sexta-feira, 8 de abril de 2016

Costa pede desculpa e não diz se mantém confiança política em João Soares


Ao contrário daquilo que António Costa afirma, aqui, em tom relativizador e irónico, João Soares não pediu verdadeiramente desculpas, mas apenas ironizou, sem verdadeiro arrependimento ou consciência da gravidade dos seus actos e afirmações.
A única atitude possível para João Soares é apresentar a sua demissão.
A única atitude possível para António Costa é aceitá-la ... ou exigi-la.
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Costa pede desculpa e não diz se mantém confiança política em João Soares
CLÁUDIA LIMA CARVALHO 07/04/2016 - 23:59 (actualizado às 01:11 de 08/04/2016)/ PÚBLICO

“Já recordei aos membros do Governo que, enquanto membros do Governo, nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo”, avisou o primeiro-ministro.
O primeiro-ministro pediu na noite desta quinta-feira desculpa ao crítico Augusto M. Seabra, por quem tem “particular estima”, e ao comentador Vasco Pulido Valente, por quem nutre “consideração”. António Costa reagiu assim à polémica publicação de João Soares em que ameaça os dois colunistas do PÚBLICO com um “bofetadas”, depois de estes terem escrito dois artigos críticos em relação à actuação política do ministro da Cultura. E não foi brando: “Já recordei aos membros do Governo que, enquanto membros do Governo, nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo”.
António Costa falava aos jornalistas à porta do Teatro da Comuna, em Lisboa. O primeiro-ministro foi à estreia de O Último dos Românticos, com encenação de João Mota, espectáculo a que João Soares também deveria assistir. O ministro da Cultura tinha escrito no Facebook que iria ao teatro mas acabou por cancelar à última hora.
Questionado pelos jornalistas, o primeiro-ministro começou por pedir desculpa aos dois colunistas do PÚBLICO, recordando que também João Soares já o tinha feito. Foi durante a tarde, já depois de ter sido duramente criticado, que Soares reagiu ao Expresso, via SMS. “Peço desculpas se os assustei”, escreveu o ministro da Cultura, também com a pasta da comunicação social pública (RTP, RDP e agência Lusa). “Sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém. Não reagi a opiniões, reagi a insulto.”
No entanto, à noite, à hora em que surgia a reacção de António Costa, a Lusa publicava um pedido de desculpas formal de João Soares: “A minha intenção não foi ofender. Se ofendi alguém, peço desculpa”. Na nota, o ministro volta a lembrar que é um homem pacífico e acrescenta: “Penso que a liberdade de opinião não pode ser confundida com insultos e calúnias pessoais, atentatórias da honra e do bom nome de cada um”.
Foi logo de manhã, pouco depois das 6h, que Soares recorreu ao Facebook para atacar Augusto M. Seabra, que num artigo de opinião – publicado no site do PÚBLICO na quarta-feira e que nesta sexta-feira sairá no suplemento Ípsilon – criticou os primeiros quatro meses de governação de João Soares à frente da pasta da Cultura. Seabra criticou a afirmação de “um estilo de compadrio, prepotência e grosseria”, diagnosticado “uma situação de emergência” no sector.
“Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir, não me cruzei com a personagem, Augusto M. Seabra, ao longo de todos estes anos. Mas continuo a esperar ter essa sorte. Lá chegará o dia”, escreveu o ministro. “Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas. Só lhes podem fazer bem. A mim também”. De permeio, cita “uma amiga” que não nomeia e que tece comentários sobre o “combustível” do crítico, o “azedume, o álcool e a consequente degradação cerebral”.
António Costa manteve o silêncio durante o dia mas à noite reagiu e defendeu que “nem à mesa do café” um governante pode dizer tudo o que quer. “[Os membros do governo] devem ser contidos na forma como expressam as suas emoções”, disse, frisando que esta é uma mensagem que já havia passado ao seu Governo. “Se é assim à mesa do café quanto mais nestes novos espaços comunicacionais que hoje não são de conversa privada nem reservada e tornam-se naturalmente públicos”.
Questionado sobre se mantinha a confiança política em João Soares, António Costa não respondeu. Mas garantiu que a acção do ministro da Cultura “não traduz a forma como o Governo se quer relacionar com os agentes da Cultura”. O primeiro-ministro terminou realçando novamente a sua estima pelos visados – Pulido Valente surge na publicação de Soares porque há cerca de um mês escreveu um artigo sobre a saída de António Lamas da presidência do Centro Cultural de Belém em conflito com o ministro. António Costa destaca até como respeita Pulido Valente, apesar de este “costumar distribuir bengaladas a toda a gente”.

Na tarde de quinta-feira, João Soares também não compareceu ao lançamento do livro de Manuel Alegre, onde era esperado. Aqui não faltaram caras conhecidas do Partido Socialista mas ninguém quis falar com o PÚBLICO.

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