BARRAGENS
Água de Espanha que chegaria a Alqueva num ano chegou
numa semana
A mais importante reserva de água do país conseguiu
garantir o abastecimento do regadio em Alqueva por quase três anos.
Carlos Dias
13 de Fevereiro
de 2021, 7:30
No dia 7 de
Fevereiro, às 23h, Espanha debitou para a albufeira do Alqueva um volume de
água que atingiu os 650 metros cúbicos por segundo. No dia 10, chegou aos 400
metros cúbicos e 24 horas depois atingia os 550 hectómetros cúbicos. Com esta
cadência a albufeira do Alqueva apresentava esta sexta-feira uma reserva de
água que quase atingiu os 3,5 mil hectómetros cúbicos. Alqueva recebeu numa
semana o volume de água que Espanha devia enviar ao longo de 2021.
No período de
apenas uma semana, a mais importante reserva de água do país conseguiu garantir
o abastecimento do regadio em Alqueva por quase três anos. Com as escorrências
que continuam a ser libertadas na bacia hidrográfica do Guadiana, acrescidas da
precipitação, a reserva de água em Alqueva poderá superar os mil milhões de
metros cúbicos, quando o Inverno ainda está a meio e até já se perspectiva a
possibilidade de atingir, pela terceira vez desde 2010 o seu enchimento pleno:
faltam 600 hectómetros cúbicos.
No entanto, a
fartura de água tem o seu reverso. As linhas de água no Alentejo estão repletas
de represas, barragens, açudes e charcas que garantem o regadio das culturas
sem necessidade de recorrer à Empresa de Desenvolvimento e Infraestrutruras do
Alqueva (EDIA) para fornecer água. Aliás, a empresa vai sofrer uma redução na
venda de água, sobretudo nos chamados blocos de rega confinantes (Vale de Gaio,
Campilhas e Alto Sado, Vigia, Monte Novo, Roxo e Odivelas).
As elevadas
afluências às albufeiras destes blocos de rega, permitem suportar as necessidades
do ano agrícola, como referiu ao PÚBLICO o presidente da Associação de
Beneficiários de Rega do Roxo (Abroxo), António Parreira. “Temos água própria
para a campanha. O Roxo [bloco de rega] não vai necessitar de água de Alqueva”
garante,
No entanto, o
agricultor que não acredita em milagres, reclama a construção de mais barragens
“para enfrentar o que aí vem com as alterações climáticas”. A solução, acentua,
passa pelo armazenamento da água.” A associação a que preside pondera “levantar
o descarregador de superfície da barragem do Roxo para ter maior encaixe de
água e ao mesmo tempo estudar a possibilidade de “encaminhar ribeiras para
levarem a água para o Roxo.”
Refuta argumentos
do ministro
E explica as
razões de uma tal opção: A única situação complicada que temos no Alentejo
“está na bacia do Sado, onde cerca de 60% da água que corre na rede
hidrográfica vai para o mar sem aproveitamento.” Com esta opção António
Parreira pretende refutar o argumento do ministro do Ambiente e da Acção Climática
João Pedro Matos Fernandes, quando disse, recentemente, “não compreender que se
reclame a construção de mais barragens se não houver água para as encher.”
Também o
presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO)
Manuel dos Reis, salientou ao PÚBLICO que os regantes de Odivelas têm
disponível na barragem que suporta o seu sistema de rega a água necessária para
garantir as culturas de Primavera e Verão. A chuva que caiu até já obriga a
fazer descargas como acontece nas barragens de Montargil e Maranhão, no bloco
de rega do Sorraia, adiantou o presidente da Fenareg José Núncio, animado com o
fim de um período de seca que já durava há cinco anos.
“A EDIA poderá
eventualmente vender menos água, mas ela fica lá para quando for preciso”
conclui o dirigente associativo, perspectivando um ano agrícola em que tudo
“vai correr bem e nem vai haver problemas no Verão”.

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