Um
terço dos portugueses no Reino Unido falha requisitos a imigrantes
extra-comunitários
5/7/2016, OBSERVADOR
/ LUSA
Um
terço dos portugueses que residem no Reino Unido não preencheria os
requisitos impostos aos imigrantes extra-comunitários, afirmou em
Londres o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Um terço dos
portugueses que residem no Reino Unido não preencheria os requisitos
impostos aos imigrantes extra-comunitários, afirmou hoje em Londres
o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
“Se se aplicassem
hoje as regras que são aplicadas a cidadãos exteriores da União
Europeia, um terço dos portugueses não teria condições para poder
permanecer no Reino Unido”, revelou José Luís Carneiro.
O governante
acrescentou que esta situação é semelhante à de muitos outros
europeus, indicando que dois terços dos cerca de três milhões de
europeus também não preenchem os requisitos atuais de rendimento
anual de 20.800 libras (24.500 euros) e qualificações superiores,
além de conhecimentos avançados da língua inglesa.
O secretário de
Estado falava no consulado-geral de Londres, onde veio hoje anunciar
um reforço de pessoal e serviços para responder ao aumento da
procura, em parte devido aos pedidos de informação que surgiram na
sequência do referendo que determinou a saída britânica da União
Europeia.
A questão surgiu
após um apelo do eleito local da zona de Stockwell, no sul de
Londres, Guilherme Rosa, para que o governo português se prepare
caso as autoridades britânicas endureçam as exigências para
atribuir residência a cidadãos europeus.
“Há muitas
pessoas que vivem na total dependência do sistema de ajudas
[sociais], que não sabem inglês e nunca trabalharam. Estão muito
vulneráveis se as leis se tornarem mais rígidas”, vincou.
Guilherme Rosa
sugeriu que Portugal, a longo prazo, possa precaver um cenário
difícil e criar um sistema de repatriação voluntária, para as
pessoas serem reintegradas na sociedade portuguesa, com apoio na
procura de emprego e habitação.
“Quando forem
criadas leis, e prevê-se que as coisas vão nesse sentido, estas
pessoas vão ser afetadas”, avisou o político.
José Luís Carneiro
apelou à calma para não criar pânico quanto às consequências do
referendo, sublinhando: “Temos de nos bater para que não evolua
nesse sentido, que seria o mais pernicioso desta decisão”.
As negociações
para a saída do Reino Unido ainda não começaram e o resultado é
incerto, nomeadamente no que diz respeito à livre circulação de
cidadãos europeus.
“Portugal
procurará salvaguardar e defender os interesses dos portugueses que
trabalham no Reino Unido, mas também dos milhares de britânicos que
vivem, trabalham e investem em Portugal”, garantiu o secretário.

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