Este é sem dúvida
um dia negro para as modestas ambições da Alfaiataria e Confeção Portuguesas.
Com o
desaparecimento da Dielmar, as modestas ambições de Portugal no Mercado
Internacional ficam reduzidas à Diniz & Cruz.
OVOODOCORVO
EMPRESAS
INDÚSTRIA
Insolvência da Dielmar atira 300 para o desemprego em
Castelo Branco
A Dielmar “sucumbiu à pandemia da covid-19”, tendo
entregado o pedido de insolvência no final da semana passada. A empresa de
Alcains empregava atualmente cerca de 300 pessoas, com quem garante ter os
salários em dia.
Paulo Novais /
Lusa
António Larguesa
António Larguesa
alarguesa@negocios.pt
08:39
"Terminamos
hoje o sonho dos nossos pais e dos fundadores da Dielmar, que há 56 anos
ousaram transformar a sua atividade artesanal com a criação de uma indústria em
Alcains que criou milhares de empregos, formou milhares de pessoas, gerou uma
imensa riqueza para a região e para o país e levou o nome de Portugal pelo
mundo".
Foi desta forma
que a administração da conhecida empresa de vestuário sediada em Castelo Branco
anunciou esta segunda-feira, 2 de agosto, o pedido de insolvência entregue no
final da semana passada, aceite pelo tribunal por dívidas a fornecedores, e que
vai atirar para o desemprego cerca de 300 trabalhadores. Era uma dos maiores
empregadoras da região.
Num comunicado
enviado às redações, a administração liderada por Ana Paula Rafael confirma que
a empresa da Beira Interior "sucumbiu à pandemia da covid-19" e
garante que "pagou pontualmente e até à data os salários aos seus
trabalhadores", lembrando que durante cinco décadas manteve "a
prosperidade e a tranquilidade de muitas famílias em Alcains e nas terras em
redor".
Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol
para que possam repensar com carácter de urgência o interior e apoiar as
indústrias que ainda aqui existem.
Ana Paula Rafael,
presidente da Dielmar
Fundada em 1965
pela junção de quatro alfaiates que deram o nome à empresa, sob a forma de
acrónimo – Dias, Helder, Mateus e Ramiro –, a empresa de confeções
especializada em roupa para homem – vestiu a seleção portuguesa que venceu o
Euro2016 – chegou a empregar 400 pessoas e, antes desta crise, exportava perto
de 70% da produção para 25 mercados e faturava cerca de 15 milhões de euros.
"Talvez a
insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com
carácter de urgência o interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e
que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio
social da região. E que proporcionam, sobretudo, oportunidades de trabalho para
as mulheres", refere a nota enviada por Ana Paula Rafael, filha de um dos
fundadores, que em 2008 assumiu o comando da empresa.
"Novas
oportunidades" depois da "tragédia"?
Enquanto a
gestora diz esperar que "sejam tomadas verdadeiras medidas e iniciativas a
favor do interior, para que todos estes trabalhadores voltem a poder ter o seu
emprego aqui e não tenham que sair da sua terra para trabalhar", o
presidente da Câmara de Castelo Branco, José Augusto Alves, fala ao Jornal do
Fundão (JF) de uma "tragédia que se abateu sobre Alcains", esperando
o autarca socialista que ainda possa ser encontrada uma solução.
"Ficam a
marca e o know-how da Dielmar, as instalações e os equipamentos fabris e a
vontade de trabalhar destas gentes que - porventura com a ‘bazuca’ que um dia
certamente chegará à economia do interior para promover a retoma - possam ainda
ter uma segunda oportunidade e dar mais 50 anos a este projeto
empresarial", sustenta a administração, confiando que "a insolvência
abrirá novas oportunidades que terão certamente a mobilização e apoio do
próprio Estado e da autarquia e poderão proporcionar o ressurgimento da empresa
e a manutenção dos atuais postos de trabalho".
Marisa Tavares,
dirigente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa, disse ao JF que "os
trabalhadores estão a gozar um período de férias até dia 16" e que "a
Comissão Sindical na Dielmar não sabe de nada", tendo já pedido
"informações urgentes" à administração. Para esta segunda-feira, a
partir das 15:00, está já marcado um plenário com os trabalhadores, a realizar
à porta da fábrica, em Alcains.
"Longos e
duros 16 meses" até falir
Além da fábrica
em Alcains e das vendas de roupa para outras retalhistas, a Dielmar contava
também com dez lojas próprias e viu a pandemia "alterar radicalmente"
o seu negócio a partir de março de 2020. Não só por via do encerramento do
comércio em diferentes períodos e em múltiplas geografias, como pelo facto de
estar crise ter "[atacado] globalmente o que de melhor sustentava a sua
atividade", como os convívios sociais, os eventos e casamentos, ou "o
trabalho profissional" nos escritórios, interrompido até agora pelo
teletrabalho. Na nota enviada às redações esta madrugada, Ana Paula Rafael
descreve que "foram longos e duros 16 meses e um esforço imenso e
solitário da equipa Dielmar para conseguir fazer sobreviver a empresa nesta
pandemia sanitária e económica". Infrutíferos, como agora se
comprova.

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