segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Julho não estanca sangria da TAP

 

COVID-19

Julho não estanca sangria da TAP

 

Desde que o surto de covid-19 começou a ter impactos na Europa, em Março, a TAP já perdeu 6,7 milhões de passageiros face ao ano passado.

 

Luís Villalobos

Luís Villalobos 17 de Agosto de 2020, 21:00

https://www.publico.pt/2020/08/17/economia/noticia/julho-nao-estanca-sangria-tap-1928403

 

O mês de Julho manteve a TAP na senda dos fortes resultados negativos, ao transportar apenas 182.743 passageiros, número que representa uma quebra de 89% face a idêntico período do ano passado. Nesse mês, de acordo com os dados do regulador do sector, a ANAC, a TAP foi ultrapassada pela Ryanair, com a transportadora irlandesa de baixo custo a transportar 228.513 passageiros (-78%).

 

Desde que o surto de covid-19 começou a ter impactos na Europa, em Março, a TAP já perdeu 6,7 milhões de passageiros face aos números do ano passado, o representa uma queda de 87,7%.

 

Ao nível dos aeroportos, vê-se que a recuperação do sector é superior à da TAP, com Lisboa a registar em Julho uma queda de 83%, enquanto no caso do Porto e de Faro as descidas foram de 71% e de 80%, respectivamente. Em Lisboa, depois dos meses de quase paragem do sector, circularam pelo aeroporto Humberto Delgado 532,8 mil pessoas em Julho.

 

Os últimos meses foram tão atípicos para o sector que, no caso do Porto, a companhia aérea com mais movimentos no segundo trimestre foi a da Federal Express, ligada ao transporte de carga.

 

Os dados de tráfego de Julho evidenciam as dificuldades da TAP, que se prepara para ter o Estado como accionista maioritário e de controlo, com 72,5% do capital social e dos direitos económicos. Depois da aprovação dos accionistas da Azul para venderem a sua posição indirecta (associada a David Neeleman, também ele de saída, em troca de 55 milhões) e não reconverterem os 90 milhões de euros que detinham em obrigações da TAP em acções da companhia, restam alguns passos até a mudança ser efectivada, como a “luz verde” da Autoridade da Concorrência.

 

Para o dia 3 de Setembro está já marcada uma assembleia geral extraordinária, de modo a permitir que, no âmbito dos 1200 milhões de euros que o Estado dispõe para aplicar na empresa, haja um forte aumento de capital do grupo.

 

Por outro lado, falta ainda efectivar a saída de Antonoaldo Neves do cargo de presidente da comissão executiva (escolhido por David Neeleman), passando então Ramiro Sequeira, actual COO, a assumir o cargo de forma interina.

 

Até do final do ano, e enquanto se procura um presidente executivo mais a longo prazo, o Governo e a administração têm de entregar o plano de reestruturação prometido a Bruxelas em troca da ajuda de Estado, o que obrigará a diminuir a estrutura operacional da TAP, com menos postos de trabalho.

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