Cidadãos Por Lisboa quer ganhar peso e luta por
convergência de esquerda
Movimento fundado por Helena Roseta passou a ser uma
associação e vai em breve eleger os primeiros órgãos sociais.
João Pedro Pincha
23 de Março de
2021, 16:51
Catorze anos
depois de Helena Roseta se ter reunido com alguns correligionários numa
churrascaria das Portas de Santo Antão para se lançar na corrida à Câmara de
Lisboa, o movimento Cidadãos Por Lisboa (CPL) formalizou-se e passou a ser uma
associação política. “Era uma vontade almejada por muitos de nós há algum tempo”,
diz Paula Marques, o rosto mais visível do grupo cívico.
A actual
vereadora da Habitação, que sucedeu no cargo a Roseta quando a arquitecta foi
presidir à assembleia municipal, diz que este passo “reforça a legitimidade de
intervenção” e contribui para “uma conferência plural de esquerda, que tenha
partidos políticos, movimentos sociais e participação da cidadania activa”.
A meio ano das
eleições autárquicas, e com os principais partidos já lançados na corrida, os
CPL procuram ganhar balanço para os tempos que se avizinham. No executivo de
Medina, o movimento até tem dois pelouros de grande relevo – as Finanças e a
Habitação – mas a aliança dos socialistas com o BE ofuscou o seu peso político.
Aliás, entre os Cidadãos há quem não se canse de repetir que a coligação é uma
dança a três e não apenas a dois.
Paula Marques não
quer ainda falar de autárquicas. “O que serve a cidade é termos a consciência
de que estamos numa nova realidade. Estamos numa crise profunda, a pandemia vai
tocar sinos a muitos. Há que recentrar prioridades, aumentar os mecanismos de
solidariedade e mudar o jogo da cidade.”
Para Abril e Maio
estão agendadas reuniões públicas para discutir o programa político dos CPL e a
primeira sessão é sobre alternativas económicas ao turismo, um tema que se
tornou subitamente urgente.
Há já algumas
linhas traçadas. “Nos direitos sociais temos de ir mais além”, afirma a
vereadora, no que parece ser uma crítica directa ao BE, que teve esse pelouro
nos últimos quatro anos. “Mas também na habitação”, que é da sua
responsabilidade. Paula Marques ambiciona, por exemplo, que dois terços da
oferta habitacional em Lisboa estejam no sector público ou no sector privado
não lucrativo.
Por outro lado,
acrescenta, “há coisas que não são trabalho autárquico mas que têm impacto
estrutural na cidade e precisam de ser discutidas”, dando como exemplo o debate
em torno do novo aeroporto.
Até agora, os
Cidadãos Por Lisboa eram um movimento orgânico sem liderança oficial, o que não
impediu um certo sentimento de orfandade quando Helena Roseta deixou os cargos
na autarquia, em Outubro de 2019. Com a passagem a associação política, haverá
eleições para os novos órgãos sociais e quem se quiser juntar terá de se fazer
sócio.
Os CPL
concorreram pela primeira vez às autárquicas em 2007, nas eleições
intercalares, e daí em diante entraram sempre em coligação pré-eleitoral com o
PS. Além de dois vereadores, o movimento tem ainda sete deputados na assembleia
municipal.
tp.ocilbu

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