Dívida pública sobe 3 mil milhões para novo recorde
Tiago Varzim
1 Junho 2022
A dívida pública, na ótica de Maastricht, subiu três mil
milhões de euros em abril, para 279 mil milhões. No primeiro trimestre de 2022,
o rácio da dívida pública baixou de 127%.
279.012,76
milhões de euros. É este o montante do endividamento público. A dívida pública
na ótica de Maastricht, a que interessa a Bruxelas, aumentou três mil milhões
de euros em abril de 2022 face a março, para um total de 279 mil milhões, de
acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal. Este é
o valor mais elevado de sempre.
“Em abril de
2022, a dívida pública, na ótica de Maastricht, aumentou três mil milhões de
euros, para 279 mil milhões de euros“, anuncia o banco central, explicando que
“este acréscimo refletiu, essencialmente, emissões líquidas de títulos de
dívida no valor de 3,5 mil milhões de euros, sobretudo títulos de dívida de
longo prazo (2,3 mil milhões de euros)”.
Em contrapartida,
“registou-se uma amortização parcial de empréstimos do Mecanismo Europeu de
Estabilização Financeira (MEEF), em 0,5 mil milhões de euros”, o que contribuiu
para uma subida menor da dívida pública em abril. Este é um reembolso normal
que já estava previsto no calendário acordado entre o MEEF e o Estado
português.
Dívida pública
atinge novo recorde nos 279 mil milhões de euros
Fonte: Banco de
Portugal. Em milhões de euros.
Em abril, o IGCP
fez uma emissão sindicada no valor de três mil milhões de euros em que os juros
dispararam. A taxa ficou à volta dos 1,7%, o que compara com 1,2% na emissão a
20 anos que tinha feito no arranque de 2022. Agora pagou mais por títulos com
maturidade mais reduzida.
Sobre os dados
mensais, os números do banco central revelam ainda que os ativos em depósitos
das administrações públicas — uma das óticas da chamada “almofada financeira” —
aumentaram 0,9 mil milhões de euros em abril para 23,1 mil milhões de euros.
Assim, a dívida pública líquida de depósitos fixou-se nos 255,9 mil milhões.
Em 2021, o rácio
do endividamento público — o indicador de sustentabilidade da dívida pública
mais importante para os mercados financeiros — desceu, passando de 135,2% do
PIB para 127,5%, ficando acima da previsão do Governo (126,9%). Portugal
inverteu assim a tendência de subida provocada pela pandemia, mas continua
longe dos níveis registados em 2019 (116,6%). São 10,9 pontos percentuais que
separam ainda 2019 e 2021 nesta ótica.
No primeiro
trimestre de 2022, o rácio voltou a cair, fixando-se em 127% do PIB. O objetivo
do Governo é chegar ao final do ano com o rácio nos 120,7%. O programa
eleitoral dos socialistas apontava para uma dívida pública abaixo dos 110% do
PIB até 2026, ou seja, abaixo do valor pré-pandemia daqui a quatro anos.
A expectativa do
Governo é que a redução do endividamento público e do défice contribuam para
uma gradual melhoria do rating da República ainda este ano, apesar do impacto
da guerra e da aceleração da taxa de inflação.
(Notícia
atualizada às 11h27 com mais informação)

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