LISBOA
Carlos Moedas diz que Lisboa “não pode recusar” filmagens
da Netflix
Face às críticas da Junta de Freguesia de Santa Maria
Maior, Carlos Moedas pronunciou-se esta terça-feira nas suas redes sociais a
favor das filmagens da Netflix que terão lugar na Baixa, no Chiado e na
Mouraria.
Ana Bacelar
Begonha
22 de Fevereiro
de 2022, 17:57
Depois de a Junta
de Freguesia de Santa Maria Maior ter criticado as filmagens que a Netflix tem
previstas para final de Junho e início de Julho nos bairros daquela freguesia,
o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas (PSD), disse
esta terça-feira nas suas redes sociais que esta é uma oportunidade que Lisboa
“não pode recusar”.
Em causa está a
rodagem de uma produção da Netflix levada a cabo pela produtora Ready to Shoot
durante oito noites e dois dias, entre as 18h e as 8h da manhã, na zona da
Baixa, do Chiado e da Mouraria, contra a qual o presidente da junta, Miguel
Coelho (PS), manifestou “publicamente o seu desagrado”.
Através de um
comunicado da junta também publicado nas redes sociais, o executivo da
freguesia pronunciou-se esta segunda-feira contra as gravações, por considerar
que as mesmas vão perturbar “o direito ao descanso e à mobilidade” dos
moradores de Santa Maria Maior, “em consequência da ocupação massiva que as
filmagens acarretam”.
Segundo a
informação recebida em Novembro do ano passado pela junta, que garante não ter
sido ouvida previamente pela CML, as filmagens vão recorrer “a efeitos de fogo,
armas de fogo, colisões entre automóveis, perseguições com automóveis e
motociclos, perseguições de motociclos pelas escadas e escadinhas dos bairros e
outros diversos efeitos especiais”.
Não tendo as
competências legais para impedir as filmagens, já que essa competência cabe
apenas à CML, Miguel Coelho mostrou-se “disponível para encontrar uma solução
razoável” junto do presidente da câmara e da produtora, a fim de não
transformar a freguesia “num estúdio cinematográfico”, de acordo com o
comunicado.
Em resposta,
Carlos Moedas pronunciou-se esta manhã, uma vez mais, a favor das filmagens:
“ter grandes organizações internacionais interessadas em projectar a nossa
essência é uma oportunidade que Lisboa não pode recusar”, afirmou o autarca.
Referindo que
“este é o momento de voltar a dar a oportunidade às pessoas de relançarem a sua
vida” por meio da cultura, da economia e da inovação, o presidente da CML
argumentou ainda que estas filmagens são uma forma de “defender os interesses
dos lisboetas” e de dar a conhecer a cidade de Lisboa. "Temos que voltar a
fazer de Lisboa a grande referência europeia e uma verdadeira cidade do Mundo”,
disse o presidente.
Segundo avançou o
Expresso, apesar da resistência da junta de freguesia, o executivo de Moedas,
deverá “manter o plano” das filmagens, “que é defendido com a experiência das
equipas da Câmara neste tipo de produção e, não menos importante, com os
retornos financeiros para a cidade, da restauração e hotelaria aos serviços
especializados”.
Apesar da
oposição de Miguel Coelho, as filmagens televisivas em Santa Maria Maior não
são uma novidade. De acordo com dados da Lisboa Film Commission, criada em 2013
pela câmara (na altura presidida por António Costa), a freguesia recebeu, só em
2020, 119 pedidos de filmagens por parte de produções tanto nacionais como
estrangeiras, de um total de 268 produções em Lisboa.
Texto editado por Ana Fernandes
LISBOA
Com “quase 2000” inscritos, o Conselho de Cidadãos
suscita dúvidas à oposição
Carlos Moedas diz que o novo órgão é informal, que “vem
acrescentar, não subtrair” e queixa-se de “uma tentativa de diabolização”.
Esquerda e Chega têm medo que a iniciativa sirva para contornar a câmara e a
assembleia municipal.
João Pedro Pincha
22 de Fevereiro
de 2022, 20:30
Cerca de um mês
depois de ter sido lançado pela Câmara de Lisboa, o Conselho de Cidadãos tem
“quase duas mil” pessoas inscritas, o que para Carlos Moedas é um sinal de que
este novo fórum “vem acrescentar para melhor” e permite “que muitas pessoas,
que por definição não participam, possam participar”.
Mas a oposição à
esquerda e o Chega têm dúvidas sobre a iniciativa do autarca, lamentando uns
que não tenha sido votada previamente ao seu lançamento e outros questionando
mesmo se a ideia do executivo PSD/CDS é passar por cima dos restantes eleitos.
O Conselho de
Cidadãos foi um dos pontos destacados por Moedas ao apresentar a sua informação
escrita trimestral na assembleia municipal. E, mais do que habitação ou
mobilidade, foi um tema que perpassou todo o debate.
Temendo que se
esteja perante “um atentado grosseiro ao sistema representativo consagrado na
Constituição”, a deputada socialista Carla Madeira disse que o órgão lançado
por Moedas “não é o melhor exemplo de pluralidade, transparência e
administração aberta”. Isto porque, criticou, “em vez de dar voz a todos os
cidadãos interessados, serão escolhidas 50 pessoas por entidades escolhidas pelo
executivo”.
De todos quantos
voluntariamente se inscrevem para participar, para cada reunião do conselho
serão escolhidos 50 cidadãos através de sorteio, mas com algumas condições para
que o quórum seja representativo da população da cidade. Esse sorteio será
feito “em parceria com entidades académicas e da sociedade civil com
reconhecida credibilidade e independência”, promete a autarquia no seu site.
“Teria sido
preferível que o assunto fosse tratado de outra forma”, disse a deputada
Cláudia Madeira, de Os Verdes, lamentando que o conselho não tenha sido votado
nem pela câmara nem pela assembleia. E deixando dúvidas: “Quem decide o tema em
discussão? Quem fará o sorteio dos cidadãos a participar?” Mais à frente foi
Vasco Barata, do BE, a referir-se ao “inenarrável caso do Conselho de Cidadãos,
onde a câmara selecciona cidadãos perguntando se são filiados em algum partido
político e colocando em prática uma medida que nunca foi aprovada nos órgãos
municipais”.
Ainda à esquerda,
a deputada independente Daniela Serralha considerou que a iniciativa “não foi
devidamente explicada” e Paulo Muacho, do Livre, lamentou que esteja previsto
que as propostas cidadãs que resultem das reuniões sejam entregues ao
presidente da câmara. “Vemos aqui uma tentativa de presidencialização da
participação”, disse. À direita, apenas o Chega é contra a proposta.
“Continuamos sem entender qual o sentido de criar um Conselho de Cidadãos
quando já existe uma assembleia municipal com 13 forças políticas”, afirmou
Pedro Pessanha.
A todas as
críticas que ouviu, Carlos Moedas respondeu que o futuro conselho “vem
acrescentar, não vem subtrair” e que tanto a câmara como a assembleia continuam
a ser os únicos órgãos com legitimidade para governar de facto. “Isto não é uma
invenção do Carlos Moedas. Há aqui uma tentativa de diabolização de um
instrumento que não vem tirar nada aos instrumentos que já existem”, atirou.
“Isto é algo que está estudado e já foi aplicado na Europa por governos de
esquerda e de direita, por autarcas de esquerda e de direita. Estas coisas
estão estudadas. Em política não é só chegar e dizer umas coisas”, disse ainda
o autarca.
Ouvidos pelo
PÚBLICO há duas semanas, alguns especialistas disseram que o lançamento deste
conselho era um passo positivo que poderia servir de “piloto” para outras
cidades. Mas também alertaram que o modelo desenhado pela câmara tem
fragilidades que podem comprometer as boas intenções iniciais.
Nesta sessão
também estava previsto discutir-se a suspensão de novos registos de alojamento
local, uma medida que foi aprovada em câmara a meio de Dezembro e que precisa
do aval da assembleia municipal para se tornar eficaz. A extensa ordem de
trabalhos desta terça levou ao segundo adiamento desse debate.
tp.ocilbup@ahcnip.oaoj
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