Governo espanhol decreta estado de emergência para a
região de Madrid
Regime de limitação da circulação dos cidadãos na capital
espanhola vai vigorar durante 15 dias. É um “ataque” aos madrilenos, diz o
governo regional.
João Ruela
Ribeiro 9 de Outubro de 2020, 12:10
Toda a região de Madrid passa a estar confinada após a
declaração do estado de alarme
O Governo
espanhol decretou esta sexta-feira o estado de emergência para a comunidade de
Madrid, num esforço para conter os contágios pela covid-19.
A decisão foi
comunicada à presidente do governo autonómico de Madrid, Isabel Díaz Ayuso,
enquanto ainda decorre um conselho de ministros extraordinário em que o assunto
está a ser debatido. Com a entrada em vigor do estado de emergência, o Governo
espanhol passa a poder limitar a circulação dos cidadãos em toda a região
durante os próximos 15 dias. Os ministros da Saúde e do Interior deverão dar
uma conferência de imprensa após a conclusão do conselho de ministros.
O Governo de
Pedro Sánchez quis agir rapidamente por causa do fim-de-semana prolongado
(segunda-feira é feriado) que se aproxima, que muitos habitantes da capital
aproveitam para sair da cidade em turismo – um movimento muito desaconselhado
do ponto de vista epidemiológico. O estado de emergência passa a ter efeitos
imediatos e o Governo já tem um forte dispositivo policial pronto para ser
instalado para impedir a entrada e saída da capital, de acordo com a imprensa
espanhola.
Depois de terem
passado mais de três meses sob o estado de emergência – decretado pelo Governo
a 14 de Março para todo o país durante a primeira vaga da pandemia –, os 6,7
milhões de habitantes da comunidade de Madrid voltam a ver os seus movimentos
muito restringidos, não podendo sair da região e com autorização para se
deslocar pela cidade apenas para trabalhar, estudar ou outros motivos de força
maior.
A declaração do
estado de emergência era um desfecho antecipado e representa o culminar de um
braço-de-ferro entre o executivo central, uma coligação PSOE-Unidas Podemos, e
o governo autonómico de Madrid, nas mãos do Partido Popular em coligação com o
Cidadãos e apoiado pelo Vox, que não conseguem chegar a um acordo quanto à
melhor forma de controlar a pandemia.
O governo
regional defende um modelo de confinamento selectivo, no qual as restrições são
aplicadas apenas nas zonas sanitárias em que a taxa de contágio é superior a
750 por cada cem mil habitantes, enquanto o executivo central entende que a
forma mais eficaz de conter as transmissões é um confinamento total.
O Governo
espanhol já havia tentado contornar as decisões da comunidade autónoma, mas o
Tribunal Superior de Justiça anulou o confinamento total de Madrid, com a
justificação de que estavam em causa liberdades e direitos fundamentais,
obrigando o executivo a usar as suas prerrogativas constitucionais.
A postura do
Governo de Sánchez foi duramente condenada pelo executivo de Madrid, que tinha
convocado uma conferência de imprensa do conselheiro de Saúde, Enrique Ruiz
Escudero, para a mesma hora da reunião de Conselho de Ministros, na qual
apresentou uma proposta do governo autonómico que já não será concretizada.
“Vai ser muito difícil de entender que se aplique o estado de emergência quando
há uma descida clara do ponto de vista epidemiológico”, afirmou Escudero.
O conselheiro de
Justiça, Enrique López, descreveu a decisão do Governo espanhol como um
“atropelo constitucional” e um “ataque a todos os madrilenos”.
Desde Setembro
que Madrid tem sido um ponto de enorme preocupação pelo grande aumento de casos
de infecção pela covid-19, não só em Espanha mas a nível europeu. Nas últimas
24 horas, Espanha registou 12.423 novos casos, um quarto dos quais em Madrid. A
taxa de incidência acumulada nos últimos 15 dias em Madrid é de 563 casos por
cem mil habitantes, mostrando uma clara aceleração dos contágios, e apenas
superada pela comunidade de Navarra, com 655 casos por cem mil habitantes.
tp.ocilbup@aleur.oaoj


Sem comentários:
Enviar um comentário