ECONOMIA
Lagarde prevê subida das taxas em julho e fim de juros
negativos em setembro
23 MAIO 2022
11:22
Lusa
Lagarde disse
numa nota publicada esta segunda-feira no site do BCE, que espera que a compra
da dívida "termine no início do terceiro trimestre".
"Isto
permitiria uma subida das taxas de juro na nossa reunião de julho, de acordo
com a nossa orientação", acrescentou Lagarde.
A presidente do
BCE assinalou que uma saída da era das taxas de juro negativas poderia ocorrer
"até ao final do terceiro trimestre", uma vez que a subida da
inflação obriga a instituição a reagir.
"Com base
nas perspetivas atuais, poderemos provavelmente sair das taxas de juro
negativas no final do terceiro trimestre", escreveu Lagarde.
O euro, que tem
vindo a sofrer há vários meses com o aperto mais rápido da política monetária
nos Estados Unidos, aumentou os ganhos hoje de manhã face ao dólar (+0,57% para
1,0624 dólares às 08:45 TMG) após a publicação do BCE.
A instituição com
sede em Frankfurt é conhecida há vários meses pela sua relutância em anunciar
um calendário para o aperto das condições de crédito.
No entanto, os
comentários de Lagarde estão agora de acordo com as expectativas dos
intervenientes no mercado, que contam com várias subidas de taxas no segundo
semestre do ano.
A primeira subida
deverá ser decidida em julho, afirmou Lagarde, pouco depois do fim das compras
de ativos líquidos, o outro instrumento de apoio que já não é significativo num
contexto de inflação elevada.
Impulsionada
pelos preços da energia e pela escassez de alguns produtos num contexto de uma
elevada procura pós-covid-19, a inflação estabilizou em 7,4%, em termos
homólogos, no mês passado na zona euro, um nível ainda muito acima do objetivo
de 2% do BCE.
Durante um
período de baixa inflação em 2014, o BCE tinha tornado a sua taxa negativa,
colocando uma tensão sobre alguns dos depósitos dos bancos, para os encorajar a
emprestar à economia.
A saída da era
das taxas negativas diz portanto respeito a este instrumento, que se situa
atualmente em -0,5% e é uma referência no mercado.
Nas últimas
semanas, os "falcões" do Conselho do BCE defenderam um ritmo mais
rápido de normalização da política monetária, ultrapassando as
"pombas" que querem estimular a economia.

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