sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

PSP elogia “coragem e sangue-frio” do agente cercado por amigos das vítimas da 2ª Circular. Actos “não passarão impunes”



PSP elogia “coragem e sangue-frio” do agente cercado por amigos das vítimas da 2ª Circular. Actos “não passarão impunes”

Polícia garante em comunicado que ataques aos seus agentes “não passarão impunes” e que está a utilizar “todos os meios” para identificar os intervenientes.

Natália Faria
Natália Faria 28 de Fevereiro de 2020, 11:15

As imagens amplamente divulgadas nas redes sociais mostravam um aparatoso grupo de motociclistas e pessoas a pé a cercarem um carro da PSP, na Avenida Dom Pedro V, na Damaia, terça-feira passada, enquanto um agente no seu exterior empunhava uma arma de fogo procurando travar a investida, sem nunca a apontar directamente a ninguém. Tudo isto ocorreu enquanto, no cemitério ao lado, se realizava o funeral de uma das três vítimas mortais do acidente ocorrido na madrugada do dia 21 na Segunda Circular em Lisboa, durante uma corrida a alta velocidade naquela via.

Em comunicado emitido esta madrugada, a PSP salienta agora “a coragem e o sangue frio do polícia que permaneceu no exterior do carro patrulha” e que “permitiram evitar males maiores”.

A polícia recebera um alerta por um grupo de motociclistas estarem a circular na via pública, sem capacetes e realizando manobras proibidas pelo Código da Estrada. A PSP começou por enviar um carro patrulha com dois agentes, “por não ter sido estabelecida inicialmente qualquer ligação” com a morte dos três homens em resultado do acidente do dia 21, na Segunda Circular.

Quando se viram cercados por um conjunto de motociclistas que “de forma hostil” recusaram acatar as ordens, um dos polícias entrou no carro para pedir reforços urgentes via rádio, enquanto o segundo permaneceu no exterior “emitindo continuamente ordens para que os agressores se afastassem”.

 “Devido ao aumento do número de infractores e aos seus inaceitáveis comportamentos, um dos polícias para garantir a sua integridade física e a autoridade do Estado, recorreu passivamente à arma de fogo como forma de dissuasão relativamente às agressões iminentes, sem no entanto a ter apontado a qualquer cidadão”, descreve o comunicado da PSP, acrescentando que, apesar de a identificação presencial dos infractores não ter sido possível, por terem dispersado quando chegaram os reforços, a polícia irá “utilizar todos os meios para identificar todos os intervenientes”. Objectivo: “Responsabilizá-los tanto criminalmente como pelas contra-ordenações praticadas”, esclarece ainda aquela força policial, reiterando que tais comportamentos “não passarão impunes”.

Este não foi o único incidente relacionado com o acidente da Segunda Circular. Pouco depois, os amigos das três vítimas mortais decidiram invadir com motas o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, enquanto decorria o funeral de outra das vítimas. E, no domingo, dois dias depois do acidente, a Segunda Circular chegou a estar interrompida cerca de hora e meia, depois de 150 carros e aproximadamente 500 pessoas terem participado noutra aparente homenagem aos três jovens que morreram durante a corrida de alta velocidade.

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