quarta-feira, 20 de março de 2019

Restrições de água no Alqueva travam novas plantações de olival / Severe water shortages could plunge England into 'jaws of death' in 25 years, warns environment agency /O planeta está a mudar e nós não







NOTÍCIA DO DIA / OVOODOCORVO
Esgotamento dos recursos hídricos já escassos e que devido às alterações climáticas irão atingir limites catastróficos … Apanha da Azeitona mecanizada dizimando milhares e milhares de pássaros …
Se na Inglaterra ( ver link  em baixo ) já se planeia uma rigorosa gestão da água … a urgência de Portugal é ainda maior …
OVOODOCORVO

Restrições de água no Alqueva travam novas plantações de olival
EDIA denuncia “utilização abusiva de recursos hídricos” e “sem a devida autorização”. Crescem os riscos de culturas superintensivas num país com um clima cada vez mais quente e mais seco, alerta especialista

Carlos Dias 20 de Março de 2019, 8:00

A gestão dos recursos hídricos na bacia do Guadiana e do Tejo conheceu, nas últimas semanas, uma alteração no paradigma que estava a ser seguido. Até então, a água era distribuída sem controlo rigoroso em Portugal e em Espanha. Cerca de sete mil agricultores beneficiam do sistema de regadio do Alqueva.

As restrições no acesso à água começaram em Fevereiro. A Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) está a notificar “todos os beneficiários e potenciais interessados”, refere o aviso, de que o fornecimento de água para rega “a título precário” ou seja, a todos os agricultores que têm as suas explorações fora dos blocos de rega do empreendimento, que só serão aceites as propostas para a “instalação de culturas anuais”, como é o caso das culturas de melão, trigo, feijão e batata. Ou seja, fica de fora a autorização de fornecimento de água a novas culturas permanentes que são de alto rendimento como o olival, amendoal, vinha e árvores de fruto.

Foi para acautelar a garantia de água no futuro que a EDIA tomou esta decisão. O projecto do Alqueva tem área para regar 120 mil hectares, mas as plantações e o seu fornecimento continuavam a aumentar sem controlo. Qualquer interessado que pretenda investir em áreas localizadas fora das manchas de rega deverá sempre e previamente “obter autorização da EDIA”.

Supremo espanhol anula plano
Em Espanha, o Supremo Tribunal, numa decisão tomada no passado dia 15 de Março, anulou “parcialmente” o Plano Hidrológico do Tejo, por “não cumprir os caudais mínimos” nos débitos transportados do Tejo para a barragem do rio Segura, calculados em cerca de 400 milhões de metros cúbicos anuais.

Na base deste modelo de regadio estão as culturas intensivas como acontece na bacia do Guadalquivir e na bacia do Guadiana, em território espanhol e português, onde os “olivais superintensivos são muito lucrativos”, refere o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS), Filipe Duarte Santos, advertindo para o problema da salinização do solo. Na região espanhola da Extremadura, prossegue o investigador na área das alterações climáticas, “há imensa actividade agrícola que debita para o Alqueva muitos fertilizantes e os solos deixarão, no futuro, de ter a produção de agora”.

A decisão tomada pela entidade gestora do sistema de rega do Alqueva vem reconhecer que existe, neste momento, “uma utilização abusiva de recursos hídricos” e “sem a devida autorização” fora dos blocos de rega.

A EDIA refere que o grau de optimização do sistema de rega atingiu uma dimensão (neste momento a taxa de adesão ao regadio atinge mais de 80% da área do empreendimento) que só era esperada “em fase mais madura da exploração das infra-estruturas” do projecto.
Filipe Duarte Santos defende uma “maior coordenação” entre Espanha e Portugal no que respeita aos recursos hídricos. Mas acima de tudo importa aferir em que medida a agricultura que “estamos a ter é compatível com a precipitação que temos” num contexto que exige uma “adaptação” a um clima que “é não só mais quente, mas também mais seco”, frisa o presidente do CNADS.

As barragens erguidas nas bacias espanholas dos rios Tejo e Guadiana concentram no final do Inverno cerca de metade da sua capacidade máxima de armazenamento, enquanto na barragem do Alqueva, a sua reserva de água chega aos 80% da sua capacidade máxima, o que representa cerca de metade do volume que as 60 albufeiras públicas de norte a sul do país no final de Fevereiro.


 Severe water shortages could plunge England into 'jaws of death' in 25 years, warns environment agency

Isabelle Gerretsen, CNN
Updated 1143 GMT (1943 HKT) March 19, 2019

The dried up bed of Yarrow Reservoir near Bolton, England, in July 2018, in the midst of a heatwave.

London (CNN)Climate change and rapid population growth could leave England facing severe water shortages in the next 25 years and thrust the country into the "jaws of death," the head of the UK Environment Agency warned on Tuesday.

Unless England cuts down on its water use, the country will not have enough clean water to supply its needs, Sir James Bevan told the Waterwise conference in London.
"Demand for water will rise as the population grows, whilst water supply is likely to reduce as the effects of climate change kick in," Bevan said.
"Around 25 years from now, where those two lines cross is known by some as the jaws of death -- the point at which we will not have enough water to supply our needs, unless we take action to change things," he added.
The UK population is projected to grow rapidly, from 67 to 75 million by 2050, putting significant strain on water supply, said Bevan, adding that a person's daily water use could be cut from 140 to 100 liters in the next 20 years.
"There are simple steps we can all take...Get a low flush toilet. Take short showers, not deep baths...Don't water your lawn: it will survive without you. It's not rocket science," he said.
By 2040, more than half of UK summers are predicted to be hotter than in 2003, and rivers' water supply could fall by between 50-80%, he said.
England could avoid the "jaws of death" by urgently reducing water waste from leaking pipes and investing in new desalination plants, according to Bevan.
"We need to change our attitudes to wasting water so it becomes as socially unacceptable as throwing your plastic bags into the sea. We need to use less water and use it more efficiently," he said.



O planeta está a mudar e nós não
É pedido ao Governo que oiça os jovens e a população e que leve a sério a crise climática, tomando medidas urgentes para alterar o rumo do aquecimento global.

Carolina Santos Inês Lains Laura Sat Inês ZúqueteEstudantes da Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa
20 de Março de 2019, 7:02

Greta Thunberg é uma jovem activista sueca de 16 anos. Todas as sextas-feiras ela protestou sentada à frente do Parlamento da Suécia, durante o horário escolar, com o sinal de “Skolstrejk för klimatet” ("Greve à escola pelo clima”, em tradução livre).

Inspirados nela, na sexta-feira, 15 de Março, milhares de estudantes em mais de 2000 cidades em 125 países uniram-se e juntos manifestaram-se contra as alterações climáticas e a inactividade dos governos no que toca à resolução desta crise. Os estudantes portugueses não foram excepção. No país decorreram 28 greves pelo clima. Nós participámos no protesto de Lisboa, que se iniciou no Largo de Camões e terminou em frente à Assembleia da República, onde milhares se manifestaram durante horas, ao sol, a temperaturas fora do normal para esta altura do ano em Lisboa.

No entanto, todo este movimento foi mal entendido por grande parte das pessoas que observaram a partir de fora, como adultos, professores, jornalistas, membros do governo entre outros. Esta manifestação não era uma desculpa para faltar à escola, nem um apelo à diminuição da utilização de objectos de plástico e à necessidade de se adoptar uma dieta vegan. Claro que estes são pontos importantes na mudança ambiental e todos os cidadãos têm de fazer um esforço para cultivar um estilo de vida mais sustentável, mas sem uma actuação do Governo que complemente estas acções o aquecimento global não cessará.

Portugal ainda tem duas centrais eléctricas movidas a carvão, a de Sines e a do Pego, que são responsáveis por um quinto das emissões de dióxido de carbono portuguesas, segundo a associação ambientalista Zero. Este movimento pede que estas sejam encerradas. Outro dos pedidos é a melhoria considerável do sistema de transportes públicos em Portugal para que estes possam substituir o uso do transporte particular. Estes pedidos encontram-se entre outros, como o aumento da utilização de energia solar, presente no manifesto escrito pelos organizadores desta manifestação, e podem ser encontrados na página deste movimento. São medidas que têm de ser tomadas pelo Governo, que só ele as pode executar, e não é o cidadão no seu dia-a-dia que as irá alterar e reduzir significativamente a poluição criada diariamente pelo nosso país.

"Esta manifestação não era uma desculpa para faltar à escola, nem um apelo à diminuição da utilização de objectos de plástico e à necessidade de se adoptar uma dieta vegan."
Acredito que, tal como nós, muitos jovens que participaram na manifestação tenham ficado comovidos com a adesão e tenham ficado mais sensibilizados para o problema e creio que de facto farão um esforço para alterar os seus hábitos de vida, mas, infelizmente, isso já não é suficiente. É pedido ao Governo que oiça os jovens e a população e que leve a sério a crise climática, tomando medidas urgentes para alterar o rumo do aquecimento global.





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