Capucho. PSD está dominado pelo CDS e por sociedades
secretas
Por Catarina Falcão com Luís Claro
publicado em 16 Ago 2013 in (jornal) i online
O ex-secretário-geral atribui falta de debate interno
"à influência excessiva de certas sociedades secretas" e às
"oligarquias"
António Capucho defende que o PSD está dominado "no
governo pelo CDS e no partido por organizações secretas". Numa resposta no
Facebook, em reacção a uma crítica por atacar a direcção do PSD, o
ex-secretário-geral do partido escreve que o PSD "está a apunhalar a
social--democracia" e a "transformar--se num bando de oligarquias que
se encerraram em si próprias e não permitem a democracia interna". A culpa
é, acrescenta Capucho nas redes sociais, da influência de "organizações
secretas".
"Não tenho dúvidas pelo que vejo publicado em livros e
artigos jornalísticos que há influência excessiva de certas sociedades secretas
dentro do PSD, mas considero ainda pior a influência das oligarquias que vieram
acabar com o debate interno a nível distrital dentro do partido", disse ao
i o antigo presidente da Câmara de Cascais quando confrontado com as afirmações
feitas nas redes sociais.
A resposta de António Capucho, no Facebook, surge na
sequência de uma declaração em defesa da candidatura de Marco Almeida -
vereador eleito pelo PSD e que após a saída de Seara assumiu a presidência da
Câmara de Sintra -, apontando o "desespero do PSD e do CDS em
Sintra", após ter sido conhecida a decisão do tribunal que rejeitou a
impugnação daquela coligação à candidatura de Marco Almeida por o nome do
movimento incorporar o nome do candidato. "Confrontados com sondagens que
apontam para uma intenção de voto irrelevante (como seria de esperar face aos
antecedentes e à candidatura que apresentam), aquela coligação tentou impedir a
candidatura de Marco Almeida com um argumento no mínimo ridículo",
escreveu Capucho.
CANDIDATOS Foi a influência externa de outras entidades no
PSD, segundo o ex-autarca, que levou ao afastamento e à desconsideração de
alguns candidatos escolhidos a nível das concelhias do partido. "Não há
nenhuma explicação para a candidatura de Marco Almeida apoiada pela concelhia
ter sido rejeitada", diz o social-democrata.
Marco Almeida era apontado como sucessor de Fernando Seara
na Câmara de Sintra, mas, após ter sido aprovado pela concelhia como candidato
do partido, viu a sua pretensão ser rejeitada pela distrital. O PSD acabou por
escolher Pedro Pinto, deputado e vice-presidente do partido, para liderar a
candidatura à autarquia.
O candidato preterido constituiu então o Movimento
Sintrenses com Marco Almeida, convidando António Capucho para se candidatar à
presidência da assembleia municipal. Este apoio pode, no entanto, valer a
Capucho a expulsão do PSD. Pedro Pinto garantiu ao "Público", em
Junho, que Capucho "sabe o que lhe vai acontecer" devido às regras
estatutárias do PSD que determinam que o apoio a uma candidatura contrária à do
partido faz cessar a inscrição do militante.
No Facebook :
António d'Orey Capucho
AS SOCIEDADES SECRETAS E A POLÍTICA
A polémica sobre as sociedades secretas em geral e a
maçonaria em particular, leva-me a considerar que é inadiável exigir-se que os
políticos, em homenagem à transparência, declarem publicamente a pertença a
qualquer organização daquela natureza.
São simplesmente inaceitáveis as supostas ligações e a
alegada influência da maçonaria na vida política e na economia. Importa esclarecer
cabalmente as situações em causa.
Desde já aqui declaro que nunca pertenci, não sou membro,
nem tenciono aderir a tais entidades.
Sem concordar com o objectivo de uma iniciativa legislativa
levada ao Parlamento em 1842, visando proibir as sociedades secretas, não deixo
de transcrever duas curiosas passagens da apresentação do diploma no plenário.
Era autor o Deputado e ex-Ministro do Reino, Luís Mouzinho
de Albuquerque (um homem de esquerda para a época), avô do herói de Chaimite e
meu trisavô, que disse:
"O homem que vive debaixo de um Regimem que lhe diz: -
pensa, fala, escreve, discute e obra livremente, porque te dou poder para tudo
que não for crime, - para que se esconderá este homem? Que pretexto poderá ele
ter para se esconder?"
"Eu quero conceder por um momento, que todas as
sociedades secretas que existem entre nós desejem meios conducentes ao bem do
País, quero conceder por um momento, que elas sejam incomparavelmente mais
ilustradas do que a massa da Nação em geral... Mas se assim é, Senhor Presidente,
aqui estamos nós, aí está a Nação inteira com os braços abertos para receber
essas doutrinas, venham esses homens ensinar-nos o caminho melhor que devemos
trilhar ...; mas para que se escondem?! ... Se é para o crime (o que não quero
supor), anatemizadas sejam ...! Se é para o bem, quem são esses monopolistas da
ventura da sua Pátria?! Quem são esses homens tão destituídos de patriotismo,
que tendo novos caminhos abertos para a Nação, não querem pôr patentes esses
caminhos?!
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