segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Água de Espanha que chegaria a Alqueva num ano chegou numa semana

 


BARRAGENS

Água de Espanha que chegaria a Alqueva num ano chegou numa semana

 

A mais importante reserva de água do país conseguiu garantir o abastecimento do regadio em Alqueva por quase três anos.

 

Carlos Dias

13 de Fevereiro de 2021, 7:30

https://www.publico.pt/2021/02/13/sociedade/noticia/agua-espanha-chegaria-alqueva-ano-chegou-semana-1950534?fbclid=IwAR3odLj7aDSr0ZEKMgy34LiA2lnnstNTszTOSkFbmk9jDPntMiydNLr-WUI

 

No dia 7 de Fevereiro, às 23h, Espanha debitou para a albufeira do Alqueva um volume de água que atingiu os 650 metros cúbicos por segundo. No dia 10, chegou aos 400 metros cúbicos e 24 horas depois atingia os 550 hectómetros cúbicos. Com esta cadência a albufeira do Alqueva apresentava esta sexta-feira uma reserva de água que quase atingiu os 3,5 mil hectómetros cúbicos. Alqueva recebeu numa semana o volume de água que Espanha devia enviar ao longo de 2021.

 

No período de apenas uma semana, a mais importante reserva de água do país conseguiu garantir o abastecimento do regadio em Alqueva por quase três anos. Com as escorrências que continuam a ser libertadas na bacia hidrográfica do Guadiana, acrescidas da precipitação, a reserva de água em Alqueva poderá superar os mil milhões de metros cúbicos, quando o Inverno ainda está a meio e até já se perspectiva a possibilidade de atingir, pela terceira vez desde 2010 o seu enchimento pleno: faltam 600 hectómetros cúbicos.

 

 

No entanto, a fartura de água tem o seu reverso. As linhas de água no Alentejo estão repletas de represas, barragens, açudes e charcas que garantem o regadio das culturas sem necessidade de recorrer à Empresa de Desenvolvimento e Infraestrutruras do Alqueva (EDIA) para fornecer água. Aliás, a empresa vai sofrer uma redução na venda de água, sobretudo nos chamados blocos de rega confinantes (Vale de Gaio, Campilhas e Alto Sado, Vigia, Monte Novo, Roxo e Odivelas).

 

As elevadas afluências às albufeiras destes blocos de rega, permitem suportar as necessidades do ano agrícola, como referiu ao PÚBLICO o presidente da Associação de Beneficiários de Rega do Roxo (Abroxo), António Parreira. “Temos água própria para a campanha. O Roxo [bloco de rega] não vai necessitar de água de Alqueva” garante,

 

No entanto, o agricultor que não acredita em milagres, reclama a construção de mais barragens “para enfrentar o que aí vem com as alterações climáticas”. A solução, acentua, passa pelo armazenamento da água.” A associação a que preside pondera “levantar o descarregador de superfície da barragem do Roxo para ter maior encaixe de água e ao mesmo tempo estudar a possibilidade de “encaminhar ribeiras para levarem a água para o Roxo.”

 

Refuta argumentos do ministro

E explica as razões de uma tal opção: A única situação complicada que temos no Alentejo “está na bacia do Sado, onde cerca de 60% da água que corre na rede hidrográfica vai para o mar sem aproveitamento.” Com esta opção António Parreira pretende refutar o argumento do ministro do Ambiente e da Acção Climática João Pedro Matos Fernandes, quando disse, recentemente, “não compreender que se reclame a construção de mais barragens se não houver água para as encher.”

 

Também o presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO) Manuel dos Reis, salientou ao PÚBLICO que os regantes de Odivelas têm disponível na barragem que suporta o seu sistema de rega a água necessária para garantir as culturas de Primavera e Verão. A chuva que caiu até já obriga a fazer descargas como acontece nas barragens de Montargil e Maranhão, no bloco de rega do Sorraia, adiantou o presidente da Fenareg José Núncio, animado com o fim de um período de seca que já durava há cinco anos.

 

“A EDIA poderá eventualmente vender menos água, mas ela fica lá para quando for preciso” conclui o dirigente associativo, perspectivando um ano agrícola em que tudo “vai correr bem e nem vai haver problemas no Verão”.

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