CÂMARA DE LISBOA
Carlos Moedas é contra encerramento da Av. da Liberdade e
vai tentar reverter a situação
O presidente da câmara de Lisboa acusa a oposição
camarária de “soberba” por ter tomado uma decisão sem ter falado com as pessoas.
Luciano Alvarez
12 de Maio de
2022, 13:18
Carlos Moedas
manifestou-se nesta quinta-feira contra a proposta aprovada pela oposição da
Câmara de Lisboa que decidiu encerrar a Av. da Liberdade aos domingos e
feriados e vai tentar reverter a situação. O autarca acusa mesmo os vereadores
da oposição de “soberba” por ter aprovado uma medida sem ter ouvido as pessoas.
“É uma proposta
que mostra a soberba e que mostra, de certa forma, que a oposição não está a
perceber que aquilo que o que as pessoas querem em Lisboa é poder decidir. Eu
sou e quero ser o presidente da câmara que luta pela sustentabilidade, pelas
modificações que são precisas fazer nas cidades, mas não contra as pessoas”,
afirmou Moedas ao PÚBLICO após ter participado num debate na FIL, no Parque das
Nações.
“De manhã já tive
todas as pessoas da Avenida da Liberdade (recebi mais de 100 chamadas
telefónicas) a perguntarem-me o que é que vai acontecer. Porque vamos fechar a
Av. da Liberdade em dias em que o comércio está aberto”, acrescentou.
O presidente diz
que o que aconteceu “é grave” porque “é feito contra as pessoas. Temos de
incluir as pessoas”. “Sabemos que temos de caminhar no sentido de ter uma
cidade cada vez mais sustentável (…). Mas os comerciantes da Av da Liberdade
não merecem isto. Não merecem que, numa altura de recuperação económica, em que
passaram dois anos a sofrer, de repente haja uma decisão unilateral dos
vereadores da oposição”, salientou.
Diz ainda achar
“extraordinário” que a oposição ainda não tenha percebido que foi o PSD que
ganhou as eleições. “Se o percebessem podíamos ter falado todos, podíamos ter
falado com os comerciantes e ver qual era a solução. As pessoas devem
reclamar”, disse ainda.
No sentido de
reverter a situação, Carlos Moedas diz que vai com as pessoas – “eu vou falar
com todos os que estão na Av. da Liberdade” – e vai tentar “voltar a falar com
a oposição.”
“Vamos tentar
negociar. Parece que são eles que governam, não pode ser. Não podemos fechar o
trânsito na baixa de um momento para o outro”, concluiu.
O PÚBLICO
questionou também Carlos Moedas sobre a redução em 10 quilómetros/hora da
velocidade máxima de circulação permitida atualmente, também aprovada pela a
oposição, mas o presidente da autarquia alfacinha não respondeu.
A oposição na
Câmara de Lisboa aprovou na quarta-feira uma proposta do Livre que determina a
redução em 10 km/h da velocidade máxima de circulação permitida actualmente e a
eliminação do trânsito automóvel na Avenida da Liberdade aos domingos e feriados.
A proposta obriga o executivo camarário a “reduzir em 10 km/h [quilómetros por
hora] a velocidade máxima de circulação permitida para: 30km/h nas vias de 3.º,
4.º e 5.º nível da rede viária, para 40km/h nas vias de 2.º nível e para 70km/h
nas vias de 1.º nível”. A iniciativa “Contra a guerra, pelo clima: proposta
pela redução da dependência dos combustíveis fósseis na cidade de Lisboa” foi
aprovada com sete votos contra da liderança PSD/CDS-PP, duas abstenções dos
vereadores do PCP e oito votos a favor, designadamente cinco do PS, um do
Livre, um da vereadora independente Paula Marques e um do BE.
Entre as medidas
está a reactivação do programa “A Rua é Sua", alargando a outros locais da
cidade e prolongando o período em vigor, nomeadamente através da “eliminação do
trânsito automóvel na Avenida da Liberdade em todos os domingos e feriados
(anteriormente apenas último domingo de cada mês)”. Foi decidido ainda que o
corte do trânsito automóvel aos domingos deve ser alargado a todas as
freguesias, aplicando-se a “uma artéria central (ou mais) com comércio e
serviços locais”, lê-se na proposta do Livre.

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