HABITAÇÃO
Vendas de casas em Lisboa e no Porto batem máximos de uma
década
A acompanhar a evolução do número de vendas, os preços
médios por metro quadrado atingiram novos máximos históricos.
Rafaela Burd
Relvas
26 de Janeiro de
2022, 23:59
Depois do
abrandamento motivado pelo choque inicial da pandemia, o mercado imobiliário
bateu novos recordes no ano passado. Em 2021, o número de casas vendidas em
Lisboa e no Porto regressou aos níveis mais elevados em mais de uma década, ao
mesmo tempo que os preços médios de venda atingiram novos máximos históricos.
Os dados são da
Confidencial Imobiliário e revelam uma inversão de tendência de desaceleração
do aumento dos preços da habitação. Em Lisboa, indica a consultora, venderam-se
15.742 fogos ao longo do ano passado e o índice de preços residenciais registou
um aumento de 11,7% face ao ano anterior. “Desde o final de 2018, quando a
variação anual atingiu 16%, que os preços não subiam tanto” em Lisboa, indica a
Confidencial Imobiliário. “Além disso, a subida registada em 2021 inverte a
tendência de desaceleração dos últimos quatro anos, que culminou numa
valorização anual de apenas 3% em 2020”, acrescenta.
O preço médio das
casas vendidas na capital fixou-se, assim, em 3973 euros por metro quadrado, um
novo recorde. Também no que diz respeito às transacções concluídas há um
crescimento expressivo. É preciso recuar até 2008, imediatamente antes da
última crise financeira, para encontrar um número mais elevado de casas
vendidas em Lisboa.
O mesmo cenário é
identificado no Porto. Aqui, venderam-se 9470 casas em 2021, o volume mais
elevado desde 2010, e o índice de preços aumentou 10,3% em relação a 2020. O
preço médio de venda ascendeu a 2687 euros por metro quadrado, também o mais
elevado desde, pelo menos, 2007, ano em que a consultora inicia a recolha
destes dados.
Os números estão
em linha com o que tem sido divulgado pelos operadores do mercado. Esta
segunda-feira, a JLL antecipou que o mercado residencial em Portugal deverá
atingir um volume de vendas de 30 mil milhões de euros, um valor ainda estimado
que, a confirmar-se, representará um crescimento de 18% face a 2020 e de 12% em
relação a 2019, sendo o mais elevado de que há registo. Isto num contexto de
forte desequilíbrio entre a oferta e a procura, em que o parque habitacional
disponível é insuficiente para dar resposta às necessidades, justifica a
consultora.
A previsão da JLL
é feita com base no índice de preços da habitação do Instituto Nacional de
Estatística (INE), que ainda só tem dados disponíveis até ao terceiro trimestre
do ano passado. No conjunto de Janeiro a Setembro de 2021, de acordo com os
dados do INE, venderam-se 153.076 casas, por um valor total de 24.857 milhões
de euros, números que correspondem a aumentos de 25% e 33%, respectivamente,
face a igual período de 2020.
Mesmo no segmento
do luxo, o crescimento é expressivo. A título de exemplo, a imobiliária Engel
& Volkers registou, em 2021, o maior volume de negócios de sempre em
Portugal, ultrapassando os 168 milhões de euros, com uma subida de 75% no valor
global das transacções e com o valor médio das propriedades a ultrapassar os
510 mil euros.
Apesar deste
comportamento, e de os números serem semelhantes aos que se observavam no
período que antecedeu a crise do “subprime”, os operadores do sector têm, na
sua generalidade, afastado qualquer risco de bolha imobiliária. Mesmo as
instituições internacionais têm rejeitado esse cenário.
Nas Previsões
Económicas de Outono, publicadas no passado mês de Novembro, a Comissão
Europeia dava conta de um mercado habitacional “sobreavaliado” em vários dos
Estados-membros, com Portugal a situar-se entre os países com maior
sobreavaliação. Contudo, o contexto de hoje é diferente do da última crise
financeira, considerou então a Comissão Europeia.
“Os aumentos
sustentados dos preços das casas ao longo dos últimos oito anos poderão fazer
lembrar a escalada dos preços registada em vários Estados-membros antes de
2008. Contudo, ao contrário da situação actual, no início dos anos 2000, o
aumento do preço das casas foi acompanhado pelo rápido crescimento do crédito e
por um sobre-investimento residencial excessivo. Pelo contrário, nos anos mais
recentes, o crescimento do crédito manteve-se moderado e o investimento
residencial tem ficado aquém da procura. Estas diferenças moderam os riscos de
estabilidade macroeconómica de futuro”, pode ler-se no relatório publicado na
altura.
Sem comentários:
Enviar um comentário