Palácio Burnay, em Lisboa, foi vandalizado e todas as
telas desapareceram
"Fórum Cidadania LX" refere que terá havido um
"roubo recente" das obras de arte que estavam neste palácio
histórico, em Lisboa, que é propriedade do Estado (da Direção-Geral do Tesouro
e Finanças).
Edgar Caetano
Texto
03 jul 2021,
19:34 14
O Palácio Burnay,
em Lisboa, foi vandalizado e desapareceram todas as telas que adornavam este
edifício histórico na zona da Junqueira. O “Fórum Cidadania LX” atribui o
desaparecimento das obras a um “roubo recente” e enviou um protesto ao
Diretor-Geral do Tesouro e Finanças (proprietário deste imóvel do Estado), com
conhecimento da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), do presidente da
Câmara Municipal de Lisboa e até do primeiro-ministro, António Costa. Pelo
menos à DGPC o protesto chegou esta sexta-feira,
segundo confirmou o Observador.
O caso foi
denunciado através do blogue deste Movimento Fórum Cidadania LX, que inclui
várias fotos tiradas dentro do edifício e que demonstram o estado de abandono a
que está votado. É possível perceber que várias obras de arte foram retiradas
das paredes do palácio.
O protesto é
dirigido primordialmente a Miguel Marques dos Santos, Diretor-Geral do Tesouro
e Finanças, mas foi dado conhecimento a Fernando Medina, António Costa, ao parlamento
e à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), entre outras entidades.
Este é um imóvel
que é propriedade do Estado e está classificado Imóvel de Interesse Público
desde 26 de fevereiro de 1982. Muitos conhecem-no por ter sido ocupado pelo
Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa
(ISCSP), até 2001. Depois, chegou a albergar o Instituto de Investigação
Científica Tropical mas também essa entidade se mudou há alguns anos.
“Fomos agora
alertados para o roubo recente da totalidade das telas existentes na antiga
sala de baile do Palácio Burnay, e que ainda existiam aquando da visita de V.
Exa. [Miguel Marques dos Santos] ao Palácio em Abril de 2020 (!), aquando da
elaboração de relatórios técnicos pela DGPC”, pode ler-se na carta enviada.
Autoridades já
tinham sido alertadas para janelas abertas
Os signatários
acrescentam que, “há relativamente pouco tempo”, constataram “a existência de
janelas abertas ao nível da rua” e imediatamente alertaram Miguel Marques dos Santos
para a necessidade de as fecharem, “até porque essa situação já se verificava
desde há vários meses a essa parte, e, portanto, existia elevada probabilidade
de se verificaram roubos e ainda maiores atos de vandalismo do que aqueles por
que o Palácio tem passado”.
O palácio poderá
vir a ser ocupado pelo Conselho Económico e Social, segundo se pode ler na
carta, algo que estará a ser negociado. É uma “solução que, não sendo a ideal,
certamente possibilitará o estancar na degradação e abandono a que o Estado
votou este imóvel histórico da autoria de Nicola Bigaglia”, dizem os
signatários.
O Fórum Cidadania
LX diz que, à semelhança do que aconteceu em outras situações (como o Forte de
Santo António da Barra, em São João do Estoril, e o Paço Real de Caxias), o
Estado não estará a zelar pelo património como devia. O organismo “lamenta
profundamente que o Estado, mais uma vez, proceda deste modo em relação ao
Património que lhe foi entregue por privados para que dele cuidassem, configurando
intencionalidade em prol da degradação irrecuperável dos imóveis classificados
à sua guarda”.
O Observador
tentou, sem sucesso, contactar a assessoria de comunicação do Ministério das
Finanças e foi, também, pedida uma reação a fonte oficial da Câmara Municipal
de Lisboa, que ainda não chegou. Já fonte oficial da DGPC confirmou a receção
desta carta-protesto nesta sexta-feira mas não avançou mais comentários.


Sem comentários:
Enviar um comentário