Russia and Canada threaten 5C climate change, study finds
China, Russia and Canada’s current climate policies would drive the world above a catastrophic 5C of warming by the end of the century, according to a study that ranks the climate goals of different countries.
Ranking of countries’ goals shows even EU on course for more than double safe level of warming

Jonathan Watts Global environment editor
Fri 16 Nov 2018 10.00 GMT Last modified on Fri 16 Nov 2018 14.44 GMT


China, Russia and Canada’s current climate policies would drive the world above a catastrophic 5C of warming by the end of the century, according to a study that ranks the climate goals of different countries.

The US and Australia are only slightly behind with both pushing the global temperature rise dangerously over 4C above pre-industrial levels says the paper, while even the EU, which is usually seen as a climate leader, is on course to more than double the 1.5C that scientists say is a moderately safe level of heating.

The study, published on Friday in the journal Nature Communications, assesses the relationship between each nation’s ambition to cut emissions and the temperature rise that would result if the world followed their example.

The aim of the paper is to inform climate negotiators as they begin a two-year process of ratcheting up climate commitments, which currently fall far short of the 1.5-to-2C goal set in France three years ago.

The related website also serves as a guide to how nations are sharing the burden of responding to the greatest environmental threat humankind has ever faced.

Among the major economies, the study shows India is leading the way with a target that is only slightly off course for 2C. Less developed countries are generally more ambitious, in part because they have fewer factories, power plants and cars, which means they have lower emissions to rein in.

On the opposite side of the spectrum are the industrial powerhouse China and major energy exporters who are doing almost nothing to limit carbon dioxide emissions. These include Saudi Arabia (oil), Russia (gas) and Canada, which is drawing vast quantities of dirty oil from tar sands. Fossil fuel lobbies in these countries are so powerful that government climate pledges are very weak, setting the world on course for more than 5C of heating by the end of the century.

Only slightly better are the group of countries that are pushing the planet beyond 4C. Among them are the US, which has huge emissions from energy, industry and agriculture somewhat offset by promises of modest cuts and more renewables. Australia, which remains heavily dependent on coal exports, is also in this category.

The wealthy shopping societies of Europe fare slightly better – largely because emissions on products are calculated at the source of manufacture rather than the point of consumption – but the authors of the paper say their actions lag behind their promises to set a positive example.

“It is interesting is to see how far out some countries are, even those that are considered leaders in the climate mitigation narrative,” said the study’s author, Yann Robiou du Pont of Melbourne University.

The study is likely to be controversial. Under the Paris agreement, there is no top-down consensus on what is a fair share of responsibility. Instead each nation sets its own bottom-up targets according to a number of different factors, including political will, level of industrialisation, ability to pay, population size, historical responsibility for emissions. Almost every government, the authors say, selects an interpretation of equity that serves their own interests and allows them to achieve a relative gain on other nations.

To get around these differing concepts of fairness, the paper assesses each nation by the least stringent standards they set themselves and then extrapolates this to the world. In doing so, the authors say they can “operationalise disagreements”.

Taking account of the different interpretations, they say the world needs to commit to a virtual 1.4C target in order to achieve a 2C goal. They hope their equity metric can be used in next month’s UN climate talks in Katowice and in climate litigation cases.

The authors said the study could in future be extended to the subnational level, such as individual US states. They also note that a few key sectors are currently omitted, including land-use change (which is fundamental in rapidly deforesting nations such as Brazil, Argentina and Indonesia), international shipping and aviation.

Brazil is losing large tracts of natural forest to activities such as mining, logging and agriculture.
Although the study highlights the huge gap between political will and scientific alarm, Robiou du Pont said it should inspire rather than dispirit people.

“The positive outcome of this study is that we have a metric to assess the ratcheting up of ambition. Civil society, experts and decision-makers can use this to hold their governments accountable, and possibly undertake climate litigation cases as happened recently in the Netherlands,” he said. “This metric translates the lack of ambition on a global scale to a national scale. If we look at the goal of trying to avoid damage to the Earth, then I am pessimistic as this is already happening. But this should be a motivation to ratchet up ambition and avoid global warming as much and as rapidly as possible. Every fraction of a degree will have a big impact.”

Commenting on the study, other academics said it could be used by anyone to show how climate action can be navigated in a world in which each country ranks itself based on what they consider to be fair.

“This paper provides a means for countries to check how their contribution might be perceived by other countries and thus judge whether they are perceived as a climate leader or laggard,” said Joeri Rogelj of Imperial College London.

Apesar do anunciado fecho, Livraria Ulmeiro deverá mesmo manter-se aberta e até planeia publicar livros





Apesar do anunciado fecho, Livraria Ulmeiro deverá mesmo manter-se aberta e até planeia publicar livros
Samuel Alemão
Texto
Paula Ferreira
Fotografia
16 Novembro, 2018

As notícias da anunciada morte da Livraria Ulmeiro, em Benfica, se bem que frequentes, não deverão afinal corresponder ao epílogo do guião escrito por José Antunes Ribeiro, 75 anos. “Vamos esgotar todas as possibilidades para ficar aqui. E é muito provável que tal venha a acontecer, estamos a tratar disso”, assegura a O Corvo o homem que, com uma persistência quixotesca, e a ajuda permanente da mulher Lúcia Ribeiro, 74, mantém, há quase meio-século, no número 13A da Avenida do Uruguai, as portas abertas desta espécie de arca transbordante de livros. Mais que isso, o veterano alfarrabista prepara, com a ajuda da associação cultural surgida há um par de anos em torno do icónico estabelecimento, o relançamento da actividade editorial e cultural sob sua chancela. É certo que o anúncio do fecho e o seu desmentido já aconteceram mais que uma vez. Mas agora tudo será diferente, pressagia o livreiro. O gato Sebastião, que deambula entre torres de papel, não tem razões para se sentir sobressaltado.

Mais de dois anos volvidos sobre o primeiro aviso de que a actividade da loja estaria com os dias contados, e pouco mais de um mês após o lançamento do último vaticínio de fenecimento do negócio, eis que a Ulmeiro lança mais uma salva de vida. “Estamos quase a comemorar os 50 anos, aniversário que acontecerá em 2019. E essa é uma das razões que me fazem lutar até ao limite para continuar com as portas abertas. Ainda mais porque, agora, até tenho pessoas a ajudarem-me a defender isto”, explica José Ribeiro, dando conta de um renovado e “surpreendente” interesse da comunidade desde que, no final de Outubro passado, voltou a anunciar que não resistiria muito mais tempo de portas abertas. Poucas semanas depois de ter considerado, em entrevista ao jornal Público, que não havia “volta a dar”, de se confessar cansado e desabafar que “as livrarias fecham por não haver gente que queira ler livros”, opta agora por um discurso menos sombrio, em linha com a esperança entretanto vislumbrada.

 “É verdade que dramatizámos o discurso, porque isso reflectia o que sentíamos. As coisas não têm sido fáceis. Mas temos notado, desde então, um renovado interesse das pessoas, que aqui entram e compram muitos livros. Os fins-de-semana têm sido de casa cheia”, informa, admitindo que os saldos generosos do imenso acervo que se acumula por entre pilhas infindas de volumes têm funcionado como chamariz. E muito desse vigor renovado surge de onde muitos não esperariam, reconhece. “Nestas semanas, quem tem entrado aqui mais e comprado livros são sobretudo os mais jovens, que vêm em busca de determinadas obras. Ao contrário do que se propala, temos uma nova geração que sabe muito bem o que quer, conhece os livros e valoriza a edição em papel”, afirma o bibliófilo, salientando o facto de a poesia ser um dos principais motivos de interesse de muita dessa nova clientela. A qual o comerciante espera manter para lá das “reacções emotivas, quando se ouve que isto vai fechar”.

O interesse das novas gerações está a revelar-se o dínamo da continuidade da Ulmeiro.
Caberá a um poeta, precisamente, conceber a nova revista literária a lançar, no início do próximo ano, através da Espaço Ulmeiro Associação Cultural, entidade criada na sequência da onda de solidariedade surgida após as primeiras notícias sobre o possível encerramento. Tarefa entregue a Hugo Beja, que também é artista plástico. Será ele o editor e o responsável pela concepção gráfica dessa publicação, cuja receptividade do número zero deverá determinar a sua periodicidade. Quase em simultâneo, deverá assistir-se ao ressurgimento da Ulmeiro enquanto marca editorial, pondo fim a um interregno que dura desde o dealbar do século. “Vamos relançar a actividade editorial. Lentamente, e com prudência, porque os tempos não estão para grandes tiragens”, explica José Antunes Ribeiro, dando conta de um caderno de intenções centrado na republicação de clássicos portugueses (Antero de Quental, Raul Brandão, Augusto Gil, Afonso Lopes Vieira) e brasileiros (Machado de Assis). “Vamos repescar autores que estão no domínio público e que achamos que devem voltar ao mercado. E fá-lo-emos com qualidade. Os livros serão cosidos à mão. Não serão daqueles que se estão sempre a esfolhar”, promete.

A primeira edição livreira, a par da tal revista literária cujo nome ainda está por definir, será então o inédito “Central Park”, do poeta, pintor, desenhador e encadernador Mário Rui Cordeiro (1950-2016). Seguir-se-á a obra “Tragam-me a Orelha de Pedro Sanches”,  de Jacinto Rego de Almeida – “Será um policial na linha do Rubem Fonseca”, assegura o alfarrabista-editor, para quem o reavivar do prelo constitui apenas uma parte do que tem planeado para 2019. “Queríamos que o próximo ano, por ser o do 50º aniversário da livraria Ulmeiro, fosse cheio de actividades culturais”, afirma. Mas, antes disso, reconhece, há que garantir a efectiva continuidade da loja. “Se não nos mantivermos aqui, gostaríamos de ficar em Benfica, num local próximo, com algumas condições. Mas também não excluímos de nos juntarmos com outros alfarrabistas de Lisboa, sob um mesmo espaço, se a Câmara de Lisboa o arranjar”, sugere, em jeito de repto à autarquia.