Glifosato. Especialistas contratados pela UE copiaram
relatórios da Monsanto
Autores do relatório de avaliação dos riscos e que deram
mais cinco anos de autorização para o uso do glifosato copiaram 70% da
informação que estava no relatório feito pela própria produtora do herbicida.
Ana Bela Ferreira
15 Janeiro 2019 — 10:37
O relatório europeu de avaliação dos riscos do glifosato -
herbicida suspeito de poder causar cancro - e que permitiu a renovação da
autorização por cinco anos de utilização na União Europeia foi quase totalmente
copiado de informações prestadas pela própria própria indústria que
comercializa o produto.
A conclusão foi esta terça-feira revelada num relatório
encomendado por deputados europeus mais de um ano depois de ter sido renovada a
autorização de comercialização na Europa e noticiado pelo Le Monde . Um grupo
de peritos alemães (do Bundesinstitut für Risikobewertung - BfR) foi mandatado
pela União Europeia (UE) para avaliar os riscos do uso do glifosato, mas as
4000 páginas que produziu são afinal resultado de cópia e plágio do dossier de
homologação produzido pela Monsanto (empresa que comercializa o glifosato) e
outras indústrias e entregue às autoridades europeias.
Uma avaliação a esse relatório, pedido por deputados
europeus dos Verdes, dos socialistas e do grupo da esquerda unitária, conclui
que 50% do documento oficial foi plagiado e 70% é resultado de cópia. A análise
foi feita pelo especialista em plágio austríaco Stefan Weber e pelo bioquímico
Helmut Burstcher, da ONG Global 2000. Desde que o documento do BfR foi
apresentado que existiam suspeitas que este teria sido escrito pela Task Force
Europeia do Glifosato (consórcio de empresas de pesticidas).
Os autores usaram software WCopyfind para comparar os dois
relatórios - o da indústria e o do BfR - e descobriram que "o plágio
incidiu exclusivamente nos capítulos que tratam da avaliação de estudos
publicados sobre riscos para a saúde relacionados com o glifosato". O
plágio é o ato de cópia maligna, o que inclui páginas inteiras, que descrevem o
resultado dos estudos e avaliam a sua relevância e confiabilidade.
Entre outras coisas, cada uma das 58 avaliações chamadas
Klimisch de estudos publicados no relatório de avaliação do BfR foram copiadas
dos pedidos de aprovação e são apresentadas como avaliações das autoridades.
No capítulo sobre os estudos da indústria o método utilizado
foi o da cópia e aparece numa percentagem ainda maior (81,4%). Ou seja,
reprodução entre aspas. Neste capítulo, até a descrição do BfR sobre a
abordagem para avaliar os estudos publicados foi plagiada a partir do relatório
do consórcio de indústrias.
Foi este estudo encomendado ao instituto alemão que serviu
de base à decisão da autoridade europeia de segurança alimentar (EFSA) e os
peritos dos estados-membros decidiram que o glifosato não podia ser associado
diretamente ao risco de cancro. Em março de 2015, a Organização Mundial da
Saúde classificou como "provavelmente cancerígeno" o glifosato.
Em setembro de 2017, a Global 2000 já tinha revelado que
três sub-capítulos do relatório tinham sido largamente copiados. Em novembro
desse mesmo ano, a Comissão Europeia aprovava por mais cinco anos a utilização
do glifosato.
Ce document était au cœur de la décision de réautoriser en
2017 l’herbicide en Europe.
Par Stéphane Foucart Publié aujourd’hui à 10h04, mis à jour
à 10h20
Le rapport d’évaluation du glyphosate, socle de la décision
européenne, prise fin 2017, de réautoriser le célèbre herbicide pour cinq ans,
est un vaste plagiat.
Mandaté par l’Union européenne pour produire l’expertise
préliminaire sur le glyphosate — plus de 4 000 pages —, l’Institut fédéral
d’évaluation des risques allemand (Bundesinstitut für Risikobewertung, ou BfR)
a recopié, souvent mot pour mot, le dossier d’homologation du glyphosate
transmis aux autorités européennes par Monsanto et ses alliés industriels,
réunis au sein de la Glyphosate Task Force (GTF).
Dans un rapport commandité par des députés européens et
rendu public mardi 15 janvier, le célèbre chasseur de plagiats autrichien
Stefan Weber et le biochimiste Helmut Burtscher, associé à l’ONG Global 2000,
montrent que les chapitres-clés de l’évaluation scientifique rendue par le BfR
sont le fruit de plagiats à plus de 50 %, et de copiés-collés à plus de 70 %.
Selon les deux chercheurs – dont le travail a été passé en revue par deux
spécialistes du plagiat scientifique avant d’être rendu public –, « il est clair
que l’adoption par le BfR, sans recul critique, d’informations biaisées,
incorrectes ou incomplètes fournies par les fabricants [de glyphosate] a
influencé la base même de son évaluation » de la dangerosité du produit
controversé.
Or, c’est sur la foi de cette évaluation préliminaire que
l’Autorité européenne de sécurité des aliments (EFSA) et les experts des Etats
membres ont conclu que le glyphosate ne posait pas de danger cancérogène,
ouvrant ainsi la voie à sa réautorisation en Europe. En mars 2015, le Centre
international de recherche sur le cancer (CIRC) avait, au contraire, conclu au
caractère « cancérogène probable » du glyphosate. (…)
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