Pedro Santos Guerreiro
“A avidez com que
a direita portuguesa olhou para a vitória de Isabel Díaz Ayuso em Madrid é mais
sinal de desespero do que de esperança. Nada é replicável para Portugal, nem a
política nem a cidadania espanholas, mas há contrastes elucidativos. Começando
pelo da clareza das estratégias, lideranças e discursos dos homens portugueses
[sim, homens: dos 71 membros das direções do PSD, CDS, IL e Chega, 16 são
mulheres, percentagem de 23% que baixa para 18% se não considerarmos o IL.]
face aos da mulher que levou o PP à vitória. É por isso quase cómico ver o amuo
desta semana de Rui Rio com o “quase insulto” de António Costa. (...)
A vitória de Díaz
Ayuso em Madrid pouco pode inspirar Rui Rio, por ela ser tudo o que ele não é.
Nem o PSD pode ser aquilo nem o CDS, que manteve a insistência na inexistência
quando há semanas não mudou de líder e manteve um “Chicão” que se faz de
Chiquinho, vítima de preconceito social contra os jovens. Rodrigues dos Santos
devia aprender a lição básica: se não queres ser visto como miúdo não te portes
como miúdo. É o Iniciativa Liberal quem poderia estar mais próximo do PP de
Madrid, mas, apesar do trajeto ascendente, falta-lhe profundidade ideológica e
diversidade programática para lá da economia. Ayuso defende uma política
liberal como o IL com o oportunismo do Chega (no seu caso, sobre a pandemia) e
uma vocalização de arrebanhar comícios que nenhum presidente de partido tem
hoje em Portugal. (...)"
Excertos do texto de hoje no Expresso.

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