terça-feira, 22 de março de 2022

NO COMMENT (!?) : Portugal congelou uma conta bancária de 242 euros de cidadão sancionado pela UE

 


Augusto Santos Silva garantiu então que todos os que integrem a lista de pessoas singulares e colectivas de sanções decididas pela UE ficarão “sujeitos à limitação de movimentos em Portugal e ao congelamento de activos financeiros”.

 

GUERRA NA UCRÂNIA

Portugal congelou uma conta bancária de 242 euros de cidadão sancionado pela UE

 

Na sequência das sanções aplicadas pela União Europeia e das instruções dadas pela instituição liderada por Mário Centeno, foram congelados 242 euros correspondentes a uma única conta bancária.

 


David Santiago

18 de Março de 2022, 11:21

https://www.publico.pt/2022/03/18/politica/noticia/portugal-congelou-conta-bancaria-242-euros-cidadao-sancionado-ue-1999140

 

Portugal congelou uma conta bancária de 242 euros pertencente a um cidadão abrangido pela lista de sanções da União Europeia (UE), apurou o PÚBLICO. Este é o resultado do cruzamento de dados entre os titulares de contas nacionais e os nomes que constam da lista de sancionados adoptada pela UE na sequência da anexação russa da Crimeia e da invasão militar da Rússia à Ucrânia.

 

Desde que foi consumada a invasão militar russa da Ucrânia e à medida que o conflito se agrava, os 27 Estados-membros da UE têm vindo a reforçar as penalizações financeiras aplicadas contra pessoas e empresas com ligações ao Kremlin. As sanções actualmente em vigor aplicam-se a mais de 700 pessoas colectivas e singulares.

 

Logo no primeiro dia da invasão, a comissão permanente da Assembleia da República debateu, com a presença do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, a situação na Ucrânia.

 

Augusto Santos Silva garantiu então que todos os que integrem a lista de pessoas singulares e colectivas de sanções decididas pela UE ficarão “sujeitos à limitação de movimentos em Portugal e ao congelamento de activos financeiros”.

 

Já em entrevista concedida dias depois ao PÚBLICO, Santos Silva assumia desconhecer o número de cidadãos sancionados com contas em Portugal, dizendo não ter “esse report” e explicando que “essa é uma atribuição não do Governo mas do Banco de Portugal”.

 

A instituição liderada por Mário Centeno emitiu depois um comunicado em que revelava ter já dado instruções aos bancos para que congelassem os activos de oligarcas russos.

 

O BdP garantiu que “tem desenvolvido as diligências necessárias a medir a exposição do sistema financeiro português às pessoas e entidades já sancionadas por força da situação vivida na Ucrânia (…) Na sequência de um primeiro exercício de avaliação, identificou-se um número muito reduzido, e ainda em avaliação, de potenciais intervenientes visados nas referidas sanções que podem estar relacionados com contas domiciliadas em Portugal”.

 

Isto é, os nomes que na altura haviam sido incluídos na lista de sanções da UE já estavam identificados e as entidades bancárias avisadas para congelarem as respectivas contas.

 

Pelo meio, o Bloco de Esquerda enviou um conjunto de questões ao Governo em que perguntava ao executivo se já tinha feito o cruzamento entre os nomes constantes da lista de sanções e os detentores de activos em Portugal, questionando “quais os nomes identificados e qual a natureza e o montante dos activos associados”.

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