Portugal
precisa de “resolver os seus problemas” orçamentais
Jeroen
Dijsselbloem, ministro das Finanças holandês e presidente do
Eurogrupo, diz que novas medidas são inevitáveis para Portugal e
que isso é mais importante do que a decisão de aplicar sanções
correctivas
Sílvia Amaro /
12-7-2016 / PÚBLICO
O presidente do
Eurogrupo deixou ontem claro que Portugal tem ainda problemas
orçamentais para tratar e precisa de lançar novas medidas. Jeroen
Dijsselbloem, que dirige a reunião dos 19 ministros do euro,
reconheceu que tanto Portugal como a Espanha não cumpriram as metas
orçamentais de anos anteriores, mas mais importante do que sancionar
os países é garantir que estes tomem medidas para consolidar as
contas públicas.
Dijsselbloem sugeriu
que Portugal e Espanha proponham medidas de compromisso à Comissão
“Se olharem para a
situação orçamental dos países envolvidos, é inevitável que
mais passos sejam precisos,” disse Dijsselbloem à entrada para uma
reunião em Bruxelas. Adiantou que “é muito importante” discutir
“o que vão estes países fazer este ano e no próximo para
resolver os seus problemas”.
As situações
orçamentais portuguesa e espanhola foram novamente debatidas em
Bruxelas depois de a Comissão Europeia (CE) ter dito, na semana
passada, que nenhum dos países teve uma “acção efectiva” em
2014 e 2015 para corrigir os seus défices. A decisão oficial que
deverá confirmar a posição da CE é esperada apenas hoje, quando
todos os ministros das Finanças da UE se reunirem em Bruxelas.
O comissário para
os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse que a Comissão tem
de “garantir a credibilidade das regras” e que estas “não são
um castigo”. “Não podemos viver para sempre com uma dívida
pública e défice altos. Simplesmente, não é possível,” disse
Moscovici, acrescentando que a solução passa por “combinar
credibilidade e inteligência”.
Depois de o Ecofin
adoptar a sua posição oficial, caberá à Comissão Europeia
propor, num prazo de 20 dias, sanções pelos desvios orçamentais. O
vice-presidente para o euro, Valdis Dombrovskis, garantiu que o
executivo ainda não preparou qualquer medida neste sentido.
Fonte comunitária
disse ao PÚBLICO que “há uma grande probabilidade” de a
Comissão propor uma multa zero, para não criar mais dificuldades
financeiras a Portugal e Espanha; no entanto, “é ainda muito cedo
para saber qual a proposta”.
Ontem, Dijsselbloem
disse à entrada para a reunião do Eurogrupo que “sanções zero
são uma possibilidade.” “Quanto mais colocarem sobre a mesa (a
nível de medidas), quanto maior for o compromisso que podem propor à
Comissão, mais isso os ajudará”, adiantou o também ministro das
Finanças holandês. Porém, mesmo que a multa seja zero, Portugal
pode vir a perder o acesso a fundos europeus.
Antes do encontro
dos ministros da zona euro começar, o ministro das Finanças
francês, Michel Sapin, disse a um grupo de jornalistas em Paris que
“Portugal não merece uma disciplina exagerada”. Para o ministro,
Portugal fez um esforço “brutal” para consolidar as suas
finanças nos últimos anos e não deve portanto ser sancionado por
desrespeitar os objectivos do défice nos anos em que saía da crise.
Sapin fez questão de diferenciar a situação de Portugal e Espanha,
referindo que a dos espanhóis é “bem mais complicada”. Apesar
de as eleições legislativas já terem sido repetidas, não há
ainda confirmação de quem será o novo primeiro-ministro.
Luis de Guindos,
responsável pelo Ministério da Economia espanhol até às mudanças
no Governo, disse estar “convencido de que tanto Portugal como
Espanha não vão ter sanções”. “Cada dia estou mais convencido
de que a sanção vai ser zero”, afirmou ontem.
Curiosamente, a
reunião começou vitoriosa para Portugal. Mário Centeno entrou
envergando um cachecol vermelho, verde e amarelo, o que lhe valeu
palavras de felicitação por parte dos seus homólogos presentes —
incluindo Michel Sapin.

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