quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Abates de animais para instalar painéis solares na Torre Bela começaram há meses

 



Abates de animais para instalar painéis solares na Torre Bela começaram há meses

 

Promotor confirma que central fotovoltaica, que ainda está a ser alvo de avaliação ambiental, fez com que veados, gamos e javalis se tornassem um problema, mas o objetivo declarado seria evitar o "extermínio" .

 

Quinta da Torre Bela

Quinta da Torre Bela© André Luís Alves/Global Imagens

PorNuno Guedes

23 Dezembro, 2020 • 06:22

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/exterminio-abate-de-animais-para-instalar-paineis-solares-comecaram-ha-meses-13166987.html?fbclid=IwAR0VK6nwOBIWSgYDGzdqVR69nZcxIEyCU535dXMaIx-coNIVpr5wDeRVS3A

 

O Estudo de Impacto Ambiental entregue em novembro à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirma que nos últimos meses a proprietária da Quinta da Torre Bela já tinha desenvolvido várias caçadas com o objetivo de conseguir uma grande redução do número de veados, gamos e javalis.

Segundo a documentação consultada pela TSF, a razão apontada é só uma: a expectativa de se vir a construir uma central fotovoltaica para produção de energia solar: "Na ausência do projeto seria de esperar que se mantivesse a zona de caça".

 

O mesmo estudo acrescenta que a empresa proprietária estava interessada em encontrar uma solução para os animais, pois iria beneficiar do arrendamento dos terrenos para a futura central.

 

A "solução"

 

O estudo, com data de novembro, revela que os animais que durante anos foram uma fonte de rendimento numa zona de caça tornaram-se num problema que precisava de "solução" - expressão usada no documento que é claro a dizer que os painéis solares iriam fazer com que veados, gamos e javalis ficassem sem espaço para o seu habitat.

 

"A zona não tem dimensão e alimento suficiente para a manutenção de todos os animais existentes".

 

No entanto, soltar os animais de uma quinta murada (a maior do país) e colocá-los em liberdade não seria possível pois uma análise preliminar verificou que os veados e gamos da Torre Bela são geneticamente diferentes das espécies existentes na Península Ibérica.

 

Prevê-se, aliás, que antes do início das obras todos os animais estejam retirados dos terrenos.

As soluções seriam duas e gradualmente, refere o documento, os animais já estavam a ser transferidos da zona murada onde será instalada a futura central.

 

 

Por outro lado, a empresa proprietária tem desenvolvido várias ações de caça que resultaram numa "grande redução" do número de animais.

 

Evitar "extermínio"

 

Em março, uma análise preliminar do projeto, também lida pela TSF e entregue pelo promotor na Agência Portuguesa do Ambiente, dizia que estava a ser ponderada uma solução alternativa de transferência para uma outra herdade, evitando uma solução mais drástica através de sucessivas ações de caça.

 

O documento sublinha que a meta era evitar o "extermínio" e adianta que estavam a ser avaliadas várias soluções e que estas iriam ser apresentadas ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para se escolher a melhor opção.

 

A TSF contactou o ICNF para saber se receberam alguma proposta da promotora da central fotovoltaica ou da proprietária dos terrenos sobre o destino a dar a estes animais, mas até ao momento não foi possível obter resposta.

 

A retirada de veados, gamos e javalis da Quinta da Torre Bela é uma das medidas de minimização dos impactos ambientais apresentadas pelos promotores do projeto para que a APA aprove a central de energia solar.

 

"Inegável interesse público"

 

O estudo de impacto ambiental faz questão de salientar que é "inegável o interesse público" das centrais fotovoltaicas, sublinhando que se inserem nas linhas de orientação do Governo.

 

A central a construir na Torre Bela corresponde a um lote do leilão de energia solar feito pelo Estado em julho de 2019 e que foi ganho pela empresa promotora da obra.

 

O estudo de impacto ambiental refere o impacto positivo da futura central para as metas de Portugal no combate às alterações climáticas e para os compromissos do país em termos de produção de energia através de fontes renováveis até 2025.

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