Mais de 25 mil pedem expulsão de Mamadou Ba de Portugal
O luso-senegalês está outra vez no olho do furacão depois
de ter chamado “criminoso de guerra” e “sanguinário” a Marcelino da Mata, o
polémico militar português, nascido na Guiné, que serviu Portugal na Guerra
Colonial e morreu na semana passada
SOCIEDADE
18.02.2021 às
15h32
RUI ANTUNES
JORNALISTA
Uma petição
pública virtual a exigir a expulsão de Portugal de Mamadou Ba ultrapassou esta
quinta-feira, 18, as 25 mil assinaturas. Desde que foi criada na plataforma
online petição pública, no último domingo, 14, o número de signatários tem
crescido ao ritmo de cinco mil por dia. A iniciativa surge na sequência de
declarações consideradas “caluniosas”, publicadas pelo dirigente da associação
SOS Racismo e ex-assessor parlamentar do Bloco de Esquerda na rede social
Twitter, sobre Marcelino da Mata, polémico militar português que serviu o país
durante a Guerra Colonial e morreu, na passada quinta-feira, 11, aos 80 anos,
no Hospital Amadora-Sintra, vítima de Covid-19.
No texto da
petição, defende-se que as afirmações “contra o militar mais condecorado da
História Portuguesa” não são as primeiras de Mamadou Ba “que colidem com os
valores do cidadão comum”, o que tem contribuído, alega-se, “para fomentar o
ódio e o mau estar entre as raças”. Por esse motivo, é pedido à Assembleia da
República que “vote favoravelmente pela expulsão de Portugal de alguém que não
se sente bem em Portugal nem com a nossa cultura e valores”, e que a mesma
“sirva de exemplo”.
O ativista
luso-senegalês, nascido há 47 anos no Senegal e a viver em Portugal desde 1997,
insurgiu-se contra um voto de pesar proposto pelo CDS no parlamento. Em reação,
Mamadou Ba chamou a Marcelino da Mata “figura sinistra”, “criminoso de guerra”
e “sanguinário”, além de lhe ter atribuído a autoria da seguinte frase: “Nunca
entreguei um turra (combatente independentista africano) à PIDE, cortava-lhes
os tomates, enfiava-lhos na boca, e ficava ali a vê-los morrer.”
Marcelino da Mata
nasceu na Guiné portuguesa e participou em quase 2500 missões ao serviço do
exército colonial português, tendo sido condecorado pelo antigo regime, em
1969, com a Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor,
Lealdade e Mérito, a mais importante ordem honorífica de Portugal, concedida
por “méritos excecionalmente distintos no exercício das funções dos cargos
supremos dos órgãos de soberania ou no comando de tropas em campanha”, além de
premiar “feitos excecionais de heroísmo militar ou cívico e actos ou serviços
excecionais de abnegação e sacrifício pela Pátria e pela Humanidade”.
Para os que
defenderam e lutaram pela independência da Guiné, no entanto, Marcelino da Mata
é visto como um traidor. O comando português, que chegou à patente de
Tenente-Coronel em 1994, década e meia depois de se reformar, foi impedido de
entrar na terra natal após a declaração de independência face a Portugal, em
1973. Outros dos seus detratores alegam ainda que praticou crimes de guerra, ao
não poupar sequer crianças, por exemplo, nas suas ações militares.
A sua morte fez
ressurgir as duas visões antagónicas sobre o lugar que deve ocupar na História.
O CDS já veio exigir a exclusão de Mamadou Ba do grupo de trabalho para a
Prevenção e o Combate ao Racismo e à Discriminação, enquanto o Chega prometeu
avançar com uma queixa na Procuradoria-Geral da República contra o ex-militante
do Bloco de Esquerda, por ofensa grave a pessoa falecida, um crime com uma
moldura penal até seis meses de prisão. No Twitter, Mamadou Ba acusou os dois
partidos de estarem por trás da petição e de serem “os autores morais” se algo
lhe acontecer, garantindo que, enquanto estiver vivo, ninguém o calará.


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