Mesquita
na Mouraria.
E
a qualidade em si do Projecto arquitectónico ninguém discute?
Este,
é na sua incapacidade de inserção e na sua total ruptura com o
contexto arquitectónico da envolvente, um projecto que leva a
demolições de edificios com valor Patrimonial e Histórico e que
pela sua total ausência de capacidade de contextualização ,
constitui um atentado ao Património Arquitectónico e
Características históricas de Lisboa.
OVOODOCORVO
Uma
Mouraria "mais acessível" e com uma mesquita
INÊS BOAVENTURA
05/06/2016 – PÚBLICO
Para
além da construção de salas de oração e de "espaços de
acção social" para a comunidade islâmica, o projecto que a
Câmara de Lisboa se prepara para concretizar inclui um espaço
cultural e uma praça.
Foi da vontade de
tornar a Mouraria “um bairro mais acessível, mais permeável, não
tão fechado sobre si próprio” que nasceu na Câmara de Lisboa a
ideia de rasgar uma ligação entre as ruas da Palma e do Benformoso.
O sublinhado é feito pelo vereador do Urbanismo, o arquitecto Manuel
Salgado, que considera “completamente incorrecto” que o debate em
torno do projecto “Praça-Mouraria”, que além de uma intervenção
no espaço público inclui a edificação de uma sala polivalente
para actividades culturais e de uma mesquita, se centre apenas na
última dessas valências.
Em declarações ao
PÚBLICO, Manuel Salgado frisa que a constatação de que “era
importante para a revitalização da Mouraria” que se criasse um
novo ponto de contacto entre o bairro e o resto da cidade surgiu
ainda com o Programa de Acção da Mouraria, em 2009. O passo
seguinte, continua, foi a procura na zona de um ponto “que tivesse
bastante edificado municipal”, que pudesse ser sacrificado para
permitir o cumprimento daquele desígnio.
“Simultaneamente
havia um problema complicado da mesquita [a Mesquita Baitul Mukarram,
na Calçada Agostinho de Carvalho], que não tinha o mínimo de
condições”, explica o autarca, acrescentando que “a comunidade
manifestou interesse em ter melhores condições para o seu culto”.
Foi da união desses
elementos que acabou por nascer o projecto “Praça-Mouraria”, da
autoria da arquitecta Inês Lobo. O estudo prévio obteve parecer
favorável da Câmara de Lisboa em 2012 (com a abstenção do CDS e
os votos favoráveis de todos os outros eleitos), sublinhando Manuel
Salgado que ele foi pago pela Comunidade Muçulmana do Bangladesh.
Nesse estudo
explica-se que “a área de intervenção é definida por um núcleo
composto por um edifício da Câmara Municipal de Lisboa, dois
edifícios propriedade da EPUL [empresa municipal que foi extinta e
cujo património transitou para a câmara] e três edifícios
privados que deverão ser expropriados e demolidos”.
“Tem havido várias
iniciativas de apoio a vários cultos diferentes”, diz ainda o
autarca, considerando que tal não só “é perfeitamente saudável”
como constitui “um traço distintivo de Lisboa”
Em termos de
projecto, detalha-se que o novo espaço exterior público “resulta
do desenho de uma praça a duas cotas unidas por uma rampa central
que funcionam como zonas de alargamento das ruas que lhes dão
acesso”. “Pretende-se, deste modo, que a Rua do Benformoso, que
contacta com a Rua da Palma e a Avenida Almirante Reis apenas nos
seus dois topos, passe a ter um ponto de contacto com esse eixo
estruturante e de reunião dos habitantes do bairro da Mouraria”,
acrescenta Inês Lobo.
No estudo prévio
explica-se que “no limite poente do lote”, “sobre a praça
junto à Rua da Palma”, surgirá uma sala polivalente, que se
pretende que tenha “relação directa com o Arquivo Fotográfico de
Lisboa que está instalado no edifício contíguo”.
E por fim, a
mesquita, que terá dois corpos. No primeiro, “de cota com a Rua da
Palma”, ficarão os espaços de oração dos homens e das mulheres,
aos quais se acederá “através de pátios privados” distintos.
Já no “corpo sul”, também “de cota com a Rua da Palma”,
serão instalados os “espaços de acção social”, incluindo uma
área polivalente e um espaço que “albergará as actividades de
ensino e ocupação dos tempos livres da comunidade infantil”.
Quanto aos custos
que terá a concretização deste projecto, a câmara tem explicado
que estão em causa duas parcelas: 1,5 milhões de euros referentes a
obras e 1,4 milhões relativos a expropriações. Este último valor
poderá subir, em função da disponibilidade manifestada pelo
município para negociar com o proprietário de dois prédios na Rua
do Benformoso, que discorda do montante que está previsto ser-lhe
atribuído e que levou a sua contestação aos tribunais e à
comunicação social.
O vereador do
Urbanismo nota que “a parte interior da mesquita não é a câmara
que vai fazer”, estando estabelecido que a Comunidade Muçulmana do
Bangladesh assumirá os encargos com os acabamentos interiores
O vereador do
Urbanismo nota que “a parte interior da mesquita não é a câmara
que vai fazer”, estando estabelecido que a Comunidade Muçulmana do
Bangladesh assumirá os encargos com os acabamentos interiores. E nos
1,5 milhões de euros em obras que serão suportados pela autarquia,
que valor tem a ver com a mesquita? “Eu diria que é mais ou menos
um terço”, diz Manuel Salgado, vincando que o total anunciado pode
descer, em função dos resultados do concurso público que vier a
ser lançado para a realização da empreitada.
“Tem havido várias
iniciativas de apoio a vários cultos diferentes”, diz ainda o
autarca, considerando que tal não só “é perfeitamente saudável”
como constitui “um traço distintivo de Lisboa”. A este nível, o
próximo investimento na calha deverá ser o do Museu Judaico, que
vai nascer em Alfama e para o qual (segundo se diz numa informação
recentemente transmitida à Assembleia Municipal de Lisboa) a câmara
prevê contribuir com 2,1 milhões de euros.
Mensagem idêntica
tem-se esforçado por transmitir o presidente da câmara, que na
última reunião pública do executivo lembrou que “ao longo de
décadas tem sido apoiada a construção de vários equipamentos, de
vários locais de culto, de partilha, de trabalho, de várias
confissões religiosas”. Para Fernando Medina, “estão errados”
todos aqueles que acham que, ao apoiar a construção desta mesquita,
o município está a atribuir um “privilégio” à comunidade
islâmica.

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