sexta-feira, 7 de maio de 2021

PAN quer Parlamento a debater, com urgência, imigração ilegal e rede de tráfico em Odemira

 




CORONAVÍRUS

PAN quer Parlamento a debater, com urgência, imigração ilegal e rede de tráfico em Odemira

 

Também o Bloco de Esquerda e o CDS pedem esclarecimentos ao Governo, num conjunto de perguntas enviadas ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Administração Interna.

 

Liliana Borges

4 de Maio de 2021, 21:06

https://www.publico.pt/2021/05/04/politica/noticia/pan-quer-parlamento-debater-urgencia-imigracao-ilegal-rede-trafico-odemira-1961199

 

O PAN entregou nesta terça-feira um requerimento para agendar um debate de urgência sobre a imigração ilegal, redes de tráfico de pessoas, escravatura laboral, sobrelotação e insalubridade de habitações dos trabalhadores agrícolas em Odemira. No documento, o partido enumera os problemas que ultrapassam “a já muito grave questão da habitação” e pede que o debate aconteça já na quinta-feira, na sessão plenária de 6 de Maio. Mas há mais partidos a exigirem respostas do Governo. Além do requerimento entregue pelo PAN, o Bloco de Esquerda e o CDS enviaram perguntas aos ministérios da Saúde e da Administração Interna, respectivamente.

 

Em causa estão os abusos de direitos humanos e as condições precárias de habitabilidade, expostos com o decretar de uma cerca sanitária nas freguesias de São Teotónio e Longueira/Almograve. Estima-se que cerca de seis mil trabalhadores agrícolas explorados se encontrem a residir em locais sobrelotados e insalubres.

 

O Ministério Público estará já a investigar 11 casos de prática de auxílio à imigração ilegal. Também o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) tem em todo o Alentejo 32 inquéritos por tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal, seis dos quais em Odemira. Esta terça-feira, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, declarou que a prioridade “agora é a saúde pública”, uma vez que o problema do alojamento dos migrantes não é algo que se resolva no imediato.

 

No requerimento, o PAN afirma que estes são “problemas esses de cariz transversal” para os quais tem alertado, lamentando as “verdadeiras violações de direitos humanos​” que têm sido “relativizadas" pelo Governo no passado, lê-se.

 

O partido aproveita ainda para alertar para os problemas ambientais associados às explorações e práticas de agricultura intensiva, nomeadamente os impactes ambientais no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) associados à “expansão desregrada do ‘mar de plástico’ das estufas”. Para oPAN, “como se toda a situação vivida pelos trabalhadores agrícolas da região” não bastasse, acresce ainda a dimensão ambiental “como consequência da actividade agrícola intensiva que tem avançado de forma totalmente desequilibrada”.

 

BE diz que não há “novidade ou surpresa"

Do lado do Bloco de Esquerda, não há “nem novidade, nem surpresa” em relação às situações denunciadas e que já foram levadas ao Parlamento pelo próprio partido. “Há muito que são conhecidas as situações de extrema exploração e profunda precariedade habitacional”, assinala o BE na pergunta enviada à ministra da Saúde, lembrando que já trouxe “ao Parlamento e ao debate público” as situações de trabalho forçado e insistindo que “nos últimos anos não têm faltado reportagens sobre o assunto”.

 

Nas perguntas enviadas a Marta Temido por Moisés Ferreira, José Manuel Pureza, José Soeiro e Maria Manuel Rola, o BE questiona a acção da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), as respostas prometidas pelo Governo em relação às condições de habitabilidade dos trabalhadores que estavam em risco de aumentar as cadeias de transmissibilidade do vírus que provoca a covid-19 e a posição do Ministério da Saúde em relação a uma resolução de um Conselho de Ministros de 2019, que equipara o alojamento de trabalhadores agrícolas ao armazenamento de alfaias agrícolas.

 

CDS quer saber Governo pondera reverter requisição civil

Pelo CDS, Telmo Correia expressa a preocupação em relação à requisição civil decretada ao empreendimento Zmar - Eco Camping Resort, notando que “mais de metade das habitações são particulares e estão habitadas”. Os centristas querem também saber que o Governo vai reembolsar a Câmara Municipal de Odemira pelos “encargos que vai ter com a operação do empreendimento em termos de condições de higiene e de segurança” e se há algum protocolo.

 

 

Num conjunto de perguntas enviadas a Eduardo Cabrita, o CDS pergunta ainda se existe alguma estimativa provisória do valor das indemnizações a pagar pelos prejuízos que vão resultar da requisição da totalidade dos imóveis, e direitos a eles inerentes, e se o Governo equaciona revogar esse artigo do despacho aprovado no último Conselho de Ministros.

 

O complexo turístico do Zmar ocupa uma área de 81 hectares e inclui um eco-hotel com tipologias T1 a T3, com 170 habitações privadas e 100 com fins turísticos. A requisição civil destes empreendimentos não está a ser pacífica. O bastonário da Ordem dos Advogados fala em violação dos direitos humanos e questiona a legalidade da medida, uma vez que o país já não se encontra em estado de emergência pelo que a requisição das instalações do empreendimento turístico “só poderia ter sido feita com um mandado judicial”.

 

Inaugurado em 2009, o Zmar tem cerca de 420 credores (entre os quais o Estado), que reclamam créditos num valor superior a 40 milhões de euros e viu a sua proprietária, a empresa Multiparques a Céu Aberto - Campismo e Caravanismo em Parques, S.A., ser declarada insolvente no Tribunal Judicial de Odemira, há cerca de duas semanas.

 

Nesta quarta-feira, uma comitiva do PSD desloca-se a Odemira para uma série de reuniões com entidades da região para se inteirar da situação actual.

 

tp.ocilbup@segrob.anailil

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