sexta-feira, 10 de julho de 2020

Plano prevê TGV de segunda categoria entre Lisboa e o Porto



Plano prevê TGV de segunda categoria entre Lisboa e o Porto

Uma nova linha faseada entre Lisboa e Porto colocará as duas cidades a duas horas de distância.

Carlos Cipriano 10 de Julho de 2020, 19:48

Entre o plano de Costa Silva, o Conselho Superior de Obras Públicas, o ministro das Infra-estruturas e o actual estado da arte do Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030 há uma convergência sobre como deverá ser a ligação ferroviária Lisboa – Porto: uma nova linha, construída progressivamente através de variantes à actual linha do Norte, que deverá colocar as duas cidades à distância de duas horas.

Não será uma linha de alta velocidade pura e dura – até porque TGV passou a ser uma sigla maldita ou, no mínimo, tabu - mas estará próxima disso ao permitir que os comboios circulem a 250 Km/hora em grande parte do seu percurso.

Costa Silva dá prioridade ao troço Porto – Soure, uma enorme variante à linha do Norte, que na versão do PNI2030 aparece desdobrada em duas: um novo canal de altas prestações entre Gaia e Cacia e uma nova via dupla de altas prestações entre Mealhada e Soure. A obra fica concluída com mais uma variante do Entroncamento ao Vale de Santarém e uma terceira via na zona de Alverca.


Parecem remendos. E são. Mas é mais barato do que uma linha de alta velocidade de raiz e permitirá ligar Santa Apolónia a Campanhã em duas horas. Está estimada em 1500 milhões de euros, muito aquém dos 5000 milhões para uma linha de alta velocidade preparada para os 300 Km/hora.

Tem outra vantagem: pode ser construída faseadamente e fazer repercutir os ganhos de tempo na viagem Lisboa - Porto à medida que sucessivos troços forem inaugurados. E pode ser financiada em 80% pela União Europeia.

De acordo com a Infraestruturas de Portugal, a futura linha, que tem o extenso nome de “Programa de Reforço da Capacidade e Aumento de Velocidades no Eixo Porto – Lisboa” induzirá um aumento na procura de passageiros em 30% e de mercadorias em 40%. Do ponto de vista ambiental, ao aumentar a capacidade dos serviços de longo curso e libertar a capacidade da infra-estrutura para os tráfegos suburbano e de mercadorias, este investimento permitiria, por ano, reduzir as emissões de CO2 em 80 mil toneladas e retirar 100 mil camiões das estradas.

Pedro Nuno Santos já disse que quer uma grande área metropolitana entre Lisboa e o Porto, Costa Silva acrescenta que “esta ligação aproximará as duas áreas metropolitanas do país e o seu funcionamento em rede” e o Conselho Superior de Obras Públicas diz que esta solução deve ser implementada tão rapidamente quanto possível.

Esta convergência ganha força perante os que defendem uma linha de alta velocidade a sério que coloque Lisboa e o Porto à distância de 1h15, tal como chegou a estar previsto pela RAVE (a empresa da Refer criada para desenvolver o projecto do TGV) e para a qual também haveria fundos comunitários com 80% a fundo perdido.

Quanto ao resto, Costa Silva atribui importância à ligação Porto – Vigo e a outras “amarrações ibéricas” que devem ser equacionadas no curto prazo. O Conselho Superior de Obras Públicas dá prioridade à rede ferroviária das áreas metropolitanas e à construção da linha Sines – Grândola vocacionada para mercadorias

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