Pandemia ameaça 600 mil postos de trabalho e 60 mil
milhões de euros no turismo em Portugal
Portugal poderá ter acumulado perdas de 60.000 milhões de
euros e até 600.000 postos de trabalho poderão ter sido eliminados no turismo,
quando o setor recuperar dos efeitos da pandemia, revelou um estudo da McKinsey
divulgado esta segunda-feira.
O Algarve será a
região mais afetada pela decisão do governo britânico.
Luís Forra/Lusa
Lusa
05 de Julho de
2021 às 15:19
De acordo com um
relatório sobre o turismo em Portugal, levado a cabo pela consultora McKinsey,
em termos globais, estima-se que, "entre 2020 e 2023, Portugal pode perder
60.000 milhões de euros do PIB (equivalente a 26% dos níveis do PIB em 2019),
considerando tanto os efeitos diretos quanto os indiretos e induzidos".
"Adicionalmente, no pico da crise, o setor poderá
perder até 600 mil empregos, alguns dos quais poderão não ser recuperados no
futuro", refere também o relatório.
O estudo destaca
a importância do turismo para a economia portuguesa, uma vez que é responsável
por 18,6% do total de empregos no país, se forem tidos em conta os efeitos
diretos, indiretos e induzidos, sendo que, em locais como o Algarve, a Madeira
e os Açores, o setor representa mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) e
empregos locais.
A consultora
destaca também o impacto que a crise no turismo tem noutros setores da
economia, "que dependem deste tráfego para se manterem à tona, tais como
centros comerciais, restaurantes e retalhistas".
O relatório prevê
que o turismo doméstico em Portugal possa não voltar aos níveis pré-pandemia até
2023, e o mesmo acontecerá com o turismo internacional, que é cerca de quatro
vezes maior do que o doméstico, até 2024.
"Embora seja
impossível prever quando é que o setor poderá dar sinais de retoma, há muitas
medidas que os 'players' do setor poderiam estar a desenvolver no
imediato", refere a consultora, indicando três prioridades "para uma
recuperação mais rápida e mais sustentável": o aumento da competitividade
das empresas através da digitalização, modelos de colaboração dentro do setor e
"criar um novo paradigma" para o turismo do futuro.
A análise da
Mckinsey sugere que o turismo de eventos (reuniões, incentivos, conferências e
exposições), viagens de grupo, cruzeiros, viagens individuais e de turismo
urbano serão os mais afetados pela pandemia e demorarão mais tempo a recuperar,
enquanto que, por outro lado, o turismo de segunda habitação, o ecoturismo e o
turismo religioso, desportivo e cultural serão menos afetados e deverão
recuperar mais rapidamente.
Por fim, o
relatório aponta cinco fatores-chave que determinarão a rapidez com que o setor
turístico nacional poderá recuperar: a atratividade dos principais destinos, a
disponibilidade de capacidade aérea, a capacidade e qualidade dos cuidados de
saúde, o peso das viagens de negócios e a importância da sustentabilidade.

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