quinta-feira, 23 de maio de 2013

GEBALIS "Um Trabalho por Lisboa".Na Bica do Sapato era mais fácil estacionar.


Na Bica do Sapato era mais fácil estacionar.

Por Ana Henriques in Público
23/05/2013

Julgamento do caso das despesas sumptuárias de gestores de empresa de bairros sociais de Lisboa começa hoje

Que razões podem invocar os antigos administradores da empresa de bairros sociais Gebalis, que começam hoje a ser julgados em tribunal, para em ano e meio terem gasto cerca de 200 mil euros em refeições em restaurantes de luxo, estadias no estrangeiro e outras despesas sumptuárias?
Segundo o Ministério Público, nenhumas: Francisco Ribeiro, Clara Costa e Mário Peças respondem a partir de hoje em tribunal pelos crimes de peculato e gestão danosa no período em que estiveram à frente da empresa da Câmara de Lisboa, entre 2006 e 2007. Mas do ponto de vista dos arguidos tudo é bem diferente, e aquilo que a acusação considera "despesas inúteis, sumptuárias e excessivas", particularmente condenáveis dada a difícil situação económica da empresa, inseriam-se, afinal, numa estratégia de gestão destinada a modernizar a Gebalis
No caso de Clara Costa, o Ministério Público contabilizou gastos mensais em refeições frequentemente de "requinte gastronómico" da ordem dos 570 euros. Os respastos "incluíam muitas das vezes vinhos de preço elevado, whisky velho e marisco". Na contestação apresentada pelo seu advogado, Rui Patrício, a arguida assegura, no entanto, que nem sequer consome álcool em serviço, como era o caso. "Motivar os intervenientes" foi uma das justificações que apresentou para escolher restaurantes de luxo tão distantes da sede da empresa. Já no caso da Bica do Sapato, em Santa Apolónia, onde de uma vez só gastou 233 euros, a razão foi outra: "Tem uma grande vantagem sobre os de mais, já que dispõe de estacionamento." Nas contas do Ministério Público, Clara Costa custou à Gebalis 570 euros por mês em refeições, mesmo assim muito menos que o seu colega Mário Peças, cuja despesa mensal de comes e bebes ascende aos 2000 euros. Rui Patrício defende que nada disto configura peculato, porque os antigos gestores não eram funcionários públicos, única categoria a que se aplica este crime.





Sem comentários: