Fernando Negrão deu por encerrada a audição ao
ex-presidente da Ongoing por considerar que se "recusa sistematicamente a
admitir" que tem dívidas
DN/Lusa
20 Maio 2021 —
19:33
O presidente da
Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo
Banco, Fernando Negrão, deu por encerrada a audição ao ex-presidente da Ongoing,
Nuno Vasconcellos, por considerar que se "recusa sistematicamente a
admitir" que tem dívidas.
Depois de pouco
mais de uma hora de audição, em que o ex-presidente da Ongoing respondeu apenas
à deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, Fernando Negrão resolveu
encerrar os trabalhos, depois da bloquista ter dito que não iria colocar mais
questões, considerando que Nuno Vasconcellos não estava a responder.
"Ficou
claro, de uma forma pública e notória, que o senhor se recusa sistematicamente
e sem explicações plausíveis, a admitir que seja titular de qualquer dívida.
Surge igualmente claro que não responde a nenhuma pergunta de forma
construtiva. E resulta ainda clara que a sua única preocupação é construir a
sua defesa", disse Negrão, adiantando depois que, em conjunto com os
deputados da Comissão, entendeu "dar por terminada" a audição.
Durante a
audição, Nuno Vasconcellos disse várias vezes que as dívidas "são da
Ongoing" e não suas pessoalmente. "A dívida total", garantiu, é
de de 721 milhões de euros, incluindo à Segurança Social, trabalhadores,
fornecedores e bancos, "sobretudo ao BES, que era o maior credor com uma
dívida de 520 milhões com juros".
"Essa dívida
foi provisionada e quem tem de pagar é a Ongoing, que tinha um contrato com o
BES", assegurou, salientando que "a pergunta está feita no pessoal,
mas deveria ter sido feita à Ongoing".
No início da
audição, Vasconcellos manifestou "a intenção de não deixar qualquer
pergunta sem resposta" e garantiu que iria dizer "toda a
verdade".
"Nunca fugi
às minhas responsabilidades" disse, acrescentando que sempre iria lutar
contra quem tentasse "torná-las maiores do que são".
Nuno Vasconcellos
disse ainda que nunca se negou "a comparecer perante este
parlamento", estranhando "a informação amplamente divulgada" de
que não o encontravam para o notificarem e garantindo que a sua morada "é
conhecida pelas autoridades".
"Não tenho
nada a esconder sobre a minha conduta como empresário ou gestor. Não agi de
má-fé" disse, rejeitando estar "entre os responsáveis por levar
Portugal à mais grave crise que enfrentou na sua história recente".
Nuno
Vasconcellos: "A minha família tinha ativos imobiliários que ficaram no
BES"
O ex-presidente
da Ongoing, Nuno Vasconcellos, garantiu esta quinta-feira que foram prestadas
garantias à dívida do BES e que "tinha ativos imobiliários" em nome
da sua família que ficaram no banco, durante uma audição no parlamento.
Ouvido na
Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco
e imputadas ao Fundo de Resolução, o empresário, que falou do Brasil, onde
reside, disse que o grupo detinha vários ativos, nomeadamente imobiliários,
além de ações de várias empresas.
"Eu tinha
ativos imobiliários em nome da minha família, que [os] entregou ao banco, como
garantia, que não fazem parte do ativo da Ongoing" e que foram concedidos
"como garantia de um aval pessoal", estando, adiantou, avaliados em
perto 10 milhões de euros e "que ficaram no BES".
"Dizem que
eu só tinha uma mota de água", ironizou, depois de listar vários ativos
imobiliários.
"A dívida
foi provisionada, mas os ativos estavam lá", referiu, adiantando que o
grupo tinha "mais de mil milhões de euros em ativos, dos quais muitos
imobiliários, não eram ativos intangíveis", garantiu.
Vasconcellos
garantiu que a dívida da Ongoing ao Novo Banco é de 520 milhões de euros e
reforçou que havia "ativos e garantias que foram avaliadas".
Quanto ao destino
desses ativos, Vasconcellos disse que "provavelmente não foram vendidos da
melhor forma", criticando a atuação da administração do Novo Banco.
"Na minha
opinião o BES nunca se deveria ter tornado Novo Banco", salientou ainda.
O presidente da
Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo
Banco, Fernando Negrão, deu por encerrada a audição ao ex-presidente da
Ongoing, Nuno Vasconcellos, justificando com a "recusa sistematicamente a
admitir" que tem dívidas.
Depois de pouco
mais de uma hora de audição, em que o ex-presidente da Ongoing respondeu apenas
à deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, Fernando Negrão resolveu
encerrar os trabalhos, depois da bloquista ter dito que não iria colocar mais
questões, considerando que Nuno Vasconcellos não estava a responder.
"Ficou
claro, de uma forma pública e notória, que o senhor se recusa sistematicamente
e sem explicações plausíveis, a admitir que seja titular de qualquer dívida.
Surge igualmente claro que não responde a nenhuma pergunta de forma
construtiva. E resulta ainda clara que a sua única preocupação é construir a
sua defesa", disse Negrão, adiantando depois que, em conjunto com os
deputados da Comissão, entendeu "dar por terminada" a audição.
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