PAINÉIS DE SÃO
VICENTE - ICONOGRAFIA
Quem está retratado nos Painéis de S. Vicente?
Os enigmas da iconografia desta pintura do século XV suscitaram
páginas e páginas com hipóteses e interpretações múltiplas e, fundamentalmente,
discordantes. Contamos 40 autores à procura das 60 personagens representadas
neste monumental retrato de grupo. O PÚBLICO está a acompanhar o restauro dos
Painéis e lança terça-feira um novo site para que todos fiquemos mais perto
desta obra-ícone.
José Alberto
Seabra Carvalho(texto) e Daniel Rocha (fotografia)
7 de Fevereiro de
2021, 8:10
https://www.publico.pt/2021/02/07/culturaipsilon/noticia/retratado-paineis-s-vicente-1949600
“Romeiro, quem és
tu? ? Ninguém…!”
Almeida Garrett,
Frei Luís de Sousa, acto terceiro
Há uma polémica
historiográfica, abreviadamente designada por “A Questão dos Painéis”, que já
dura há mais de um século e que não parece esmorecer. Tem como fulcro o famoso
conjunto de seis pinturas do século XV, atribuídas a Nuno Gonçalves e expostas
no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, cujos mistérios são bem
mais intrincados que a explicação do sorriso da Gioconda. A maior parte dos
leitores deste jornal não deverá saber do que se trata, embora a referida
polémica não seja tema de alta cultura, vistas as muitas e desvairadas gentes
que nela têm participado mesmo sem perceberem grande coisa, ou mesmo nada, de
pintura antiga. Vejamos a génese desta extraordinária “Questão” nacional e
alguns dos seus traços mais característicos.
Vicentinos,
fernandistas e outros
Os Painéis foram
redescobertos em 1883, numa sala escura do Paço Patriarcal de S. Vicente de
Fora, embora só em Julho de 1895, num artigo de Joaquim de Vasconcelos em O
Comércio do Porto, se publique um primeiro (e fascinado) olhar descritivo e
crítico sobre a obra. Mas um estudo completo, do qual ainda hoje usamos as
denominações aí avançadas para cada painel (dos Frades, dos Pescadores, do
Infante, do Arcebispo, dos Cavaleiros, da Relíquia), só surgiria em 1910, terminado
o restauro das pinturas e logo seguido pela sua exposição em permanência no
MNAA, acabado de “refundar” pela novel República. José de Figueiredo, um
historiador e crítico de arte com sólida formação teórica e talento literário,
era o autor da monumental monografia e, igualmente, o director e reorganizador
do museu nacional às Janelas Verdes.
O seu livro (Arte
Portuguesa Primitiva. O pintor Nuno Gonçalves), pelo carácter exaustivo como
Figueiredo aí ensaiou uma investigação e interpretação da obra, estabeleceu
desde logo o cânone das discussões vindouras centradas numa série de temas
fundamentais e interligados: Quem pintou os Painéis? Onde foram originalmente
colocados? Que data se deve atribuir à sua execução? Qual o santo que
duplamente figura ao centro dos painéis maiores? Qual a identidade dos outros
58 personagens da composição? Que intenção representativa, celebrativa ou
evocativa justificou a criação desta obra tão singular?
Figueiredo tinha
ideias e hipóteses explicativas geralmente claras e bem argumentadas sobre
todos estes assuntos. A obra, por ele datável de 1459-1464, teria sido
encomendada por D. Afonso V na sequência da conquista de Alcácer-Ceguer (1458),
prestando com ela culto a S. Vicente, patrono da retoma da expansão portuguesa
no Norte de África e figura central do políptico (as vestes litúrgicas que
enverga não deixam dúvidas sobre a sua condição de diácono, como o foi S.
Vicente). Integrara originalmente a capela da Sé de Lisboa sob invocação deste
santo, cujo retábulo, segundo testemunho do artista e escritor Francisco de
Holanda (1548), se ficou a dever ao pintor régio Nuno Gonçalves. Com base
nestes considerandos, Figueiredo ensaiava também uma série de propostas para a
identificação de muitos dos retratados, atendendo aos diferenciados estatutos
que a própria estrutura da composição, as vestes, armas e adereços das figuras
lhes conferiam. Mau grado uma opinião discordante, em 1916, de Alfredo Leal
(que via na figura de S. Vicente uma representação de Santa Catarina…), a “tese
vicentina” de José de Figueiredo manteve, durante bom número de anos (e ainda
hoje), uma solidez aparentemente inabalável. Sendo “oficialmente adoptada”,
como refere o historiador de arte Armando Vieira Santos, o seu prestígio
“irradiou para o estrangeiro e o nome de Nuno Gonçalves passou a ser apontado
como o do maior pintor português de todos os tempos, quer em artigos publicados
em revistas de arte, quer em histórias gerais de arte”.
No entanto, em
1925, um professor de Leiria, José Saraiva, pai do conhecido José Hermano
Saraiva, publica um livro (Os Painéis do Infante Santo) em que vem contrariar o
essencial do pensamento de Figueiredo, principalmente a sua identificação da
figura central. Tratava-se, segundo Saraiva, de D. Fernando, o Infante Santo,
refém dos mouros no desastre da expedição portuguesa a Tânger (1437) e morto em
Fez (1443) após prolongado cativeiro. Os Painéis destinavam-se, assim, a
glorificar o Infante Santo, cumprindo um desejo de homenagem do Infante D.
Pedro, seu irmão, regente do reino e presumível encomendador do políptico, e
correspondendo a um culto nascente do mártir de Marrocos na sociedade
portuguesa. Por consequência, as pinturas nada teriam a ver com o retábulo de
S. Vicente da Sé de Lisboa e havia que recuar a sua execução para antes do
episódio da batalha de Alfarrobeira (Maio de 1449), em que D. Pedro foi morto,
apontando Saraiva uma datação em torno de 1445 e a atribuição autoral a um
pintor que estivera já ao serviço de D. João I, Gonçalo Eanes.
Extremados os
campos, vieram desde logo à liça os adeptos de uma ou outra destas teses, mais
numerosos os vicentinos, como Jaime Cortesão, Reinaldo dos Santos ou Afonso
Dornelas, menos relevantes os fernandistas e os “negacionistas” (os que negavam
S. Vicente mas não davam ao santo identificação alternativa), como José de
Bragança ou Vergílio Correia, quase todos esgrimindo argumentos em jornais ou
revistas, em conferências ocasionais ou edições de modesta divulgação. Essas
discussões e debates, com mais ou menos derivações das propostas de Figueiredo
ou Saraiva, tiveram especial acuidade nos anos sequentes ao da publicação do
livro deste último. Porém, vieram até aos dias de hoje.
A controvérsia,
mais alargada a outras vias interpretativas, dura já há mais de um século e tem
vindo a multiplicar os intervenientes, obsessivamente centrados, na maior parte
dos casos, na decifração de quem é quem naquele monumental “retrato de grupo”
do século XV. É uma questão, como dizia Vieira Santos, que ameaça eternizar-se…
“Nunca nenhum problema de crítica de arte foi discutido em Portugal com tamanha
violência nem condicionou a intervenção de tantas personalidades marcantes nos
domínios da cultura quer portuguesa quer estrangeira — críticos de arte,
historiadores, eruditos mais ou menos especializados em determinados sectores
do saber, artistas plásticos ou mesmo simples curiosos! — formando um grupo
impressionante que alimentou e, conforme parece, continuará a alimentar uma literatura
abundantíssima”. Uma questão, como disse, por seu turno, Jorge de Sena, que
transformou a iconografia destas pinturas em motivo de um “folhetim cheio de
peripécias e figurantes, uma sucessão de episódios que mutuamente se
contradizem, uma obsessão central sem que se avance um passo…”.
Teses e teses
erguendo
Nem todos os
historiadores que escreveram sobre os Painéis fizeram da iconografia uma
instância dominante (ou exclusiva) das suas investigações. Uma parte
significativa da bibliografia sobre a obra, principalmente alguma da mais
recente, abordou sobretudo as dimensões históricas, artísticas ou técnicas das
pinturas. No trabalho que se disponibiliza no novo site do PÚBLICO (Painéis de
São Vicente — A casa do restauro), a partir de um inquérito historiográfico
sistemático, importa referir que essas fundamentais dimensões da investigação
sobre os Painéis não foram contempladas.
Com tal
inquérito, obtivemos uma ordenação exaustiva, figura a figura, autor a autor,
da matéria essencial e das posições dos intervenientes no histórico trajecto de
polemização em torno dos Painéis, registando as conclusões de todas as teses,
interpretações e congeminações centradas na análise iconográfica da obra, nas
tentativas de reconhecimento dos retratos que dominam esta monumental
composição pictórica. A informação assim veiculada não deixa de demonstrar que
a “Questão dos Painéis” cedo se transformou numa espécie de vicentina floresta
de enganos. De facto, a surpreendente esgrima de hipóteses e “certezas”
avançadas pela grande maioria dos autores (ao todo são 40), com tese
“substanciosa” publicada, não assenta geralmente numa coisa indispensável: o
recurso a documentos ou testemunhos que efectivamente pudessem elucidar-nos e
comprovar, cabalmente, a identidade daquela gente que lá se encontra retratada.
A pauta do
raciocínio argumentativo costuma, aliás, ser assaz monocórdica e previsível:
parte-se da identificação da figura central; deduz-se, a partir daí, o sítio
para onde o políptico foi executado (geralmente um altar de igreja ou um paço
real); imagina-se um acto ou uma circunstância histórica quatrocentista
alegadamente justificativa daquele cerimonial que congraçou 60 personagens (a
passagem da regência de D. Pedro a D. Afonso V, uma intenção votiva
cavaleiresca e cruzadística, ou algo esotérico-metafísico sobre um predestinado
caminho da nação portuguesa); e, finalmente, vai-se ao elenco dos fastos e
intrigas da corte portuguesa das décadas centrais do século XV, elencam-se os
principais actores mais adequados à presuntiva acção representada nas pinturas
e desata-se a pôr nomes aos personagens segundo o implícito e volúvel critério
do “já agora” ou do “como não pode deixar de ser”. Tudo isto, na maior parte
dos casos, sem documentos nem apoio noutras fontes iconográficas
quatrocentistas, que são escassíssimas e não permitem satisfatórias comparações
com os rostos dos Painéis. E presumindo muitas vezes, ainda, para efeitos de
datação da obra, que todos os representados teriam de estar vivos quando o
pintor aqui lhes fez o retrato, como se a morte de uma personagem histórica
alguma vez tenha obstado a representá-la em pintura.
O santo, o rei e
o arcebispo
Há cerca de vinte
documentos, manuscritos ou impressos, desde o século XV ao século XVIII, que se
referem ao retábulo da capela de S. Vicente na catedral de Lisboa. Por eles se
sabe que integrava várias pinturas alusivas à vida, martírio e milagres deste
santo, uma arca com as suas relíquias corporais e uma sua imagem em escultura,
relatando-se, além disso, várias vicissitudes e transformações do retábulo ao
longo dos tempos (foi apeado e substituído no final do século XVII e daí que as
pinturas nele incorporadas não tenham sido afectadas, no terramoto de 1755,
pelos escombros da abóbada da capela-mor da Sé). Este feixe de testemunhos (que
aqui não cabe desenvolver e analisar), combinados com os atributos
iconográficos da dupla figura central dos Painéis, fundamenta a sua
identificação com S. Vicente. Porém, acrescente-se que nenhum desses documentos
escritos nos fornece a identificação de qualquer das outras 58 personagens
retratadas nos Painéis.
Percorrendo os
vários agrupamentos de figuras em aparente veneração ao santo duplamente
representado, é fácil de constatar que a composição inscreve gente de múltiplas
classes e estados da sociedade portuguesa do tempo, desde cortesãos a homens de
armas, clero regular e secular, e uns quantos leigos do chamado “terceiro
estado”. De acordo com os códigos de representação e etiqueta de corte, há
sobretudo duas figuras masculinas em especial evidência, as que, nos dois
painéis maiores (Infante e Arcebispo), se situam em primeiro plano e com um só
joelho em terra, tendo ainda a prerrogativa de serem elas a estabelecer uma
directa “sacra conversação” com o santo. Essa preeminência tem-lhes conferido
uma condição de figuras régias (embora não distinguidas com coroa ou ceptro) ou
de elevadíssimo estatuto, como o de condestável do reino. No entanto, as
opiniões dividem-se muitíssimo a este propósito. Uma ou outra podem “ser” ora
D. Afonso V, ora o regente D. Pedro (os mais “votados”), ora o condestável D.
Fernando, ora, ainda, D. João I, D. Duarte ou… uns distintíssimos duques da
Borgonha.
Por equivalentes
preceitos de representação, podemos praticamente assegurar que existe um
arcebispo na parte superior do painel do mesmo nome, aquela altiva figura, de
pluvial e mitra preciosa, acompanhado, certamente, pela clerezia do cabido da
Sé de Lisboa. Contudo, também aí não logramos unanimidade quanto à sua
identificação específica. Os autores atribuem-lhe um nome conforme a datação
que julgam dever conferir ao políptico, podendo tratar-se de D. Pedro de
Noronha, arcebispo de Lisboa de 1424 a 1452, de D. Afonso Nogueira, que após
uns anos de sede vacante assumiu o cargo em 1459, ou de D. Jorge da Costa, o de
mais longo múnus arquiepiscopal (1464-1500).
Mas então, como
já se interrogará o leitor perplexo, não há figura que, nos Painéis, possamos
identificar com toda a certeza? E o homem do chapeirão? Não é o Infante D.
Henrique?
E o Infante, onde
está?
Conta Joaquim de
Vasconcelos (1895), relatando a sua visita a S. Vicente de Fora acompanhado
pelo escritor Ramalho Ortigão e o historiador José Queiroz, que, ao depararem
com aquelas tábuas da chamada “escola gótica”, “um raio de luz incidiu nos dois
quadros fronteiros e logo todos os três visitantes soltaram, una voce, a
exclamação: ? O Infante! Era ele, D. Henrique, a imagem querida como no-la
revelou Azurara no seu códice da crónica da Guiné”.
As pinturas assim
descobertas constituíam não só “uma incomparável galeria, todo um cenáculo de
vultos de uma sociedade que ressurgia”, como o rosto e o chapéu de um dos mais
ilustres desta assembleia falavam por si: eram os mesmos da iluminura integrada
na Crónica dos Feitos da Guiné, manuscrito de Gomes Eanes de Zurara pertencente
à Biblioteca Nacional de Paris, que relatava os sucessos do infante no comando
da expansão portuguesa e dele nos mostrava o retrato, em busto, acompanhado da
sua divisa e empresas, da sua heráldica privativa. Dada a conhecer por
Ferdinand Denis e divulgada, em edição de 1841, pelo visconde de Santarém (e
logo depois inspirando múltiplas gravuras), a iluminura de Paris seria decerto
bem conhecida dos três eruditos da incursão a S. Vicente de Fora e mudara
radicalmente a iconografia do Infante D. Henrique, até aí geralmente
representado de barbas, com espada e armadura, à imagem de como nos aparece, em
escultura de vulto, ao meio do portal sul da Igreja dos Jerónimos de Belém, em
Lisboa. Toda a mitografia do protagonista da “Escola de Sagres” na propaganda
do Estado Novo viria depois a consolidar o traje borgonhês do Infante D.
Henrique, numa iconografia multiplicada em exposições, edições e manuais
escolares e, sobretudo, pela vultuosa campanha de estatuária pública produzida
no âmbito das comemorações henriquinas de 1960.
Assim, a
identificação de D. Henrique com o homem do chapeirão, nos Painéis, foi matéria
de invulgar concordância entre muitos dos polemistas – mas até aos anos de
1980, até que Dagoberto Markl, historiador de arte, publica uma série de
estudos com efeitos quase “iconoclastas”. Apontando aparentes incongruências na
iluminura de Paris, Markl vinha defender o carácter espúrio do fólio, tomando-o
como mera adição, tardia, ao manuscrito de Zurara e, por consequência, pondo em
causa essa imagem pintada como fidedigna fonte retratística do Infante. Por
outro lado, chamava a atenção para as semelhanças fisionómicas do jacente do
túmulo de D. Henrique na Capela do Fundador do Mosteiro da Batalha com os
traços do personagem ajoelhado em primeiro plano no Painel dos Cavaleiros.
Subitamente, uma questão que até aí quase não existia – a já tradicional
identificação da “vera-efígie” do Infante com o homem do chapeirão – passou, e
por argumentos atendíveis, a constituir um novo problema iconográfico, uma
possível interrogação latente em sequentes e futuras leituras iconográficas da
obra.
Um caso mental
português
Com um outro
registo mais aleatório de identificações se poderiam caracterizar ainda as
pulsões características da longa “Questão dos Painéis”. Os Frades serão de que
ordem monástica (cistercienses ou agostinhos)? Os Pescadores podem, afinal, não
serem homens do mar ou confrades mareantes se a rede que os envolve for uma
adição tardia à pintura original? As duas senhoras do Painel dito do Infante,
únicas presenças femininas na composição, estarão ligadas, por ascendência ou
casamento, a algum ou alguns dos personagens principais? A figura no canto
superior direito do Painel do Arcebispo, que traz consigo um volumoso livro
encadernado, será por isso um letrado? O personagem de capacete cónico, no eixo
do Painel dos Cavaleiros, poderá tratar-se de um guerreiro berbere? O homem de
vermelho, no Painel da Relíquia, será mesmo um dignitário da Câmara de Lisboa?
E o propalado “judeu”, no mesmo painel, que nos revela um livro aberto com uma pseudo-escrita
indecifrável, será um rabino (sem barbas…), um médico ou um astrólogo ligado à
corte?
Como se vê, a
matéria iconográfica para interrogações e especulações é inesgotável e
continuará a emular, por certo, esse peculiar “caso mental” português baptizado
de “A Questão dos Painéis” – hoje ainda mais favorecido do que no passado, pela
facilidade de divulgação, nas chamadas “redes sociais”, do que vier à cabeça de
quem entenda pronunciar-se sobre o assunto com mais uma tese identificativa. E
tudo isto com um efeito colateral profundamente negativo: há manuais escolares
de História que ilustram as suas páginas com retratos de personagens dos
Painéis legendados com pseudo-identificações, meramente hipotéticas ou
delirantes. Os autores e editores desses manuais deviam estar mais bem
informados sobre a fabulosa mitografia dos Painéis de S. Vicente.
Os conteúdos
deste novo site do PÚBLICO são um valioso contributo para se entender o
carácter eminentemente problemático da historiografia dos Painéis no aspecto
iconográfico, para compreender, autor a autor, figura a figura (e cruzando a
informação destes dois campos), a extensão e a complexidade em que o tema se
tem visto enredado, em que todas as propostas, nesse domínio, revelam um
carácter provisório ou não fundamentado. Passado mais de um século, o enigma
permanece praticamente inalterado.
Historiador de
arte e antigo conservador de pintura do Museu Nacional de Arte Antiga
O projecto
Painéis de S. Vicente – A casa do restauro tem o apoio mecenático da Fundação
Millennium BCP e o acompanhamento científico do Museu Nacional de Arte Antiga.
Ao longo do processo de restauro o PÚBLICO irá produzir uma série de trabalhos
guiado por critérios editoriais, sem qualquer relação directa com o apoio
recebido.




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