COVID-19
Julho não estanca sangria da TAP
Desde que o surto de covid-19 começou a ter impactos na
Europa, em Março, a TAP já perdeu 6,7 milhões de passageiros face ao ano
passado.
Luís Villalobos
Luís Villalobos
17 de Agosto de 2020, 21:00
https://www.publico.pt/2020/08/17/economia/noticia/julho-nao-estanca-sangria-tap-1928403
O mês de Julho
manteve a TAP na senda dos fortes resultados negativos, ao transportar apenas
182.743 passageiros, número que representa uma quebra de 89% face a idêntico
período do ano passado. Nesse mês, de acordo com os dados do regulador do sector,
a ANAC, a TAP foi ultrapassada pela Ryanair, com a transportadora irlandesa de
baixo custo a transportar 228.513 passageiros (-78%).
Desde que o surto
de covid-19 começou a ter impactos na Europa, em Março, a TAP já perdeu 6,7
milhões de passageiros face aos números do ano passado, o representa uma queda
de 87,7%.
Ao nível dos
aeroportos, vê-se que a recuperação do sector é superior à da TAP, com Lisboa a
registar em Julho uma queda de 83%, enquanto no caso do Porto e de Faro as
descidas foram de 71% e de 80%, respectivamente. Em Lisboa, depois dos meses de
quase paragem do sector, circularam pelo aeroporto Humberto Delgado 532,8 mil
pessoas em Julho.
Os últimos meses
foram tão atípicos para o sector que, no caso do Porto, a companhia aérea com
mais movimentos no segundo trimestre foi a da Federal Express, ligada ao
transporte de carga.
Os dados de
tráfego de Julho evidenciam as dificuldades da TAP, que se prepara para ter o
Estado como accionista maioritário e de controlo, com 72,5% do capital social e
dos direitos económicos. Depois da aprovação dos accionistas da Azul para
venderem a sua posição indirecta (associada a David Neeleman, também ele de
saída, em troca de 55 milhões) e não reconverterem os 90 milhões de euros que
detinham em obrigações da TAP em acções da companhia, restam alguns passos até
a mudança ser efectivada, como a “luz verde” da Autoridade da Concorrência.
Para o dia 3 de
Setembro está já marcada uma assembleia geral extraordinária, de modo a
permitir que, no âmbito dos 1200 milhões de euros que o Estado dispõe para
aplicar na empresa, haja um forte aumento de capital do grupo.
Por outro lado,
falta ainda efectivar a saída de Antonoaldo Neves do cargo de presidente da
comissão executiva (escolhido por David Neeleman), passando então Ramiro
Sequeira, actual COO, a assumir o cargo de forma interina.
Até do final do
ano, e enquanto se procura um presidente executivo mais a longo prazo, o
Governo e a administração têm de entregar o plano de reestruturação prometido a
Bruxelas em troca da ajuda de Estado, o que obrigará a diminuir a estrutura
operacional da TAP, com menos postos de trabalho.

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