A falência da Dielmar em 5 números
Mariana Espírito
Santo
7:09
https://eco.sapo.pt/2021/08/03/a-falencia-da-dielmar-em-5-numeros/
Insolvência da Dielmar contempla várias dimensões, desde
oito milhões de dinheiro público até uma dívida à banca de cerca de seis
milhões de euros, passando pelos 300 postos de trabalho.
A empresa de
vestuário Dielmar, que “se debate, há vários anos, com graves problemas
financeiros”, segundo o Governo, apresentou o pedido de insolvência esta
sexta-feira. Já avançaram vários apoios públicos à empresa, que superam os oito
milhões de euros, como sinalizou o ministro da Economia, que poderão não ser
recuperados.
Há mais de 300
postos de trabalho em causa com o encerramento da Dilemar, a maioria no
interior do país. O Governo rejeita uma nova injeção de “dinheiro fresco” numa
empresa “que não tem salvação”, estando ainda assim à procura de “soluções para
os ativos da empresa que possam assegurar a preservação dos postos de
trabalho”.
Desde o dinheiro
público, à dívida para com a banca, os fornecedores e a Segurança Social,
passando pelos anos de resultados negativos, há grandes números que representam
a situação da Dielmar.
Oito milhões de
euros públicos
O ministro da
Economia explicou que “mais de oito milhões de euros públicos já estão a apoiar
a empresa”, valor que “se calhar” não vai ser recuperado. Em comunicado, é
explicitado que, durante os últimos dez anos, “várias entidades públicas
injetaram um valor aproximado de 5.000.000,00€ na empresa, tendo também
garantido mais de 3.000.000,00€ de dívida”.
Siza Vieira
lembrou também que o Estado “foi assegurando a capitalização da empresa”, tendo
“entrado no capital com 30%” e adquirido, em 2017, imóveis por 2,5 milhões de
euros. “O Estado garante ainda uma parte muito substancial da dívida da
Dielmar: mais de 3,2 milhões de euros”, acrescentou o ministro.
O gabinete do
governante detalhou ainda que o “Estado, através do Fundo Autónomo de Apoio à
Concentração e Consolidação Empresarial (FACCE) e o Fundo Imobiliário Especial
de Apoio às Empresas (FIEAE), dois fundos públicos, já aportaram à Dielmar, sob
a forma de capital, suprimentos e leasing imobiliário, um montante de
2.700.000,00 € através do FACCE, entre 2011 e 2013, e outro de 2.500.000,00€
através do FIEAE, em 2017″.
“Além dos apoios
referidos, a Dielmar tem garantias da Garval – Sociedade de Garantia Mútua, S.
A., que integra o grupo do Banco Português de Fomento, no valor de
1.775.000,00€”, acrescentam.
10 anos de
resultados negativos
A Dielmar já
enfrenta dificuldades há cerca de uma década. Pedro Siza Vieira sublinhou, em
declarações esta segunda-feira, que “as dificuldades da Dielmar são evidentes“.
Aliás, há muito que o Estado acompanha a situação desta empresa, que acumula,
frisou o mesmo, resultados negativos “desde há dez anos”.
Após estas
declarações, o gabinete do Ministro de Estado, da Economia e Transição Digital
enviou um comunicado a reforçar que a situação vivida pela empresa “é anterior
à crise provocada pela pandemia da doença Covid-19, tendo-se prolongado pelos
últimos 10 anos”. “Durante este período, várias entidades públicas injetaram”
dinheiro na empresa, “tendo também garantido mais de 3.000.000,00€ de dívida”,
continua.
No entanto, “o
recurso a estes montantes pressupunha a realização de um conjunto de medidas
necessárias à reestruturação, sendo que a maioria destas medidas não foram
aplicadas pela administração da Dielmar“, lê-se no comunicado.
6,142 milhões de
dívida à banca
No final do dia,
após declarações de Siza Vieira sublinhando que o “dinheiro público não serve
para salvar empresários”, o gabinete do ministro revelou o montante da dívida
aos bancos. A empresa “regista uma dívida à banca de montante total de cerca de
6.142.000,00 euros”, segundo o comunicado, enviado esta segunda-feira.
O pedido de
insolvência da Dielmar entrou no tribunal na sexta-feira e deverá ser agora
nomeado um gestor de insolvência para liderar o processo.
300 trabalhadores
A Dielmar emprega
mais de 300 pessoas, a maioria no interior do país. Situada no distrito de
Castelo Branco, a Dielmar era das maiores empregadoras na região, juntamente
com a fábrica de farinha Lusitânia.
A unidade fabril
entrou em período de férias no final de julho, mas a gestão entendeu que não
teria condições para manter o pagamento de salários a partir de agosto, mesmo
beneficiando de apoio do lay-off, como sucedeu nos últimos meses. Foram pagos
os salários aos trabalhadores e as responsabilidades fiscais e da Segurança
Social, mas há dívidas à banca, que vão passar a malparado.
Perante a
situação da empresa, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, José
Alves, adiantou ao ECO que está em cima da mesa a hipótese de recolocar os 300
colaboradores da Dielmar noutras empresas da região.
2,5 milhões de
dívida a fornecedores e 1,7 milhões à Segurança Social
O comunicado do
ministério da Economia adianta também que a “empresa registava, em novembro de
2020, uma dívida a fornecedores de cerca de 2.500.000,00 euros (vencidos na sua
quase totalidade) e à Segurança Social, num montante superior a 1.700.000,00
euros”.
Até março, a
empresa liderada por Ana Paula Rafael faturou pouco mais de 700 mil euros,
número que compara com um volume de negócios da ordem dos cinco milhões de
euros no ano anterior.


Sem comentários:
Enviar um comentário