quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Uma avalanche imparável


Com o fecho da “Casa Alves” que fez correr “rios de tinta” e provocou polémicas e inciativas logradas, simbolizou-se o fim da mercearia de bairro, síntoma também, do fim da vida de bairro com moradores permanentes e identidade local.
Lisboa está a uma velocidade vertiginosa a transformar-se de um Local vivido em permanência num Sítio de passagem efémero.
Os moradores locais foram progressivamente substituídos por residentes temporários.
Mas nada é mais fortemente vísivel neste turbilhão globalizado, do que o aumento explosivo do número de estabelecimentos de venda de produtos pseudo-turísticos made in Asia.
Assim, na Baixa, contam-se já 90 lojas de “souvenirs” e afins asiáticos
72% abertos por pessoas originárias da India, Paquistão, Bangla-Desh , Sri-Lanka.
Dizia O Corvo há uns tempos :
( …) “Com estas linhas em mente, João Fernandes saiu à rua. Ou melhor, às ruas do Ouro, dos Sapateiros, Augusta, da Prata, dos Correeiros, dos Douradores, dos Fanqueiros, do Comércio, de São Julião, da Conceição, de São Nicolau, da Vitória, da Assunção, de Santa Justa e do Crucifixo. Em 15 ruas, contou 52 lojas obedecendo ao critério restrito de lojas que vendem apenas recordações, número que sobe para os 61, se incluir as que também se dedicam a outros ramos da actividade retalhista.”
Como ilustração, a velocidade de como a “Casa Tavares” foi ocupada é ilustrativa …( Ver imagens em baixo )
A “Casa dos Panos”, lá está na Rua dos Fanqueiros provávelmente à espera da mesma sorte.
Ah! A antiga barbearia , posteriormente numismática à esquina da Rua do Crucifixo, em frente à Igreja, perto da entrada do Metro/Baixa Chiado, já está a ser preparada para o mesmo destino.
Mesmo sabendo que esta avalanche de híbrido é alimentada por um “Turismo de Massas” sem critério, mantém-se o mistério da origem do financiamento nesta dinâmica de empreendorismo avassalador.
OVOODOCORVO









 A antiga barbearia , posteriormente numismática à esquina da Rua do Crucifixo


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