Global Media perde 17 milhões e Público já dá lucro. As
contas dos media privados
Flávio Nunes
Dona do JN, DN e TSF fechou 2020 com prejuízos de 17
milhões. Já a Renascença passou a dar prejuízo e o Público deu lucro. Portal da
ERC mostra contas das empresas de media com capital fechado.
Os grupos de
comunicação social de referência em Portugal que não têm capital disperso em
bolsa obtiveram resultados financeiros mistos em 2020. Se, para uns, o ano da
pandemia foi de regresso aos lucros, outros conseguiram reduzir os prejuízos
apesar da conjuntura económica mais difícil. Mas houve quem tenha visto as
perdas agravarem-se de forma significativa.
O caso mais
paradigmático é o da Global Media. O ECO já tinha noticiado em primeira mão que
a dona do Jornal de Notícias, Diário de Notícias e TSF teria registado mais de
16 milhões de euros de prejuízos no ano passado. Fechadas as contas, as perdas
foram ainda superiores: o grupo que é controlado desde o final de 2020 por
Marco Galinha obteve um resultado líquido negativo 17,7 milhões de euros. O
resultado compara muito desfavoravelmente com os prejuízos de 7,6 milhões de
euros obtidos em 2019.
Do lado das
receitas, a Global Media gerou rendimentos totais de 37,76 milhões de euros e
tinha uma dívida total de 52,56 milhões de euros no final do ano passado. O capital
próprio da empresa, que é o saldo entre o ativo total e o passivo no balanço,
era positivo em quase 8,35 milhões.
Esta informação
está plasmada no Portal da Transparência da Entidade Reguladora para a
Comunicação Social (ERC). Por não estarem cotadas na bolsa, estas empresas não
têm de publicar resultados na CMVM. Mesmo assim, são obrigadas por lei a
reportar informação financeira anual ao regulador da comunicação social até 30
de junho. Os dados acabam, depois, publicados nesta plataforma da ERC, cujo
acesso está disponível ao público.
É, por isso, uma
rara oportunidade para avaliar o desempenho financeiro de alguns grupos de
media portugueses, que diferem de empresas cotadas na bolsa, como a Impresa
(dona da SIC), Media Capital (dona da TVI) e Cofina (dona do Correio da Manhã).
Estes três últimos grupos enviam ao mercado contas auditadas pelo menos duas
vezes por ano, pelo que os respetivos resultados financeiros e operacionais são
sempre mais facilmente escrutinados e conhecidos.
Renascença passa a dar prejuízo
Além da Global
Media, o ano de 2020 também foi difícil para outra empresa de comunicação
social bem conhecida dos portugueses: o grupo Renascença, que detém a Rádio
Renascença, a RFM e a Mega Hits.
A empresa de
rádio passou de lucros de 1,6 milhões em 2019 para prejuízos de 2,9 milhões de
euros em 2020, tendo obtido receitas de 13,78 milhões. A 31 de dezembro,
registava um passivo total de 6,4 milhões e um capital próprio de 5,2 milhões,
mostra a informação que submeteu à ERC.
Já a Megafin,
dona do Jornal Económico, agravou as suas perdas no ano passado. O grupo viu os
prejuízos aumentarem de cerca de 497 mil euros em 2019 para 583,6 mil euros em
2020. Obteve rendimentos totais de 1,4 milhões, com um passivo total de 3,2
milhões e capitais próprios negativos em 1,1 milhões de euros.
Observador e ECO reduzem perdas
Em sentido
inverso, o ano da pandemia também desagravou os prejuízos de algumas empresas
de comunicação social de âmbito nacional. Foi o caso da Observador On Time, que
controla o jornal digital e a rádio com o mesmo nome. Os prejuízos do
Observador caíram de 1,3 milhões em 2019 para 767 mil euros em 2020, face a
rendimentos totais de 5,4 milhões de euros, um passivo total de 3,6 milhões e
capital próprio de 2,2 milhões.
De acordo com o
Portal da Transparência, também a Swipe News, dona do jornal digital ECO, viu
as perdas reduzirem-se, de 847,4 mil euros em 2019 para 656,3 mil euros em
2020, face a rendimentos totais de 1,2 milhões de euros no ano da pandemia. A
capitalização da sociedade pelos acionistas, contabilizada como empréstimos em
vez de capital ou suprimentos, levou a um aumentou da dívida para 1,14 milhões
de euros, o que atirou o capital próprio da empresa para terreno negativo:
-314,5 mil euros.
Público já dá lucro
Por fim, houve
empresas para as quais 2020 foi um ano bastante positivo em termos financeiros.
Foi o caso do Público, que passou de prejuízos de 3,3 milhões de euros em 2019
para lucros de 2,6 milhões de euros em 2020. Os rendimentos totais, contudo,
caíram de 16,6 milhões para 14,5 milhões de euros. No final do ano, o passivo
total era de 8,5 milhões de euros e o capital próprio era de quase três
milhões.
Da esfera privada
para a esfera pública, foi igualmente o caso da RTP. A estação de rádio e
televisão detida pelo Estado reportou à ERC uma melhoria no resultado líquido,
de 902,6 mil euros de lucro em 2019 para 3,08 milhões de euros de lucro em
2020. Esta informação já tinha sido divulgada anteriormente.
Já a Trust in
News, dona de revistas como a Visão, viu os lucros caírem de 16,3 mil para dez
mil euros em 2020. Os rendimentos totais alcançaram 15,66 milhões e a dívida
ascendia a 20,5 milhões de euros. Os capitais próprios da empresa eram
positivos em 32,5 mil euros.
Lusa pede confidencialidade
Por fim, a ERC
está a apreciar um pedido de confidencialidade da Agência Lusa relativo aos
dados financeiros do ano passado, pelo que os resultados não constam no Portal
da Transparência do regulador. Todavia, a agência que é parcialmente detida
pelo Estado obteve um resultado líquido de 76 mil euros em 2020, uma queda de
88,4% face aos lucros de 655 mil euros registados em 2019, informação que está
plasmada no Relatório e Contas de 2020, publicado no próprio site da agência.
Toda esta
informação financeira junta-se aos dados dos grupos cotados, que já eram
conhecidos: a Impresa, dona da SIC e do Expresso, melhorou os lucros em 43,2%,
para 11,2 milhões de euros em 2020; a Media Capital, dona da TVI e de rádios
como a Comercial, viu os prejuízos encolherem de 54,7 milhões em 2019 para
cerca de 11,1 milhões em 2020; já os lucros da Cofina, dona do Correio da
Manhã, da CMTV, da Sábado e do Jornal de Negócios, caíram 23,2%, para 5,5
milhões de euros, aproximadamente.

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