sábado, 14 de março de 2015

Costa trava críticas a Ferro e sai em defesa do líder parlamentar do PS


Costa trava críticas a Ferro e sai em defesa do líder parlamentar do PS
MARGARIDA GOMES 13/03/2015 - PÚBLICO

Afastado há muito tempo da vida política, Ferro Rodrigues começa a ser questionado à frente da bancada. "Há quem goste de sangue", comentou.

As jornadas parlamentares do PS, que arrancaram, ontem em Gaia, começaram na defensiva com o secretário-geral do partido, António Costa, a defender Ferro Rodrigues, que tem sido alvo de críticas pelas apagadas prestações à frente da bancada socialista, particularmente nos debates quinzenais com o primeiro-ministro.

Os críticos de Ferro, que questionam o seu estilo à frente da bancada, pedem mais acção, mas Costa tratou de estancar polémicas e esta sexta-feira, em declarações aos jornalistas antes da sessão de abertura das jornadas, apressou-se a dizer que “é uma honra para o PS” ter Ferro Rodrigues como líder parlamentar. “O líder parlamentar está de boa saúde e recomenda-se", acrescentou.

Feita a defesa da honra, o ex-líder socialista respondeu aos críticos. “Há quem goste de sangue”, atirou, vincando que não tem uma postura de conflito. “Há muita gente que gosta do cheiro a sangue, mas eu não tenho essa lógica de estar na vida nem na política”, declarou. O líder parlamentar sublinhou ainda que está a cumprir a tarefa que António Costa lhe confiou com a “mesma tranquilidade e serenidade” com que desempenhou “nos últimos 25 anos as funções de embaixador, secretário-geral do PS, vice-presidente da Assembleia da República e ministro”.

Antes, no final da visita a duas instituições no concelho de Gaia, António Costa tinha zurzido no Governo por causa do programa VEM, que se destina a apoiar o regresso de emigrantes, e que fora aprovado quinta-feira em Conselho de Ministros. “O programa governamental de apoio ao regresso de emigrantes não é um programa", diz Costa, afirmando tratar-se de uma medida de quem não tem "mesmo consciência daquilo que aconteceu neste país ao longo destes três anos", quando está em causa uma dimensão de 300 mil pessoas que emigraram e o governo se propõe a apoiar 40 a 50 projectos”.

As críticas aos quatro anos de Governo ficaram por conta do líder da bancada parlamentar. “Nos últimos quatro anos assistimos ao aumento dramático da pobreza (há hoje em Portugal 2,7 milhões de pessoas em risco de pobreza, mais 450 mil do em 2011); um em cada quatro portugueses está hoje em risco de pobreza”, apontou Ferro Rodrigues, sublinhando que as situações “mais preocupantes” são com as crianças e jovens, cujos níveis de taxa de risco real e jovens elevam-se para mais de 31%) e nos iodos (25,5%)”.

Embalado pelas críticas, disse ainda que o modelo de austeridade "fracassou" em toda a linha e que “a direita está em morte lenta mas segura". E não esqueceu a carga fiscal que recaiu sobre os portugueses. "Quatro anos foram suficientes para impor a Portugal a maior carga fiscal de sempre, que atingirá este ano 37% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo as contas do próprio Governo. Mas os números não são apenas números. São pessoas".

Rejeitando ter “uma visão maniqueísta" entre esquerda e direita, no sentido de que "de um lado estão os bons e do outro os maus", o líder do grupo parlamentar do PS sublinhou, contudo, que “há uma coisa que é óbvia: As políticas ensaiadas pela direita nestes últimos quatro anos, este modelo de estar de joelhos perante a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia), este modelo de empobrecimento para se chegar a uma certa competitividade, este modelo falhou".

No discurso, que proferiu perante uma sala que tinha muitas clareiras, Ferro disse que vai pedir explicações sobre a suporta lista de contribuintes VIP, com contribuintes mediáticos da área política, financeira e económica, a cujo cadastro terá sido aplicado um filtro que permite detectar quem lhe acede, noticiada esta semana pela revista Visão. “Não fiquem ilusões porque o PS a todos os níveis, no Parlamento e fora do Parlamento, quererá saber exactamente o que se passa com a chamada bolsa de contribuintes de VIP”.

À noite, num jantar em Matosinhos, que contou com o ex-socialista e agora independente, Guilherme Pinto, António Costa, deixou uma indirecta ao primeiro-ministro, ao afirmar que “esta maioria é tão indulgente com os erros próprios e implacável com o direito à habitação das famílias, não hesitando em lhes retirar a casa de morada de família”.

Numa intervenção antes do jantar, Costa referiu que PS propôs que fossem suspensas as penhoras por dívidas ao Estado das casas de morada de família precisamente para evitar que a casa de morada de família fosse retirada às famílias, mas que a actual maioria chumbou.  “A casa de morada de família não é um móvel que pode ser substituído, a casa de morada de família é o lar onde a família pode viver”, afirmou.


Disparando sobre a "cegueira" e "falta de sensibilidade social" do actual Governo, o secretário-geral do PS declarou que “todos os dias ouvimos, todos os dias nos deparamos com ofensas a esse valor fundamental que é o da dignidade da pessoa humana”.

Sem comentários: