Britain to impose ‘direct rule’ on British Virgin
Islands
By George Allison - April 30, 2022100
https://ukdefencejournal.org.uk/britain-to-impose-direct-rule-on-british-virgin-islands/
Britain is poised to impose direct rule over the
British Virgin Islands after the Caribbean territory’s Prime Minister was
arrested in Miami on suspicion of drug running and an inquiry found rampant
corruption problems in the territory.
The Guardian reports here that the inquiry, in its
highly critical final report, recommended that the territory should have its
constitution suspended, its government dissolved and be temporarily be ruled
from London.
The British Virgin Islands are a British Overseas
Territory in the Caribbean, to the east of Puerto Rico and the U.S. Virgin
Islands and north-west of Anguilla.
The territory operates, on paper, as a parliamentary
democracy and ultimate executive authority in the British Virgin Islands is
vested in the Queen, and is exercised on her behalf by the Governor of the
British Virgin Islands.
The governor is appointed by the Queen on the advice
of the British Government. Defence and most foreign affairs remain the responsibility
of the United Kingdom.
Tráfico de droga, corrupção e intervenção de Londres à
vista: como o paraíso das Ilhas Virgens Britânicas virou um inferno
Juiz britânico recomenda controlo directo do Reino Unido
sobre o território ultramarino caribenho após detenção do primeiro-ministro
pela agência anti-drogas dos EUA. Secretária de Estado britânica vai discutir a
situação com o representante da rainha e as autoridades locais.
António Saraiva
Lima
30 de Abril de
2022, 20:30
Pela primeira vez
desde 2009, quando teve de intervir nas Ilhas Turcas e Caicos, o Reino Unido
deverá assumir a governação de um dos seus Territórios Ultramarinos.
A detenção de
Andrew Fahie, primeiro-ministro das Ilhas Virgens Britânicas (BVI, na sigla
original), em Miami, acusado de tráfico de droga e de lavagem de dinheiro, e a
antecipação da publicação de um relatório elaborado por um juiz britânico, no
âmbito das denúncias de corrupção e de desvio de dinheiros públicos no
arquipélago caribenho, apontam para esse cenário.
Descrevendo a
situação nas BVI como “terrivelmente má”, o juiz Gary Hickinbottom recomenda
que a Constituição local seja “parcialmente suspensa”, que o Parlamento e o
governo sejam dissolvidos e que Londres assuma o controlo directo do território
durante pelo menos dois anos.
“Foi com o
coração particularmente pesado que cheguei à conclusão que, a menos que sejam
dados passos urgentes e drásticos, a actual triste situação – em que
representantes eleitos ignoram deliberadamente os princípios básicos da boa
governação, dando origem a um ambiente em que o risco de haver desonestidade em
relação à tomada de decisão e ao financiamento públicos permanece inalterado –
vai permanecer indefinidamente”, justificou o magistrado, num relatório com
quase 950 páginas.
“Isto é
totalmente inaceitável”, prossegue. “Não apenas porque a população das BVI
merece melhor, mas porque o Governo do Reino Unido tem a obrigação de, não só a
proteger de tais abusos, como de a ajudar a atingir as suas aspirações de
autogovernação enquanto Estado democrático moderno”, acrescentou o responsável
pela comissão de inquérito lançada em Janeiro do ano passado para avaliar a
governação do território do Caribe.
Habitualmente nas
notícias pelas suas praias imaculadas e por se tratar de um paraíso fiscal
apetecível para detentores de grandes fortunas, o arquipélago é composto por
mais de 40 ilhas, localizadas a Leste de Porto Rico. É um dos 14 territórios
pertencentes aos chamados British Overseas Territories (Territórios
Ultramarinos Britânicos), antigas colónias do Império Britânico que mantêm um
vínculo constitucional ao Reino Unido e cujo chefe de Estado é Isabel II.
Com cerca de 35
mil habitantes, as BVI elegem um governo e um parlamento. Cabe, no entanto, ao
Governo britânico gerir as suas relações externas e a política de Defesa, assim
como nomear um governador – que é o representante do Estado e da rainha no
território.
“Armadilha” da
DEA
Apesar de não
haver uma relação directa entre as denúncias do relatório de Hickinbottom e as
acusações contra Andrew Fahie, a detenção do primeiro-ministro das BVI levou à
antecipação da publicação do documento, que tinha sido requerido pelo
governador John Rankin; uma decisão tomada pelo Governo de Boris Johnson
aparentemente para reforçar a necessidade urgente de se responder à situação
crítica no arquipélago.
Fahie foi detido
na quinta-feira, em Miami, no âmbito de uma operação da DEA, a agência de
combate ao narcotráfico dos Estados Unidos. Apresentado no dia seguinte a um
juiz de um tribunal do estado norte-americano da Florida, foi acusado de
tráfico de cocaína e de lavagem de dinheiro.
Segundo a
imprensa britânica, o primeiro-ministro foi ludibriado por agentes infiltrados
da DEA. Fazendo-se passar por narcotraficantes mexicanos pertencentes ao cartel
de Sinaloa, os agentes prometeram pagar 700 mil dólares (cerca de 664 mil
euros) a Fahie, para que este autorizasse que um carregamento de cocaína,
supostamente vinda da Colômbia, pudesse ficar armazenado, durante uns dias, nas
instalações portuárias das BVI, antes de ser transferido para Porto Rico e
Miami.
A operação da DEA
terminou com a detenção de Andrew Fahie num jacto privado, naquela cidade
norte-americana, no momento em que este pensava que ia receber a quantia
prometida. Oleanvine Maynard, responsável pela autoridade portuária do
arquipélago, e o seu filho, Kadeem Maynard, também foram detidos na mesma
rusga.
“Mudança
necessária”
Embora não tenha
referido directamente a possibilidade de o Reino Unido assumir o controlo das
BVI, Elizabeth Truss, ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, defendeu,
num comunicado, que o relatório de Hickinbottom “mostra claramente que é
necessária uma mudança constitucional e legislativa substancial” no território.
Nesse sentido,
Amanda Milling, secretária de Estado responsável pelos territórios
ultramarinos, partiu este sábado para as BVI, para discutir a situação com John
Rankin – o principal candidato a assumir a governação temporária do arquipélago
– e com outros dirigentes políticos locais.
Para além de ser
um tópico sensível, por poder ser entendido pela população local como uma
manifestação de colonialismo por parte do Reino Unido – cada vez mais
contestada em alguns países caribenhos da Commonwealth, como os Barbados ou a
Jamaica –, o debate sobre o controlo directo do arquipélago pelas autoridades
britânicas conta com a oposição do substituto de Fahie.
Segundo Natalio
Wheatley, ministro da Educação, da Cultura, da Juventude, das Pescas e da
Agricultura, que assumiu interinamente a chefia do governo das BVI, a população
“não quer ver a Constituição suspensa”.
“Isso
significaria, em termos concretos, que deixaria de haver representantes eleitos
a representar as pessoas dos distritos e do território na Câmara da Assembleia,
onde são feitas as leis para a nossa sociedade”, afirmou, em declarações à BBC.
Sobre os
problemas identificados pelo juiz Gary Hickinbottom, Wheatley deixou um recado
a Downing Street: “Todos os países do mundo enfrentam desafios com a sua
governação – incluindo o Reino Unido”.
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