INCÊNDIOS
Governo declara estado de contingência na próxima semana
por causa de incêndios
Medida tem “carácter preventivo”. Portugal enfrenta uma
onda de calor que aumenta o risco de incêndios. Dezassete bombeiros ficaram
feridos nos últimos dois dias.
PÚBLICO
9 de Julho de
2022, 20:57
Portugal vai
estar em estado de contingência de 11 a 15 de Julho por causa do risco de
incêndios florestais, anunciou na tarde deste sábado o ministro da
Administração Interna, José Luís Carneiro. A declaração foi feita depois de o
ministro se reunir com os ministérios da Defesa Nacional, do Ambiente e das
Alterações Climáticas, da Saúde, da Agricultura e Alimentação. Assim, a
Protecção Civil pode mobilizar “todos os meios de que o país dispõe” para
combater os incêndios, explicou José Luís Carneiro.
A medida é
sobretudo de “carácter preventivo” e todo o Continente passa a estar em alerta
vermelho.
Segundo o
ministro, que falava numa conferência de imprensa na sede da Autoridade
Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), em Carnaxide, no concelho de
Oeiras (Lisboa), o país mantém a situação de alerta decretada pelo Governo na
quinta-feira, uma vez que as previsões apontam que os piores dias serão
segunda, terça e quarta-feira. E insistiu na necessidade de os portugueses
adoptarem “atitudes e comportamentos responsáveis” para prevenir incêndios e
afirmou que mais de 50% das circunstâncias que provocaram fogos têm que ver com
negligência.
Antes, o ministro
da Administração Interna tinha já alertado que esta era a “pior conjugação de
factores que há desde Pedrógão Grande”, em termos de risco de incêndios em
Portugal, apelando a que se “faça tudo” para evitar que essa situação se
repita.
Também o
comandante nacional de Emergência e Protecção Civil manifestou este sábado
preocupação com os incêndios florestais em curso nos distritos de Bragança,
Santarém e Leiria, alertando que as previsões meteorológicas para a noite não
são favoráveis ao combate às chamas. “A situação meteorológica expectável para
a noite não nos deixa muita margem de manobra […]. Estamos a falar uma noite
com vento com alguma intensidade do quadrante Leste, humidades relativas muito
baixas e a temperatura mínima acima dos 25°C, o que não vai facilitar o
combate”, alertou André Fernandes num briefing à comunicação social, realizado
pelas 19h na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, em
Carnaxide, no concelho de Oeiras (Lisboa).
Segundo o responsável, o país registou nas últimas 24
horas um total de 125 incêndios.
Às 21h de sábado,
o site da ANEPC dava conta de 58 incêndios rurais activos (18 em curso, oito em
fase de resolução e 32 já em fase de conclusão), com um total de 2597
operacionais destacados por todo o país. Aveiro, Viana do Castelo, Porto,
Braga, Leiria, e Santarém foram as regiões onde mais se registaram incêndios. A
maioria dos operacionais (768) estava a lutar contra as chamas em Santarém.
Ao todo, a ANEPC
registou 351 ocorrências por todo o país no sábado. Queda de árvores, colisões
rodoviárias e falhas no abastecimento de água foram algumas das outras
ocorrências registadas devido às condições meteorológicas adversas.
Este domingo as
temperaturas continuarão elevadas por todo o país: os termómetros em Castelo
Branco e em Beja vão chegar aos 41 graus Celsius; Setúbal e Portalegre registam
39 graus Celsius de máxima. Em Lisboa, as temperaturas rondarão os 37 graus de
máxima e no Porto estarão mais amenas, com 24ºC.
17 bombeiros
feridos
Dezassete agentes
da Protecção Civil ficaram feridos nos incêndios dos últimos dois dias e 12
civis foram assistidos, anunciou ainda a Protecção Civil, que contabiliza
também uma pessoa desalojada e cinco habitações destruídas ou danificadas.
“Temos 12 feridos
ligeiros dos agentes de protecção civil e 17 civis assistidos. De salientar
aqui que não há nenhum ferido com gravidade”, disse o comandante nacional de
Emergência e Protecção Civil, André Fernandes, no briefing à comunicação
social. Segundo o comandante nacional, nove dos feridos ligeiros operacionais e
16 dos civis foram registados na sexta-feira e os restantes este sábado.
Quanto aos danos,
André Fernandes disse que, no incêndio que está a lavrar no distrito de
Santarém, em Ourém, duas habitações e dois anexos de outras duas habitações
ficaram destruídos pelas chamas, enquanto em Vale de Pia, no concelho de Pombal
(Leiria), três habitações foram danificadas.
“Até agora foi
registado um desalojado no incêndio de Santarém”, acrescentou ainda o comandante,
esclarecendo que a Câmara Municipal accionou o apoio social “e, portanto, a
situação ficou resolvida”.

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