Sim. Os artigos nas
secções Imobiliárias, no geral, não primam pelo sentido crítico
ou pela análise … mas descrever este escandaloso projecto de
destruição Patrimonial de Interiores Históricos em Lisboa como
“Recuperaçào de Traços de Época” … francamente.
Se Manuel Salgado e
o seu percurso estão hoje sobre escrutínio em relação à Torre
das Picoas, este caso da Duque de Loulé constituiu, como outros, um
sério caso de negligência, para não lhe chamar “outra coisa” .
Não esqueçer também a destruição do Palacete intacto na Duque de
Loulé pelo então ainda existente, grupo Espírito Santo …
OVOODOCORVO
republica em baixo dois artigos para reavivar a memória …
OVOODOCORVO
O
metro quadrado mais caro de Lisboa já passou a avenida
Avenida
da Liberdade virou-se para o mercado residencial de luxo. Ruas
próximas, como a Duque de Loulé, seguem a tendência
07 DE JUNHO DE 2016
Susete Francisco /
http://www.dn.pt/sociedade/interior/o--metro-quadrado-mais-caro-de-lisboa-ja-passou-a-avenida-5214453.html
São três prédios
que ficaram suspensos sobre estacas para escavar os 13 metros de
profundidade que vão dar lugar a quatro pisos de estacionamento
subterrâneo. Acima deles ficarão 97 apartamentos. O mais barato, um
T1 com 71 metros quadrados e um lugar de garagem custa 405 mil euros.
O mais caro é... ligeiramente mais caro: 1,7 milhões de euros é o
preço de um T5 com 221 metros quadrados e quatro lugares de
estacionamento.
Os preços são "de
avenida", mas o novo empreendimento, um dos vários que estão a
surgir na zona central da cidade, não fica na maior artéria da
capital - o metro quadrado mais caro de Lisboa já se estendeu da
Avenida da Liberdade às ruas adjacentes. No caso, trata-se das
"Sottomayor Residências", na Duque de Loulé. Mas podia
ser a Rua Alexandre Herculano, a Rosa Araújo ou a Rodrigues Sampaio.
Se o "renascimento"
da Avenida da Liberdade foi lançado pelo comércio de luxo, é ponto
assente que este está a trazer atrás o mercado residencial, também
ele de luxo. "Se olharmos para a Avenida da Liberdade é notória
a mudança", diz Patrícia Barão, responsável pela área
residencial da consultora imobiliária JLL. Uma alteração que se
começou a desenhar em 2014 com o edifício Ópera LX, no cruzamento
da avenida com a Rua Rodrigues Sampaio, junto ao Teatro Tivoli. "Foi
o tiro de partida para se começarem a desenvolver projetos do
residencial", sublinha.
O Plano Estratégico
de Lisboa para os próximos quatro anos identifica-a como uma nova
micro-centralidade que se desenvolveu na capital - o eixo Marquês de
Pombal/Av. da Liberdade criou uma identidade própria e, se começou
por ter uma vocação quase exclusivamente comercial/de negócios,
abriu entretanto as portas ao mercado residencial. É o metro
quadrado mais caro de Lisboa: seis a nove mil euros. Nos últimos
anos, aponta um relatório recente da JLL , os imóveis de habitação
comercializados na avenida registaram "um valor médio de venda
acima dos sete mil euros por metro quadrado". E deverá chegar
aos dez mil euros, antecipa Patrícia Barão.
Nos últimos dois
anos e meio foram colocados em comercialização 250 apartamentos na
zona da Avenida da Liberdade. A "esmagadora maioria" foi
vendida ainda em planta, "uma situação que tinha deixado de se
verificar durante a crise", refere o estudo, que identifica as
zonas de maior valor imobiliário da cidade (no conjunto nacional
coloca a Av. da Liberdade apenas atrás do eixo Cascais/Estoril). Nos
próximos dois anos devem chegar ao mercado mais 300 casas.
Um relatório de
2015 de uma outra consultora, a CBRE, conclui que a Avenida da
Liberdade movimentou nos cinco anos anteriores um valor de 286
milhões de euros em transações de edifícios - que o relatório
estima no número de 26. Boa parte do investimento (69%) é
estrangeiro. Chineses, espanhóis, brasileiros e norte-americanos são
as nacionalidades que mais têm investido na Avenida da Liberdade.
"Euforia
imobiliária"
Os três edifícios
mandados construir em 1904 pelo banqueiro Cândido Sottomayor como
prédios de rendimentos (que hoje já não estão na família,
evocando apenas o nome) dão hoje um bom retrato do perfil
imobiliário da zona da avenida. Apesar de estar ainda numa fase
inicial de construção já está ser vendido em planta e, garante um
dos promotores do empreendimento, a bom ritmo. "A
comercialização começou há três meses e estamos com 15
apartamentos vendidos. Acho que daqui a um ano teremos 80% vendido",
diz Pico Durão, responsável de vendas da Fine& Country (que faz
a comercialização do empreendimento, a par da JLL). Que tem uma
explicação para o facto de os compradores já estarem a comprar
muito antes da fase "chave na mão": "Vende-se em
planta porque não há produto." O mesmo é dizer que a procura
suplanta a oferta: "Há uma euforia imobiliária em Lisboa.
Sente-se um aumento de preços brutal."
Mais portugueses a
comprar
O que não havia
antes e há agora são compradores portugueses. "Nos últimos
quatro anos diria que quase 100% dos compradores no centro de Lisboa
são estrangeiros", refere Pico Durão. Mas essa é uma
realidade que está a mudar: "Temos portugueses a comprar neste
empreendimento, o que não acontecia antes. Neste caso [das
Residências Sottomayor] diria que 50% dos compradores são
portugueses, 50% estrangeiros."
Patrícia Barão
confirma a tendência - "Temos muitos clientes portugueses que
estão a comprar nestas zonas". Quanto às motivações, são
variadas: "Não podemos traçar um padrão. Há quem compre para
passar umas temporadas, há investidores que compram apartamentos
para colocar no mercado de arrendamento de curta-duração, ou mesmo
no tradicional, de longa duração".
Recuperar traços de
época
A abertura dos
quatro pisos subterrâneos obrigou a uma obra de engenharia complexa,
no caso das residências Sottomayor, mas não é por acaso que o
promotor optou por esta via. O estacionamento. como a existência de
espaços exteriores, são dois itens obrigatórios nas residências
"prime". Neste capítulo o LX Lisboa - que recebeu o prémio
SIL de reabilitação urbana - também parece ter dado o mote. com a
manutenção da fachada original do edifício e reconstrução de
elementos de época , uma tendência que se repete nos
empreendimentos agora em construção.
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