Quercus
preocupada com lançamento do concurso para prospeção de Lítio em Portugal
Jornal Económico
com Lusa 29 Dezembro 2019, 12:01
“O anúncio relativo a este concurso, feito
ontem [sábado] pelo Sr. Ministro do Ambiente, é no entender da Quercus, reflexo
de uma intenção do Governo que tem por base argumentos errados e que não
correspondem à realidade do contexto internacional”, afirma a Associação
Nacional de Conservação da Natureza em comunicado.
A Quercus
manifestou hoje “enorme preocupação” com o lançamento de um concurso para
prospeção de Lítio em Portugal no início de 2020, considerando que é assente em
“argumentos errados” que não correspondem à realidade do contexto
internacional.
“O anúncio
relativo a este concurso, feito ontem [sábado] pelo Sr. Ministro do Ambiente, é
no entender da Quercus, reflexo de uma intenção do Governo que tem por base
argumentos errados e que não correspondem à realidade do contexto
internacional”, afirma a Associação Nacional de Conservação da Natureza em
comunicado.
Nesse sentido, a
associação manifesta a “sua enorme preocupação” com o lançamento deste
concurso, que será “seguido de uma provável exploração deste minério nos nove
locais escolhidos do território nacional”.
Contudo, adverte,
“Portugal não possui reservas de lítio em quantidades tão significativas quanto
o Governo diz possuir”.
Para a Quercus,
“não faz sentido o Governo continuar a insistir no modelo de autorização de
licenças de prospeção de lítio em Portugal, colocando em causa o património
ambiental, ecológico e a biodiversidade das regiões que atualmente estão a ser
alvo desta intenção”.
Perante esta
situação, a associação exige “uma vez mais” ao Governo que “ponha termo ao
modelo de exploração de lítio” que pretende implementar no país, defendendo que
é necessário “reavaliar todo este projeto de exploração insustentável”.
Lembra ainda que,
de acordo com Serviço Geológico dos Estados Unidos, a Bolívia possui 150 vezes
mais reservas de lítio que Portugal (9.000.000 toneladas), o Chile 125 vezes
mais (7.500.000) e a China 53 vezes mais (3.200.000).
“Neste contexto,
Portugal possui reservas estimadas em apenas 60.000 ton [toneladas], o que
configura uma ordem de grandeza muito inferior aos restantes países avaliados”,
observa.
A associação
recorda ainda que o Governo perdeu, recentemente, o principal argumento para
fomentar a instalação de minas de lítio em Portugal. “Com efeito, o Grupo
Metalúrgico Avançado (AMG), com sede na Holanda, anunciou no mês passado a
construção de uma refinaria de hidróxido de lítio em Zeitz, Saxônia-Anhalt, na
Alemanha.
De acordo com a
notícia do jornal eletrónico alemão electrize.net, o lítio deve ser processado
de forma a que este possa ser usado em baterias de carros elétricos,
prevendo-se que a refinaria esteja em pleno funcionamento dentro de dois a três
anos.
“Este avanço por
parte da Alemanha vem demonstrar que o Governo de Portugal está profundamente
errado quando faz depender a oportunidade de uma refinaria de lítio em Portugal
da instalação e exploração de minas de lítio em território nacional”, refere a
Quercus.
No sábado, o
ministro do Ambiente e Ação Climática mostrou-se convencido que as explorações
de lítio no país possam arrancar no primeiro trimestre de 2020, após a
aprovação de um decreto-lei que deixe claras “as novas exigências ambientais”.
“Para haver um
concurso para a prospeção e depois a eventual concessão dos nove locais que
estão determinados, com sendo aqueles onde há uma maior existência de lítio,
tem de ser precedido de uma nova lei, para que haja um conjunto de garantias, à
cabeça, nomeadamente, ambientais. Tenho, desde ontem [sexta-feira], essa nova
proposta de decreto-lei”, afirmou aos jornalistas João Matos Fernandes.
Ressalvando que
não sabe dizer qual é “o calendário da aprovação de um decreto-lei”, porque tem
de ser promulgado pelo Presidente da República, o ministro disse acreditar que
“até ao final do primeiro trimestre de 2020, a exploração de lítio tenha o seu
início”
Sem comentários:
Enviar um comentário