PSP identificou antifascistas que vandalizaram sinagoga
do Porto
Óscar Queirós
Hoje às 09:47
A Polícia de
Segurança Pública identificou o grupo que colou autocolantes da rede
antifascista alemã "Anti Faschistishche Aktion", quinta-feira, na
sinagoga do Porto.
O grupo também é
suspeito de estar a preparar a vandalização do Museu do Holocausto da cidade,
tendo sido identificados alguns dos seus elementos durante uma visita no dia
anterior à ação perpetrada na sinagoga.
A investigação da
PSP surge na sequência de uma participação feita pela Comunidade Judaica do
Porto, que repudiou "a associação de sinagogas ao fascismo e a quaisquer
movimentos políticos" e lembrou já ter sido alvo de violência no PREC, o
período de tensão política e social que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, em
Portugal.
"Quando
movimentos de extrema-esquerda ocuparam as fábricas de membros da comunidade
dizendo que eles eram fascistas, os movimentos de extrema-direita vandalizaram
a sinagoga pelo facto de a associarem ao comunismo", recordou a Comunidade
Judaica no Porto (CJP).
Também a
Comunidade Israelita de Lisboa se associou à CJP, apelando publicamente à
investigação e punição dos responsáveis pela "atitude xenófoba,
preconceituosa, profundamente antidemocrática e atentatória de princípios de
respeito, tolerância e sã convivência".
O JN sabe que
responsáveis pela segurança das comunidades judaicas na Europa estarão em
Portugal nas próximas semanas para reunir com as forças de segurança nacionais
e falar da proteção das comunidades judaicas portuguesas.
A reunião estava
marcada antes do incidente da passada quinta-feira, "por ser muito
previsível o aumento do antissemitismo" à medida que a comunidade judaica
nacional cresce e vai tendo maior visibilidade, com a chegada de milhares de
judeus nos últimos anos, a criação de museus e a abertura de hotéis
"kosher" e restaurantes.
"O perigo de
violência contra interesses judaicos advém não apenas da situação de Israel e
de movimentos de cariz religioso que se movem numa Europa de fronteira abertas,
mas também de extremismos políticos de direita ou de esquerda que atribuem ao povo
judeu as mesmas caraterísticas materialistas e imperialistas que o nazismo lhe
imputava, donde se segue a possibilidade de agressão e difamação das pessoas
judias e a vandalização do seu património", disse ao JN Leon Harari, da
segurança da comunidade judaica do Porto.
"A
vandalização da sinagoga do Porto mostra como os que odeiam Israel se
manifestam contra os judeus locais", argumenta o Diretor da Liga
Anti-Difamação (ADL) na Europa, Andrew Srulevich, em declarações ao JN.
Em 2014, segundo
um relatório da ADL, quase dois milhões de portugueses manifestavam ideias
antissemitas.


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