ENERGIA
Portugal, Espanha e França fecham acordo sobre novo
corredor da energia verde para o centro da UE
Os três governos decidiram abandonar o anterior projecto
do MidCat, e construir uma nova ligação para distribuir hidrogénio verde e
outros gases renováveis da Península Ibérica para o centro da Europa, através
de um gasoduto submarino entre Barcelona e Marselha.
Rita Siza ,
Bruxelas
20 de Outubro de
2022, 13:37 actualizado a 20 de Outubro de 2022, 17:15
Os governos de
Portugal, Espanha e França anunciaram, nesta quinta-feira, um acordo para a
construção de um Corredor de Energia Verde que vai ligar a Península Ibérica ao
centro da Europa, através de um novo gasoduto submarino entre Barcelona e
Marselha, vocacionado para o hidrogénio verde e outros gases renováveis, que
substituirá o antigo projecto designado como MidCat.
“Depois de muitos
meses de trabalho intenso entre os três governos, encontrámos um acordo entre
os três países para acelerar o projecto de interconexões”, informou o
presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, à entrada para a reunião do
Conselho Europeu, em Bruxelas.
“Esta é uma boa
notícia, está ultrapassado um dos bloqueios mais antigos na Europa”,
congratulou-se o primeiro-ministro, António Costa, referindo-se à oposição da
França à construção de um gasoduto através dos Pirenéus, que inviabilizava a
distribuição de gás natural a partir da Península Ibérica para o centro da
Europa. Além de questões ambientais, o Governo de Paris argumentava que o
projecto tinha um interesse económico limitado.
Os dois líderes
ibéricos estiveram reunidos com o Presidente francês, Emmanuel Macron, antes da
reunião do Conselho Europeu para fechar o acordo que, segundo Costa, envolveu
“muito trabalho ao longo do último ano, do ponto de vista técnico e
diplomático, e também do ponto de vista político”.
O trabalho vai
prosseguir, estando previsto que até à cimeira dos países mediterrânicos e do
Sul da União Europeia marcada para 9 de Dezembro, em Alicante, fique delineado
o plano do ponto de vista técnico, com a definição de calendários e uma
primeira avaliação de custos.
Com este novo
plano, Portugal, Espanha e França abandonam “definitivamente” a hipótese do
MidCat, confirmou António Costa. “O acordo é para construir um novo projecto
que designámos de Corredor de Energia Verde, que permitirá completar a
interconexão entre Portugal e Espanha, num trajecto entre Celorico da Beira e
Zamora, e também fazer uma ligação entre Espanha e o resto da Europa, ligando
Barcelona a Marselha por via marítima”, informou o primeiro-ministro.
A substituição
obrigará a uma alteração na ligação portuguesa a Espanha, que passará a ser
feita por Celorico da Beira. Mas o novo troço terá a mesma extensão da ligação
anteriormente prevista entre Celorico de Basto e o Vale do Prado: 162
quilómetros.
O
primeiro-ministro sublinhou que, para Portugal, a ligação até à fronteira de
Espanha “já é uma enorme mais-valia, porque significa aumentar a nossa
capacidade de estarmos conectados com um mercado onde não somos só dez milhões,
mas 60 milhões”. “Este é um grande passo. E a conexão de Espanha para o resto
da Europa é um passo ainda maior”, acrescentou.
Macron:
“Cumpre-se o objectivo de Portugal e Espanha”
O novo gasoduto
estará sobretudo “vocacionado para o hidrogénio verde e outros gases
renováveis”, mas transitoriamente poderá ser utilizado para o transporte de gás
natural — segundo António Costa, “ficou estabelecido que esse transporte de gás
natural será transitório e proporcional ao esforço que todos temos de fazer
para assegurar a segurança energética da Europa, sem perder o ritmo e o foco no
que é fundamental que é acelerar a transição para energias verdes”.
“Cumpre-se o
objectivo de Portugal e Espanha de uma melhor ligação ao resto da Europa, e o
nosso objectivo de continuar a nossa estratégica de transição climática e
energética”, vincou Emmanuel Macron, informando que a intenção dos três
governos é candidatar este novo projecto ao financiamento comunitário,
nomeadamente através do instrumento Interligar a Europa. “O corredor de energia
verde está destinado a beneficiar de financiamento europeu”, referiu o
Presidente francês.
Segundo António
Costa, duas razões fundamentais contribuíram para vencer o impasse para a
construção desta interconexão que se prolongava há mais de uma década: a
“alteração da conjuntura energética na Europa”, com a interrupção do
abastecimento de gás russo, “e a compreensão de que temos de diversificar as
fontes e as rotas de fornecimento de energia”; e o desenvolvimento das
tecnologias do hidrogénio verde e outros gases renováveis, que “permite
associar esta interconexão àquilo que é o esforço conjunto que todos temos de
fazer para acelerar a transição energética”.
Um terceiro
factor diz respeito à nova solução técnica de gasoduto submarino. “Das duas
alternativas possíveis, acho que foi encontrada a melhor, uma vez que a via
marítima é aquela que permite ligar à coluna vertebral da rede de hidrogénio
verde da Europa”, considerou o primeiro-ministro.
Paralelamente,
Lisboa, Madrid e Paris “manifestaram o seu total apoio à aceleração dos
esforços para finalizar a nova ligação eléctrica através do golfo da Biscaia”,
e “concordaram em identificar, avaliar e implementar novos projectos de
interligação eléctrica entre França e Espanha, a fim de alcançar uma Europa
electricamente interligada”, lê-se num comunicado conjunto.
Antes da reunião
com Emmanuel Macron, os dois líderes ibéricos acertaram agulhas para o
desenvolvimento de um outro projecto relacionado com o armazenamento conjunto
de electricidade.
“É um grande
desafio”, observou António Costa, dizendo que a ideia passa por “desenvolver
baterias de grande capacidade”, valorizando um recurso da Península Ibérica,
que é o lítio. “Dessa forma, teremos baterias que podem servir para ajudar a
armazenar electricidade em grande escala, para poder responder a situações de crise
como, por exemplo, a que estamos agora a viver com a seca que reduz a
capacidade de produção hídrica”, explicou.
Portugal, Spain
and France agree on new green energy corridor for EU centre
The three governments decided to abandon the previous
MidCat project, and build a new link to distribute green hydrogen and other
renewable gases from the Iberian Peninsula to central Europe through an
underwater pipeline between Barcelona and Marseille.
Rita Siza ,
Brussels
20 October 2022,
13:37 updated on 20 October 2022, 17:15
The governments
of Portugal, Spain and France announced on Thursday an agreement for the
construction of a Green Energy Corridor that will connect the Iberian Peninsula
to central Europe, through a new submarine gas pipeline between Barcelona and
Marseille, aimed at green hydrogen and other renewable gases, which will
replace the old project designated as MidCat.
"After many
months of intense work between the three governments, we have found an
agreement between the three countries to accelerate the interconnection
project," Spanish Government President Pedro Sánchez said at the entrance
to the European Council meeting in Brussels.
"This is
good news, one of the oldest blockades in Europe is overtaken," prime
minister António Costa said, referring to France's opposition to the
construction of a gas pipeline through the Pyrenees, which made it impossible
to distribute natural gas from the Iberian Peninsula to central Europe. In
addition to environmental issues, the Government of Paris argued that the
project had a limited economic interest.
The two Iberian
leaders met with French President Emmanuel Macron before the European Council
meeting to close the agreement, which Costa said involved "a lot of work
over the last year, from a technical and diplomatic point of view, and also
from a political point of view."
Work will
continue, with the technical plan being outlined by the summit of the
Mediterranean and Southern Countries of the European Union scheduled for 9
December in Alicante, with the definition of timetableand a first cost
assessment.
With this new
plan, Portugal, Spain and France "definitely" abandon the midcat
hypothesis, António Costa confirmed. "The agreement is to build a new
project that we have designated the Green Energy Corridor, which will allow to
complete the interconnection between Portugal and Spain, on a route between
Celorico da Beira and Zamora, and also to make a connection between Spain and
the rest of Europe, connecting Barcelona to Marseille by sea," the Prime
Minister said.
The replacement
will require a change in the Portuguese connection to Spain, which will be made
by Celorico da Beira. But the new section will have the same extension as the
previously planned link between Celorico de Basto and the Prado Valley: 162
kilometres.
The Prime
Minister stressed that, for Portugal, the connection to the Spanish border
"is already a huge asset, because it means increasing our ability to be
connected to a market where we are not only ten million, but 60 million".
"This is a big step. And the connection from Spain to the rest of Europe
is an even bigger step," he added.
Macron:
"Portugal and Spain's objective is fulfilled"
The new pipeline
will be mainly "geared to green hydrogen and other renewable gases",
but it can be used temporarily to transport natural gas — according to António
Costa, "it has been established that this transport of natural gas will be
transitory and proportionate to the effort we all have to make to ensure
Europe's energy security, without losing pace and focus on what is fundamental
to accelerate the transition to green energies."
"Portugal
and Spain's goal of better linking to the rest of Europe is fulfilled, and our
goal of continuing our climate and energy transition strategy," said
Emmanuel Macron, noting that the three governments' intention is to apply for
this new project for Community funding, notably through the Connecting Europe
instrument. "The green energy corridor is destined to benefit from
European funding," said the French President.
According to
António Costa, two fundamental reasons contributed to overcoming the impasse
for the construction of this interconnection that had been going on for more
than a decade: the "change in the energy environment in Europe", with
the interruption of russian gas supply, "and the understanding that we
must diversify the sources and routes of energy supply"; and the
development of green hydrogen and other renewable gas technologies, which
"allows us to link this interconnection to what is the joint effort that
we all have to make to accelerate the energy transition".
A third factor concerns
the new subsea pipeline technical solution. "Of the two possible
alternatives, I think the best was found, since the sea route is the one that
allows connecting to the spine of europe's green hydrogen network," the
Prime Minister said.
At the same time,
Lisbon, Madrid and Paris "expressed their full support for accelerating
efforts to finalise the new electricity connection across the Bay of
Biscay", and "agreed to identify, evaluate and implement new
electricity interconnection projects between France and Spain in order to
achieve an electrically interconnected Europe," a joint statement read.
Before the
meeting with Emmanuel Macron, the two Iberian leaders hit needles for the
development of another project related to the joint storage of electricity.
"It's a big
challenge," Said António Costa, saying that the idea is to "develop
batteries of great capacity", valuing a resource of the Iberian Peninsula,
which is lithium. "In this way, we will have batteries that can help store
electricity on a large scale, to be able to respond to crisis situations, such
as the one that we are now living with drought that reduces water production
capacity," he explained.

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