António
Costa assume que falta finalizar acordo com o PCP
São José Almeida
06/11/2015 - PÚBLICO
Líder
do PS garante que parte programática do acordo está assegurada com
o BE e o PCP e que falta negociar com os comunistas condições
políticas que garantam estabilidade para a legislatura.
O líder do PS,
António Costa, assumiu em entrevista à SIC, esta sexta-feira à
noite, que falta finalizar as negociações políticas com o PCP,
para que possa ser assinado um acordo que garanta a viabilização
parlamentar de um governo minoritário do PS, apoiado pelo BE e pelo
PCP.
Considerando que
essa decisão depende do Presidente da República, Costa garantiu que
“o PS está pronto para assumir as suas responsabilidades”.
Referindo-se ainda a Cavaco Silva, revelou: “O Presidente da
República não me pediu a mim nada de especial.” Acrescentou que é
“normal” a exigência de que “o governo tenha condições de
poder funcionar.” E escusando-se a adiantar o que espera do
Presidente, Costa concluiu que o Presidente dissera que “a última
palavra é da Assembleia da República.”
Costa mostrou-se
convencido de que as negociações com os comunistas chegaram a bom
termo, tal como chegaram já com o BE e o PEV, visto que o acordo
“está fechado no mais difícil”. Assim, assumiu que haverá
condições para o PS, o BE, o PCP e o PEV assinarem “três
acordos” a tempo de poderem derrubar o Governo do PSD e do CDS, que
na segunda-feira inicia o debate do seu programa no Parlamento.
“Temos condições
para que um governo no PS possa ser viabilizado e possa governar”,
afirmou Costa, acrescentando, no entanto, que “há outra dimensão,
que falta garantir, que é a estabilidade”. E explicou: “É
importante que haja uma alternativa, mas que ela não se frustre na
possibilidade de governar durante uma legislatura.” O
secretário-geral socialista quer assim garantir um acordo de
legislatura com o BE e o PEV, mas também com o PCP, de modo a que o
governo não dure só “três meses”.
As medidas reveladas
No programa de
governo que este sábado levará à reunião da comissão nacional e
que domingo à noite será aprovado pela comissão política, Costa
sublinhou que a base é o programa do PS “com alterações”. A
curto prazo, Costa promete que o PS, se for governo, aprovará
“iniciativas legislativas no quadro parlamentar para que possam ser
tomadas as medidas necessárias, para que as medidas provisórias que
caducariam estejam em vigor no dia 1 de Janeiro e nos termos que
resultam do acordo”.
Ora, segundo Costa,
as medidas concretas acordadas no que respeita à reposição do
poder de compra dos portugueses são do programa do PS – a
eliminação da sobretaxa até 2017 e a reposição do IVA da
restauração em 13%, a revisão dos escalões do IRS em 2016, o
descongelamento das pensões e a reposição das actualizações.
Fruto das
negociações surgem a reposição dos salários dos funcionários
públicos até ao fim de 2016 a um ritmo de 25% por trimestre, a
redução da TSU para os salários mais baixos, temporariamente sem
penalizações posteriores. Mas também o aumento do salário mínimo
para 600 euros até ao fim da legislatura, que tinha sido defendido
pelo PCP a título imediato. Já quanto à exigência do BE de baixa
do IVA da electricidade, Costa apenas reconheceu que iriam ser
estudadas medidas sobre a electricidade para famílias carenciadas.
O secretário-geral
do PS sublinhou que nenhum partido pôs em causa a sua identidade
partidária e que “não estão a negociar a fusão entre si” e
que “cabia ao PS assegurar a coerência interna do programa”. E
frisou que “o quadro macroeconómico” é o do PS e que podia
garantir que o défice respeitará os 3%, tal como o PS se
comprometeu perante os eleitores.
Já sobre as
críticas de Francisco Assis (ver última página), Costa sustentou
que “o PS não é o partido do António Costa”. E afirmando ter
“muita consideração por Francisco Assis, disse: “Assis
representa-se a si próprio e é muito.”
PCP envia documento
PCP e BE deram cada
um, por seu lado, passos importantes para que haja a concretização
de um acordo. Esta sexta-feira, o PCP emitiu um comunicado, através
do seu gabinete de imprensa, em que anunciava ter enviado ao PS um
texto a que chamava “Posição conjunta do PS e do PCP sobre
solução política”.
Nesse comunicado, o
PCP afirma que, “no seguimento da reunião realizada na última
quarta-feira” entre Jerónimo de Sousa e António Costa, os
comunistas consideram que “estão reunidas as condições para pôr
fim ao Governo PSD-CDS/PP, assegurar um governo da iniciativa do PS”.
Os comunistas
afirmam ainda que há um “quadro em que está garantida uma
composição da Assembleia da República para a formação de um
governo do PS, a apresentação do programa, a sua entrada em funções
e a adopção de uma política que assegure uma solução duradoura”,
indicando assim que estão disponíveis para apoiar parlamentarmente
um governo socialista de forma duradora, ou seja, que estão
dispostos a garantir que haja um acordo sólido que garanta um
governo estável para a legislatura, como tem sido referido pelo
Presidente da República.
No mesmo comunicado,
o PCP explicava que já propôs ao PS uma data para a “divulgação
pública” do acordo e confirmava que o seu comité central se reúne
no domingo. Sublinhe-se, porém, que um acordo político com
socialistas não tem de ser aprovado pelo comité central, mas pela
comissão política. O interesse de levar o conteúdo do acordo ao
órgão máximo de direcção comunista entre congressos é, na
perspectiva da direcção comunista, o de que o sufragar desta
questão por este órgão seja “unificadora “ do partido. Isto,
porque têm sido públicas as divergências internas no PCP sobre o
apoio a um governo de esquerda.
Na quinta-feira à
noite foi a vez de a comissão política do Bloco de Esquerda aprovar
a participação do BE no acordo de constituição de um governo
minoritário do PS. Na reunião foi aprovado o documento interno que
sistematiza os conteúdos concretos e programáticos, bem como os
princípios políticos que deverão orientar a governação
minoritária do PS, sustentado parlamentarmente por uma maioria de
esquerda.
A notícia da
aprovação do acordo pela comissão política do BE foi divulgada
pela líder do partido, Catarina Martins, através da rede social
Twitter, onde escreveu: “A comissão política do Bloco acaba de
aprovar o documento resultante das negociações com o PS. A esquerda
responde pelo emprego, salários e pensões.”
Em simultâneo, na
página do BE na Net era colocada uma posição oficial da comissão
política: “A comissão política congratula-se com este resultado.
Pela parte do Bloco, as negociações com o PS estão concluídas e
estão reunidas as condições para um acordo à esquerda pela
protecção do emprego, dos salários e das pensões.”
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