Abates de animais para instalar painéis solares na Torre
Bela começaram há meses
Promotor confirma que central fotovoltaica, que ainda
está a ser alvo de avaliação ambiental, fez com que veados, gamos e javalis se
tornassem um problema, mas o objetivo declarado seria evitar o
"extermínio" .
Quinta da Torre
Bela
Quinta da Torre
Bela© André Luís Alves/Global Imagens
PorNuno Guedes
23 Dezembro, 2020
• 06:22
O Estudo de
Impacto Ambiental entregue em novembro à Agência Portuguesa do Ambiente (APA)
confirma que nos últimos meses a proprietária da Quinta da Torre Bela já tinha
desenvolvido várias caçadas com o objetivo de conseguir uma grande redução do
número de veados, gamos e javalis.
Segundo a
documentação consultada pela TSF, a razão apontada é só uma: a expectativa de
se vir a construir uma central fotovoltaica para produção de energia solar:
"Na ausência do projeto seria de esperar que se mantivesse a zona de
caça".
O mesmo estudo
acrescenta que a empresa proprietária estava interessada em encontrar uma
solução para os animais, pois iria beneficiar do arrendamento dos terrenos para
a futura central.
A
"solução"
O estudo, com
data de novembro, revela que os animais que durante anos foram uma fonte de
rendimento numa zona de caça tornaram-se num problema que precisava de
"solução" - expressão usada no documento que é claro a dizer que os
painéis solares iriam fazer com que veados, gamos e javalis ficassem sem espaço
para o seu habitat.
"A zona não tem dimensão e alimento suficiente para
a manutenção de todos os animais existentes".
No entanto,
soltar os animais de uma quinta murada (a maior do país) e colocá-los em
liberdade não seria possível pois uma análise preliminar verificou que os
veados e gamos da Torre Bela são geneticamente diferentes das espécies
existentes na Península Ibérica.
Prevê-se, aliás,
que antes do início das obras todos os animais estejam retirados dos terrenos.
As soluções
seriam duas e gradualmente, refere o documento, os animais já estavam a ser
transferidos da zona murada onde será instalada a futura central.
Por outro lado, a
empresa proprietária tem desenvolvido várias ações de caça que resultaram numa
"grande redução" do número de animais.
Evitar
"extermínio"
Em março, uma
análise preliminar do projeto, também lida pela TSF e entregue pelo promotor na
Agência Portuguesa do Ambiente, dizia que estava a ser ponderada uma solução
alternativa de transferência para uma outra herdade, evitando uma solução mais
drástica através de sucessivas ações de caça.
O documento
sublinha que a meta era evitar o "extermínio" e adianta que estavam a
ser avaliadas várias soluções e que estas iriam ser apresentadas ao Instituto
de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para se escolher a melhor opção.
A TSF contactou o
ICNF para saber se receberam alguma proposta da promotora da central
fotovoltaica ou da proprietária dos terrenos sobre o destino a dar a estes
animais, mas até ao momento não foi possível obter resposta.
A retirada de
veados, gamos e javalis da Quinta da Torre Bela é uma das medidas de
minimização dos impactos ambientais apresentadas pelos promotores do projeto
para que a APA aprove a central de energia solar.
"Inegável
interesse público"
O estudo de
impacto ambiental faz questão de salientar que é "inegável o interesse
público" das centrais fotovoltaicas, sublinhando que se inserem nas linhas
de orientação do Governo.
A central a
construir na Torre Bela corresponde a um lote do leilão de energia solar feito
pelo Estado em julho de 2019 e que foi ganho pela empresa promotora da obra.
O estudo de
impacto ambiental refere o impacto positivo da futura central para as metas de
Portugal no combate às alterações climáticas e para os compromissos do país em
termos de produção de energia através de fontes renováveis até 2025.


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