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Onde está o motorista de Eduardo Cabrita?
04.07.2021 às
23h13
LUÍS DELGADO
COMENTADOR
POLÍTICO
LD Linhas
Direitas
Tudo somado, quem vai ser julgado é o motorista, quem vai
ser penalizado é o motorista, e quem vai ficar pendurado é o motorista. É a ele
que Eduardo Cabrita quer proteger?
Não sei, ninguém
sabe, e nunca foi referido o que está a passar o motorista que conduzia o
ministro da Administração Interno no acidente da A6, que vitimou um inocente,
em trabalho. Do nada, sem aviso, apanhou com um carro de alta cilindrada em
cima, à velocidade da luz, presume-se. Se há pessoa que conhece tudo, ao mais
ínfimo pormenor, é o motorista de Eduardo Cabrita.
Alguém sabe quem
é, tirando obviamente os seus colegas e o gabinete do ministro, bem como a GNR,
o INEM, e o MP? Há, contudo, algumas certezas sobre este funcionário público.
Vai cair-lhe tudo em cima. Já está, aliás, mas não publicamente. Para além,
claro, do choque e depressão que deve estar a sofrer, o motorista foi o braço
armado do ministro, que seguia ao lado, e estava cheio de pressa.
Os motoristas de
altas figuras de Estado andam sempre no limite, não de velocidade, mas do
carro? Nem pensar. Depende do passageiro, e das suas ordens. «Tenho de estar em
Lisboa daqui a 5 minutos». Se foi assim, o motorista teve, de repente, de
transformar-se num piloto de um F-16. Prego ao fundo, e ainda por cima numa
autoestrada que não é propriamente congestionada.
Não há outra
explicação, mesmo sendo muito criativo. Tudo somado, quem vai ser julgado é o
motorista, quem vai ser penalizado é o motorista, e quem vai ficar pendurado é
o motorista. É a ele que Eduardo Cabrita quer proteger? Poderia ser. Não falar,
para não prejudicar ainda mais o seu caso.
Mas de quem é a
autoria moral desse trágico acidente? A quem cabe responsabilizar-se pela morte
inesperada de trabalhador apanhado pelo furação ministerial? É do motorista?
Ele é que decidiu passar as marcas? Todas as marcas. Se tivesse sido um
acidente «normal», dentro das regras de trânsito, e da segurança rodoviária,
mesmo com uma vítima mortal, mas envolvendo um político, toda a situação já
teria sido esclarecida.
É preciso acabar
com esta farsa: a que velocidade ia o carro, e quem mandou, ou não se importou
que fosse excessiva? Não há ninguém, em carro nenhum, que não se aperceba
quando circula a alta velocidade. Não há como. A força G sente-se no corpo. O
ministro não pode fingir que não viu, e o motorista não poderia carregar no
acelerador, de livre iniciativa, sem que o seu passageiro não desse conta. O
motorista sabe tudo, e vai apanhar com tudo. Mesmo que diga que recebeu
instruções, para chegar a Lisboa em 5 minutos. Onde está o motorista?


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