SOCIEDADE 20 de
setembro 2021
Mais duas pessoas esfaqueadas este fim-de-semana na noite
de Lisboa.
Parecem longínquas as noites em que a capital se
encontrava vazia devido à pandemia. As multidões estão de volta, assim como a
insegurança.
Mafalda Gomes
Joana Faustino
joana.faustino@newsplex.pt
Um homem de 30
anos foi esfaqueado ao início da manhã de ontem na zona de Santos, no culminar
de um fim-se-semana que juntou milhares de pessoas, álcool e música.
Fonte do Comando
Metropolitano de Lisboa confirmou o caso, acrescentado que a vítima acabou por
ser conduzida para o hospital. Não foram, no entanto, adiantadas mais
informações, uma vez que o caso está sob investigação da Polícia Judiciária.
Contactada pela
agência Lusa, uma fonte do INEM informou que tinha sido recebida uma chamada às
6h39 para a estação de comboio de Santos. A vítima era um homem branco que
tinha sido agredido com uma arma branca, havendo indicação de um segundo
ferido.
A fonte
acrescentou que foram acionadas duas “ambulâncias e a viatura médica de
emergência e reanimação do hospital de São José”, não existindo, contudo dados
clínicos, uma vez que as equipas ainda não tinham transmitido os dados ao
Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
Ainda este
fim-de-semana mas um dia antes, um jovem de 21 anos foi esfaqueado na mesma
zona. O suspeito da agressão ainda não foi identificado.
Segundo o Comando
Metropolitano de Lisboa, o alerta foi dado pelas 3h40 da manhã e as duas
situações não estarão relacionadas.
Na altura das
agressões a Polícia já se encontraria na área mas não conseguiu chegar ao local
a tempo de perceber quem fora o agressor. A prioridade foi então prestar
socorro à vítima, que acabou por ser transferida para o Hospital de São José,
não estando, no entanto, em perigo de vida.
Ajuntamentos levam PSP a tomar medidas
A quantidade de
pessoas que se tem vindo a juntar nas últimas semanas na zona de Santos para
aproveitar a noite tem sido cada vez maior.
As imagens têm
sido partilhadas nas redes sociais e não deixam margem para dúvidas: eram
milhares aqueles que marcavam presença no Largo Vitorino Damásio.
Numa publicação
na rede social Instagram, uma utilizadora partilhou uma imagem do largo
totalmente preenchido, impedindo um carro de passar com a descrição: “Isto
está-se a passar desde o início do mês em Santos. Infelizmente, ontem
[sexta-feira] foi a pior noite e está a ficar descontrolado. Bloqueiam o
trânsito e, como veem, intimidam os condutores e atacam viaturas”.
Em declarações ao
Observador, o Comissário Ricardo Barata adiantou que as autoridades têm estado
atentas, acrescentando que a situação teve como causa “o fecho dos bares às
duas da manhã” e que, pouco tempo depois, a multidão de jovens entre os “16 e
25 anos” já tinha sido dispersada sem “qualquer tipo de tensão” ou autos
levantados.
As agressões
deste fim-de-semana não foram as primeiras. Conforme o Nascer do Sol noticiou
no passado sábado, a noite de Lisboa está a lidar com uma situação nunca antes
vista, com violência provocada por uma guerra “pelo controlo do tráfico de
armas e de droga e por redes de prostituição”. No fim de semana de 11 e 12 de
setembro duas pessoas morreram e seis ficaram em estado grave. As vítimas
teriam relacionadas com essa guerra pelo controle do crime organizado.
As autoridades
afirmaram que é necessário que se alerte “os jovens para os perigos que correm
quando estão sozinhos na zona do Bairro Alto, Bica e Cais do Sodré”, pois só
assim podem “tomar outras precauções”.

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