sábado, 16 de fevereiro de 2013

A Versailles faz hoje 90 Anos !! Longa Vida à Versailles!! 25/11/2012


Recordemos também as já desaparecidas "Colombo" e  "Paulistana" e também os saudosos   Cafés "Monte Carlo" e "Monumental".
António Sérgio Rosa de Carvalho



 Versailles. A pastelaria onde Luís XIV teria gostado de lanchar
Por Clara Silva, publicado em 24 Nov 2012 - in (jornal) i online

Amanhã, a pastelaria mais chique de Lisboa com nome de palácio francês cumpre 90 anos. Muitas histórias já se perderam no tempo, mas os bolos, esses continuam
A 23 de Dezembro de 1933 a revista “Notícias Ilustrado” anunciava “o bolo rei monstro da Versailles”. Monstro é uma palavra bem escolhida. Com 200 quilos e dois metros de diâmetro, foram precisos quatro homens para o transportar até ao destino, o asilo de crianças Nuno Álvares, em Belém, “onde uma comissão de senhoras procederia à sua distribuição”.

“Deste bolo podem comer cerca de 2500 crianças, o que significa que no próximo Natal, graças à generosidade da Versailles, os pequenos do asilo Nuno Álvares terão bolo rei com fartura”, pode ler-se no artigo, que inclui ainda a receita do bolo. Já agora, e caso queira repetir a proeza numa cozinha espaçosa: “Uma saca inteira de farinha, duas arrobas da melhor manteiga, um milheiro de ovos, uma saca de nozes, amêndoas e avelãs, duas arrobas de frutos doces e outras duas arrobas de açúcar, uma caixa de passas de 1.a qualidade e cinco garrafas de rum.” Cinco garrafas de rum? Os miúdos devem ter gostado a sério do bolo.

Amanhã os pasteleiros da pastelaria mais chique de Lisboa – o mais antigo trabalha na casa há mais de 40 anos – bem podiam presentear os seus clientes com um bolo monstro deste género. A pastelaria no número 15 da Avenida da República sopra 90 velas e continua a ser uma das melhores de Lisboa. Além de manter a decoração de outros tempos, o que também a transforma numa espécie de cápsula do tempo no centro da cidade.

Podíamos agora dissertar sobre os penteados das idosas cheias de classe que lancham na pastelaria como se ainda estivéssemos nos anos 70. Ou dos empregados com fardas impecáveis, que essas tais senhoras, sempre com muita classe e muito perfume, tratam pelo apelido. Mas isso já foi feito, estão aqui agora a dizer-me. Vamos antes falar de outros elementos decorativos da sala, como o tecto e a talha dourada das paredes que obrigam a limpezas complicadas de dez em dez anos.

“A última foi em 2008”, conta António Marques, um dos três donos da pastelaria que assumiram a gerência em 1986. “Quem fez a limpeza foram umas senhoras de belas-artes, recomendadas pelo IGESPAR”, conta-nos por telefone. “É preciso muito cuidado a limpar.”

António, Paulo Gonçalves e Horácio Fernandes estão na Versailles há 26 anos. Horácio era funcionário, mas António e Paulo trabalhavam noutro negócio e pouco sabiam sobre a história da fundação da pastelaria. “Não há muitas histórias que tenham ficado”, começa António. “Nós é que andámos a investigar para saber quem era o fundador e a data da abertura.”

Salvador Antunes, um português com formação em pastelaria francesa e apaixonado pela Art nouveau, abria a pastelaria a 25 de Novembro de 1922. “Outra das coisas que descobrimos desses tempos é que se faziam muitas tertúlias aqui de noite, especialmente com gente do Sporting”, conta Paulo.

Quando Paulo assumiu a gerência da casa teve de fazer algumas alterações no espaço. “O balcão não existia e havia uma pia no meio da sala”, conta. A pia, para quem a quiser ver, e já agora lavar as mãos, ainda está na casa de banho, e também é uma experiência de regresso ao passado – isto se o seu passado incluiu lavar as mãos numa pia gigante. “Os candeeiros, apesar de terem o formato original, também já não são os mesmos”, acrescenta.

Decoração à parte, vamos ao que interessa: os bolos. “Os mais vendidos são os indianos, os pastéis de nata, os duchaise e os éclairs”, diz António. Com a chegada do Natal, o bolo-rei, a 18 euros o quilo, é dos mais pedidos. Mas há comida para todos os gostos, doces e salgados (os croquetes também são dos mais elogiados da cidade). Se a decoração se mantém, o menu vai-se adaptando. “Vamos sempre mudando”, conta António, “até já tivemos pizzas, mas os bolos, esses continuam desde o início.” Ainda bem. Longa vida à Versailles.




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