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O desafio climático herdado por Moedas
Ainda na questão da mobilidade, o sistema de metro de
Lisboa é, definitivamente, um dos problemas que Moedas herda para a sua gestão.
Ao mesmo tempo que o metro é uma das melhores formas de se substituir os
carros, é, hoje, um dos principais motivos pelos quais os cidadãos hesitam em
largar o transporte individual para uso diário.
Abel Rodrigues e
João Silva
2 de Outubro de
2021, 7:45
https://www.publico.pt/2021/10/02/p3/cronica/desafio-climatico-herdado-moedas-1979250
A eleição de
Moedas como novo Presidente da Câmara de Lisboa apanhou muita gente (nós
inclusive) desprevenida. Numa altura onde as sondagens apontavam até mesmo
maioria absoluta para Fernando Medina, o anúncio do empate técnico das
primeiras sondagens pós-eleição foi a primeira surpresa, e os resultados
parciais não demoraram para apontar o vencedor da noite na capital portuguesa.
Mas afinal, dias depois da Greve Climática Global (que apesar da modesta
participação em Portugal, reuniu mais de 100 mil pessoas apenas em Berlim, e
milhares noutras cidades europeias), quais são os desafios climáticos e
ambientais que serão herdados por Carlos Moedas, na cidade de Lisboa?
As ciclovias
foram um dos assuntos mais quentes nos vários debates. Em 2019, os carros foram
responsáveis por 13% das emissões dióxido de carbono dentro da União Europeia.
Nesse sentido, a proposta de Moedas de construir uma ciclovia contínua desde
Algés até ao Parque das Nações vai ao encontro da necessidade de se repensar a
via pública. São precisas mais e melhores ciclovias em Lisboa.
Ainda na questão
da mobilidade, o sistema de metro de Lisboa é, definitivamente, um dos
problemas que Moedas herda para a sua gestão. Ao mesmo tempo que o metro é uma
das melhores formas de se substituir os carros, é, hoje, um dos principais
motivos pelos quais os cidadãos hesitam em largar o transporte individual para
uso diário. A pouca oferta de carruagens cria dois (grandes) obstáculos para a
utilização do metro: um maior tempo de espera e carruagens cada vez mais
lotadas, e esses não são problemas de agora.
Autocarros que
saem do nada e param em lugar nenhum são, mais uma vez, entraves na hora de
escolher entre o transporte privado e o público. Precisamos de mais transportes
nocturnos, e que cubram mais regiões da cidade. Uma pessoa que saia tarde do
trabalho na Penha de França e queira ir para o Oriente, por exemplo, terá
muitos problemas em abandonar seu carro.
Do ponto de vista
das habitações, Portugal sabidamente é um dos piores países da União Europeia
quando falamos de pobreza energética. É extremamente necessário proceder a uma
catalogação completa do estado energético dos prédios da cidade, de forma a
realizar todas as manutenções necessárias — oferecendo incentivos necessários a
curto prazo, e procedendo à reformas das habitações públicas e privadas. É
absurdo que se passe mais frio em Lisboa do que em Estocolmo.
Moedas propõe a
criação de um “instrumento financeiro vocacionado para minimizar a pobreza
energética das famílias”. Apesar de não detalhado, entendemos esse instrumento
financeiro como uma medida a curto prazo, que incida directamente sob o preço
da energia necessária para o uso de aquecedores. Entretanto, e como mencionamos
anteriormente, acreditamos que seja fundamental que essa medida seja seguida de
resoluções concretas, que mexam directamente na estrutura dos prédios em
questão.
Por fim, resta
dizer que os desafios para o novo autarca são muitos. Acreditamos que a mudança
na Câmara da maior cidade do país deva reflectir-se numa mudança real no
paradigma de governação, que coloque o conforto e o bem-estar de todos os
cidadãos no centro de todas as decisões.
Precisamos de
medidas concretas descarbonização da indústria, precisamos de medidas e
propostas de apoio e incentivo à indústria verde e precisamos de uma nova
proposta sobre Economia Circular, que na sua maior eficiência deve ser
defendida e aplicada a nível europeu, visto que a maioria das empresas
poluentes não são portuguesas, tampouco lisboetas.
Não só enquanto
activistas, mas enquanto cidadãos preocupados com o futuro, esperamos que a
crise climática seja uma preocupação de Moedas, e esperamos por mudanças reais.
Afinal, com as leis da física não há espaço para negociações partidárias.

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