OPINIÃO
A teia socialista de Reguengos: triste retrato do país
Num município pequeno e com recursos limitados, onde tudo
depende da câmara e passa pela câmara, é da natureza humana que um presidente
com este poder ganhe um estatuto semelhante ao dos velhos coronéis brasileiros.
22 de Agosto de
2020, 0:05
A tragédia de
Reguengos de Monsaraz e o relatório tétrico da Ordem dos Médicos sobre o surto
no lar levou a que acontecesse o que quase nunca acontece: jornalistas de
grandes meios de comunicação social, sem ligações à cidade, foram ao local ver
o que se passava. E o que descobriram é simultaneamente assustador e típico de
dezenas e dezenas de municípios espalhados por esse país fora: o presidente da
câmara é, na prática, um senhor feudal.
Ele tem nas suas
mãos o circuito do dinheiro, dos empregos, da publicidade, das licenças, e até
do associativismo local; e a rede partidária – neste caso, do PS, agravada pelo
domínio do Estado central, mas noutros casos do PSD ou do PCP – vai ocupando
todos os lugares disponíveis, até sufocar qualquer réstia de independência e
espírito crítico.
José Calixto é
presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, da Agência de
Desenvolvimento Regional do Alentejo, da Rede Europeia de Cidades do Vinho, da
Associação Transfronteiriça Lago Alqueva, do conselho directivo da Comunidade
Intermunicipal do Alentejo Central, do conselho fiscal da Fundação Alentejo, da
assembleia geral dos Bombeiros Voluntários de Reguengos de Monsaraz, da mesa da
assembleia geral da Federação de Bombeiros Voluntários do Distrito de Évora e,
claro está, do conselho de administração da Fundação Maria Inácia Vogado
Perdigão Silva, dona do lar de Reguengos, onde morreram 17 pessoas.
Dentro da câmara,
José Calixto detém, por sua vez, os pelouros da protecção civil, do
desenvolvimento económico, das obras municipais, dos recursos humanos e da
gestão económico-financeira, patrimonial e administrativa do município. Não
estou a inventar nada. Está tudo escrito e declarado no site da câmara.
A única coisa que
não está lá escrita, mas decorre naturalmente daqui, é que José Calixto é dono
e senhor de Reguengos, porque não pode ser de outra maneira: num município
pequeno e com recursos limitados, onde tudo depende da câmara e passa pela
câmara, é da natureza humana que um presidente com este poder ganhe um estatuto
semelhante ao dos velhos coronéis brasileiros.
Com esse poder
vêm os laços de dependência, com os laços de dependência vem a falta de
escrutínio, e com a falta de escrutínio vem a promoção da incompetência. Se a
câmara é do PS, se todas as juntas de freguesia são do PS, se a segurança
social é do PS, se a Administração Regional de Saúde do Alentejo é do PS e se
na administração da Fundação Maria Inácia Silva só há gente do PS, é óbvio que
a escolha dos altos quadros da região não é decidida por competência, mas sim
por fidelidade partidária.
Reguengos de
Monsaraz é socialista desde 1975. Nas últimas eleições autárquicas, em 2017, o
PS de Calixto obteve 63,1% dos votos. Só que a esta tremenda percentagem
correspondem apenas 3127 votantes. Uma das coisas que impressiona nas
reportagens é a quantidade de gente que só fala sob anonimato. Justificação: “Toda
a gente tem alguém que trabalha na câmara, na junta de freguesia, na
Misericórdia ou na Fundação. Têm medo de perder o emprego.”
Se para alcançar
uma maioria absoluta basta garantir o voto de 2500 pessoas, e se o presidente
domina a câmara, o lar, o infantário, a misericórdia ou os bombeiros, a
estratégia do bico calado é bastante racional. Infelizmente, quando uma
pandemia aterra na cidade, e é essencial que os melhores estejam nos seus
lugares, eles pura e simplesmente não estão lá. E aí, o silêncio paga-se em
túmulos.
CORONAVÍRUS
Isolamento de doentes, higiene e coordenação. O que
falhou no lar de Reguengos, segundo os médicos
A ministra da Segurança Social afirma que alguns
documentos elaborados para perceber o que aconteceu no lar em Reguengos de
Monsaraz têm “elementos contraditórios”. Porque foi negado o acesso a outros
relatórios, o PÚBLICO olhou para o da auditoria da Ordem dos Médicos para
perceber o que terá falhado na gestão do surto.
Sofia Neves e
Alexandra Campos 19 de Agosto de 2020, 15:41
O surto em
Reguengos de Monsaraz regista 18 vítimas mortais e 171 casos confirmados
Há várias versões
do que se passou no lar de idosos da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão
Silva, em Reguengos de Monsaraz, onde um surto de covid-19 fez 18 vítimas
mortais e infectou 171 pessoas.
Além do relatório
da auditoria da Ordem dos Médicos (OM) a que o PÚBLICO teve acesso na íntegra,
existe um documento (“pronúncia”, na designação técnica) com a resposta da
Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo ao inquérito da OM e outro do
Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central . Há ainda uma
“avaliação” da Segurança Social, segundo adiantou esta terça-feira a ministra
da Segurança Social, Ana Mendes Godinho.
O PÚBLICO pediu
aos ministérios da Saúde e da Segurança Social o acesso a estes documentos, mas
o gabinete da ministra da Saúde, Marta Temido, recusou-se a revelá-los,
alegando que “ainda estão em análise” e o de Ana Mendes Godinho respondeu que a
avaliação foi enviada “para o Ministério Público a quem deve ser solicitado o
respectivo acesso”. Mendes Godinho afirmou também na terça-feira que alguns dos
documentos têm “elementos contraditórios”, mas, olhando só e apenas para o
cenário descrito no relatório da OM, percebe-se que não foi possível cumprir as
orientações da Direcção-Geral da Saúde (DGS) para estes espaços, como o
“isolamento diferenciado para os infectados” ou o distanciamento físico para os
casos suspeitos e que houve falhas e atrasos inaceitáveis.
O que falhou,
afinal, neste lar em Évora onde residiam 84 idosos, segundo a auditoria da
Ordem dos Médicos?
Rastreio demorou
três dias
De acordo com o
relatório da auditoria da OM, os problemas começaram logo a 18 de Junho, um dia
depois de ser detectado o primeiro caso de infecção numa funcionária do lar.
Uma equipa composta por um médico e cinco enfermeiros do centro de saúde de
Reguengos de Monsaraz (da Unidade de Saúde Familiar Remo) foi enviada ao lar
para fazer testes de rastreio a todos os utentes e funcionários. Apesar de
terem realizado mais de uma centena de colheitas, o grupo de profissionais de
saúde “não conseguiu terminar a tarefa pelas más condições de que dispunham”. O
resto das colheitas viria a ser feito por uma equipa de um laboratório privado
na manhã seguinte.
No dia 20 de
Junho, três dias depois de ser detectado o primeiro caso, ainda não eram
conhecidos todos os resultados dos testes à covid-19, e, apesar de a maioria
dos doentes que já se sabia estarem infectados permanecerem em quartos
separados dos restantes, alguns que aguardavam resultado encontravam-se “misturados”
com casos confirmados nos mesmos quartos. Além disso, havia muito espaços
comuns de circulação entre os grupos: os mesmos corredores, as mesmas áreas
comuns, as casas de banho, que também eram partilhadas.
Falta de
equipamentos de protecção
A equipa que
esteve no lar no dia 18 de Junho deslocou-se novamente para avaliar cerca de 50
utentes que se sabia estarem infectados depois de chegarem os primeiros
resultados. Segundo o relatório da OM, existiam, nesse momento, poucos
equipamentos de protecção individual (EPI) na Unidade de Saúde Familiar de
Remo. O grupo foi informado de que chegaria um carregamento de EPI no dia
seguinte, 20 de Junho, sábado. Três dias depois, uma equipa médica da Segurança
Social visitou o edifício, mas não teve lugar para se equipar, acabando por
fazê-lo no ginásio da instituição improvisado para esse fim. Além disso, é dito
que os equipamentos de protecção individual disponíveis eram demasiado pequenos
e constituíam “um perigo de falha na segurança dos profissionais de saúde”.
A 3 de Julho, já
depois de cerca de 60 doentes terem finalmente sido transferidos para o
pavilhão no Parque de Feiras da cidade, o médico destacado não dispôs de
equipamento de protecção. “Em vez disso, é-lhe fornecido um pijama idêntico ao
usado pelos doentes no internamento hospitalar. Muitos deste pijamas estavam
rasgados e/ou cortados, pois devido ao calor os voluntários cortaram as pernas
e/ou mangas dos mesmos”, lê-se no relatório.
Os utentes também
não usavam máscara cirúrgica ou comunitária, afirmam os membros da comissão de
inquérito da OM. Em 24 de Junho, já com 70 casos confirmados, os médicos de
família da USF Remo equipam-se no ginásio da instituição. Nessa altura,
continuavam a não existir zonas delimitadas para vestir ou despir os
equipamentos, nem cartazes com a “informação das boas práticas clínicas a ter
em atenção nestes procedimentos”.
De acordo com os
membros da comissão de inquérito da OM, esta equipa de profissionais de saúde
encontra nos quartos funcionários do lar a usar apenas uma máscara cirúrgica e em
contacto com os doentes. Os doentes não utilizavam qualquer tipo de máscara.
Só nove dias
depois de detectado o primeiro caso, a 26 de Junho, são desenhados os circuitos
dos doentes — idosos infectados ficam no primeiro andar e o rés-do-chão é
reservado para constituir zona “limpa” para as equipas de saúde.
Falta de
condições do lar
A equipa de
profissionais de saúde que não tinha conseguido fazer a colheita das amostras
nos primeiros dias do surto reporta, a 21 de Junho, por email, as péssimas
condições existentes na instituição para prestação de cuidados aos utentes
infectados. A equipa tem de se deslocar aos quartos dos doentes para a
realização de novos testes de rastreio, uma vez que estes tinham grande
dificuldade de mobilização e o lar não tinha recursos humanos suficientes para
proceder a essa deslocação.
Descrevem
“quartos de quatro ou cinco camas numa parte do edifício antigo, degradado, com
calor extremo, cheiro horrível, lixo no chão, vestígios de urina seca no pavimento”.
A equipa assinala que não tinha espaço para se movimentar, porque os doentes
estavam deitados em camas quase lado a lado. “Vemos doentes acamados,
desidratados, desnutridos, alguns com escaras com pensos repassados, alguns só
usando uma fralda, completamente desorientados”, descrevem.
Dias depois, esta
situação mantém-se: a equipa da USF de Remo é acompanhada por uma funcionária
do lar que ia identificando os doentes para que os profissionais os avaliassem.
Os doentes continuavam a não usar máscara e ainda estavam distribuídos por
quartos com duas a seis camas, “algumas com espaço tão reduzido entre elas que
[os elementos da USF] tinham de circular de lado para conseguir chegar ao
doente”. Também não existiam frascos de gel de desinfecção nos quartos ou nos
corredores. Além disso, não havia aparelhos de climatização ou circulação do
ar, o que fazia com que os quartos se encontrassem a temperaturas elevadas.
Pessoas em parte
incerta
A 23 de Junho, a
equipa de médicos não conseguiu, como já tinha acontecido anteriormente com
outras equipas médicas, realizar os testes de rastreio a todas as pessoas,
porque estas “não se encontravam no lar naquele momento”. Os médicos não
conseguiram obter informação sobre o paradeiro dessas pessoas: alguns seriam
utentes transferidos para o hospital, outros funcionários que estariam em
quarentena no domicílio. Os médicos foram trabalhar para a USF no dia seguinte
e nunca fizeram testes. “Até à altura do inquérito, nenhum desenvolveu qualquer
sintomatologia de infecção”, lê-se no relatório.
A 24 de Junho,
sete dias depois de detectada a primeira infecção e quando existiam já 70 casos
confirmados e uma morte, os médicos da unidade de Remo têm uma reunião com a
direcção do Agrupamento dos Centros de Saúde do Alentejo Central e a autoridade
de saúde pública local. Numa das visitas desse dia, a equipa da USF percebe que
os funcionários do lar não sabiam como tratar dos resíduos contaminados. Os
profissionais de saúde acabam por colocar equipamentos num saco e levá-los para
a unidade. Segundo o relatório, a equipa de profissionais de saúde diz também
que nunca foi dado a conhecer até esta altura o plano de contingência da
instituição.
Sobre esta
questão e de acordo com um comunicado com esclarecimentos da Fundação Maria
Inácia Vogado Perdigão Silva divulgado no passado dia 11, a comissão de
inquérito da Ordem dos Médicos esteve apenas “durante algumas horas” no
pavilhão multiusos do parque de exposições. A fundação garante que o lar dispõe
desde Março de “um plano de contingência covid-19 (do pleno conhecimento da
Ordem dos Médicos)”.
Falta de
funcionários e de medicamentos
Neste surto, pelo
menos 15 funcionários do lar terão ficado infectados com o novo coronavírus e
tiveram de permanecer em isolamento domiciliário. Enquanto isso, terão sido
vários os doentes que “estiveram alguns dias sem fazer a terapêutica habitual
por não haver ninguém que a preparasse ou administrasse”. Mais: ficaram por dar
aos idosos fármacos “importantes” por não haver “processos clínicos organizados
e actualizados”, ou “insulina por falta de canetas”. Não havia igualmente no
lar medicamentos para situações de “emergência, capacidade de suporte avançado
de vida ou cardioversão eléctrica” e a possibilidade de administração de
oxigenoterapia era “limitada”.
A 10 de Julho,
uma equipa de médicos e enfermeiros organizou a medicação de todos os doentes.
Estes profissionais de saúde descrevem que os medicamentos vindos da farmácia
“encontram-se todos amontoados numa mesa, alguns abertos, com variados
comprimidos fora dos blisters [embalagens] e caídos na mesa”. Os médicos
verificam ainda que em várias ocasiões houve medicação que não foi administrada
a múltiplos doentes.
Muitos doentes
não foram internados
De acordo com o
relatório da OM, as equipas médicas alertaram, “sistematicamente”, as
autoridades competentes de que não dispunham, no edifício do lar, das condições
necessárias para tratar os doentes de acordo com as boas práticas clínicas.
Mais de duas semanas depois do primeiro caso, quando já tinham sido registadas
oito mortes, o número de internados no Hospital do Espírito Santo de Évora
(HESE) é de 17, seis dos quais nos cuidados intensivos. A 8 de Julho o hospital
reactiva uma enfermaria para doentes com covid-19 para “dar resposta” ao
“aumento de pressão”.
No pavilhão para
onde foram transferidos, os doentes ficam em “enfermarias separadas por
pladur”, com seis a oito camas com distância. Também a 8 de Julho, após
avaliação de um médico, foi necessário transferir um doente para o hospital por
agravamento do estado clínico e, segundo o relatório, os bombeiros demoraram
2h30 a chegar.
Como o PÚBLICO
noticiou esta quarta-feira, o delegado de saúde pública local, um clínico de 70
anos que foi contratado por quatro meses no âmbito das medidas extraordinárias
de combate à pandemia, não visitou o lar de idosos de Reguengos por ser de um
“grupo de risco”. O delegado de saúde coordenador, lê-se no relatório da OM,
resolveu “delegar” esta função numa enfermeira especialista em controlo de
infecção que apenas terá visitado o lar a 23 de Junho, quase uma semana depois
de ser conhecido o primeiro caso de covid-19. Foi também só nesse dia que uma
equipa da Segurança Social visitou o lar, de acordo com o documento.
O médico explicou
ao PÚBLICO, por email, que, além da idade avançada, é “fumador” e não tem
“nenhuma experiência no uso dos EPI [equipamentos de protecção individual]
necessários” e sublinhou que “nada nas orientações publicadas” [pela
Direcção-Geral da Saúde] o “obriga ou obrigava a ir em pessoa ao local”. “O que
eu tinha de fazer era avaliar a situação de informações que me chegaram e que
davam conta de irregularidades nas medidas de controlo de infecção então
recomendadas”, disse. Para isso, pediu a colaboração da enfermeira que é
coordenadora do programa de controlo de infecção do ACES, “exactamente a pessoa
indicada para o que era necessário fazer”.
Comissão de
inquérito impedida de entrar
Os membros da
comissão de inquérito da Ordem dos Médicos que fizeram o relatório sobre o lar
não tiveram permissão para visitar as instalações, nem tiveram resposta ao
pedido para aceder ao relatório de avaliação da situação inicial feito pela
autoridade de Saúde, como a coordenadora da auditoria, Filipa Lança, criticou
em declarações ao PÚBLICO. A visita da comissão da OM ocorre 13 dias depois de
detectado o primeiro caso. Segundo o relatório, “não foi possível efectuar
visita às instalações do lar, apenas às do pavilhão”.
O Expresso fez um
cruzamento entre as declarações do primeiro-ministro, António Costa, e as da
ministra da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e a cronologia revelada pelo
relatório da OM. E concluiu: o Governo demorou 18 dias a pedir uma investigação
ao lar de Reguengos de Monsaraz desde que se registou a primeira morte. Além
disso, como noticiou o PÚBLICO, o Ministério Público já estava a averiguar o
caso desde o início de Julho, ainda antes de ser elaborado qualquer relatório.
Esta terça-feira,
a ministra da Segurança Social respondeu às críticas que lhe têm sido apontadas
na gestão dos surtos em lares de idosos, garantindo que “desde o início que os
lares são prioridade total do Governo”. “Conheço o teor dos relatórios, li todos
os relatórios. Pedi [à minha equipa técnica] para fazer uma análise minuciosa.
Aliás, aproveito para dizer que, logo no dia 12 de Julho, pedi à Segurança
Social que fizesse uma avaliação e desencadeasse toda uma análise do que se
passava em Reguengos”, assegurou a governante.
De acordo com a
ministra, a sua tutela elaborou um relatório a 14 de Julho, que foi enviado
dois dias depois para o Ministério Público, a 16 de Julho. A ministra da
Segurança Social disse ainda que lê todos os relatórios que lhe são enviados,
em resposta às acusações que lhe foram feitas após uma entrevista ao Expresso
na qual dizia não ter lido o relatório da Ordem dos Médicos sobre este surto.
Além disso, insistiu que é no Ministério Público que os relatórios devem ser
analisados, até porque, acrescentou, alguns dos documentos tinham “elementos
contraditórios”.
ARS do Alentejo
contesta relatório
A Administração
Regional de Saúde (ARS) do Alentejo contestou o relatório de auditoria da Ordem
dos Médicos. A RTP consultou a resposta enviada pela ARS ao Ministério da Saúde
depois de Marta Temido ter pedido explicações sobre o que lhe tinha chegado do
inquérito da OM. No documento, a ARS Alentejo tece duras críticas a um
relatório que, diz, não tem fundamento.
“A Ordem dos
Médicos vem pretender branquear o seu comportamento de obstaculização da
prestação dos cuidados de saúde com a instauração de uma auditoria (…) que visa
substituir-se a um inquérito judicial”, sustenta a ARS Alentejo, acusando a
própria relatora do processo de ter sido a responsável pela falta de médicos no
lar.
E classifica o
método utilizado como obscuro e enganoso. “A metodologia terá de se qualificar
de obscura quanto à documentação (…), enganosa (…), e é tendenciosa quando se
procede à audição — quase exclusivamente — dos profissionais médicos que se
recusaram a cumprir de forma voluntária e normal os seus deveres funcionais.”
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