domingo, 1 de maio de 2022

British Virgin Island Premier Andrew Fahie Arrested On Drug Trafficking Charges In South Florida / Britain to impose ‘direct rule’ on British Virgin Islands


Britain to impose ‘direct rule’ on British Virgin Islands

By George Allison - April 30, 2022100

https://ukdefencejournal.org.uk/britain-to-impose-direct-rule-on-british-virgin-islands/

 

Britain is poised to impose direct rule over the British Virgin Islands after the Caribbean territory’s Prime Minister was arrested in Miami on suspicion of drug running and an inquiry found rampant corruption problems in the territory.

The Guardian reports here that the inquiry, in its highly critical final report, recommended that the territory should have its constitution suspended, its government dissolved and be temporarily be ruled from London.

 

The British Virgin Islands are a British Overseas Territory in the Caribbean, to the east of Puerto Rico and the U.S. Virgin Islands and north-west of Anguilla.

 

The territory operates, on paper, as a parliamentary democracy and ultimate executive authority in the British Virgin Islands is vested in the Queen, and is exercised on her behalf by the Governor of the British Virgin Islands.

 

The governor is appointed by the Queen on the advice of the British Government. Defence and most foreign affairs remain the responsibility of the United Kingdom.

 

Tráfico de droga, corrupção e intervenção de Londres à vista: como o paraíso das Ilhas Virgens Britânicas virou um inferno

 

Juiz britânico recomenda controlo directo do Reino Unido sobre o território ultramarino caribenho após detenção do primeiro-ministro pela agência anti-drogas dos EUA. Secretária de Estado britânica vai discutir a situação com o representante da rainha e as autoridades locais.

 

António Saraiva Lima

30 de Abril de 2022, 20:30

https://www.publico.pt/2022/04/30/mundo/noticia/trafico-droga-corrupcao-intervencao-londres-vista-paraiso-ilhas-virgens-britanicas-virou-inferno-2004428

 

Pela primeira vez desde 2009, quando teve de intervir nas Ilhas Turcas e Caicos, o Reino Unido deverá assumir a governação de um dos seus Territórios Ultramarinos.

 

A detenção de Andrew Fahie, primeiro-ministro das Ilhas Virgens Britânicas (BVI, na sigla original), em Miami, acusado de tráfico de droga e de lavagem de dinheiro, e a antecipação da publicação de um relatório elaborado por um juiz britânico, no âmbito das denúncias de corrupção e de desvio de dinheiros públicos no arquipélago caribenho, apontam para esse cenário.

 

Descrevendo a situação nas BVI como “terrivelmente má”, o juiz Gary Hickinbottom recomenda que a Constituição local seja “parcialmente suspensa”, que o Parlamento e o governo sejam dissolvidos e que Londres assuma o controlo directo do território durante pelo menos dois anos.

 

“Foi com o coração particularmente pesado que cheguei à conclusão que, a menos que sejam dados passos urgentes e drásticos, a actual triste situação – em que representantes eleitos ignoram deliberadamente os princípios básicos da boa governação, dando origem a um ambiente em que o risco de haver desonestidade em relação à tomada de decisão e ao financiamento públicos permanece inalterado – vai permanecer indefinidamente”, justificou o magistrado, num relatório com quase 950 páginas.

 

“Isto é totalmente inaceitável”, prossegue. “Não apenas porque a população das BVI merece melhor, mas porque o Governo do Reino Unido tem a obrigação de, não só a proteger de tais abusos, como de a ajudar a atingir as suas aspirações de autogovernação enquanto Estado democrático moderno”, acrescentou o responsável pela comissão de inquérito lançada em Janeiro do ano passado para avaliar a governação do território do Caribe.

 

Habitualmente nas notícias pelas suas praias imaculadas e por se tratar de um paraíso fiscal apetecível para detentores de grandes fortunas, o arquipélago é composto por mais de 40 ilhas, localizadas a Leste de Porto Rico. É um dos 14 territórios pertencentes aos chamados British Overseas Territories (Territórios Ultramarinos Britânicos), antigas colónias do Império Britânico que mantêm um vínculo constitucional ao Reino Unido e cujo chefe de Estado é Isabel II.

 

Com cerca de 35 mil habitantes, as BVI elegem um governo e um parlamento. Cabe, no entanto, ao Governo britânico gerir as suas relações externas e a política de Defesa, assim como nomear um governador – que é o representante do Estado e da rainha no território.

 

“Armadilha” da DEA

Apesar de não haver uma relação directa entre as denúncias do relatório de Hickinbottom e as acusações contra Andrew Fahie, a detenção do primeiro-ministro das BVI levou à antecipação da publicação do documento, que tinha sido requerido pelo governador John Rankin; uma decisão tomada pelo Governo de Boris Johnson aparentemente para reforçar a necessidade urgente de se responder à situação crítica no arquipélago.

 

 

Fahie foi detido na quinta-feira, em Miami, no âmbito de uma operação da DEA, a agência de combate ao narcotráfico dos Estados Unidos. Apresentado no dia seguinte a um juiz de um tribunal do estado norte-americano da Florida, foi acusado de tráfico de cocaína e de lavagem de dinheiro.

 

Segundo a imprensa britânica, o primeiro-ministro foi ludibriado por agentes infiltrados da DEA. Fazendo-se passar por narcotraficantes mexicanos pertencentes ao cartel de Sinaloa, os agentes prometeram pagar 700 mil dólares (cerca de 664 mil euros) a Fahie, para que este autorizasse que um carregamento de cocaína, supostamente vinda da Colômbia, pudesse ficar armazenado, durante uns dias, nas instalações portuárias das BVI, antes de ser transferido para Porto Rico e Miami.

 

A operação da DEA terminou com a detenção de Andrew Fahie num jacto privado, naquela cidade norte-americana, no momento em que este pensava que ia receber a quantia prometida. Oleanvine Maynard, responsável pela autoridade portuária do arquipélago, e o seu filho, Kadeem Maynard, também foram detidos na mesma rusga.

 

“Mudança necessária”

Embora não tenha referido directamente a possibilidade de o Reino Unido assumir o controlo das BVI, Elizabeth Truss, ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, defendeu, num comunicado, que o relatório de Hickinbottom “mostra claramente que é necessária uma mudança constitucional e legislativa substancial” no território.

 

Nesse sentido, Amanda Milling, secretária de Estado responsável pelos territórios ultramarinos, partiu este sábado para as BVI, para discutir a situação com John Rankin – o principal candidato a assumir a governação temporária do arquipélago – e com outros dirigentes políticos locais.

 

Para além de ser um tópico sensível, por poder ser entendido pela população local como uma manifestação de colonialismo por parte do Reino Unido – cada vez mais contestada em alguns países caribenhos da Commonwealth, como os Barbados ou a Jamaica –, o debate sobre o controlo directo do arquipélago pelas autoridades britânicas conta com a oposição do substituto de Fahie.

 

Segundo Natalio Wheatley, ministro da Educação, da Cultura, da Juventude, das Pescas e da Agricultura, que assumiu interinamente a chefia do governo das BVI, a população “não quer ver a Constituição suspensa”.

 

“Isso significaria, em termos concretos, que deixaria de haver representantes eleitos a representar as pessoas dos distritos e do território na Câmara da Assembleia, onde são feitas as leis para a nossa sociedade”, afirmou, em declarações à BBC.

 

Sobre os problemas identificados pelo juiz Gary Hickinbottom, Wheatley deixou um recado a Downing Street: “Todos os países do mundo enfrentam desafios com a sua governação – incluindo o Reino Unido”.


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