AGRICULTURA
Portugal está a perder área florestal, pastagens e matos
As áreas florestais perdidas no último triénio analisado
não só não estão a ser repostas, como estão a dar lugar a territórios
artificializados, corpos de água e áreas agrícolas.
Teresa Silveira
11 de Julho de 2020, 20:35
As Estatísticas
de Uso e Ocupação do Solo referentes a 2018 publicadas recentemente pelo
Instituto Nacional de Estatística (INE), baseadas na Carta de Uso e Ocupação do
Solo (COS) produzida pela Direcção-Geral do Território (DGT), concluem que a
floresta continua a ter “uma enorme expressão territorial em todo o território
continental” português. Revelam, contudo, que a área preenchida com floresta,
pastagens e matos está a regredir em Portugal. E em contraciclo com os últimos
cinco anos (2010-2015) analisados.
Duas das causas,
que já tinham sido antecipadas no último Inventário Florestal Nacional (IFN6)
divulgado em finais de Junho de 2019 pelo Ministério da Agricultura, Florestas
e Desenvolvimento Rural, prendem-se com a “dinâmica própria dos ecossistemas
florestais” e com as consequências dos “severos incêndios rurais de 2017 e de
2018 (Monchique)”. Nesse documento, a constatação é clara: “O estado da
floresta em 2015 é diferente da sua situação actual” (Junho 2019).
Os números que
constam das Estatísticas de Uso e Ocupação do Solo referentes a 2018 agora
revelados pelo INE são elucidativos. Entre 2015 e 2018, as áreas florestais, de
matos e de pastagens e as áreas agrícolas eram “as que apresentavam uma maior
perda de área – entre 56 e 140 quilómetros quadrados”.
A diferença é
que, no caso das áreas agrícolas, as perdas foram compensadas com 239,8
quilómetros quadrados (km2) de novas áreas, resultando num saldo positivo, mas
o mesmo não se verificou nas áreas florestais, de matos e pastagens perdidas.
Aí, diz o INE, “a perda de área não foi compensada pelos novos 92,7 km2, 14,1
km2 e 13,1 km2 afectos, respectivamente, a estas classes”.
No cômputo geral,
no caso das superfícies agro-florestais, registou-se “um saldo negativo de -9,3
quilómetros quadrados”. O INE refere mesmo que “a conversão de áreas
florestais, de matos, agrícolas e de pastagens resultou em novos territórios
artificializados”, ou seja, territórios onde coexistem habitações, espaços
industriais, estradas, ferrovias ou aeroportos.
As perdas de áreas
afectas à floresta no período entre 2015 e 2018 dão ainda mais nas vistas
porquanto representam uma inversão da tendência verificada nos anos anteriores.
O 6º Inventário Florestal Nacional publicado em Junho do ano passado
comprova-o, ao afirmar que “a tendência de diminuição da área de floresta, que
se verificava desde 1995, inverteu-se em 2015, registando-se com este
inventário um aumento de 60 mil hectares (1,9%) face a 2010 (data da última
avaliação)”.
As dinâmicas de
alterações de uso e ocupação do solo não foram, porém, uniformes no território
continental. Nas regiões Centro, Alentejo e Algarve, ao contrário do
comportamento médio do continente, registaram-se “ganhos de área florestal”. O
INE refere que “o balanço entre novas áreas florestais, provenientes de outras
classes de uso e ocupação do solo, e áreas convertidas para outras classes
resultou num saldo positivo”.
Em 2018, segundo
o INE, cerca de 38,8% da superfície de Portugal Continental correspondia a área
florestal, 26,2% a área agrícola e 12,4% a área de matos. Ainda com uma
proporção de superfície superior a 5% destacavam-se, no continente, as
superfícies agro-florestais (8,2%), a área de pastagens (6,4%) e os territórios
artificializados (5,2%). As restantes três classes de uso e ocupação do solo –
massas de água superficiais, espaços descobertos ou com pouca vegetação e zonas
húmidas – representavam em conjunto cerca de 2,7% da superfície.
De acordo com o
último Inventário Florestal Nacional, os espaços florestais (floresta, matos e terrenos
improdutivos) ocupam 6,2 milhões de hectares (69,4%) do território nacional
continental.
Ao nível
regional, o Centro apresentou a maior proporção de área florestal (50,1%) e a
região Norte a maior proporção de área agrícola (29,3%), salientando-se que a
presença desta última classe, área agrícola, era também significativa na Área
Metropolitana de Lisboa (27,4%) e no Alentejo (27,3%). A Área Metropolitana de
Lisboa destacou-se também pela maior proporção de área de territórios
artificializados (21,7%) e de massas de água superficiais (6,2%).
A região do
Alentejo apresentou a maior proporção de superfícies agro-florestais (20,8%) e
área de pastagens (12,1%), segundo o INE, enquanto o Algarve assinalou a maior
extensão de área de matos (26,6%).
De acordo com o
6.º Inventário Florestal Nacional (Junho de 2019), os eucaliptais ocupam 845
mil hectares, cerca de 26% da floresta continental e “apresentando um
sistemático incremento ao longo dos últimos 50 anos”, lê-se nas conclusões. Os
matos – que têm “um aumento contínuo desde 1995” – e as pastagens representam a
segunda categoria mais expressiva de uso do solo (31%).
Pinheiro bravo dá
lugar ao eucalipto
Ao PÚBLICO, o
presidente do Centro PINUS, respondendo a várias questões relacionadas com a
apresentação recente que fizeram de medidas para reverter a tendência de
decréscimo do pinheiro bravo em Portugal, avançou outro dado. Fê-lo com base na
actualização mais recente do Inventário Florestal Nacional.
Essa
actualização, diz João Gonçalves, “indica as alterações da ocupação do solo
entre 2005 e 2015”. E, “em 2015, 42% da área que deixou de estar ocupada por
pinheiro-bravo estava ocupada por matos (111.400 hectares, sem indicação se
seriam espécies invasoras) e 27% com eucaliptos (71 500 hectares).
O mesmo
responsável faz notar, ainda de acordo com o Inventário Florestal Nacional, que
“os incêndios serão a principal causa de declínio da área de pinhal” em
Portugal. João Gonçalves explica: “O pinheiro-bravo tem uma excelente
capacidade de regeneração natural após os incêndios, mas, quando estes ocorrem
em pinhais ainda jovens, sem semente suficiente, o pinhal desaparece e é
substituído, geralmente por matos, devido ao abandono”.
Os montados,
sobreirais e azinhais são, ainda assim, “a principal ocupação florestal em
Portugal, com cerca de um milhão de hectares e representando um terço da
floresta nacional”. Estamos em presença de “ecossistemas florestais de uso
múltiplo, os quais não têm a produção lenhosa como principal função”, lê-se na
última actualização do Inventário Florestal Nacional.
Por seu lado, os
pinhais são a segunda formação florestal, com uma área próxima de um milhão de
hectares, sendo os ecossistemas florestais com maior redução na área ocupada,
conclui o Inventário.
A diminuição da
área “deve-se aos pinhais de pinheiro-bravo, muito afectados pelos incêndios e
pragas (sendo a mais expressiva o nemátodo), a qual supera o significativo
aumento da área de pinhal de pinheiro-manso (20,7 mil hectares; 12% entre o
IFN5 e IFN6)”. Contudo, “no período entre 2010 e 2015 a área de pinheiro-bravo
registou uma desaceleração muito significativa face à acentuada tendência de
diminuição que se verificava desde 1995”, refere o documento.
Área ardida
triplica em 2017
Analisando as
últimas “Contas Económicas da Silvicultura”, publicadas a 27 de Junho de 2019
(referentes ao ano de 2017), há um facto importante a reter: “o ano de 2017 foi
marcado por um conjunto de incêndios de grande dimensão”, diz o INE.
Fruto disso, de
2016 para 2017, a superfície florestal ardida aumentou de cerca de 168 mil para
502 mil hectares, respectivamente.
A produção da
silvicultura aumentou 1,6% em valor e decresceu 0,5% em volume no mesmo
período. Porém, o valor acrescentado bruto (VAB) do sector decresceu 2,3% em
volume e 1,0% em valor. Um decréscimo que ocorreu “após um período de
crescimento entre 2009 e 2015 (crescimentos médios de 5,3% em valor e de 3,9%
em volume)”, refere o INE.
Na União Europeia
(UE-28), os últimos dados (Dezembro 2019) do Eurostat, indicam que havia, em
2016, cerca de 182 milhões hectares de florestas e outras terras arborizadas.
As actividades da
silvicultura e da exploração florestal geraram na UE 26,5 biliões de euros de
valor acrescentado bruto em 2016. Do total da produção de madeira, três quartos
destinou-se a abastecer as indústrias madeireiras e um quarto foi para lenha.
Por seu lado, as
indústrias à base de madeira geraram 142,7 mil milhões de euros de valor
acrescentado bruto (VAB) no mesmo ano em toda a União Europeia.
METEOROLOGIA
Temperaturas elevadas e risco máximo de incêndio: treze
distritos sob alerta
Esta semana a temperatura máxima deverá variar entre 30 e
35 graus Celsius no litoral, devendo atingir valores entre 35 e 40 graus nas
regiões do interior.
Lusa 13 de Julho
de 2020, 8:43
Quinze concelhos
dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco, Guarda e Bragança
apresentam esta segunda-feira um risco máximo de incêndio, segundo o Instituto
Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Em risco máximo
estão os concelhos de Torre de Moncorvo (Bragança), Figueira de Castelo
Rodrigo, Trancoso (Guarda), Proença-a-Nova, Vila Velha de Ródão, Vila de Rei
(Castelo Branco), Nisa, Marvão, Gavião (Portalegre), Mação, Abrantes, Sardoal
(Santarém), Tavira, Castro Marim e Alcoutim (Faro).
O IPMA colocou
também em risco muito elevado e elevado de incêndio vários concelhos de todos
os distritos (18) de Portugal continental. Segundo o IPMA, pelo menos até ao
final da semana vai manter-se o risco de incêndio máximo e muito elevado em
muitos concelhos do continente por causa do tempo quente.
O IPMA prevê a
continuação de tempo quente, com uma subida gradual a partir desta
segunda-feira e pelo menos até sexta-feira. Durante esta semana a temperatura
máxima deverá variar entre 30 e 35 graus Celsius no litoral, devendo atingir
valores entre 35 e 40 graus nas regiões do interior.
Também a
temperatura mínima apresenta tendência para uma subida gradual, com valores que
deverão ser superiores a 20 graus em grande parte do território continental, em
especial no interior e no sotavento algarvio, e que são classificadas como
noites tropicais. Os valores de temperatura estão acima do habitual para a
época do ano e esta persistência poderá levar a uma situação de onda de calor
em diversos locais do país, em especial no interior.
Na origem do
tempo quente está um “anticiclone localizado a nordeste dos Açores, que se
estende em crista até ao Golfo da Biscaia, em conjunto com um vale
depressionário desde o norte de África até à Península Ibérica, origina o
transporte de uma massa de ar quente do norte de África a qual será responsável
pela persistência de valores elevados de temperatura ao longo da semana”.
Tempo quente
motiva alerta
Treze distritos
de Portugal continental estão sob aviso amarelo esta segunda-feira devido à
previsão de tempo quente, segundo o IPMA.
Os distritos de
Braga, Vila Real, Bragança, Guarda, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém,
Portalegre, Lisboa, Setúbal, Évora e Beja estão sob aviso até às 21h desta
segunda devido à persistência de valores elevados da temperatura máxima.
O aviso amarelo é
emitido pelo IPMA sempre que existe uma situação de risco para determinadas
actividades dependentes da situação meteorológica.
Também a
temperatura mínima apresenta tendência para uma subida gradual, com valores que
deverão ser superiores a 20 graus em grande parte do território continental, em
especial no interior e no sotavento algarvio, e que são classificadas como
noites tropicais.
As temperaturas
mínimas vão oscilar entre os 16 graus Celsius (na Guarda, Leiria, Setúbal,
Évora e Beja) e os 22 (em Faro e Portalegre) e as máximas entre os 28 (em
Aveiro) e os 38 (em Santarém).
Exposição aos
raios UV
Cinco distritos
de Portugal continental, as ilhas açorianas da Terceira e Faial e a Madeira
apresentam hoje um risco extremo de exposição à radiação ultravioleta (UV),
segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Para as regiões
com risco extremo, o IPMA recomenda que se evite o mais possível a exposição ao
sol.
O IPMA colocou
ainda os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança,
Aveiro, Viseu, Coimbra, Castelo, Branco, Leiria, Lisboa, Setúbal e Faro, no
continente, as ilhas das Flores e São Miguel (nos Açores) e a ilha do Porto
Santo em risco muito elevado.
Para as regiões
com risco muito elevado, o IPMA aconselha a utilização de óculos de sol com
filtro UV, chapéu, t-shirt, guarda-sol, protector solar e evitar a exposição
das crianças ao Sol.
O cálculo é feito
com base nos valores observados às 13h de cada dia relativamente à temperatura
do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas
últimas 24 horas.


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