domingo, 23 de outubro de 2022

Portugal, Espanha e França fecham acordo sobre novo corredor da energia verde para o centro da UE / Portugal, Spain and France agree on new green energy corridor for EU centre

 


ENERGIA

Portugal, Espanha e França fecham acordo sobre novo corredor da energia verde para o centro da UE

 

Os três governos decidiram abandonar o anterior projecto do MidCat, e construir uma nova ligação para distribuir hidrogénio verde e outros gases renováveis da Península Ibérica para o centro da Europa, através de um gasoduto submarino entre Barcelona e Marselha.

 

Rita Siza , Bruxelas

20 de Outubro de 2022, 13:37 actualizado a 20 de Outubro de 2022, 17:15

https://www.publico.pt/2022/10/20/economia/noticia/portugal-espanha-franca-fecham-acordo-novo-corredor-energia-verde-centro-ue-2024747

 

Os governos de Portugal, Espanha e França anunciaram, nesta quinta-feira, um acordo para a construção de um Corredor de Energia Verde que vai ligar a Península Ibérica ao centro da Europa, através de um novo gasoduto submarino entre Barcelona e Marselha, vocacionado para o hidrogénio verde e outros gases renováveis, que substituirá o antigo projecto designado como MidCat.

 

“Depois de muitos meses de trabalho intenso entre os três governos, encontrámos um acordo entre os três países para acelerar o projecto de interconexões”, informou o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, à entrada para a reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas.

 

“Esta é uma boa notícia, está ultrapassado um dos bloqueios mais antigos na Europa”, congratulou-se o primeiro-ministro, António Costa, referindo-se à oposição da França à construção de um gasoduto através dos Pirenéus, que inviabilizava a distribuição de gás natural a partir da Península Ibérica para o centro da Europa. Além de questões ambientais, o Governo de Paris argumentava que o projecto tinha um interesse económico limitado.

 

Os dois líderes ibéricos estiveram reunidos com o Presidente francês, Emmanuel Macron, antes da reunião do Conselho Europeu para fechar o acordo que, segundo Costa, envolveu “muito trabalho ao longo do último ano, do ponto de vista técnico e diplomático, e também do ponto de vista político”.

 

O trabalho vai prosseguir, estando previsto que até à cimeira dos países mediterrânicos e do Sul da União Europeia marcada para 9 de Dezembro, em Alicante, fique delineado o plano do ponto de vista técnico, com a definição de calendários e uma primeira avaliação de custos.

 

Com este novo plano, Portugal, Espanha e França abandonam “definitivamente” a hipótese do MidCat, confirmou António Costa. “O acordo é para construir um novo projecto que designámos de Corredor de Energia Verde, que permitirá completar a interconexão entre Portugal e Espanha, num trajecto entre Celorico da Beira e Zamora, e também fazer uma ligação entre Espanha e o resto da Europa, ligando Barcelona a Marselha por via marítima”, informou o primeiro-ministro.

 

A substituição obrigará a uma alteração na ligação portuguesa a Espanha, que passará a ser feita por Celorico da Beira. Mas o novo troço terá a mesma extensão da ligação anteriormente prevista entre Celorico de Basto e o Vale do Prado: 162 quilómetros.

 

O primeiro-ministro sublinhou que, para Portugal, a ligação até à fronteira de Espanha “já é uma enorme mais-valia, porque significa aumentar a nossa capacidade de estarmos conectados com um mercado onde não somos só dez milhões, mas 60 milhões”. “Este é um grande passo. E a conexão de Espanha para o resto da Europa é um passo ainda maior”, acrescentou.

 

Macron: “Cumpre-se o objectivo de Portugal e Espanha”

O novo gasoduto estará sobretudo “vocacionado para o hidrogénio verde e outros gases renováveis”, mas transitoriamente poderá ser utilizado para o transporte de gás natural — segundo António Costa, “ficou estabelecido que esse transporte de gás natural será transitório e proporcional ao esforço que todos temos de fazer para assegurar a segurança energética da Europa, sem perder o ritmo e o foco no que é fundamental que é acelerar a transição para energias verdes”.

 

“Cumpre-se o objectivo de Portugal e Espanha de uma melhor ligação ao resto da Europa, e o nosso objectivo de continuar a nossa estratégica de transição climática e energética”, vincou Emmanuel Macron, informando que a intenção dos três governos é candidatar este novo projecto ao financiamento comunitário, nomeadamente através do instrumento Interligar a Europa. “O corredor de energia verde está destinado a beneficiar de financiamento europeu”, referiu o Presidente francês.

 

Segundo António Costa, duas razões fundamentais contribuíram para vencer o impasse para a construção desta interconexão que se prolongava há mais de uma década: a “alteração da conjuntura energética na Europa”, com a interrupção do abastecimento de gás russo, “e a compreensão de que temos de diversificar as fontes e as rotas de fornecimento de energia”; e o desenvolvimento das tecnologias do hidrogénio verde e outros gases renováveis, que “permite associar esta interconexão àquilo que é o esforço conjunto que todos temos de fazer para acelerar a transição energética”.

 

Um terceiro factor diz respeito à nova solução técnica de gasoduto submarino. “Das duas alternativas possíveis, acho que foi encontrada a melhor, uma vez que a via marítima é aquela que permite ligar à coluna vertebral da rede de hidrogénio verde da Europa”, considerou o primeiro-ministro.

 

Paralelamente, Lisboa, Madrid e Paris “manifestaram o seu total apoio à aceleração dos esforços para finalizar a nova ligação eléctrica através do golfo da Biscaia”, e “concordaram em identificar, avaliar e implementar novos projectos de interligação eléctrica entre França e Espanha, a fim de alcançar uma Europa electricamente interligada”, lê-se num comunicado conjunto.

 

Antes da reunião com Emmanuel Macron, os dois líderes ibéricos acertaram agulhas para o desenvolvimento de um outro projecto relacionado com o armazenamento conjunto de electricidade.

 

“É um grande desafio”, observou António Costa, dizendo que a ideia passa por “desenvolver baterias de grande capacidade”, valorizando um recurso da Península Ibérica, que é o lítio. “Dessa forma, teremos baterias que podem servir para ajudar a armazenar electricidade em grande escala, para poder responder a situações de crise como, por exemplo, a que estamos agora a viver com a seca que reduz a capacidade de produção hídrica”, explicou.


Portugal, Spain and France agree on new green energy corridor for EU centre

 

The three governments decided to abandon the previous MidCat project, and build a new link to distribute green hydrogen and other renewable gases from the Iberian Peninsula to central Europe through an underwater pipeline between Barcelona and Marseille.

 

Rita Siza , Brussels

20 October 2022, 13:37 updated on 20 October 2022, 17:15

https://www.publico.pt/2022/10/20/economia/noticia/portugal-espanha-franca-fecham-acordo-novo-corredor-energia-verde-centro-ue-2024747

 

The governments of Portugal, Spain and France announced on Thursday an agreement for the construction of a Green Energy Corridor that will connect the Iberian Peninsula to central Europe, through a new submarine gas pipeline between Barcelona and Marseille, aimed at green hydrogen and other renewable gases, which will replace the old project designated as MidCat.

 

"After many months of intense work between the three governments, we have found an agreement between the three countries to accelerate the interconnection project," Spanish Government President Pedro Sánchez said at the entrance to the European Council meeting in Brussels.

 

"This is good news, one of the oldest blockades in Europe is overtaken," prime minister António Costa said, referring to France's opposition to the construction of a gas pipeline through the Pyrenees, which made it impossible to distribute natural gas from the Iberian Peninsula to central Europe. In addition to environmental issues, the Government of Paris argued that the project had a limited economic interest.

 

The two Iberian leaders met with French President Emmanuel Macron before the European Council meeting to close the agreement, which Costa said involved "a lot of work over the last year, from a technical and diplomatic point of view, and also from a political point of view."

 

Work will continue, with the technical plan being outlined by the summit of the Mediterranean and Southern Countries of the European Union scheduled for 9 December in Alicante, with the definition of timetableand a first cost assessment.

 

With this new plan, Portugal, Spain and France "definitely" abandon the midcat hypothesis, António Costa confirmed. "The agreement is to build a new project that we have designated the Green Energy Corridor, which will allow to complete the interconnection between Portugal and Spain, on a route between Celorico da Beira and Zamora, and also to make a connection between Spain and the rest of Europe, connecting Barcelona to Marseille by sea," the Prime Minister said.

 

The replacement will require a change in the Portuguese connection to Spain, which will be made by Celorico da Beira. But the new section will have the same extension as the previously planned link between Celorico de Basto and the Prado Valley: 162 kilometres.

 

The Prime Minister stressed that, for Portugal, the connection to the Spanish border "is already a huge asset, because it means increasing our ability to be connected to a market where we are not only ten million, but 60 million". "This is a big step. And the connection from Spain to the rest of Europe is an even bigger step," he added.

 

Macron: "Portugal and Spain's objective is fulfilled"

The new pipeline will be mainly "geared to green hydrogen and other renewable gases", but it can be used temporarily to transport natural gas — according to António Costa, "it has been established that this transport of natural gas will be transitory and proportionate to the effort we all have to make to ensure Europe's energy security, without losing pace and focus on what is fundamental to accelerate the transition to green energies."

 

"Portugal and Spain's goal of better linking to the rest of Europe is fulfilled, and our goal of continuing our climate and energy transition strategy," said Emmanuel Macron, noting that the three governments' intention is to apply for this new project for Community funding, notably through the Connecting Europe instrument. "The green energy corridor is destined to benefit from European funding," said the French President.

 

According to António Costa, two fundamental reasons contributed to overcoming the impasse for the construction of this interconnection that had been going on for more than a decade: the "change in the energy environment in Europe", with the interruption of russian gas supply, "and the understanding that we must diversify the sources and routes of energy supply"; and the development of green hydrogen and other renewable gas technologies, which "allows us to link this interconnection to what is the joint effort that we all have to make to accelerate the energy transition".

 

A third factor concerns the new subsea pipeline technical solution. "Of the two possible alternatives, I think the best was found, since the sea route is the one that allows connecting to the spine of europe's green hydrogen network," the Prime Minister said.

 

At the same time, Lisbon, Madrid and Paris "expressed their full support for accelerating efforts to finalise the new electricity connection across the Bay of Biscay", and "agreed to identify, evaluate and implement new electricity interconnection projects between France and Spain in order to achieve an electrically interconnected Europe," a joint statement read.

 

Before the meeting with Emmanuel Macron, the two Iberian leaders hit needles for the development of another project related to the joint storage of electricity.

 

"It's a big challenge," Said António Costa, saying that the idea is to "develop batteries of great capacity", valuing a resource of the Iberian Peninsula, which is lithium. "In this way, we will have batteries that can help store electricity on a large scale, to be able to respond to crisis situations, such as the one that we are now living with drought that reduces water production capacity," he explained.


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